11 3721-5317 | 11 98822-6266

Tag leucemia

O que é a Leucemia Linfocítica Crônica?

A Leucemia Mieloide Crônica (LMC) é um tipo de câncer do sangue e da medula óssea que afeta principalmente as células da linhagem mieloide.

Na LMC, ocorre uma alteração genética característica que leva à formação do gene BCR::ABL1. Esse gene produz uma proteína que envia sinais contínuos para que as células leucêmicas cresçam e se multipliquem.

A LMC geralmente evolui mais lentamente do que as leucemias agudas.

O que é o cromossomo Filadélfia?

O gene BCR::ABL1 geralmente surge quando partes dos cromossomos 9 e 22 trocam de posição.

Essa alteração forma o chamado cromossomo Filadélfia.

Cromossomo Filadélfia → BCR::ABL1 → LMC

Essa característica é extremamente importante porque permite identificar a doença e também direcionar o tratamento.

Quais são os sintomas?

Muitas pessoas com LMC não apresentam sintomas no momento do diagnóstico. A doença pode ser descoberta por acaso em um exame de sangue realizado por outro motivo.

Quando aparecem, os sintomas podem incluir:
• cansaço;
• perda de peso sem explicação;
• febre;
• suor noturno;
• perda de apetite;
• sensação de peso ou desconforto no lado esquerdo do abdômen;
• aumento do baço;
• dor óssea.

Alguns sintomas podem ocorrer porque a doença interfere na produção normal das células do sangue.

Como a LMC é diagnosticada?

O diagnóstico começa geralmente com um hemograma, que pode mostrar alterações importantes na quantidade de glóbulos brancos.

Mas o diagnóstico da LMC depende da identificação da alteração BCR::ABL1 ou do cromossomo Filadélfia.

Os principais exames são:

Hemograma
Avalia a quantidade de:
• glóbulos brancos;
• glóbulos vermelhos;
• plaquetas.

Citogenética (cariótipo)
Pode identificar o cromossomo Filadélfia nas células da leucemia.

FISH
É um exame que procura especificamente alterações envolvendo o BCR::ABL1 e pode apresentar resultados mais rapidamente que o cariótipo.

PCR quantitativo (qPCR)
Detecta e mede a quantidade de BCR::ABL1 no sangue ou na medula óssea.
Esse exame terá uma importância especial durante o tratamento, porque permite acompanhar a quantidade de doença ao longo do tempo.

É preciso fazer exame da medula óssea?

Pode ser necessário, principalmente no diagnóstico inicial ou quando existem dúvidas sobre a fase da doença.

Entretanto, o acompanhamento da resposta ao tratamento pode ser feito principalmente pelo qPCR do BCR::ABL1 no sangue, dependendo da situação clínica.

A LMC tem fases?

Sim.

A doença pode ser classificada em:
• fase crônica;
• fase acelerada;
• fase blástica.

A maioria dos pacientes é diagnosticada na fase crônica, quando a doença costuma responder melhor ao tratamento.

A determinação da fase é importante para definir a estratégia terapêutica.

TRATAMENTO DA LEUCEMIA MIELOIDE CRÔNICA (LMC)

Na maioria dos pacientes com LMC em fase crônica, o tratamento inicial é feito com medicamentos chamados inibidores de tirosina-quinase (TKI).

Eles são terapias-alvo que bloqueiam a proteína produzida pelo gene BCR::ABL1, responsável pelo crescimento descontrolado das células da LMC.

Inibidores de tirosina-quinase (TKI)

Os principais medicamentos utilizados no tratamento da LMC são listados abaixo.

Imatinibe

O imatinibe pode ser utilizado em pacientes com LMC que apresentam BCR::ABL1, principalmente na fase crônica. É administrado por via oral, geralmente uma vez ao dia, embora a dose possa variar conforme a fase da doença e a indicação.

Também possui indicações em outras fases da LMC e em algumas outras doenças hematológicas, dependendo da situação clínica.

Podem ocorrer:
• náuseas;
• diarreia;
• dor muscular ou nas articulações;
• cansaço;
• inchaço, especialmente ao redor dos olhos ou nas pernas;
• alterações nos exames do sangue;
• alterações das enzimas do fígado.

Muitos desses efeitos podem ser controlados sem precisar interromper o tratamento.

Dasatinibe

O dasatinibe pode ser utilizado em pacientes com LMC Ph+, especialmente na fase crônica.

Também pode ser utilizado em determinadas situações de LMC avançada ou quando o paciente não responde adequadamente ou não tolera outro TKI.

A escolha depende da fase da doença, dos tratamentos anteriores e das características individuais do paciente. É administrado por via oral, geralmente uma vez ao dia. A dose depende da fase da doença e da indicação.

A adesão ao tratamento é fundamental para manter a resposta molecular.

Podem ocorrer:
• redução das células do sangue;
• cansaço;
• dor de cabeça;
• náuseas;
• diarreia;
• dor muscular ou nas articulações;
• retenção de líquidos.

Um efeito particularmente importante do dasatinibe é o derrame pleural, que corresponde ao acúmulo de líquido ao redor dos pulmões.

Pode causar:
• falta de ar;
• tosse;
• dor ou desconforto no peito.

Esses sintomas devem ser comunicados à equipe médica

Nilotinibe (Tasigna®)

É utilizado principalmente em pacientes com LMC positiva para o cromossomo Filadélfia (Ph+), especialmente na fase crônica.

Também pode ser utilizado em determinadas situações quando o paciente não responde adequadamente ou não tolera outro TKI. O nilotinibe é administrado por via oral, geralmente duas vezes ao dia.

Um detalhe importante: O nilotinibe deve ser tomado em jejum, de acordo com as orientações da bula e da equipe médica.Isso ocorre porque a alimentação pode aumentar significativamente a quantidade do medicamento absorvida pelo organismo

Podem ocorrer:
• dor de cabeça;
• náuseas;
• fadiga;
• coceira ou erupções na pele;
• dor muscular ou nas articulações;
• redução das células do sangue;
• alterações nos exames do fígado e do pâncreas.

Um cuidado importante: coração

O nilotinibe pode prolongar o intervalo QT, uma alteração que pode aumentar o risco de arritmias em algumas pessoas.

Por isso, o médico pode solicitar:
• eletrocardiograma;
• exames de sangue para avaliar potássio e magnésio;
• avaliação de outros medicamentos que possam afetar o ritmo cardíaco.

Também existe preocupação com eventos cardiovasculares, principalmente em pacientes que já apresentam fatores de risco.

Bosutinibe (Bosulif®)

O bosutinibe pode ser utilizado em adultos com LMC positiva para o cromossomo Filadélfia (Ph+), principalmente na fase crônica. Também pode ser utilizado em algumas situações de doença avançada ou após tratamento anterior, dependendo da indicação aprovada e da avaliação médica.

É administrado por via oral, geralmente uma vez ao dia, e deve ser tomado com alimentos, conforme orientação médica. A dose pode variar de acordo com a situação clínica e a resposta ao tratamento.

Pode causar:
• diarreia;
• náuseas;
• dor abdominal;
• vômitos;
• fadiga;
• dor de cabeça;
• redução das células do sangue.

A diarreia costuma ser mais frequente no início do tratamento e pode ser controlada com medidas orientadas pela equipe médica.

O bosutinibe pode provocar aumento das enzimas do fígado.

Por isso, são realizados exames de sangue periodicamente para acompanhar a função hepática.

Informe sua equipe médica se apresentar:
• pele ou olhos amarelados;
• urina escura;
• dor abdominal importante;
• cansaço intenso associado a esses sintomas.

Ponatinibe (Iclusig®)

O ponatinibe é uma terapia-alvo que bloqueia a proteína BCR::ABL1. Ele é particularmente importante porque consegue atuar também contra algumas formas alteradas dessa proteína que podem tornar a leucemia resistente a outros TKIs, incluindo a mutação T315I.

Na LMC, o ponatinibe é utilizado principalmente quando:
• a doença apresenta a mutação T315I; ou
• o paciente apresenta resistência ou intolerância a determinados outros TKIs.

A indicação depende da fase da doença, dos tratamentos anteriores e das características individuais do paciente.

Isso é importante: o ponatinibe não é simplesmente um “TKI mais forte” que deve ser usado por todos os pacientes. Ele é escolhido em situações específicas.

É administrado por via oral, geralmente uma vez ao dia.

A dose pode ser ajustada pelo médico de acordo com a resposta ao tratamento e o perfil de risco do paciente.

Um cuidado especialmente importante: coração e vasos sanguíneos

O ponatinibe pode aumentar o risco de problemas cardiovasculares e de obstrução de artérias ou veias, incluindo eventos como infarto, acidente vascular cerebral e trombose.

Por isso, antes e durante o tratamento, o médico deve avaliar os fatores de risco cardiovasculares e acompanhar o paciente.

O risco é especialmente relevante em pessoas que já apresentam fatores como:
• pressão alta;
• diabetes;
• alterações do colesterol;
• histórico de doença cardiovascular.

Isso não significa que o medicamento não possa ser utilizado. Significa que a relação entre benefício e risco precisa ser cuidadosamente avaliada.

Quais outros efeitos colaterais podem ocorrer?
• redução das células do sangue;
• dor abdominal;
• dor de cabeça;
• cansaço;
• aumento da pressão arterial;
• alterações nos exames do fígado e do pâncreas;
• alterações cardiovasculares.

Asciminibe (Scemblix®)

O asciminibe é uma terapia-alvo desenvolvida especificamente para bloquear a proteína BCR::ABL1, que está na origem da LMC.

A diferença é que ele se liga a uma região diferente da proteína daquela utilizada pelos TKIs tradicionais.

Por isso, é chamado de inibidor de STAMP. Em termos simples:

Os TKIs tradicionais bloqueiam uma parte da proteína BCR::ABL1. O asciminibe bloqueia outra parte.

Essa característica pode ser útil quando a doença desenvolve resistência ou quando o paciente precisa de uma estratégia diferente.

O asciminibe pode ser utilizado em pacientes com LMC que:
• já receberam tratamento com outros TKIs;
• apresentam resistência ou intolerância aos tratamentos anteriores;
• apresentam determinadas mutações, incluindo situações envolvendo T315I, dependendo da indicação aprovada.

Ele também passou a ter um papel no tratamento de pacientes com LMC em fase crônica previamente tratados com TKIs, de acordo com as indicações regulatórias de cada país.

Por isso, a escolha depende bastante do histórico de tratamento do paciente.

O asciminibe é administrado por via oral. A frequência e a dose dependem da indicação e da situação clínica.

É importante seguir exatamente a orientação médica, porque existem esquemas diferentes de administração.

Podem ocorrer:
• redução das células do sangue;
• dor muscular ou nas articulações;
• cansaço;
• dor de cabeça;
• náuseas;
• diarreia;
• aumento das enzimas do pâncreas;
aumento das enzimas do fígado.

Por isso, exames de sangue são realizados regularmente.

O QUE ACONTECE DEPOIS QUE COMEÇO O TRATAMENTO?

Um dos aspectos mais importantes da LMC é que a resposta ao tratamento pode ser acompanhada de forma muito precisa por exames de sangue.

O principal exame é o PCR quantitativo para BCR::ABL1.

Ele mede a quantidade de material genético da leucemia no sangue.

Em termos simples:

Quanto menor o BCR::ABL1, menor a quantidade de células da LMC detectável.

Por isso, o paciente verá esse número diminuir ao longo do tratamento.

O que significa resposta molecular?

Nem todos os pacientes respondem da mesma maneira.

Se a resposta for insuficiente, se a doença voltar a aumentar ou se surgirem efeitos colaterais importantes, o hematologista pode:
• ajustar a dose;
• trocar o TKI;
• investigar mutações associadas à resistência;
• utilizar outro medicamento da mesma classe;
• considerar outras estratégias em situações específicas.

Por isso, o acompanhamento molecular é tão importante.

E se o primeiro medicamento não funcionar bem?

Nem todos os pacientes respondem da mesma maneira.

Se a resposta for insuficiente, se a doença voltar a aumentar ou se surgirem efeitos colaterais importantes, o hematologista pode:
• ajustar a dose;
• trocar o TKI;
• investigar mutações associadas à resistência;
• utilizar outro medicamento da mesma classe;
• considerar outras estratégias em situações específicas.

Por isso, o acompanhamento molecular é tão importante.

RESISTÊNCIA E RECAÍDA NA LMC

A maioria dos pacientes com LMC responde bem ao tratamento. Porém, em algumas situações, a doença pode deixar de responder adequadamente ao medicamento ou voltar a apresentar sinais de atividade.

Isso pode acontecer por diferentes motivos e não significa que não existam outras opções de tratamento.

O que é resistência?

A resistência acontece quando o medicamento deixa de controlar a LMC como esperado.

O médico pode suspeitar de resistência quando o resultado do BCR::ABL1 não diminui adequadamente ou volta a aumentar.

Uma das causas possíveis são alterações no gene BCR::ABL1 que dificultam a ação do medicamento.

Quando existe suspeita de resistência, o médico pode:
• verificar se o medicamento está sendo tomado corretamente;
• investigar interações com outros medicamentos;
• solicitar exames adicionais;
• procurar mutações associadas à resistência;
• trocar para outro TKI.

Existem vários medicamentos disponíveis, por isso a resistência a um tratamento não significa necessariamente resistência a todos os outros.

E se a doença voltar?

A recaída pode acontecer quando a LMC volta a apresentar atividade depois de ter sido controlada.

O tratamento dependerá da fase da doença, dos medicamentos utilizados anteriormente e das características atuais da LMC.

O que é importante saber?

Acompanhamento regular é fundamental.

O PCR para BCR::ABL1 pode identificar mudanças na doença antes mesmo do aparecimento de sintomas.

Por isso, não deixe de realizar os exames nas datas recomendadas pela sua equipe médica.

VIVENDO COM LMC

A LMC é uma doença que, para muitas pessoas, pode ser controlada por muitos anos com tratamento contínuo.

Os avanços no tratamento transformaram a LMC em uma doença com uma perspectiva muito diferente daquela observada no passado.

O tratamento faz parte da rotina

Como os TKIs são geralmente administrados por via oral, muitas pessoas conseguem manter suas atividades habituais enquanto fazem o tratamento.

É importante criar uma rotina que facilite o uso correto do medicamento.

Não deixe de fazer o acompanhamento

Mesmo quando você se sente bem, o acompanhamento continua sendo fundamental.

O exame de BCR::ABL1 permite identificar se a doença continua sob controle.

Trabalho, viagens e atividades físicas

Muitas pessoas com LMC conseguem trabalhar, viajar e praticar atividades físicas.

As limitações dependem da doença, do tratamento e das condições individuais.

Antes de fazer mudanças importantes na rotina, converse com sua equipe médica.

Saúde emocional

Viver com uma doença crônica pode gerar ansiedade, principalmente diante dos resultados dos exames.

É normal ter preocupações sobre o futuro, sobre a necessidade de tratamento contínuo ou sobre a possibilidade de recaída.

Se essas preocupações estiverem afetando sua vida, converse com sua equipe de saúde e procure apoio psicológico quando necessário.

Veja também:
Read More
O que é a Leucemia Linfocítica Crônica?

A Leucemia Linfocítica Crônica (LLC) é um tipo de câncer do sangue e da medula óssea que afeta principalmente os linfócitos B, um tipo de glóbulo branco.

Na LLC, essas células se acumulam de forma anormal no sangue, na medula óssea e, em alguns casos, nos gânglios linfáticos, no baço e no fígado.

A doença geralmente apresenta uma evolução mais lenta do que as leucemias agudas. Por isso, algumas pessoas podem permanecer durante anos sem precisar de tratamento.

Quais são os sintomas?

Muitas pessoas não apresentam sintomas no início. A LLC pode ser descoberta por acaso em um exame de sangue realizado por outro motivo.

Quando aparecem, os sintomas podem incluir:
• aumento dos gânglios linfáticos, geralmente sem dor;
• cansaço ou fraqueza;
• febre sem causa aparente;
• suor noturno intenso;
• perda de peso sem explicação;
• infecções frequentes;
• sensação de peso ou desconforto no lado esquerdo do abdômen, causada pelo aumento do baço;
• facilidade para apresentar hematomas ou sangramentos.

Nem todos esses sintomas significam LLC. Outras doenças podem causar manifestações semelhantes.

Como a LLC é diagnosticada?

O diagnóstico começa geralmente com um exame de sangue, especialmente o hemograma, que pode mostrar um aumento persistente dos linfócitos.

Para confirmar que esses linfócitos são células da LLC, o médico pode solicitar outros exames, principalmente:
• Hemograma
Avalia a quantidade de glóbulos brancos, glóbulos vermelhos e plaquetas.
• Imunofenotipagem por citometria de fluxo
Ajuda a identificar as características das células e confirmar se existe uma população anormal de linfócitos compatível com LLC.
• Exames genéticos e moleculares
Podem identificar alterações importantes para compreender o comportamento da doença e ajudar na escolha do tratamento.

Entre os exames que podem ser utilizados estão:
• FISH;
• avaliação do gene TP53;
• análise do estado de mutação do IGHV;
• cariótipo, em situações selecionadas.

É preciso fazer biópsia da medula?

Nem sempre.

Diferentemente de algumas leucemias agudas, o diagnóstico da LLC geralmente pode ser estabelecido com exames de sangue e imunofenotipagem.

A necessidade de exames adicionais depende da situação clínica de cada paciente.

UMA INFORMAÇÃO MUITO IMPORTANTE

Ter LLC não significa necessariamente que você precisará começar o tratamento imediatamente.

Se a doença não estiver causando sintomas ou alterações importantes, o médico pode recomendar apenas acompanhamento periódico, sem iniciar medicamentos naquele momento.

Isso é chamado de observação ativa ou watch and wait.

Quando a LLC precisa ser tratada?

Uma das características mais importantes da LLC é que o diagnóstico não significa necessariamente que o tratamento deva começar imediatamente.

Quando a doença não causa sintomas importantes nem sinais de progressão, a conduta pode ser apenas o acompanhamento regular, chamado de observação ativa ou watch and wait. Não há benefício em iniciar tratamento apenas porque a LLC foi diagnosticada.

Durante esse período, o paciente realiza consultas e exames de sangue regularmente para acompanhar a evolução da doença.

Quando o tratamento passa a ser necessário?

O tratamento geralmente é considerado quando a LLC começa a causar problemas ou apresenta sinais claros de progressão.

Entre as situações que podem levar ao início do tratamento estão:
• aumento importante ou progressivo dos gânglios linfáticos;
• aumento do baço ou do fígado que provoque sintomas;
• queda significativa da hemoglobina ou das plaquetas causada pela doença;
• aumento progressivo dos linfócitos associado a outros sinais de evolução;
• febre persistente sem infecção;
• suor noturno intenso;
• perda de peso sem explicação;
• cansaço importante relacionado à doença.

Não é apenas o número de linfócitos no exame de sangue que determina a necessidade de tratamento. O médico avalia o conjunto de sinais, sintomas, exames e a velocidade de evolução da doença.

Qual é a observação ativa?

É um acompanhamento médico planejado, e não significa não fazer nada.

Durante esse período, o paciente realiza consultas e exames regularmente para verificar se a doença permanece estável.

Se houver mudança significativa, o tratamento pode ser iniciado.

Esse acompanhamento permite evitar os efeitos colaterais de um tratamento antes que ele seja realmente necessário.

Como o tratamento é escolhido quando chega a hora?

Quando o tratamento é necessário, a equipe médica considera:
• características da LLC;
• alterações genéticas, especialmente TP53 e deleção 17p;
• estado de mutação do IGHV;
• idade;
• estado geral de saúde;
• outras doenças;
• tratamentos anteriores, se houver;
• preferência do paciente e características do tratamento.

Atualmente, as terapias-alvo ocupam um papel central no tratamento da LLC, incluindo os inibidores de BTK e os medicamentos que bloqueiam a proteína BCL-2, como o venetoclax.

TRATAMENTO DA LLC

Conheça a seguir as opçoes de tratamento.

Terapias-alvo

Inibidores de BTK

A proteína BTK participa dos sinais que ajudam os linfócitos B da LLC a sobreviver e se multiplicar. Os medicamentos que bloqueiam essa proteína são chamados de inibidores de BTK.

Principais inibidores de BTK aprovados pela Anvisa para LLC
• Ibrutinibe (Imbruvica®)
• Acalabrutinibe (Calquence®)
• Zanubrutinibe (Brukinsa®)

Efeitos colaterais

Ibrutinibe (Imbruvica®)

Pode causar:
• diarreia;
• cansaço;
• dores musculares e articulares;
• náuseas;
• infecções;
• redução das células do sangue, especialmente neutropenia e anemia;
• sangramentos;
• aumento da pressão arterial;
• alterações do ritmo cardíaco, principalmente fibrilação atrial;
• alterações da função do fígado.

Acalabrutinibe (Calquence®)

Pode causar:
• dor de cabeça;
• diarreia;
• cansaço;
• infecções;
• redução das células do sangue, especialmente neutropenia, anemia e trombocitopenia;
• sangramentos;
• dores musculares e articulares;
• alterações do ritmo cardíaco, incluindo fibrilação atrial;
• alterações da função do fígado.

Zanubrutinibe (Brukinsa®)

Pode causar:
• infecções;
• redução das células do sangue, especialmente neutropenia;
• sangramentos;
• diarreia;
• cansaço;
• dores musculares e articulares;
• dor de cabeça;
• aumento da pressão arterial;
• alterações do ritmo cardíaco, incluindo fibrilação atrial;
• alterações da função do fígado.

Esses medicamentos são administrados por via oral e podem ser utilizados tanto no tratamento inicial quanto em determinadas situações de recaída, dependendo do medicamento e das características do paciente.

Os inibidores de BTK podem apresentar efeitos adversos semelhantes, especialmente infecções, redução das células do sangue, sangramentos, alterações gastrointestinais e alterações cardiovasculares. O risco e a intensidade dos efeitos variam de acordo com o medicamento e com as características de cada paciente.

A escolha entre eles depende, entre outros fatores, de tratamentos anteriores, alterações genéticas, outras doenças e perfil de efeitos colaterais.

INIBIDOR DE BCL-2

Bloqueia a proteína BCL-2, que ajuda as células da LLC a sobreviver.

Venetoclax (Venclexta®)
Pode ser utilizado sozinho ou em combinações, inclusive com anticorpos monoclonais e, em determinados esquemas, com um inibidor de BTK. É um medicamento oral.

O venetoclax pode fazer parte do tratamento inicial ou do tratamento da LLC que voltou ou não respondeu ao tratamento anterior, dependendo do esquema utilizado e das características do paciente.

Uma característica muito importante é que ele pode ser utilizado em tratamentos de duração definida.
Isso significa que, em determinados esquemas, o paciente faz o tratamento durante um período previamente estabelecido e depois o interrompe, em vez de tomar o medicamento continuamente até a progressão da doença.

Venetoclax pode ser combinado com outros medicamentos?
Sim. E essa é uma das características mais importantes do tratamento moderno da LLC.

Venetoclax + Obinutuzumabe
É uma combinação utilizada principalmente no tratamento inicial de pacientes adultos

Ibrutinibe + Venetoclax
Também existe a combinação de um inibidor de BTK com venetoclax.

Essa estratégia permite combinar dois mecanismos diferentes de ação e pode ser utilizada como tratamento de duração definida em pacientes selecionados.

Acalabrutinibe + Venetoclax
Combinação de duração definida para adultos com LLC/LLPC sem deleção 17p ou mutação TP53. A situação regulatória dessa combinação deve ser apresentada separadamente da aprovação individual de cada medicamento.

Quais são os principais efeitos colaterais?
Entre os efeitos mais frequentes estão:
• redução dos neutrófilos;
• anemia;
• redução das plaquetas;
• infecções;
• náuseas;
• diarreia;
• fadiga.

A equipe médica acompanha regularmente o hemograma e pode ajustar o tratamento quando necessário.

Imunoterapia

Anticorpos monoclonais na LLC

Os anticorpos monoclonais são medicamentos desenvolvidos para reconhecer proteínas específicas presentes na superfície das células da leucemia.

Na LLC, os principais anticorpos monoclonais utilizados são obinutuzumabe e rituximabe. Ambos têm como alvo a proteína CD20, presente nos linfócitos B.

Eles podem ser utilizados sozinhos em situações específicas, mas atualmente aparecem principalmente em combinação com terapias-alvo.

Obinutuzumabe (Gazyva®)

O obinutuzumabe é um anticorpo monoclonal anti-CD20.

Ele se liga às células B que apresentam CD20 e ajuda o sistema imunológico a eliminá-las.

Como é utilizado?
Na LLC, uma das combinações mais importantes é:

Obinutuzumabe + Venetoclax
Essa combinação pode ser utilizada como tratamento de duração definida em pacientes selecionados.

A duração e a sequência dos medicamentos dependem do protocolo utilizado.

O obinutuzumabe é administrado por infusão intravenosa.

As primeiras aplicações podem exigir um acompanhamento mais próximo porque podem ocorrer reações relacionadas à infusão.

Principais efeitos colaterais
Podem ocorrer:
reações durante a infusão;
• febre;
• calafrios;
• infecções;
• redução das células do sangue;
• fadiga.

Rituximabe (Rituxan®)
O rituximabe também é um anticorpo monoclonal que reconhece a proteína CD20.

Ele foi um dos primeiros anticorpos anti-CD20 incorporados ao tratamento das doenças dos linfócitos B.

Na LLC, pode ser utilizado em algumas combinações terapêuticas, embora atualmente existam estratégias mais modernas que frequentemente utilizam obinutuzumabe ou terapias-alvo.

É administrado por infusão intravenosa.

A primeira aplicação costuma exigir atenção especial devido à possibilidade de reação relacionada à infusão.

Principais efeitos colaterais
Podem incluir:
• febre;
• calafrios;
• queda da pressão;
• náuseas;
• infecções;
• redução das células do sangue.

Quimioterapia na Leucemia Linfocítica Crônica

A quimioterapia já foi uma das principais formas de tratar a LLC. Hoje, porém, as terapias-alvo ocupam um papel central no tratamento, e a quimioterapia é utilizada com muito menos frequência.

A escolha depende das características da doença, dos tratamentos disponíveis e das condições de saúde do paciente.

Quais medicamentos de quimioterapia podem ser utilizados?
Quando indicada, a quimioterapia pode incluir medicamentos como:
• Fludarabina
• Ciclofosfamida
• Bendamustina

Esses medicamentos podem ser utilizados isoladamente ou em combinações específicas. Hoje, entretanto, esse tipo de tratamento é reservado para situações muito selecionadas e não representa a estratégia mais comum para a maioria dos pacientes.

RECAÍDA E RESISTÊNCIA AO TRATAMENTO NA LLC

A LLC pode voltar depois de um período em que esteve controlada ou pode deixar de responder adequadamente ao tratamento.

Essas situações não significam necessariamente que não existam mais opções. Atualmente, existem diferentes estratégias para tratar a LLC que voltou ou se tornou resistente.

A recaída acontece quando a LLC volta a apresentar sinais de atividade depois de ter respondido ao tratamento.

O período entre o fim do tratamento e a recaída pode variar bastante de uma pessoa para outra.

A resistência acontece quando a doença não responde adequadamente ao tratamento ou deixa de responder a um medicamento que anteriormente estava controlando a LLC.

Isso pode acontecer mesmo quando o tratamento foi realizado corretamente.

O que acontece quando a LLC volta?

O médico fará uma nova avaliação antes de escolher o tratamento.

Podem ser necessários:
• hemograma;
• avaliação dos gânglios e do baço;
• exames genéticos e moleculares;
• avaliação dos tratamentos já realizados;
• investigação de alterações como TP53 e deleção 17p, quando apropriado.

A escolha do próximo tratamento depende principalmente de qual medicamento o paciente já recebeu e como a doença respondeu a ele.

É possível usar outro tratamento?

Sim.

Por exemplo, um paciente que recebeu um inibidor de BTK pode, dependendo da situação, receber uma terapia baseada em venetoclax.

Da mesma forma, pacientes que já receberam determinados tratamentos podem ser candidatos a outros inibidores de BTK, incluindo o pirtobrutinibe, que possui um mecanismo diferente dos inibidores covalentes de BTK.

O objetivo é escolher uma estratégia que utilize um mecanismo ao qual a doença ainda possa responder.

E se a LLC apresentar alteração no TP53?

A presença de alteração no TP53 ou deleção do braço curto do cromossomo 17 (del(17p)) está associada a uma doença de maior risco e pode influenciar fortemente a escolha do tratamento.

Por isso, esses exames são importantes, principalmente antes do início de determinadas terapias e em situações de recaída.

Isso não significa que não exista tratamento.

Significa que a equipe médica precisa escolher cuidadosamente a estratégia terapêutica.

O transplante ainda é utilizado?

Para a maioria das pessoas com LLC, o transplante de células-tronco hematopoéticas não faz parte do tratamento de rotina.

Com a chegada das terapias-alvo, a necessidade de transplante diminuiu bastante.

O transplante pode ser considerado em situações muito específicas, principalmente quando a doença apresenta comportamento agressivo e continua progredindo apesar das diferentes opções de tratamento.

O transplante alogênico pode ser considerado para alguns pacientes com LLC de alto risco que apresentam doença resistente ou que continua progredindo apesar das terapias disponíveis.

É uma decisão muito individualizada e deve considerar:
• idade;
• estado geral de saúde;
• características da LLC;
• resposta aos tratamentos anteriores;
• disponibilidade de um doador;
• possibilidade de outras terapias.

Cuidados durante o tratamento

Durante o tratamento da LLC, alguns cuidados ajudam a reduzir complicações e preservar a qualidade de vida.

Acompanhamento das infecções
A LLC e alguns de seus tratamentos podem aumentar o risco de infecções.

Informe rapidamente à equipe médica se apresentar febre ou outros sinais de infecção.

Vacinação
Converse com seu hematologista sobre quais vacinas são recomendadas e qual é o melhor momento para recebê-las.

Alimentação e atividade física
Sempre que possível, mantenha uma alimentação equilibrada, boa hidratação e atividade física adequada à sua condição.

Consultas e exames
Mesmo quando o tratamento é feito com comprimidos, o acompanhamento regular continua sendo fundamental.

Os exames ajudam a avaliar:
• resposta ao tratamento;
• células do sangue;
• função dos órgãos;
• efeitos colaterais;
• sinais de progressão da doença.

VIVENDO COM LEUCEMIA LINFOCÍTICA CRÔNICA

A LLC pode acompanhar uma pessoa por muitos anos. Algumas pessoas precisam de tratamento logo após o diagnóstico; outras permanecem por bastante tempo apenas em acompanhamento.

Por isso, viver com LLC pode ser muito diferente para cada pessoa.

O objetivo não é apenas controlar a doença, mas também preservar a qualidade de vida.

Se você está em observação ativa

Estar em observação ativa não significa que a doença esteja sendo ignorada ou que não exista tratamento.

Significa que, naquele momento, os benefícios de iniciar um tratamento não superam os benefícios de acompanhar a doença sem medicamentos.

Durante esse período, mantenha suas consultas e exames regularmente.

Se aparecerem novos sintomas ou alguma mudança importante, informe sua equipe médica.

Aprenda a reconhecer mudanças

Entre as alterações que devem ser comunicadas ao médico estão:
• febre persistente;
• suor noturno intenso;
• perda de peso sem explicação;
• aumento dos gânglios;
• cansaço que piora;
• infecções frequentes;
• sensação de aumento do baço ou desconforto abdominal.

Não é necessário esperar a próxima consulta se os sintomas forem importantes ou estiverem piorando.

Cuide da sua saúde

Mesmo quando a doença está estável, alguns hábitos podem ajudar a manter a saúde:
• mantenha uma alimentação equilibrada;
• pratique atividade física dentro dos seus limites;
• durma adequadamente;
• mantenha as vacinas em dia, conforme orientação médica;
• evite o tabagismo;
• faça acompanhamento médico regular.

Cuide também da saúde emocional

A espera entre consultas e exames pode gerar ansiedade, especialmente durante a observação ativa.

É normal ter dúvidas ou medo de que a doença progrida.

Conversar com familiares, amigos, psicólogos ou grupos de apoio pode ajudar.

Se a preocupação estiver interferindo no sono, no trabalho ou na sua rotina, converse com sua equipe de saúde.

Trabalho, viagens e vida cotidiana

Muitas pessoas com LLC conseguem manter suas atividades habituais.

Mesmo durante o tratamento, é possível que algumas pessoas continuem trabalhando, viajando e realizando atividades sociais, dependendo de sua condição e do tratamento utilizado.

Antes de viagens ou mudanças importantes na rotina, converse com sua equipe médica.

Acompanhamento por longo prazo

Mesmo quando a doença está controlada, o acompanhamento continua sendo importante.

As consultas permitem identificar:
• mudanças na doença;
• efeitos tardios dos tratamentos;
• novas necessidades de cuidado;
• necessidade de iniciar ou modificar o tratamento.

Veja também:
Read More
O que é a Leucemia Mieloide Aguda?

A Leucemia Mieloide Aguda (LMA) é um tipo de câncer do sangue e da medula óssea caracterizado pelo crescimento rápido e descontrolado de células sanguíneas imaturas chamadas blastos mieloides.

Em condições normais, a medula óssea produz células-tronco que dão origem aos glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. Na LMA, alterações genéticas fazem com que parte dessas células deixe de amadurecer corretamente e passe a se multiplicar de forma descontrolada.

Com o tempo, essas células anormais ocupam o espaço da medula óssea e dificultam a produção das células sanguíneas normais.

Como consequência, o paciente pode desenvolver anemia, maior risco de infecções e sangramentos.

A LMA é considerada uma doença de evolução rápida. Por isso, após a confirmação do diagnóstico, o tratamento geralmente deve ser iniciado em pouco tempo, conforme avaliação da equipe médica.

Quem pode desenvolver LMA?

A LMA pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais comum em adultos, especialmente após os 60 anos.

Na maioria dos casos, não é possível identificar uma causa específica.

Entretanto, alguns fatores estão associados a um risco aumentado, como:
• idade avançada;
• exposição prévia à quimioterapia ou radioterapia;
• algumas doenças da medula óssea, como síndromes mielodisplásicas;
• exposição prolongada ao benzeno e a outros produtos químicos específicos;
• algumas alterações genéticas raras.

Ter um ou mais fatores de risco não significa que a pessoa desenvolverá LMA, assim como muitas pessoas diagnosticadas nunca apresentaram nenhum fator conhecido.

A LMA é hereditária?

Na maioria dos casos, não.

A LMA geralmente resulta de alterações adquiridas nas células da medula óssea ao longo da vida e não é transmitida de pais para filhos.

Existem síndromes genéticas raras que aumentam o risco de desenvolver LMA, mas representam uma pequena parcela dos casos.

A LMA tem cura?

Em muitos pacientes, sim.

As chances de controle da doença dependem de diversos fatores, incluindo:
• idade;
• estado geral de saúde;
• alterações genéticas da leucemia;
• resposta ao tratamento;
• necessidade ou não de transplante.

Nos últimos anos, o tratamento da LMA evoluiu significativamente com o desenvolvimento de terapias-alvo e novos medicamentos para subgrupos específicos de pacientes.

Sintomas

Os sintomas da Leucemia Mieloide Aguda (LMA) costumam surgir ao longo de dias ou semanas e são consequência da redução na produção das células normais do sangue pela medula óssea.

Como esses sintomas também podem ocorrer em outras doenças, somente exames específicos podem confirmar o diagnóstico

Cansaço e falta de ar

A anemia é uma das alterações mais frequentes na LMA.

Quando a medula óssea deixa de produzir glóbulos vermelhos em quantidade suficiente, podem surgir sintomas como:
• cansaço intenso;
• fraqueza;
• palidez;
• tonturas;
• falta de ar aos esforços;
• palpitações.

Febre e infecções

A LMA também pode reduzir a quantidade de glóbulos brancos saudáveis, responsáveis pela defesa do organismo.

Isso aumenta o risco de infecções e pode provocar:
• febre persistente;
• infecções frequentes;
• infecções que demoram para melhorar.

Em alguns pacientes, a febre é o primeiro sinal da doença.

Sangramentos e hematomas

A diminuição das plaquetas pode facilitar sangramentos.

Os sintomas mais comuns incluem:
• manchas roxas na pele sem causa aparente;
• pequenos pontos vermelhos na pele (petéquias);
• sangramento pelo nariz;
• sangramento nas gengivas;
• menstruação mais intensa que o habitual.

Dor nos ossos ou nas articulações

O acúmulo de células leucêmicas na medula óssea pode provocar dor ou desconforto nos ossos e nas articulações.

Embora esse sintoma seja mais comum em crianças e adultos jovens, também pode ocorrer em adultos.

Aumento das gengivas e alterações na pele

Em alguns subtipos da LMA, especialmente aqueles com diferenciação monocítica, as células leucêmicas podem infiltrar tecidos fora da medula óssea.

Isso pode causar:
• aumento ou inchaço das gengivas;
• sangramento gengival;
• pequenos nódulos ou placas na pele;
• lesões de coloração arroxeada ou avermelhada.

Essas manifestações são menos frequentes, mas podem ajudar o médico a suspeitar do diagnóstico.

Outros sintomas

Alguns pacientes também podem apresentar:
• perda de peso sem causa aparente;
• diminuição do apetite;
• suor noturno;
• aumento do fígado ou do baço.

Ao contrário do que ocorre em alguns outros tipos de leucemia, o aumento dos gânglios linfáticos é menos comum na LMA.

PERGUNTAS FREQUENTES

Os sintomas da LMA aparecem rapidamente?
Na maioria dos casos, sim. A LMA é uma doença de evolução rápida e os sintomas costumam surgir em poucos dias ou semanas.

Toda pessoa com LMA apresenta os mesmos sintomas?
Não. Os sintomas variam conforme o subtipo da doença, a quantidade de células leucêmicas e as características de cada paciente.

A LMA pode ser descoberta em um exame de rotina?
Sim. Em alguns casos, alterações no hemograma levam ao diagnóstico antes mesmo do aparecimento de sintomas importantes.

POR QUE OS TESTES GENÉTICOS SÃO TÃO IMPORTANTES NA LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA?

Nem todas as LMA são iguais

Embora todas recebam o nome de Leucemia Mieloide Aguda (LMA), existem diferentes tipos da doença.

Hoje sabemos que algumas leucemias apresentam alterações genéticas específicas que influenciam:
• o comportamento da doença;
• a resposta ao tratamento;
• o risco de recaída;
• a escolha dos medicamentos mais adequados.

Por esse motivo, conhecer essas alterações é uma etapa fundamental do planejamento do tratamento

O tratamento pode depender desses resultados?

Sim.

Nos últimos anos, foram desenvolvidos medicamentos que atuam sobre alterações genéticas específicas da leucemia.
Por isso, identificar essas alterações pode ampliar as opções de tratamento.

Em outros casos, os exames mostram que essas alterações não estão presentes, e o tratamento será baseado em outras estratégias, como quimioterapia, transplante ou diferentes combinações de medicamentos.

Quais alterações podem ser pesquisadas?

Existem diversas alterações genéticas que podem ser avaliadas na LMA.

Entre as mais importantes estão alterações nos genes:
• FLT3
• IDH1
• IDH2
• NPM1
• CEBPA
• TP53
• RUNX1
• KMT2A (anteriormente conhecido como MLL)

Nem todos os pacientes apresentam essas alterações, e nem todos precisam realizar exatamente os mesmos testes.

DIAGNÓSTICO DA LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA

O diagnóstico da Leucemia Mieloide Aguda (LMA) é feito por meio da combinação de exames de sangue, avaliação da medula óssea e testes genéticos.

Esses exames não servem apenas para confirmar a doença. Eles também ajudam a identificar o subtipo da LMA, estimar o prognóstico e definir o tratamento mais adequado para cada paciente.

Hemograma

O hemograma costuma ser o primeiro exame a levantar a suspeita de LMA.

Ele pode mostrar alterações como:
• redução dos glóbulos vermelhos (anemia);
• diminuição das plaquetas;
• aumento ou redução dos glóbulos brancos;
• presença de blastos (células imaturas) circulando no sangue.

Embora seja um exame muito importante, o hemograma sozinho não confirma o diagnóstico.

Mielograma

O mielograma é um dos principais exames para confirmar a LMA.

Ele consiste na coleta de uma pequena amostra da medula óssea, geralmente do osso da bacia, realizada com anestesia local.

A análise permite avaliar:
• a quantidade de blastos;
• o aspecto das células da medula;
• características que ajudam a identificar o subtipo da leucemia.

Imunofenotipagem

A imunofenotipagem identifica proteínas presentes na superfície das células leucêmicas.

Esse exame ajuda a confirmar que a leucemia é de origem mieloide e a diferenciá-la de outros tipos de leucemia, como a Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA).

Citogenética

A citogenética avalia os cromossomos das células leucêmicas.

Algumas alterações cromossômicas estão associadas a melhor ou pior resposta ao tratamento e ajudam a classificar o risco da doença.

Testes moleculares

Os testes moleculares pesquisam alterações em genes específicos da leucemia.

Na LMA, eles são fundamentais porque podem influenciar diretamente a escolha do tratamento.

Entre os genes mais frequentemente avaliados estão:
• FLT3;
• NPM1;
• IDH1;
• IDH2;
• CEBPA;
• TP53;
• RUNX1;
• KMT2A, entre outros.

Nem todos os pacientes apresentam essas alterações, mas sua identificação pode permitir o uso de terapias-alvo e auxiliar na decisão sobre transplante.

Outros exames

Além dos exames que confirmam a leucemia, o médico poderá solicitar:
• exames da função dos rins e do fígado;
• testes de coagulação;
• eletrocardiograma;
• ecocardiograma;
• exames para investigação de infecções.

Esses exames ajudam a avaliar as condições gerais de saúde antes do início do tratamento.

Fontes de informação
• American Cancer Society (ACS)
• National Comprehensive Cancer Network (NCCN)
• European LeukemiaNet (ELN)
• American Society of Hematology (ASH)
• European Hematology Association (EHA)

COMO O TRATAMENTO DA LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA É ESCOLHIDO?

O tratamento da Leucemia Mieloide Aguda (LMA) é planejado de forma individualizada. Embora duas pessoas tenham o mesmo diagnóstico, elas podem receber tratamentos diferentes.

Isso acontece porque a equipe médica considera diversos fatores antes de definir a estratégia mais adequada.

Quais fatores influenciam a escolha do tratamento?

Entre os principais fatores estão:
• idade do paciente;
• estado geral de saúde;
• subtipo da LMA;
• alterações genéticas e moleculares identificadas na leucemia;
• velocidade de progressão da doença;
• doenças pré-existentes;
• tratamentos realizados anteriormente, quando houver.

Essas informações ajudam a equipe médica a definir qual tratamento oferece o melhor equilíbrio entre eficácia e segurança.

Quais são as opções de tratamento?

O tratamento pode incluir uma ou mais das seguintes estratégias:
• quimioterapia;
• terapias-alvo;
• transplante de células-tronco hematopoéticas;
• tratamento de suporte, como transfusões e antibióticos;
• participação em estudos clínicos, quando apropriado.

Em muitos casos, diferentes modalidades são utilizadas ao longo do tratamento.

CLASSES DE MEDICAMENTOS
Como o tratamento é escolhido

O tratamento da LMA é individualizado. A escolha depende, entre outros fatores, da idade, condições clínicas, características genéticas e moleculares da leucemia, risco da doença e possibilidade de receber tratamento intensivo ou transplante. Por isso, nem todos os pacientes recebem todos os medicamentos abaixo.

Quimioterapia Intensiva

Citarabina – Base de diversos esquemas de indução e consolidação.
Daunorrubicina – Antraciclina utilizada em esquemas de indução.
Idarrubicina – Antraciclina utilizada em determinados esquemas de indução.
Mitoxantrona – Pode fazer parte de determinados esquemas de tratamento.

Quais são os efeitos colaterais?
Durante a quimioterapia, é comum ocorrer uma redução temporária das células normais do sangue.

Isso pode aumentar o risco de:
• infecções;
• anemia;
• sangramentos.

Também podem ocorrer:
• náuseas e vômitos;
• queda de cabelo;
• fadiga;
• feridas na boca (mucosite);
• perda de apetite.

A equipe médica acompanha esses efeitos de perto e dispõe de tratamentos para preveni-los ou controlá-los.

O que é o protocolo 7+3?

O protocolo 7+3 é um dos esquemas de tratamento mais utilizados para pacientes com Leucemia Mieloide Aguda (LMA) que podem receber quimioterapia intensiva.

Seu principal objetivo é eliminar o maior número possível de células leucêmicas e alcançar a remissão da doença.

Apesar do nome, 7+3 não significa sete medicamentos e três medicamentos.

O nome faz referência ao número de dias em que cada medicamento é administrado.

Como funciona o protocolo 7+3?

O tratamento combina dois medicamentos:
• Citarabina, administrada durante sete dias consecutivos.
• Uma antraciclina (geralmente daunorrubicina ou idarubicina), administrada nos três primeiros dias.

É dessa combinação que surgiu o nome 7+3.

tratamento é realizado durante internação?

Na maioria dos casos, sim.

Durante essa fase, o paciente permanece internado porque a quimioterapia reduz temporariamente a produção das células normais do sangue.
Isso aumenta o risco de:
• infecções;
• anemia;
• sangramentos.

Durante esse período, a equipe médica acompanha o paciente diariamente e oferece tratamentos de suporte, como transfusões, antibióticos e outros medicamentos quando necessário.

O que acontece depois da quimioterapia?

Após o término do tratamento, a medula óssea precisa de algumas semanas para se recuperar.

Durante esse período, é normal que os exames mostrem níveis muito baixos de glóbulos brancos, glóbulos vermelhos e plaquetas.

Isso faz parte do tratamento e exige monitoramento cuidadoso.

Tratamento de menor intensidade — agentes hipometilantes

Nem todas as pessoas com Leucemia Mieloide Aguda (LMA) podem ou precisam receber quimioterapia intensiva.

Atualmente, existem tratamentos menos intensivos que podem controlar a doença de forma eficaz em muitos pacientes, especialmente naqueles com idade mais avançada ou com outras condições de saúde que aumentam o risco de complicações.

• Azacitidina (Vidaza®) – Agente hipometilante utilizado principalmente em estratégias de menor intensidade.
• Decitabina (Dacogen®)  – Agente hipometilante utilizado em estratégias de menor intensidade, especialmente quando a quimioterapia intensiva não é adequada.

Quais são os efeitos colaterais?

Os principais efeitos adversos da azacitidina e da decitabina estão relacionados à redução das células do sangue. Isso pode causar anemia, neutropenia e trombocitopenia, aumentando o risco de cansaço, infecções e sangramentos. Também podem ocorrer náuseas, vômitos, alterações intestinais, febre e cansaço. A intensidade dos efeitos varia de pessoa para pessoa e o tratamento é acompanhado com exames de sangue e outros cuidados de suporte.A equipe médica realiza acompanhamento frequente para monitorar a resposta ao tratamento e controlar possíveis efeitos colaterais.

Terapias-alvo

Midostaurina (Rydapt®) – Inibidor de FLT3; pode ser associado à quimioterapia em adultos com LMA recém-diagnosticada com mutação de FLT3.
Gilteritinibe (Xospata®) – Inibidor de FLT3 utilizado em situações específicas de LMA com alteração de FLT3, especialmente doença recidivada ou refratária.
Gemtuzumabe ozogamicina (Mylotarg®) — Anticorpo conjugado a medicamento direcionado ao CD33; pode ser associado à quimioterapia em determinados pacientes.
Venetoclax (Venclexta®) – Inibidor de BCL-2; utilizado principalmente em combinações com agentes de menor intensidade em pacientes selecionados.
Glasdegibe (Daurismo®) – Inibidor da via Hedgehog; pode ser combinado à citarabina em baixa dose em situações específicas.

Efeitos colaterais das terapias-alvo

Midostaurina (Rydapt®)
Pode causar:
• náuseas e vômitos;
• mucosite;
• dor de cabeça;
• dor muscular ou nas articulações;
• alterações da glicemia;
• infecções;
• alterações no eletrocardiograma, incluindo prolongamento do intervalo QT;
• alterações das enzimas do fígado.

Quando utilizada junto à quimioterapia, muitos efeitos podem estar relacionados à combinação dos tratamentos.

Gilteritinibe (Xospata®)
Os efeitos mais frequentes incluem:
• alterações das enzimas do fígado;
• cansaço;
• dor muscular ou nas articulações;
• febre;
• diarreia;
• falta de ar;
• inchaço;
• náuseas e vômitos.

Também pode ocorrer síndrome de diferenciação, uma complicação que requer reconhecimento e tratamento rápidos.

Gemtuzumabe ozogamicina (Mylotarg®)
Pode causar:
• febre;
• náuseas e vômitos;
• queda das células do sangue;
• infecções;
• sangramentos;
• alterações do fígado.

Um risco particularmente importante é a doença veno-oclusiva hepática (síndrome de obstrução sinusoidal), que pode ser grave, especialmente em determinados pacientes submetidos posteriormente a transplante.

Venetoclax (Venclexta®)
Os principais efeitos incluem:
• neutropenia e outras quedas das células do sangue;
• infecções;
• febre;
• náuseas, diarreia ou constipação;
• vômitos;
• cansaço;
• anemia e trombocitopenia.

Um risco particularmente importante no início do tratamento é a síndrome de lise tumoral, por isso são necessários monitoramento e medidas preventivas adequadas.

Glasdegibe (Daurismo®)
Pode causar:
• alterações do paladar;
• espasmos musculares;
• queda das células do sangue;
• náuseas;
• diarreia ou constipação;
• cansaço;
• redução do apetite;
• alterações do eletrocardiograma, incluindo prolongamento do intervalo QT.

Tratamento específico da leucemia promielocítica aguda

ATRA / tretinoína (Vesanoid®) – Agente de diferenciação que promove a maturação das células leucêmicas.
Trióxido de arsênio (ATO) – Agente de diferenciação utilizado em esquemas específicos da LPA.

Efeitos colaterais

ATRA / tretinoína (Vesanoid®)
Pode causar:
• dor de cabeça;
• náuseas;
• alterações das enzimas do fígado;
• aumento dos glóbulos brancos;
• alterações da pele e dos lábios;
• aumento da pressão intracraniana, especialmente em algumas situações.

Um efeito importante é a síndrome de diferenciação, que pode causar febre, ganho rápido de peso, inchaço, falta de ar, queda da pressão e acúmulo de líquido ao redor dos pulmões ou do coração. É uma complicação potencialmente grave e requer tratamento imediato.

Trióxido de arsênio (ATO)
Pode causar:
• cansaço;
• náuseas e vômitos;
• alterações das enzimas do fígado;
• alterações dos níveis de eletrólitos, como potássio e magnésio;
• alterações do ritmo cardíaco.

Assim como a tretinoína, pode provocar síndrome de diferenciação, com febre, ganho de peso, inchaço, falta de ar e acúmulo de líquido. O trióxido de arsênio também pode prolongar o intervalo QT no eletrocardiograma, aumentando o risco de arritmias; por isso, o acompanhamento do coração e dos eletrólitos é importante durante o tratamento.

Na LPA, febre, falta de ar, ganho rápido de peso, inchaço ou queda da pressão durante o tratamento precisam ser comunicados imediatamente à equipe médica, pois podem ser sinais de síndrome de diferenciação.

O QUE É A CONSOLIDAÇÃO DO TRATAMENTO DA LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA

Alcançar a remissão é uma etapa muito importante do tratamento da LMA, mas geralmente não significa que o tratamento terminou.

Mesmo quando os exames mostram que a leucemia não é mais detectável, pequenas quantidades de células leucêmicas podem permanecer no organismo.

Por esse motivo, é realizada uma nova fase do tratamento chamada consolidação.

Qual é o objetivo da consolidação?

O principal objetivo da consolidação é:
• eliminar as células leucêmicas que possam ter permanecido após a indução;
• reduzir o risco de recaída;
• aumentar as chances de controle da doença a longo prazo.

Como é feita a consolidação?

O tratamento varia de acordo com cada paciente.

As opções podem incluir:
• novos ciclos de quimioterapia;
• terapias-alvo, quando indicadas;
• transplante de células-tronco hematopoéticas em pacientes selecionados.

A estratégia é definida pela equipe médica com base nas características da doença e na resposta ao tratamento inicial.

Vou precisar ficar internado novamente?

Depende.

Alguns ciclos de consolidação exigem internação, enquanto outros podem ser realizados em regime ambulatorial.

A necessidade de internação varia conforme o tratamento utilizado e a evolução clínica.

Quantos ciclos são necessários?

Não existe um número único para todos os pacientes.

A quantidade de ciclos depende de fatores como:
• resposta ao tratamento inicial;
• características da leucemia;
• indicação ou não de transplante;
• estado geral de saúde.

PERGUNTAS FREQUENTES

Se estou em remissão, por que preciso continuar o tratamento?
Porque a remissão significa que a leucemia não é detectável pelos exames disponíveis, mas ainda podem existir células leucêmicas residuais.
A consolidação ajuda a reduzir o risco de a doença voltar.

Todos os pacientes fazem consolidação?
Na maioria dos casos, sim.
A forma como ela será realizada depende das características individuais de cada paciente.

Fontes de Informação
• American Cancer Society (ACS)
• National Comprehensive Cancer Network (NCCN)
• European LeukemiaNet (ELN)
• American Society of Hematology (ASH)

TRANSPLANTE DE CÉLULAS-TRONCO HEMATOPOÉTICAS NA LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA

O transplante de células-tronco hematopoéticas (TCTH), também conhecido como transplante de medula óssea, é uma opção de tratamento para alguns pacientes com Leucemia Mieloide Aguda (LMA).

Seu principal objetivo é reduzir o risco de recaída e aumentar as chances de controle da doença em pacientes selecionados.
Nem todas as pessoas com LMA precisam de um transplante. A decisão é individualizada e depende das características da doença e da resposta ao tratamento.

Quando o transplante pode ser indicado?

O transplante pode ser considerado em situações como:
• maior risco de recaída;
• resposta insuficiente ao tratamento inicial;
• recaída da doença;
• características genéticas que aumentam o risco de retorno da leucemia.

A decisão é baseada na avaliação da equipe médica e nas condições clínicas do paciente.

Como é realizado o transplante?

Antes do transplante, o paciente recebe um tratamento para reduzir ao máximo a quantidade de células leucêmicas e preparar a medula óssea para receber as novas células-tronco.

Em seguida, as células-tronco são infundidas pela veia, de forma semelhante a uma transfusão de sangue.

Após a infusão, essas células migram para a medula óssea, onde iniciam a produção de novas células sanguíneas.

Quem pode ser o doador?

Quando é indicado um transplante alogênico, o doador pode ser:
• um irmão ou irmã com compatibilidade;
• um doador voluntário não aparentado;
• um familiar parcialmente compatível (haploidêntico);
• em algumas situações, células provenientes de sangue de cordão umbilical.

A escolha depende da disponibilidade de um doador compatível e das características do paciente.

Quais são os riscos do transplante?

Como qualquer tratamento complexo, o transplante pode estar associado a complicações.

Entre elas estão:
• infecções;
• sangramentos;
• rejeição ou falha da enxertia;
• doença do enxerto contra o hospedeiro (DECH), quando as células do doador atacam tecidos do paciente.

A equipe médica acompanha o paciente de forma intensiva para prevenir e tratar essas complicações.

Quanto tempo dura a recuperação?

A recuperação varia de pessoa para pessoa.

Após a alta hospitalar, o paciente continua sendo acompanhado regularmente e pode precisar manter alguns cuidados por vários meses, incluindo medidas para reduzir o risco de infecções.

A retomada das atividades do dia a dia ocorre de forma gradual.

PERGUNTAS FREQUENTES

Todo paciente com LMA precisa de transplante?
Não. Muitos pacientes alcançam bons resultados sem transplante. A indicação depende das características da leucemia, da resposta ao tratamento e das condições clínicas.

Existe limite de idade para realizar um transplante?
Não existe um limite de idade único. A decisão leva em consideração principalmente o estado geral de saúde, a presença de outras doenças e a capacidade de tolerar o procedimento.

Fontes de Informação
• American Cancer Society (ACS)
• National Comprehensive Cancer Network (NCCN)
• European LeukemiaNet (ELN)
• American Society of Hematology (ASH)

DOENÇA DO ENXERTO CONTRA O HOSPEDEIRO (DECH/GVHD)

A doença do enxerto contra o hospedeiro (DECH) , sigla GVHD em ingles (graft b versus host disease) é uma complicação que pode ocorrer após um transplante alogênico de células-tronco hematopoéticas. Ela acontece quando células do sistema imunológico do doador reconhecem tecidos do paciente como diferentes e passam a atacá-los.

A DECH pode ser aguda ou crônica e pode afetar diferentes órgãos. As manifestações e a intensidade variam de pessoa para pessoa.

Quais partes do corpo podem ser afetadas?

Os principais órgãos e tecidos envolvidos são:
• Pele: vermelhidão, manchas, coceira, descamação e, nos casos mais intensos, formação de bolhas.
• Intestino: diarreia persistente, dor abdominal, náuseas, vômitos, perda de apetite e perda de peso.
• Fígado: alterações nas enzimas do fígado e, em alguns casos, icterícia.
• Boca: ressecamento, dor, sensibilidade, feridas e alterações das mucosas.
• Olhos: ressecamento, irritação, vermelhidão, sensação de areia ou alterações na produção de lágrimas.
• Pulmões: tosse e dificuldade para respirar.
• Região genital: ressecamento, irritação, dor e outras alterações locais.

A forma crônica também pode afetar músculos, articulações e outros tecidos e pode ter impacto prolongado na qualidade de vida.

Como é escolhido o tratamento?

Antes de definir o tratamento, a equipe médica realiza uma nova avaliação da doença.

Entre os fatores considerados estão:
• idade e estado geral de saúde;
• tempo entre o tratamento inicial e a recaída;
• alterações genéticas identificadas na leucemia;
• tratamentos utilizados anteriormente;
• possibilidade de transplante de células-tronco hematopoéticas.

Em alguns pacientes, também pode ser necessário repetir os testes moleculares, pois o perfil genético da leucemia pode mudar ao longo do tempo.

Quais são as opções de tratamento?

O tratamento varia conforme as características de cada paciente e pode incluir:
• novos esquemas de quimioterapia;
• terapias-alvo, quando indicadas;
• venetoclax em combinação com outros medicamentos;
• gemtuzumabe ozogamicina, em situações específicas;
• transplante de células-tronco hematopoéticas;
• participação em estudos clínicos.

Nos últimos anos, o desenvolvimento de novas terapias ampliou as possibilidades de tratamento para muitos pacientes com LMA recidivada.

O transplante pode ser indicado?

Sim.

Em alguns pacientes, o transplante faz parte da estratégia após a obtenção de uma nova remissão.

A indicação depende da resposta ao tratamento, das características da leucemia e das condições clínicas do paciente.

RECAÍDA DA LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA

A recaída acontece quando a leucemia volta após um período de remissão, ou seja, quando a doença havia respondido ao tratamento e não era mais detectada pelos exames convencionais.

Receber essa notícia pode ser muito difícil, mas é importante saber que existem diferentes opções de tratamento, e a escolha dependerá das características da doença e do tratamento realizado anteriormente.

Como a recaída é diagnosticada?

A recaída pode ser identificada de diferentes maneiras.

Alguns pacientes voltam a apresentar sintomas semelhantes aos do diagnóstico inicial, como:
• cansaço intenso;
• febre;
• infecções frequentes;
• sangramentos;
• hematomas sem causa aparente.

Em outros casos, a recaída é detectada durante exames de acompanhamento, antes mesmo do aparecimento de sintomas.

Para confirmar o diagnóstico, o médico poderá solicitar:
• hemograma;
• mielograma;
• imunofenotipagem;
• testes genéticos e moleculares;
• avaliação da doença residual mensurável (MRD), quando indicada.

Como a DECH é diagnosticada?

O diagnóstico é feito pela avaliação dos sinais e sintomas, pelo exame físico e por exames laboratoriais e de imagem, quando necessários. Em algumas situações, pode ser necessária uma biópsia para ajudar a confirmar o diagnóstico.

Como a DECH é tratada?

O tratamento depende do tipo de DECH, dos órgãos afetados e da intensidade da doença.

Entre os tratamentos que podem ser utilizados estão:
• corticosteroides, que são frequentemente utilizados como tratamento inicial;
• medicamentos imunossupressores, escolhidos de acordo com a situação clínica;
• tratamentos específicos para DECH que não responde adequadamente ao tratamento inicial;
• medicamentos e cuidados direcionados aos órgãos afetados, como pele, olhos, boca, intestino e pulmões.

Em algumas situações, podem ser utilizados medicamentos que atuam especificamente sobre mecanismos envolvidos na resposta imunológica da DECH.

Entre eles estão:
• Ruxolitinibe (Jakavi®)
É um medicamento que atua sobre as enzimas JAK1 e JAK2. No Brasil, possui indicação aprovada pela Anvisa para pacientes com 12 anos ou mais com DECH aguda que apresentam resposta inadequada aos corticosteroides e também para determinadas situações de DECH crônica após resposta inadequada aos corticosteroides ou outras terapias sistêmicas.
• Belumosudil (Rezurock®)
É uma opção mais recente para a DECH crônica. O medicamento foi registrado pela Anvisa em setembro de 2025 e é indicado para pacientes com 12 anos ou mais, após falha de pelo menos duas linhas anteriores de tratamento sistêmico.

A escolha do tratamento é individualizada e deve considerar o tipo de DECH, os órgãos envolvidos, a gravidade da doença, os tratamentos já utilizados e as condições clínicas do paciente.

Quando avisar a equipe médica?

Após um transplante alogênico, qualquer sintoma novo deve ser comunicado à equipe que acompanha o paciente, especialmente:
• aparecimento de manchas, vermelhidão ou coceira na pele;
• diarreia ou dor abdominal persistente;
• náuseas ou vômitos;
• pele ou olhos amarelados;
• alterações na boca ou dificuldade para se alimentar;
• olhos muito secos ou irritados;
• tosse ou dificuldade para respirar;
• alterações urinárias ou genitais.

O acompanhamento regular é importante para identificar a DECH precocemente e iniciar o tratamento adequado.

PERGUNTAS FREQUENTES

Todo paciente que faz transplante desenvolve DECH?
Não. A DECH é uma complicação do transplante alogênico, mas nem todos os pacientes desenvolvem a doença.

A DECH pode ser grave?

Sim. A intensidade varia bastante. Algumas pessoas apresentam manifestações leves, enquanto outras podem desenvolver comprometimento de vários órgãos.

A DECH tem tratamento?

Sim. Existem diferentes opções de tratamento, escolhidas de acordo com o tipo, a gravidade e os órgãos afetados.

O que conversar com seu médico?
• Qual é o meu risco de desenvolver DECH?
• Quais sinais devo observar em casa?
• Com que frequência preciso ser acompanhado?
• Quais cuidados devo ter com a pele, boca e olhos?
• O que devo fazer se apresentar diarreia, manchas na pele ou falta de ar?

CUIDADOS DURANTE O TRATAMENTO DA LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA

Durante o tratamento da Leucemia Mieloide Aguda (LMA), alguns cuidados podem ajudar a reduzir o risco de complicações e contribuir para uma melhor qualidade de vida.

Nem todos os pacientes precisarão seguir as mesmas orientações. Sua equipe médica indicará quais cuidados são mais importantes para o seu caso.

Previna infecções

Durante o tratamento, é comum ocorrer uma redução temporária dos glóbulos brancos, aumentando o risco de infecções.

Algumas medidas simples podem ajudar:
• lave as mãos com frequência;
• evite contato com pessoas com gripe, resfriado ou outras infecções;
• mantenha os ambientes bem ventilados;
• cuide da higiene bucal diariamente;
• siga corretamente as orientações sobre vacinação e medicamentos preventivos.

Caso apresente febre igual ou superior a 38°C, procure atendimento imediatamente.

Alimentação

Uma alimentação equilibrada ajuda o organismo a enfrentar o tratamento.

Sempre que possível:
• mantenha uma boa hidratação;
• consuma alimentos variados e ricos em nutrientes;
• higienize bem frutas, verduras e legumes;
• siga as orientações da equipe médica caso seja necessário adotar uma dieta específica.

Se houver perda de apetite ou dificuldade para se alimentar, converse com seu médico ou nutricionista.

Atividade física

Quando autorizada pela equipe médica, a atividade física pode trazer benefícios como:
• redução da fadiga;
• melhora da força muscular;
• maior disposição;
• melhora do humor.

Não é necessário realizar exercícios intensos. Caminhadas leves e outras atividades adaptadas à condição clínica costumam ser suficientes.

Saúde emocional

Receber o diagnóstico de LMA e passar pelo tratamento pode gerar medo, ansiedade e insegurança.

Conversar com familiares, amigos, profissionais de saúde ou grupos de apoio pode ajudar a enfrentar esse período.

Se perceber tristeza intensa, ansiedade persistente ou dificuldade para realizar suas atividades, informe sua equipe médica.

Medicamentos

Nunca interrompa, reduza ou aumente a dose de qualquer medicamento sem orientação médica.

Também informe ao seu médico sobre:
• vitaminas;
• suplementos;
• fitoterápicos;
• medicamentos comprados sem receita.

Alguns produtos podem interferir no tratamento

VIVENDO COM A LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA

Receber o diagnóstico de Leucemia Mieloide Aguda (LMA) pode trazer muitas dúvidas e mudanças na rotina. Além do tratamento, é importante cuidar da saúde física, emocional e social.

Embora cada pessoa tenha uma experiência diferente, muitas conseguem retomar gradualmente suas atividades e encontrar novas formas de conviver com a doença durante e após o tratamento.

Adapte sua rotina

Durante o tratamento, é comum haver períodos de maior cansaço ou necessidade de internação.

Sempre que possível:
• respeite seus limites;
• mantenha uma rotina de sono adequada;
• organize momentos de descanso;
• aceite ajuda de familiares e amigos quando necessário.

Cuide da saúde emocional

É natural sentir medo, ansiedade ou incerteza.

Buscar apoio psicológico, conversar com pessoas de confiança ou participar de grupos de apoio pode ajudar a enfrentar esse período com mais segurança.

Não hesite em pedir ajuda se perceber que as emoções estão interferindo na sua qualidade de vida.

Mantenha o acompanhamento médico

Mesmo após o término do tratamento, as consultas de acompanhamento continuam sendo importantes.

Elas permitem:
• avaliar a recuperação da medula óssea;
• monitorar possíveis sinais de recaída;
• identificar efeitos tardios do tratamento;
• orientar o retorno às atividades do dia a dia.

Retorno às atividades

O retorno ao trabalho, aos estudos e às atividades físicas acontece de forma gradual e varia de pessoa para pessoa.

Converse com sua equipe médica antes de retomar atividades mais intensas.

Você não está sozinho

O tratamento da LMA envolve uma equipe multiprofissional composta por médicos, enfermeiros, farmacêuticos, psicólogos, nutricionistas e outros profissionais.

Além disso, familiares e amigos podem oferecer apoio importante durante toda a jornada.

E conte sempre conosco. Estamos aqui para apoiar voce em toda jornada.

Fontes de Informação
• American Cancer Society (ACS)
• National Comprehensive Cancer Network (NCCN)
• American Society of Hematology (ASH)
• European LeukemiaNet (ELN)

Veja também:
Read More
O que é?

A Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) é um tipo de câncer que começa na medula óssea, o tecido localizado no interior dos ossos responsável pela produção das células do sangue.

Na LLA, células muito jovens que deveriam se transformar em linfócitos — um tipo de glóbulo branco que participa da defesa do organismo — deixam de amadurecer normalmente e passam a se multiplicar de forma descontrolada. Essas células anormais ocupam a medula óssea e reduzem a produção das células sanguíneas saudáveis.

Como consequência, podem surgir:
• anemia, devido à redução das hemácias;
• maior risco de infecções, pela diminuição dos leucócitos normais;
• sangramentos e hematomas, causados pela queda das plaquetas.

A palavra “aguda” significa que a doença costuma evoluir rapidamente e, por isso, o tratamento geralmente deve ser iniciado logo após o diagnóstico.
A LLA pode ocorrer em qualquer idade, mas é a leucemia mais comum na infância. Também pode afetar adolescentes, adultos e idosos, embora o tratamento e o prognóstico variem de acordo com a idade e as características da doença.

Nas últimas décadas, houve um grande avanço no tratamento da LLA. Além da quimioterapia, hoje existem terapias-alvo, imunoterapias e terapias celulares que ampliaram as opções terapêuticas e melhoraram os resultados em muitos pacientes.

Quais são os sintomas da LLA?

Os sintomas da LLA variam de uma pessoa para outra e costumam aparecer ao longo de dias ou poucas semanas.

Os mais frequentes incluem:
• cansaço intenso e fraqueza;
• palidez;
• falta de ar aos esforços;
• febre;
• infecções frequentes ou persistentes;
• hematomas que surgem com facilidade;
• sangramento nasal ou das gengivas;
• pequenos pontos avermelhados na pele (petéquias);
• dor nos ossos ou nas articulações;
• aumento dos gânglios (linfonodos);
• aumento do baço ou do fígado;
• perda de peso sem causa aparente.

Esses sintomas não são exclusivos da LLA e também podem estar presentes em outras doenças. Por isso, somente uma avaliação médica e exames específicos podem confirmar o diagnóstico.

Os sintomas da LLA variam de uma pessoa para outra e costumam aparecer ao longo de dias ou poucas semanas.

Os mais frequentes incluem:
• cansaço intenso e fraqueza;
• palidez;
• falta de ar aos esforços;
• febre;
• infecções frequentes ou persistentes;
• hematomas que surgem com facilidade;
• sangramento nasal ou das gengivas;
• pequenos pontos avermelhados na pele (petéquias);
• dor nos ossos ou nas articulações;
• aumento dos gânglios (linfonodos);
• aumento do baço ou do fígado;
• perda de peso sem causa aparente.

Esses sintomas não são exclusivos da LLA e também podem estar presentes em outras doenças. Por isso, somente uma avaliação médica e exames específicos podem confirmar o diagnóstico.

Como é feito o diangóstico?

O diagnóstico da LLA é realizado por meio da combinação de diferentes exames.
Na maioria dos casos, a investigação começa com um hemograma, que pode mostrar alterações nas células do sangue e levantar a suspeita da doença.

Para confirmar o diagnóstico, geralmente é necessário realizar um mielograma, exame que avalia as células da medula óssea.

Outros exames também fazem parte da investigação, como a imunofenotipagem, que identifica o tipo de leucemia, e exames genéticos e moleculares, que ajudam a definir o tratamento mais adequado.

Dependendo do caso, o médico poderá solicitar ainda exames de sangue, exames de imagem e uma punção lombar para verificar se há comprometimento do sistema nervoso central.

Esses exames permitem conhecer melhor as características da doença e planejar o tratamento de forma individualizada.

O que acontece depois do diagnóstico?

Após confirmar o diagnóstico, a equipe médica definirá a estratégia de tratamento com base em diferentes fatores, como:
• idade do paciente;
• estado geral de saúde;
• subtipo da LLA;
• alterações genéticas da doença;
• risco de recaída.

Hoje, o tratamento da LLA é altamente individualizado. Dependendo das características da doença, podem ser utilizados quimioterapia, terapias-alvo, imunoterapia, terapia com células CAR-T ou transplante de células-tronco hematopoéticas.

Cada uma dessas opções será explicada em detalhes nas próximas páginas.

Tratamentos
Como é o tratamento da Leucemia Linfoblástica Aguda?

Receber o diagnóstico de Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) pode gerar muitas dúvidas sobre o que acontecerá a seguir. A boa notícia é que, nas últimas décadas, o tratamento da LLA evoluiu de forma significativa, oferecendo opções cada vez mais eficazes e personalizadas.

O tratamento tem como principal objetivo eliminar as células da leucemia, permitir que a medula óssea volte a produzir células sanguíneas saudáveis e reduzir o risco de a doença retornar no futuro.

O plano de tratamento é elaborado de forma individualizada e leva em consideração fatores como:
• idade do paciente;
• estado geral de saúde;
• subtipo da LLA;
• alterações genéticas da doença;
• resposta ao tratamento inicial.

Por isso, duas pessoas com o mesmo diagnóstico podem receber tratamentos diferentes.

Quais tratamentos podem ser utilizados?

Atualmente, o tratamento da LLA pode incluir uma ou mais das seguintes estratégias:

QUIMIOTERAPIA
A quimioterapia continua sendo a base do tratamento da maioria dos pacientes com LLA.

Ela utiliza medicamentos que destroem as células leucêmicas e é administrada em diferentes fases, cada uma com um objetivo específico.

TERAPIAS-ALVO
Alguns pacientes apresentam alterações genéticas específicas que permitem o uso de medicamentos desenvolvidos para atuar diretamente nessas alterações.

Esses medicamentos são chamados de terapias-alvo.

Atualmente, são utilizados principalmente em pacientes com LLA Philadelphia positiva (Ph+).

IMUNOTERAPIA
A imunoterapia utiliza o próprio sistema imunológico para ajudar a combater a leucemia.

Nos últimos anos, esse tipo de tratamento trouxe avanços importantes, especialmente para alguns pacientes com doença recidivada ou refratária.

TERAPIA CAR-T
A terapia CAR-T é uma das inovações mais recentes no tratamento da LLA.

Nesse procedimento, células de defesa do próprio paciente são coletadas, modificadas em laboratório e reinfundidas para reconhecer e destruir as células leucêmicas.

Essa terapia é indicada para situações específicas e nem todos os pacientes precisam ou podem recebê-la.

TRANSPLANTE DE CÉLULAS-TRONCO HEMATOPOÉTICAS
Em alguns casos, o transplante pode fazer parte do tratamento.

A indicação depende de fatores como o tipo da leucemia, a resposta ao tratamento inicial e o risco de recaída.

Nem todos os pacientes com LLA precisam de transplante.

Quimioterapia na Leucemia Linfoblástica Aguda

O que é a quimioterapia?

A quimioterapia continua sendo a principal forma de tratamento da Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA).

Ela utiliza medicamentos capazes de destruir as células leucêmicas e permitir que a medula óssea volte a produzir células sanguíneas saudáveis.

Ao longo dos últimos anos, novas terapias foram incorporadas ao tratamento da LLA, como as terapias-alvo, a imunoterapia e a terapia com células CAR-T. No entanto, para a maioria dos pacientes, a quimioterapia continua sendo a base do tratamento.

Na maior parte dos casos, diferentes medicamentos são utilizados em conjunto. Essa combinação aumenta a eficácia do tratamento e reduz o risco de que algumas células da leucemia sobrevivam.

O protocolo escolhido depende de fatores como a idade do paciente, o subtipo da LLA, as características genéticas da doença e a resposta ao tratamento.

Como a quimioterapia é administrada?

A quimioterapia pode ser administrada de diferentes formas, dependendo do medicamento utilizado e da fase do tratamento.
As principais vias de administração são:
• Intravenosa (na veia): é a forma mais utilizada.
• Via oral: alguns medicamentos são tomados em casa, conforme orientação da equipe médica.
• Intratecal: alguns medicamentos são aplicados diretamente no líquido que envolve o cérebro e a medula espinhal (líquor), por meio de uma punção lombar. Essa estratégia ajuda a prevenir ou tratar o comprometimento do sistema nervoso central pela leucemia.

Em muitos pacientes é necessário implantar um cateter venoso central, que facilita a administração dos medicamentos e reduz a necessidade de punções repetidas nas veias.

Como é organizado o tratamento?

Embora existam diferentes protocolos, a quimioterapia para LLA costuma ser dividida em etapas, cada uma com um objetivo específico.

Indução
É a primeira fase do tratamento.

Seu objetivo é eliminar o maior número possível de células leucêmicas e alcançar a remissão completa, quando não há sinais detectáveis da doença pelos exames convencionais.

Consolidação
Mesmo após a remissão, pequenas quantidades de células leucêmicas podem permanecer no organismo.

A fase de consolidação busca eliminar essas células e reduzir o risco de recaída.

Intensificação (quando indicada)
Alguns protocolos incluem uma fase adicional de tratamento intensivo para aumentar ainda mais a eficácia da terapia.

Nem todos os pacientes precisam dessa etapa.

Manutenção
É a fase mais longa do tratamento.

Utiliza medicamentos em doses menores por um período prolongado, com o objetivo de reduzir o risco de retorno da doença.

Em muitos protocolos, principalmente na população pediátrica, essa fase pode durar cerca de dois anos.

Quais medicamentos são utilizados?

A quimioterapia para LLA combina diferentes classes de medicamentos.

Cada uma atua de maneira diferente sobre as células leucêmicas.

Corticoides
Exemplos de medicamentos: Prednisona, Dexametasona
Principal função: Reduzem rapidamente a quantidade de células leucêmicas e potencializam a ação de outros medicamentos.

Alcaloides da vinca
Exemplos de medicamentos: Vincristina
Principal função: Impedem a divisão das células leucêmicas.

Antraciclinas
Exemplos de medicamentos: Daunorrubicina, Doxorrubicina
Principal função: Danificam o DNA das células da leucemia, levando à sua destruição.

Antimetabólitos
Exemplos de medicamentos: Metotrexato, Citarabina, Mercaptopurina
Principal função: Interferem na produção do DNA e impedem a multiplicação das células leucêmicas.

Asparaginases
Exemplos de medicamentos: Pegaspargase, L-asparaginase
Principal função: Reduzem a disponibilidade de asparagina, um aminoácido essencial para a sobrevivência das células da LLA.

Agentes alquilantes
Exemplos de medicamentos: Ciclofosfamida
Principal função: Utilizados em determinados protocolos e situações clínicas específicas.

Cada protocolo combina esses medicamentos em diferentes doses e sequências. Por isso, é normal que pacientes com LLA recebam esquemas de tratamento diferentes.

Todos os pacientes recebem os mesmos medicamentos?

Não. O tratamento é individualizado.

A escolha dos medicamentos depende de diversos fatores, entre eles:
• idade;
• subtipo da LLA;
• presença ou ausência do cromossomo Philadelphia (Ph+);
• resposta ao tratamento inicial;
• presença de doença residual mensurável (MRD);
• risco de recaída.

Além disso, alguns pacientes também podem receber terapias-alvo, imunoterapia ou terapia com células CAR-T como parte do tratamento.

Quais são os efeitos colaterais mais comuns?

Como a quimioterapia também pode afetar células saudáveis que se dividem rapidamente, alguns efeitos colaterais são esperados durante o tratamento.

Os mais frequentes incluem:
• queda das células do sangue (anemia, neutropenia e plaquetopenia);
• maior risco de infecções;
• náuseas e vômitos;
• queda de cabelo;
• feridas na boca (mucosite);
• cansaço;
• diminuição do apetite;
• diarreia ou prisão de ventre.

Nem todos os pacientes apresentam os mesmos efeitos colaterais, e muitos deles podem ser prevenidos ou controlados com medicamentos e medidas de suporte.

A quimioterapia mudou nos últimos anos?

Sim. Embora a quimioterapia continue sendo a base do tratamento da LLA, ela evoluiu significativamente.

Hoje, os protocolos são mais bem definidos e contam com melhores estratégias para prevenir complicações e controlar os efeitos colaterais.

Além disso, em muitos pacientes a quimioterapia passou a ser combinada com terapias-alvo, imunoterapia e terapia celular, tornando o tratamento mais personalizado.

PERGUNTAS FREQUENTES

Vou perder o cabelo?
Alguns medicamentos utilizados na LLA podem causar queda de cabelo. Na maioria dos casos, o cabelo volta a crescer após o término do tratamento.

Toda a quimioterapia é feita no hospital?
Não. Algumas fases exigem internação, enquanto outras podem ser realizadas em regime ambulatorial. Existem também medicamentos administrados por via oral, que podem ser tomados em casa sob orientação da equipe médica.

TERAPIAS-ALVO NA LEUCEMIA LINFOBLÁSTICA AGUDA

O que são as terapias-alvo?

As terapias-alvo são medicamentos desenvolvidos para atuar sobre alterações específicas presentes nas células da leucemia.

Enquanto a quimioterapia destrói células que se multiplicam rapidamente, as terapias-alvo procuram bloquear mecanismos que ajudam as células leucêmicas a crescer e sobreviver.

Por esse motivo, costumam atuar de forma mais direcionada.

Na Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA), as terapias-alvo são utilizadas principalmente em pacientes que apresentam uma alteração genética chamada cromossomo Philadelphia (Ph+).

Nesses pacientes, esses medicamentos passaram a fazer parte do tratamento padrão e melhoraram significativamente os resultados.

O que é o cromossomo Philadelphia (Ph+)?

O cromossomo Philadelphia é uma alteração genética encontrada em uma parte dos pacientes com LLA.

Quando essa alteração está presente, as células leucêmicas produzem uma proteína anormal que estimula seu crescimento contínuo.

As terapias-alvo conseguem bloquear essa proteína, dificultando a multiplicação das células da leucemia.

Por isso, identificar a presença do cromossomo Philadelphia é uma etapa importante do diagnóstico.

Todos os pacientes com LLA recebem terapias-alvo?

Não.

As terapias-alvo são indicadas principalmente para pacientes com LLA Philadelphia positiva (Ph+).

Por esse motivo, antes de iniciar o tratamento, são realizados exames para identificar se essa alteração genética está presente.

Caso o exame seja negativo, esses medicamentos geralmente não fazem parte do tratamento.

As terapias-alvo substituem a quimioterapia?

Na maioria dos casos, não.

Elas costumam ser utilizadas em conjunto com a quimioterapia ou com outras estratégias terapêuticas.

A combinação desses tratamentos aumentou significativamente as taxas de remissão e de sobrevida dos pacientes com LLA Philadelphia positiva.

Em algumas situações específicas, principalmente em pacientes idosos ou com outras doenças importantes, podem ser utilizados protocolos adaptados, sempre definidos pela equipe médica.

Quais terapias-alvo estão disponíveis?

Atualmente, os principais medicamentos utilizados pertencem ao grupo dos inibidores de tirosina quinase (TKIs).

Eles atuam bloqueando a proteína produzida pelo cromossomo Philadelphia.

Os principais medicamentos são:

Imatinibe (Glivec®)
Foi o primeiro medicamento dessa classe e revolucionou o tratamento da LLA Philadelphia positiva.

Hoje continua sendo uma opção importante em diferentes protocolos terapêuticos.

O imatinibe é administrado por via oral, em forma de comprimidos.

A dose e o tempo de tratamento variam de acordo com o protocolo utilizado e as características de cada paciente.

Na LLA Philadelphia positiva, o imatinibe costuma ser utilizado em combinação com a quimioterapia.

Em situações específicas, principalmente em pacientes idosos ou com limitações para receber quimioterapia intensiva, podem ser utilizados protocolos diferentes.

A estratégia é sempre definida pela equipe médica.

Dasatinibe (Sprycel®)
Medicamento de segunda geração, com maior potência e utilizado em diferentes fases do tratamento da LLA Ph+

O dasatinibe é indicado para pacientes cuja leucemia apresenta o cromossomo Philadelphia (Ph+).

Ele pode ser utilizado:
• como parte do tratamento inicial, em combinação com a quimioterapia;
• em pacientes que não toleram o imatinibe;
• em algumas situações em que a doença apresenta resistência ao imatinibe;
• em protocolos específicos definidos pela equipe médica.

A escolha entre imatinibe, dasatinibe ou outro TKI depende das características da doença, do paciente e do protocolo adotado pelo centro de tratamento.

O dasatinibe é administrado por via oral, em comprimidos.

A dose é definida pelo hematologista e pode variar conforme o protocolo de tratamento, a idade do paciente e a resposta à terapia.

O medicamento deve ser tomado exatamente conforme a prescrição médica.

Caso ocorra esquecimento de uma dose, siga a orientação da equipe de saúde e nunca tome uma dose dupla sem orientação.

Ponatinibe (Iclusig®)
Medicamento de terceira geração, indicado principalmente em pacientes com resistência a outros inibidores de tirosina quinase ou em protocolos específicos.

O principal diferencial do ponatinibe é que ele pode continuar sendo eficaz mesmo quando a doença desenvolve resistência a outros TKIs. Por isso, tornou-se uma opção importante para alguns pacientes e também passou a ser utilizado em protocolos mais recentes de tratamento.

O ponatinibe pode ser indicado para pacientes com LLA Philadelphia positiva (Ph+), especialmente quando:
• a doença não respondeu adequadamente ao imatinibe ou ao dasatinibe;
• houve perda da resposta ao tratamento;
• foram identificadas alterações genéticas que tornam outros TKIs menos eficazes, como a mutação T315I;
• o hematologista considera que ele faz parte do protocolo mais adequado para aquele paciente.

A indicação é individualizada e depende das características da doença e da avaliação da equipe médica

Esses medicamentos estão aprovados no Brasil?

Sim.

Os principais inibidores de tirosina quinase utilizados na LLA Philadelphia positiva possuem aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para indicações específicas.

Quais são os efeitos colaterais?

Embora as terapias-alvo atuem de maneira mais específica do que a quimioterapia, elas também podem causar efeitos colaterais.

Os mais comuns incluem:
• retenção de líquidos;
• fadiga;
• náuseas;
• diarreia;
• dor muscular;
• alterações nos exames de sangue.

Cada medicamento apresenta características próprias e pode exigir monitoramento específico durante o tratamento.

Quais efeitos colaterais merecem atenção especial?

DASATINIBE: Um efeito que merece atenção especial é o derrame pleural, que consiste no acúmulo de líquido ao redor dos pulmões. Embora nem todos os pacientes apresentem essa complicação, ela pode causar falta de ar, tosse persistente ou dor no peito e deve ser avaliada rapidamente pela equipe médica.

Entre em contato com seu médico ou procure atendimento imediatamente se apresentar:
falta de ar ou dificuldade para respirar;
dor no peito;
febre igual ou superior a 38°C;
sangramentos importantes;
hematomas que surgem facilmente;

PONATINIBE: pode aumentar o risco de complicações cardiovasculares, como problemas relacionados aos vasos sanguíneos e formação de coágulos, especialmente em pessoas que já apresentam fatores de risco, como hipertensão, diabetes, colesterol elevado ou tabagismo.

Antes e durante o tratamento, o médico avaliará cuidadosamente esses fatores e poderá solicitar exames para acompanhar a saúde cardiovascular.

Por esse motivo, é importante informar à equipe médica qualquer histórico de doença cardíaca ou vascular.

Procure orientação imediatamente se apresentar:
• dor no peito;
• falta de ar;
• dor intensa nas pernas;
• inchaço súbito;
• dificuldade para falar ou movimentar um lado do corpo;
• dor de cabeça intensa e diferente do habitual;
• sangramentos importantes;
• febre igual ou superior a 38°C.

Esses sintomas não significam necessariamente que foram causados pelo medicamento, mas precisam de avaliação médica imediata.

IMUNOTERAPIA NA LEUCEMIA LINFOBLÁSTICA AGUDA

O que é a imunoterapia?

A imunoterapia é uma forma de tratamento que utiliza o próprio sistema imunológico para ajudar a combater o câncer.

Em vez de destruir diretamente as células da leucemia, como acontece com a quimioterapia, a imunoterapia ajuda as células de defesa do organismo a reconhecer e eliminar as células doentes.

Nos últimos anos, a imunoterapia trouxe avanços importantes para o tratamento da Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA), especialmente para pacientes com doença recidivada, refratária ou com alto risco de recaída. Em alguns casos, ela também passou a ser utilizada em fases mais precoces do tratamento.

A imunoterapia substitui a quimioterapia?

Na maioria dos casos, não.

A quimioterapia continua sendo a base do tratamento da LLA.

A imunoterapia pode ser utilizada em conjunto com a quimioterapia ou em momentos específicos do tratamento, dependendo das características da doença e da resposta do paciente.

A decisão sobre quando utilizar esse tipo de tratamento é individualizada.

Todos os pacientes podem receber imunoterapia?

Não.

A indicação depende de diversos fatores, como:
• o subtipo da LLA;
• as proteínas presentes nas células da leucemia;
• a fase da doença;
• a resposta ao tratamento inicial;
• a presença de recaída ou de doença residual mensurável (MRD);
• as aprovações regulatórias e a disponibilidade do tratamento.

Por esse motivo, nem todos os pacientes receberão imunoterapia.

Quais tipos de imunoterapia são utilizados na LLA?

Atualmente, existem diferentes formas de imunoterapia utilizadas no tratamento da LLA.

Anticorpos biespecíficos
Esses medicamentos aproximam as células de defesa do organismo das células da leucemia, facilitando sua destruição.

Anticorpos monoclonais conjugados/ Conjugado Anticorpo-Fármaco (ADC)
São anticorpos que reconhecem as células da leucemia e levam até elas um medicamento capaz de destruí-las.
Essa estratégia permite que o tratamento atue de forma mais direcionada.

Anticorpos monoclonais
Em alguns pacientes, pode ser utilizado um anticorpo monoclonal em combinação com a quimioterapia.
Seu uso depende das características da leucemia e do protocolo adotado.

Quais são os benefícios da imunoterapia?

A imunoterapia ampliou as opções de tratamento para muitos pacientes com LLA.

Dependendo da situação clínica, ela pode:
• aumentar as chances de remissão da doença;
• reduzir a quantidade de células leucêmicas antes de um transplante;
• tratar pacientes com recaída;
• ajudar a eliminar a doença residual mensurável (MRD);
• permitir novas estratégias terapêuticas em pacientes que não responderam adequadamente à quimioterapia.

A imunoterapia causa efeitos colaterais?

Sim. Embora seja diferente da quimioterapia, a imunoterapia também pode provocar efeitos colaterais.

Eles variam conforme o medicamento utilizado.

Entre os mais comuns estão:
• febre;
• fadiga;
• náuseas;
• diminuição das células do sangue;
• infecções.

Alguns medicamentos também podem causar efeitos específicos, que serão explicados nas páginas dedicadas a cada tratamento.

CONHEÇA OS MEDICAMENTOS

Nesta seção você encontrará informações detalhadas sobre cada imunoterapia utilizada na LLA.

Blinatumomabe (Blincyto®)

Classe terapêutica: Anticorpo biespecífico (BiTE®)
Principais indicações na LLA: LLA de células B CD19 positiva em situações específicas
Via de administração: Infusão intravenosa contínua
Aprovação Anvisa: Sim

O blinatumomabe é uma imunoterapia utilizada no tratamento de alguns pacientes com Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) de células B.

Ele foi um dos primeiros medicamentos a utilizar o próprio sistema imunológico para combater as células da leucemia e representou um importante avanço no tratamento da doença.

Hoje, pode ser indicado em diferentes momentos do tratamento, dependendo das características da leucemia e da resposta obtida com as terapias anteriores.

Para quem o blinatumomabe é indicado?

O blinatumomabe não é indicado para todos os pacientes com LLA.

Ele pode ser utilizado em situações como:
• quando a leucemia voltou após o tratamento (recaída);
• quando a doença não respondeu adequadamente ao tratamento inicial (doença refratária);
• quando ainda existem pequenas quantidades de células leucêmicas detectadas por exames muito sensíveis (doença residual mensurável – MRD);
• em alguns protocolos de tratamento inicial, conforme as indicações aprovadas e a avaliação da equipe médica.

Além disso, o medicamento é utilizado apenas em pacientes cuja leucemia apresenta uma proteína chamada CD19, encontrada na maioria dos casos de LLA de células B.

Como o blinatumomabe funciona?

O sistema imunológico possui células de defesa chamadas linfócitos T, responsáveis por identificar e eliminar células anormais.

Entretanto, as células da leucemia conseguem, muitas vezes, escapar dessa vigilância.

O blinatumomabe aproxima os linfócitos T das células da leucemia, facilitando seu reconhecimento e destruição.
Em outras palavras, ele ajuda o próprio sistema imunológico a localizar e atacar as células doentes.

Como o tratamento é realizado?

O blinatumomabe é administrado diretamente na veia.

Diferentemente da maioria dos medicamentos oncológicos, ele é administrado de forma contínua, por meio de uma bomba de infusão que libera o medicamento durante vários dias.

Nos primeiros dias do tratamento, muitos pacientes permanecem internados para monitoramento, pois algumas reações podem ocorrer no início da infusão.

Depois desse período, dependendo da evolução clínica e da estrutura do serviço de saúde, parte do tratamento pode ser realizada em regime ambulatorial.

Quais são os efeitos colaterais mais comuns?

Os efeitos colaterais variam de uma pessoa para outra.

Os mais frequentemente observados são:
• febre;
• dor de cabeça;
• fadiga;
• tremores;
• náuseas;
• diminuição das células do sangue;
• infecções.

A equipe médica acompanha o paciente de perto durante todo o tratamento para identificar e tratar precocemente qualquer complicação.

Quais efeitos colaterais exigem atenção imediata?

Embora muitas pessoas façam o tratamento sem complicações graves, alguns efeitos precisam de avaliação médica imediata.

Síndrome de liberação de citocinas
É uma reação causada pela intensa ativação do sistema imunológico.

Pode provocar:
• febre alta;
• calafrios;
• queda da pressão arterial;
• dificuldade para respirar.

Alterações neurológicas
Em alguns pacientes podem ocorrer:
• dificuldade para falar;
• confusão;
• tremores;
• sonolência excessiva;
• alterações do equilíbrio;
• convulsões (raramente).

Esses sintomas devem ser comunicados imediatamente à equipe médica.

Como é feito o acompanhamento?

Durante o tratamento, a equipe médica realiza avaliações frequentes para acompanhar:
• a resposta da leucemia ao tratamento;
• a contagem das células do sangue;
• possíveis infecções;
• alterações neurológicas;
• outros efeitos colaterais.

Em alguns pacientes, também são realizados exames para avaliar a doença residual mensurável (MRD).

Vou precisar ficar internado?

Na maioria dos casos, sim, pelo menos nos primeiros dias do primeiro ciclo, para monitoramento e segurança.

Referências
• American Cancer Society (ACS)
• National Comprehensive Cancer Network (NCCN)
• American Society of Hematology (ASH)
• European Hematology Association (EHA)
• Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
• European Medicines Agency (EMA)

Inotuzumabe ozogamicina (Besponsa®)

Classe terapêutica: Anticorpo monoclonal conjugado a medicamento (ADC)
Principais indicações na LLA: LLA de células B CD22 positiva em situações específicas
Via de administração: Infusão intravenosa
Aprovação Anvisa: Sim

O inotuzumabe ozogamicina é uma imunoterapia utilizada no tratamento de alguns pacientes com Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) de células B.

Diferentemente da quimioterapia tradicional, esse medicamento foi desenvolvido para reconhecer as células da leucemia e levar até elas um agente capaz de destruí-las.

Essa estratégia permite que o tratamento atue de forma mais direcionada, reduzindo a exposição de outras células do organismo ao medicamento.

Para quem o inotuzumabe é indicado?

O inotuzumabe não é indicado para todos os pacientes com LLA.

Ele pode ser utilizado principalmente em pacientes com:
• LLA de células B que voltou após o tratamento (doença recidivada);
• LLA de células B que não respondeu ao tratamento inicial (doença refratária);
• situações específicas definidas pela equipe médica e pelas indicações aprovadas.

Para que o medicamento funcione, as células da leucemia precisam apresentar uma proteína chamada CD22, identificada por exames realizados no diagnóstico.

Como o inotuzumabe funciona?

O inotuzumabe funciona como um “medicamento inteligente“.

Primeiro, ele reconhece e se liga às células da leucemia que apresentam a proteína CD22.

Depois, libera dentro dessas células um agente que provoca sua destruição.

Isso permite uma ação mais direcionada do que a quimioterapia convencional.

Como o tratamento é realizado?

O inotuzumabe é administrado por infusão intravenosa em ambiente hospitalar ou em centro especializado.

O tratamento é dividido em ciclos.

Antes de cada infusão, a equipe médica realiza avaliações clínicas e laboratoriais para verificar se o tratamento pode ser administrado com segurança.

Quais são os efeitos colaterais mais comuns?

Os efeitos colaterais variam entre os pacientes.

Os mais frequentes incluem:
• diminuição das células do sangue;
• febre;
• fadiga;
• náuseas;
• dor de cabeça;
• alterações nos exames do fígado;
• maior risco de infecções.

Muitos desses efeitos podem ser controlados com acompanhamento adequado.

Quais efeitos colaterais merecem atenção especial?

O principal efeito que exige maior atenção é a doença hepática veno-oclusiva, também chamada de síndrome de obstrução sinusoidal.

Essa é uma complicação rara, mas potencialmente grave, que pode ocorrer principalmente em pacientes que serão submetidos posteriormente ao transplante de células-tronco hematopoéticas.

Por esse motivo, a função do fígado é cuidadosamente monitorada antes, durante e após o tratamento.

Quando devo avisar minha equipe médica?

Entre em contato imediatamente se apresentar:
• febre igual ou superior a 38°C;
• pele ou olhos amarelados;
• dor intensa no lado direito do abdome;
• aumento rápido do abdome;
• sangramentos importantes;
• falta de ar;
• sinais de infecção.

Esses sintomas nem sempre significam uma complicação grave, mas precisam ser avaliados rapidamente.

Como é feito o acompanhamento?

Durante o tratamento, a equipe médica acompanha regularmente:
• hemograma;
• função do fígado;
• resposta da leucemia ao tratamento;
• possíveis sinais de infecção;
• outros efeitos adversos.

Se houver planejamento de transplante, esse acompanhamento costuma ser ainda mais rigoroso.

As indicações podem variar conforme as atualizações das agências reguladoras.

Rituximabe (MabThera®)

Nome genérico: Rituximabe
Nome comercial: MabThera® (e biossimilares aprovados)
Classe terapêutica: Anticorpo monoclonal
Principais indicações na LLA: Alguns pacientes com LLA de células B CD20 positiva
Via de administração: Infusão intravenosa
Aprovação Anvisa: Sim, para indicações específicas

O rituximabe é um anticorpo monoclonal utilizado no tratamento de diversas doenças, incluindo alguns tipos de linfoma, leucemia e doenças autoimunes.

Na Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA), ele pode fazer parte do tratamento de alguns pacientes com LLA de células B, quando as células da leucemia apresentam uma proteína chamada CD20.

É importante destacar que nem todos os pacientes com LLA apresentam essa proteína. Por isso, o rituximabe não faz parte do tratamento de todos os casos.

Para quem o rituximabe é indicado?

O rituximabe pode ser utilizado em pacientes com:
• LLA de células B que expressa a proteína CD20;
• principalmente adultos e adolescentes tratados com determinados protocolos de quimioterapia.

Antes de indicar o medicamento, a equipe médica realiza exames para verificar se as células da leucemia apresentam essa característica.

Como o rituximabe funciona?

As células da LLA que expressam CD20 apresentam essa proteína em sua superfície.

O rituximabe reconhece essa proteína e se liga à célula leucêmica.

A partir desse momento, o sistema imunológico passa a reconhecer essa célula com mais facilidade e ajuda a destruí-la.

Por isso, o rituximabe é considerado uma imunoterapia.

Como o tratamento é realizado?

O rituximabe é administrado por infusão intravenosa.

A primeira infusão costuma ser mais lenta porque algumas pessoas podem apresentar reações durante a administração.

Antes da infusão, é comum receber medicamentos para reduzir o risco dessas reações, como antitérmicos, anti-histamínicos e, em alguns casos, corticosteroides.

O número de aplicações depende do protocolo de tratamento utilizado.

Quais são os efeitos colaterais mais comuns?

Os efeitos colaterais costumam ser mais frequentes durante a primeira infusão.

Podem ocorrer:
• febre;
• calafrios;
• coceira;
• vermelhidão na pele;
• queda da pressão arterial;
• fadiga;
• náuseas.

Na maioria dos casos, essas reações são leves e controladas pela equipe médica durante a administração.

Quais efeitos colaterais merecem atenção especial?

Como o rituximabe reduz temporariamente parte das células B normais do organismo, pode aumentar o risco de algumas infecções.

Antes de iniciar o tratamento, o médico poderá solicitar exames para investigar infecções prévias, especialmente hepatite B, pois o medicamento pode reativar uma infecção antiga em alguns pacientes.

Durante o tratamento, qualquer sinal de infecção deve ser comunicado rapidamente.

Quando devo avisar minha equipe médica?

Procure orientação imediatamente se apresentar:
• febre igual ou superior a 38°C;
• dificuldade para respirar durante ou após a infusão;
• calafrios intensos;
• tosse persistente;
• sinais de infecção;
• icterícia (pele ou olhos amarelados).

Como é feito o acompanhamento?

Durante o tratamento, a equipe médica acompanhará:
• hemograma;
• função hepática;
• sinais de infecção;
• resposta da leucemia ao tratamento.

Referências

• American Cancer Society (ACS)
• National Comprehensive Cancer Network (NCCN)
• American Society of Hematology (ASH)
• European Hematology Association (EHA)
• Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
• U.S. Food and Drug Administration (FDA)
• European Medicines Agency (EMA)

TERAPIA CELULAR NA LEUCEMIA LINFOBLÁSTICA AGUDA

A terapia celular é uma forma inovadora de tratamento do câncer que utiliza células do próprio sistema imunológico do paciente para combater a doença.

Diferentemente da quimioterapia, que utiliza medicamentos para destruir as células leucêmicas, a terapia celular modifica algumas células de defesa do paciente para que elas consigam reconhecer e eliminar as células da leucemia com maior eficiência.

Nos últimos anos, essa estratégia trouxe resultados importantes para alguns pacientes com Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA), especialmente quando a doença voltou após o tratamento ou não respondeu às terapias convencionais.

Embora represente um grande avanço, a terapia celular não é indicada para todos os pacientes e ainda está disponível apenas em centros especializados.

O que é a Terapia CAR-T?

A principal terapia celular utilizada na LLA é chamada de CAR-T.

A sigla vem do inglês Chimeric Antigen Receptor T-cell, que pode ser traduzido como linfócitos T com receptor quimérico de antígeno.

Apesar do nome complexo, o conceito é relativamente simples.

Os linfócitos T são células de defesa do organismo.

Na terapia CAR-T, essas células são retiradas do sangue do próprio paciente, modificadas em laboratório para reconhecer as células da leucemia e, depois, devolvidas ao organismo por meio de uma infusão intravenosa.

Uma vez reinfundidas, elas passam a procurar e destruir as células leucêmicas.

Como é realizado o tratamento?

O tratamento com CAR-T ocorre em várias etapas.

1. Coleta das células
Primeiro, são coletados linfócitos T do próprio paciente por um procedimento chamado leucaférese.

2. Modificação em laboratório
Essas células são enviadas para um laboratório especializado, onde recebem uma modificação genética que permite reconhecer as células da leucemia.

3. Multiplicação das células
Depois da modificação, as células são multiplicadas para que haja quantidade suficiente para o tratamento.

4. Quimioterapia preparatória
Antes da infusão das células CAR-T, o paciente geralmente recebe uma quimioterapia de baixa intensidade para preparar o organismo.

5. Infusão das células
As células modificadas são administradas por infusão intravenosa.

Após retornarem ao organismo, elas passam a reconhecer e atacar as células da leucemia.

Para quem a terapia CAR-T pode ser indicada?

A terapia CAR-T é indicada para grupos específicos de pacientes.

Na LLA, ela pode ser considerada principalmente em casos de:
• doença recidivada (quando a leucemia voltou após o tratamento);
• doença refratária (quando não respondeu ao tratamento);
• situações específicas definidas pela equipe médica e pelos critérios de aprovação dos produtos disponíveis.

Nem todos os pacientes são candidatos a esse tratamento.

A indicação depende da idade, das características da doença, dos tratamentos anteriores e das condições clínicas do paciente.

Quais são os benefícios?

A terapia CAR-T representou um dos maiores avanços no tratamento da LLA nos últimos anos.

Em alguns pacientes, ela possibilitou respostas importantes mesmo após falha de outros tratamentos.

Entretanto, os resultados variam de uma pessoa para outra e o acompanhamento continua sendo fundamental, pois a doença pode voltar em alguns casos.

Quais são os riscos?

Embora seja um tratamento muito promissor, a terapia CAR-T pode causar efeitos colaterais importantes.

Os dois principais são:

Síndrome de liberação de citocinas
Pode provocar:
• febre alta;
• queda da pressão arterial;
• dificuldade para respirar.

Alterações neurológicas
Podem ocorrer:
• confusão;
• dificuldade para falar;
• sonolência;
• tremores;
• convulsões em alguns casos.

Essas complicações são conhecidas pelas equipes especializadas e existem protocolos específicos para seu tratamento.

Por esse motivo, a terapia CAR-T deve ser realizada em centros habilitados e com experiência nesse tipo de tratamento.

A terapia CAR-T substitui o transplante?

Depende. Em alguns pacientes, a resposta obtida com a terapia CAR-T pode evitar a necessidade de transplante.

Em outros, ela pode ser utilizada como uma etapa antes do transplante.

A decisão depende da resposta ao tratamento e das características individuais de cada paciente

Terapias CAR-T disponíveis

Atualmente, diferentes produtos CAR-T foram desenvolvidos para o tratamento de leucemias e linfomas.

Na LLA, os principais são:
Tecartus® (brexucabtagene autoleucel)
Kymriah® (tisagenlecleucel)

Cada um possui indicações específicas.Saiba mais a seguir:

Tecartus® (brexucabtagene autoleucel)

Nome genérico: Brexucabtagene autoleucel
Nome comercial: Tecartus®
Classe terapêutica: Terapia celular CAR-T
Principais indicações na LLA: Adultos com LLA de células B recidivada ou refratária, conforme aprovações regulatórias
Via de administração: Infusão intravenosa única
Aprovação Anvisa: Sim, para indicações específicas*

*Sempre consultar a bula vigente, pois as indicações aprovadas podem ser atualizadas.

O que é o Tecartus®?
O Tecartus® é uma terapia celular do tipo CAR-T, desenvolvida para tratar alguns pacientes com Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) de células B.
Diferentemente dos medicamentos tradicionais, o Tecartus® utiliza os próprios linfócitos T do paciente. Essas células são coletadas, modificadas em laboratório para reconhecer as células da leucemia e, depois, devolvidas ao organismo por uma infusão intravenosa.
Após a infusão, essas células passam a identificar e destruir as células leucêmicas.

Kymriah® (tisagenlecleucel)

Nome genérico: Tisagenlecleucel
Nome comercial: Kymriah®
Classe terapêutica: Terapia celular CAR-T
Principais indicações na LLA: Crianças e adultos jovens com LLA de células B recidivada ou refratária, conforme aprovações regulatórias
Via de administração: Infusão intravenosa única
Aprovação Anvisa: Sim, para indicações específicas*

*Sempre consultar a bula vigente, pois as indicações aprovadas podem ser atualizadas.

O que é o Kymriah®?
O Kymriah® é uma terapia celular do tipo CAR-T, desenvolvida para tratar alguns pacientes com Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) de células B.

Assim como outras terapias CAR-T, o tratamento utiliza os próprios linfócitos T do paciente. Essas células são coletadas, modificadas em laboratório para reconhecer as células da leucemia e, posteriormente, reinfundidas no organismo.

Após a infusão, essas células passam a identificar e destruir as células leucêmicas.

Para quem o Kymriah® é indicado?
O Kymriah® pode ser indicado para crianças e adultos jovens com LLA de células B quando:
• a leucemia voltou após o tratamento (recidiva);
• a doença não respondeu às terapias anteriores (refratária);
• a equipe médica considera que a terapia CAR-T é a melhor opção para aquele momento da doença.

A indicação depende das aprovações regulatórias, da idade do paciente e da avaliação realizada por um centro especializado.

Como o CAR-T é realizado?

O tratamento ocorre em várias etapas.

1. Coleta dos linfócitos T
Os linfócitos T são coletados por meio de um procedimento chamado leucaférese.

2. Modificação das células
Em laboratório, essas células recebem uma modificação genética que permite reconhecer a proteína CD19, presente na maioria das células da LLA de células B.

3. Multiplicação das células
As células modificadas são multiplicadas até atingir a quantidade necessária para o tratamento.

4. Quimioterapia preparatória
Antes da infusão, o paciente recebe uma quimioterapia de baixa intensidade para preparar o organismo.

5. Infusão das células CAR-T
As células são administradas por infusão intravenosa, em dose única.

Quais são os possíveis efeitos colaterais?

Os mais importantes são:

Síndrome de liberação de citocinas (CRS)
Pode provocar:
• febre alta;
• queda da pressão arterial;
• dificuldade para respirar;
• aceleração dos batimentos cardíacos.

Toxicidade neurológica
Pode incluir:
• confusão;
• dificuldade para falar;
• sonolência;
• tremores;
• convulsões em alguns pacientes.

Essas complicações são conhecidas pelas equipes especializadas e existem protocolos específicos para seu diagnóstico e tratamento.

Vou precisar ficar internado?

Sim.Após a infusão, os pacientes permanecem em observação para monitorar possíveis complicações.

Mesmo após a alta, são necessárias consultas frequentes nas primeiras semanas.

Como é feito o acompanhamento?

Após o tratamento, a equipe médica acompanha:
• a resposta da leucemia;
• hemograma;
• sinais de infecção;
• recuperação do sistema imunológico;
• possíveis efeitos tardios da terapia.

O acompanhamento é contínuo e pode se estender por meses ou anos.

Referências
• American Cancer Society (ACS)
• National Cancer Institute (NCI)
• National Comprehensive Cancer Network (NCCN)
• American Society of Hematology (ASH)
• European Hematology Association (EHA)
• Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
• U.S. Food and Drug Administration (FDA)
• European Medicines Agency (EMA)

TRANSPLANTE DE CÉLULAS-TRONCO HEMATOPOÉTICAS NA LEUCEMIA LINFOBLÁSTICA AGUDA

O que é o transplante?

O transplante de células-tronco hematopoéticas (TCTH), também conhecido como transplante de medula óssea, é um tratamento utilizado em alguns pacientes com Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA).

Apesar do nome, o procedimento não envolve a troca da medula óssea. O objetivo é substituir as células responsáveis pela formação do sangue por células-tronco saudáveis, capazes de reconstruir a medula óssea após o tratamento.

Na LLA, o transplante pode ser recomendado quando existe maior risco de recaída ou quando a doença não responde da forma esperada ao tratamento inicial.

É importante saber que nem todo paciente com LLA precisa de um transplante. A decisão é individualizada e depende de vários fatores, incluindo a resposta ao tratamento e os resultados de exames como a doença residual mensurável (MRD).

Quando o transplante pode ser indicado?

O transplante pode ser considerado em situações como:
• LLA com características de alto risco;
• doença residual mensurável (MRD) persistente após o tratamento;
• recaída da doença;
• resposta insuficiente aos tratamentos iniciais;
• algumas alterações genéticas associadas a maior risco de recorrência.

Existem diferentes tipos de transplante, mas na LLA o mais utilizado é o transplante alogênico.

Transplante alogênico

As células-tronco são obtidas de um doador compatível.

Esse doador pode ser:
• um irmão ou irmã compatível;
• outro familiar;
• um doador voluntário não aparentado;
• em algumas situações, um doador parcialmente compatível (haploidêntico);
• em casos selecionados, sangue de cordão umbilical.

Além de reconstruir a medula óssea, o transplante alogênico oferece um benefício importante chamado efeito enxerto contra leucemia, no qual as células do doador ajudam a combater possíveis células leucêmicas remanescentes.

Transplante autólogo

Nesse tipo de transplante, as células são coletadas do próprio paciente.

Embora seja utilizado em algumas doenças hematológicas, não faz parte do tratamento de rotina da LLA, sendo reservado para situações muito específicas.

Como é realizado o transplante?

O transplante acontece em várias etapas.

Avaliação pré-transplante
Antes do procedimento, o paciente realiza diversos exames para avaliar sua condição clínica e confirmar que está apto para o tratamento.
Também é realizada a busca por um doador compatível, quando necessário.

Tratamento de condicionamento
Antes de receber as células-tronco, o paciente passa por um tratamento chamado condicionamento.
Ele pode incluir quimioterapia em altas doses, com ou sem radioterapia corporal total, dependendo do protocolo.
O objetivo é eliminar o maior número possível de células leucêmicas e preparar a medula óssea para receber as novas células.

Infusão das células-tronco
As células do doador são administradas por uma infusão intravenosa, semelhante a uma transfusão de sangue.
O procedimento costuma ser indolor.
Após a infusão, as células migram naturalmente para a medula óssea, onde começam a produzir novas células sanguíneas.

Recuperação da medula óssea
Nas semanas seguintes, o paciente permanece sob acompanhamento rigoroso enquanto as novas células se estabelecem e iniciam a produção normal do sangue.

Esse período é conhecido como pega da medula ou enxertia.

Quais são os riscos do transplante?

O transplante é um tratamento complexo e pode estar associado a complicações importantes.

Entre elas estão:
• infecções;
• sangramentos;
• rejeição ou falha da enxertia;
• complicações relacionadas à quimioterapia;
• doença do enxerto contra o hospedeiro (GVHD).

Esses riscos variam de acordo com o tipo de transplante, a idade do paciente, a doença de base e outros fatores clínicos.

Como é a recuperação?

A recuperação após o transplante varia de uma pessoa para outra.

Nos primeiros meses, são comuns:
• consultas frequentes;
• exames de sangue regulares;
• uso de medicamentos para prevenir infecções;
• cuidados especiais com alimentação e higiene;
• restrições temporárias a ambientes com maior risco de exposição a infecções.

Com o passar do tempo e a recuperação do sistema imunológico, muitos pacientes conseguem retomar gradualmente suas atividades.

O que é a doença do enxerto contra o hospedeiro (DECH/ GVHD/)?

Na DECH, as células do sistema imunológico do doador reconhecem alguns tecidos do paciente como estranhos e passam a atacá-los.

Essa complicação pode afetar principalmente:
• pele;
• fígado;
• intestino;
• olhos;
• boca.

Nem todos os pacientes desenvolvem DECH.

Quando ela ocorre, existem tratamentos para controlar a doença.

A doença do enxerto contra o hospedeiro (DECH), ou graft-versus-host disease em ingles (GVHD), é uma complicação que pode ocorrer após o transplante alogênico de células-tronco hematopoéticas. Ela acontece quando células do sistema imunológico do doador reconhecem tecidos do paciente como diferentes e passam a atacá-los.

A DECH pode ser aguda ou crônica e pode afetar diferentes órgãos, principalmente pele, fígado, boca, olhos, pulmões e trato gastrointestinal.

O tratamento depende do tipo e da gravidade da DECH e dos órgãos envolvidos. Os corticosteroides continuam sendo uma das principais opções de tratamento inicial, mas algumas pessoas não respondem adequadamente ou apresentam recaída da doença.

Nessas situações, podem ser utilizados outros tratamentos sistêmicos, escolhidos de acordo com o quadro clínico e o tratamento já realizado.

Novas opções de tratamento
O ruxolitinibe (Jakavi®) é uma terapia dirigida às vias JAK1/JAK2 e possui indicação aprovada pela Anvisa para DECH aguda em pacientes com 12 anos ou mais que apresentam resposta inadequada aos corticosteroides, além de indicação para DECH crônica nessa faixa etária após resposta inadequada aos corticosteroides ou outras terapias sistêmicas.

Outra opção recentemente registrada no Brasil é o belumosudil (Rezurock®), um inibidor seletivo de ROCK2. A Anvisa aprovou seu uso para pacientes com 12 anos ou mais com DECH crônica após falha de pelo menos duas linhas anteriores de tratamento sistêmico.

O belumosudil atua sobre mecanismos relacionados à resposta imunológica e à fibrose, aspectos importantes da DECH crônica. Nos estudos que fundamentaram seu registro, foram observadas respostas clínicas em pacientes com DECH crônica previamente tratados.

Importante: o belumosudil é uma opção para DECH crônica em determinadas situações, e não um tratamento para prevenir ou tratar todos os casos de DECH. A escolha depende da gravidade, dos órgãos afetados, dos tratamentos anteriores e da resposta individual.

Efeitos adversos
Os efeitos adversos variam conforme o tratamento. Com o belumosudil, podem ocorrer cansaço, diarreia, náuseas, falta de ar e infecções respiratórias, entre outros. A equipe acompanha exames e sinais de infecção e pode ajustar o tratamento conforme necessário.

No Brasil
Belumosudil (Rezurock®): registrado pela Anvisa em 2025 para DECH crônica em pacientes com 12 anos ou mais após falha de pelo menos duas linhas de tratamento sistêmico. O registro pela Anvisa não significa, por si só, incorporação ou disponibilidade pelo SUS. A própria Anvisa ressalta que a disponibilização no SUS depende de avaliação pela Conitec e decisão do Ministério da Saúde.

Fontes de Informação
Este conteúdo foi elaborado com base em recomendações de instituições internacionais de referência, incluindo:
• American Cancer Society (ACS)
• National Comprehensive Cancer Network (NCCN)
• American Society of Hematology (ASH)
• European Society for Blood and Marrow Transplantation (EBMT)

RECAÍDA DA LEUCEMIA LINFOBLÁSTICA AGUDA

O que significa recaída?

A recaída acontece quando a leucemia volta após um período em que havia respondido ao tratamento.

Isso significa que algumas células leucêmicas permaneceram no organismo e, com o tempo, voltaram a se multiplicar.

Receber essa notícia pode ser muito difícil para o paciente e sua família. No entanto, é importante saber que uma recaída não significa que não existam mais opções de tratamento.

Nos últimos anos, surgiram novas terapias que ampliaram as possibilidades de tratamento para muitos pacientes com LLA recidivada.

Como a recaída é diagnosticada?

A suspeita pode surgir por diferentes motivos.

Alguns pacientes apresentam novamente sintomas como:
• cansaço intenso;
• febre;
• infecções frequentes;
• sangramentos;
• aumento dos gânglios;
• dor óssea.

Em outros casos, a recaída é identificada durante exames de acompanhamento, antes mesmo do aparecimento de sintomas.

Para confirmar o diagnóstico, o médico poderá solicitar:
• hemograma;
• mielograma;
• imunofenotipagem;
• exames genéticos e moleculares;
• avaliação da doença residual mensurável (MRD), quando indicada.

Esses exames ajudam a confirmar a presença da doença e a planejar o tratamento mais adequado.

O tratamento muda quando a doença volta?

Sim. Quando ocorre uma recaída, a equipe médica faz uma nova avaliação completa da doença.

Entre os fatores considerados estão:
• o tempo entre o fim do tratamento e a recaída;
• a idade do paciente;
• o subtipo da LLA;
• alterações genéticas;
• tratamentos já realizados anteriormente;
• estado geral de saúde.

Essas informações ajudam a definir a estratégia mais adequada para cada paciente.

Quais tratamentos podem ser utilizados?

As opções variam de acordo com cada caso e podem incluir:
• novos esquemas de quimioterapia;
• terapias-alvo, quando indicadas;
• imunoterapia, como blinatumomabe ou inotuzumabe ozogamicina;
• terapia celular CAR-T em pacientes elegíveis;
• transplante de células-tronco hematopoéticas.

Em muitos casos, diferentes modalidades de tratamento são utilizadas em sequência ou em combinação.

A recaída significa que o tratamento anterior falhou?

Não necessariamente.

Mesmo quando o tratamento inicial foi eficaz, pequenas quantidades de células leucêmicas podem permanecer no organismo e voltar a crescer com o tempo.

Além disso, as células da leucemia podem sofrer mudanças que as tornam mais resistentes ao tratamento recebido anteriormente.

Por isso, a estratégia terapêutica costuma ser reavaliada em cada recaída.

PERGUNTAS FREQUENTES

Toda recaída provoca sintomas?
Não. Em alguns pacientes, a recaída é identificada durante exames de acompanhamento antes do aparecimento de sintomas.

Posso receber o mesmo tratamento novamente?
Depende. Em alguns casos, isso pode ser possível. Em outros, a equipe médica poderá recomendar uma estratégia diferente, baseada nas características da recaída.

DOENÇA RESIDUAL MENSURÁVEL (DRM)

O que é a doença residual mensurável (DRM)?

Durante o tratamento da Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA), um dos principais objetivos é eliminar o maior número possível de células leucêmicas.

Após as primeiras fases da quimioterapia, muitos pacientes entram em remissão completa. Isso significa que, pelos exames convencionais, não há sinais detectáveis da leucemia.

No entanto, exames mais modernos conseguem identificar quantidades extremamente pequenas de células leucêmicas que permanecem no organismo.

Essas células são chamadas de Doença Residual Mensurável (DRM).

Em outras palavras, a DRM indica que ainda existem células da leucemia, mesmo quando elas não podem ser vistas no microscópio.

Por que a DRM é tão importante?

A avaliação da DRM é uma das ferramentas mais importantes utilizadas atualmente no tratamento da LLA.

Ela ajuda a responder perguntas como:
• O tratamento está funcionando como esperado?
• Ainda existem células da leucemia no organismo?
• O risco de recaída é maior ou menor?
• • Será necessário intensificar o tratamento?
O transplante pode ser indicado?
• A resposta ao tratamento foi profunda?

Por esse motivo, a DRM faz parte da avaliação de muitos pacientes durante o tratamento.

O que significa ter DRM negativa?

Quando o exame mostra DRM negativa, significa que não foram encontradas células leucêmicas pelo método utilizado.

Essa é uma excelente notícia.

Em geral, pacientes que atingem DRM negativa apresentam menor risco de recaída quando comparados aos pacientes com DRM positiva.

Entretanto, é importante lembrar que DRM negativa não significa, necessariamente, cura. O paciente deve continuar o tratamento e o acompanhamento conforme orientação da equipe médica.

O que significa ter DRM positiva?

Quando o exame identifica células leucêmicas residuais, dizemos que a DRM é positiva.

Isso significa que ainda existem pequenas quantidades de leucemia no organismo.

Dependendo do momento do tratamento e da quantidade de células detectadas, a equipe médica poderá considerar diferentes estratégias, como:
• manter o tratamento planejado;
• intensificar a quimioterapia;
• indicar imunoterapia;
• avaliar a necessidade de transplante de células-tronco hematopoéticas.

Cada caso é analisado de forma individual.

Como a DRM é medida?

A DRM pode ser avaliada por diferentes técnicas laboratoriais.

As mais utilizadas são:

Citometria de fluxo
Identifica células leucêmicas por meio das proteínas presentes em sua superfície.
É amplamente utilizada em centros especializados.

Biologia molecular (PCR)
Detecta alterações genéticas específicas associadas à leucemia.
Em alguns pacientes, permite identificar uma quantidade extremamente pequena de células leucêmicas.

Sequenciamento de nova geração (NGS)
Em alguns centros, técnicas mais recentes permitem detectar níveis ainda menores de doença residual.

A escolha do método depende das características da leucemia e dos recursos disponíveis.

Quando o exame é realizado?

A DRM não é medida apenas uma vez.

Ela costuma ser avaliada em diferentes momentos do tratamento, por exemplo:
• após a fase de indução;
• durante a consolidação;
• antes do transplante;
• após o transplante, quando indicado;
• durante o acompanhamento, em situações específicas.

A frequência varia conforme o protocolo utilizado.

Atualmente, a DRM é um dos fatores mais importantes para orientar decisões terapêuticas.

Em alguns pacientes, um resultado positivo pode indicar a necessidade de modificar a estratégia de tratamento.

Em outros, um resultado negativo reforça que o tratamento está alcançando a resposta esperada.

Por isso, a DRM é considerada uma ferramenta de medicina personalizada.

Fontes de informação
• American Cancer Society (ACS)
• National Comprehensive Cancer Network (NCCN)
• American Society of Hematology (ASH)
• European Hematology Association (EHA)

CUIDADOS DURANTE O TRATAMENTO DA LEUCEMIA LINFOBLÁSTICA AGUDA

O tratamento da Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) exige alguns cuidados especiais para reduzir o risco de complicações e contribuir para uma recuperação mais segura. Muitas dessas orientações são temporárias e variam de acordo com a fase do tratamento e as condições de cada paciente.

Sempre siga as recomendações da sua equipe de saúde.

Prevenção de infecções

Durante algumas fases do tratamento, o sistema imunológico pode ficar temporariamente enfraquecido, aumentando o risco de infecções.

Alguns cuidados importantes incluem:
• Lavar as mãos frequentemente.
• Evitar contato com pessoas com gripe, resfriado ou outras infecções.
• Manter boa higiene bucal.
• Higienizar corretamente os alimentos.
• Comunicar imediatamente qualquer febre igual ou superior a 38°C.

Alimentação

Uma alimentação equilibrada ajuda o organismo a enfrentar o tratamento.

De forma geral:
• mantenha boa hidratação;
• consuma alimentos bem preparados e armazenados;
• siga as orientações da equipe sobre restrições alimentares durante períodos de neutropenia;
• não utilize suplementos ou produtos naturais sem orientação médica.

Atividade física

Quando autorizada pelo médico, a atividade física pode ajudar a reduzir a fadiga, preservar a massa muscular e melhorar a qualidade de vida.

O tipo e a intensidade dos exercícios devem ser adaptados às condições de cada paciente.

Vacinação

Algumas vacinas podem ser recomendadas antes, durante ou após o tratamento, enquanto outras devem ser adiadas.

Nunca tome vacinas sem conversar com sua equipe médica.

Higiene bucal

A quimioterapia pode aumentar o risco de feridas na boca (mucosite).

Para reduzir esse risco:
• escove os dentes com escova de cerdas macias;
• mantenha boa higiene oral;
• informe ao médico qualquer dor, sangramento ou aparecimento de feridas.

Uso correto dos medicamentos

Tome todos os medicamentos exatamente como foram prescritos.

Não interrompa, reduza ou aumente a dose por conta própria, mesmo que esteja se sentindo melhor.

Informe sempre ao médico sobre outros medicamentos, vitaminas, suplementos ou fitoterápicos que estiver utilizando.

Fertilidade e planejamento familiar

Alguns tratamentos podem afetar a fertilidade.

Sempre que possível, converse com seu médico sobre preservação da fertilidade antes do início do tratamento.

Durante o tratamento, também é importante discutir métodos contraceptivos adequados.

O tratamento é igual para todos?

Não.

O tratamento da LLA é planejado de acordo com as características de cada paciente e da própria doença.

Durante o tratamento, a equipe médica avalia continuamente a resposta às terapias por meio de exames laboratoriais e da medula óssea. Essas informações ajudam a confirmar se o tratamento está funcionando como esperado ou se é necessário fazer ajustes.

Quanto tempo dura o tratamento?

A duração varia de acordo com a idade do paciente, o subtipo da LLA e o protocolo utilizado.

De forma geral, o tratamento é dividido em diferentes etapas e pode durar meses ou, em alguns casos, mais de dois anos, especialmente durante a fase de manutenção.

Embora seja um tratamento longo, cada etapa tem um objetivo específico e faz parte da estratégia para aumentar as chances de controle da doença e reduzir o risco de recaída.

Quais profissionais participam do tratamento?

O cuidado do paciente com LLA envolve uma equipe multidisciplinar.

Dependendo das necessidades de cada pessoa, podem participar do tratamento:
• hematologista;
• enfermeiro;
• farmacêutico;
• nutricionista;
• fisioterapeuta;
• psicólogo;
• assistente social;
• dentista;
• especialistas em doenças infecciosas, cardiologia e outras áreas.

Esse acompanhamento ajuda a tratar a doença e também a prevenir ou controlar os efeitos do tratamento.

Como meu médico escolhe o tratamento da Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA)?

Uma dúvida muito comum entre pacientes e familiares é por que pessoas com o mesmo diagnóstico de Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) podem receber tratamentos diferentes.

A resposta é simples: a LLA não é igual em todos os pacientes.

Hoje, o tratamento é planejado de forma individualizada. Antes de definir a estratégia mais adequada, a equipe médica avalia diversos fatores relacionados tanto à doença quanto às condições de saúde do paciente.

O objetivo é oferecer o tratamento com maior chance de sucesso e o menor risco possível de complicações.

Quais fatores influenciam essa decisão?

Idade
A idade é um dos fatores mais importantes no planejamento do tratamento.

Crianças, adolescentes, adultos e idosos podem responder de maneira diferente aos mesmos medicamentos. Além disso, alguns tratamentos são mais bem tolerados por determinadas faixas etárias.

Por esse motivo, existem protocolos específicos para crianças e outros desenvolvidos para adultos.

Subtipo da LLA
Existem diferentes subtipos de Leucemia Linfoblástica Aguda.

Alguns pacientes apresentam LLA de células B, enquanto outros têm LLA de células T.

Essa informação é importante porque alguns medicamentos modernos são eficazes apenas em determinados subtipos da doença.

Alterações genéticas
Os exames realizados no momento do diagnóstico podem identificar alterações genéticas que ajudam a definir o tratamento.

Por exemplo, pacientes com LLA Philadelphia positiva (Ph+) geralmente recebem, além da quimioterapia, medicamentos chamados terapias-alvo, que atuam especificamente sobre essa alteração.

Outras alterações genéticas também podem influenciar a estratégia terapêutica e o acompanhamento ao longo do tratamento.

Resposta ao tratamento
A forma como a doença responde às primeiras semanas de tratamento fornece informações muito importantes.

Durante esse período, são realizados exames para avaliar se as células leucêmicas estão sendo eliminadas conforme o esperado.

Esses resultados ajudam a definir se o tratamento poderá seguir conforme o planejado ou se será necessário considerar outras estratégias.

Doença Residual Mensurável (MRD)
Mesmo quando a leucemia não é mais detectada pelos exames convencionais, técnicas mais sensíveis podem identificar pequenas quantidades de células leucêmicas.

Esse exame é chamado de Doença Residual Mensurável (MRD).

O resultado da MRD é uma das ferramentas mais importantes para avaliar a resposta ao tratamento e pode influenciar decisões como intensificar a terapia, indicar um transplante ou considerar outros tratamentos.

Você encontrará uma página exclusiva sobre MRD neste portal.

Estado geral de saúde
A equipe médica também avalia as condições gerais do paciente.

Problemas cardíacos, renais, hepáticos ou outras doenças podem influenciar a escolha dos medicamentos e a intensidade do tratamento.

O objetivo é oferecer uma terapia eficaz e, ao mesmo tempo, segura.

O tratamento pode mudar ao longo do tempo?

Sim.O tratamento da LLA é continuamente reavaliado.

Ao longo do acompanhamento, a equipe médica analisa os resultados dos exames, a resposta da doença e a ocorrência de efeitos colaterais.

Em algumas situações, pode ser necessário ajustar o plano terapêutico, trocar medicamentos ou indicar outras estratégias, como imunoterapia, terapia com células CAR-T ou transplante de células-tronco hematopoéticas.

Isso não significa que o tratamento anterior “falhou”. Muitas vezes, esses ajustes fazem parte do planejamento terapêutico e refletem uma abordagem personalizada.

Não compare seu tratamento com o de outros pacientes

É natural conversar com outras pessoas que também estão enfrentando a LLA. No entanto, é importante lembrar que cada paciente é único.

Diferenças como idade, subtipo da doença, alterações genéticas, resposta ao tratamento e condições de saúde fazem com que duas pessoas com o mesmo diagnóstico possam receber tratamentos completamente diferentes.

Por isso, evite comparar protocolos ou medicamentos. O tratamento que foi indicado para você foi escolhido com base nas características da sua doença e nas evidências científicas disponíveis.
• Quimioterapia
• Terapias-alvo
• Imunoterapia
• Terapia com células CAR-T
• Transplante de células-tronco hematopoéticas

O TRATAMENTO PODE MUDAR AO LONGO DO TEMPO?

Sim. O tratamento da LLA é continuamente reavaliado.

Ao longo do acompanhamento, a equipe médica analisa os resultados dos exames, a resposta da doença e a ocorrência de efeitos colaterais.
Em algumas situações, pode ser necessário ajustar o plano terapêutico, trocar medicamentos ou indicar outras estratégias, como imunoterapia, terapia com células CAR-T ou transplante de células-tronco hematopoéticas.

Isso não significa que o tratamento anterior “falhou”. Muitas vezes, esses ajustes fazem parte do planejamento terapêutico e refletem uma abordagem personalizada.

Não compare seu tratamento com o de outros pacientes

É natural conversar com outras pessoas que também estão enfrentando a LLA. No entanto, é importante lembrar que cada paciente é único.
Diferenças como idade, subtipo da doença, alterações genéticas, resposta ao tratamento e condições de saúde fazem com que duas pessoas com o mesmo diagnóstico possam receber tratamentos completamente diferentes.

Por isso, evite comparar protocolos ou medicamentos. O tratamento que foi indicado para você foi escolhido com base nas características da sua doença e nas evidências científicas disponíveis.

VIVENDO COM LEUCEMIA LINFOBLÁSTICA AGUDA

Receber o diagnóstico de Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) pode trazer muitas mudanças para a rotina e despertar sentimentos como medo, ansiedade e incerteza. Cada pessoa vivencia essa experiência de forma diferente, e não existe uma maneira “certa” de enfrentar esse momento.

Além do tratamento, cuidar da saúde emocional, manter uma rede de apoio e buscar informações confiáveis também fazem parte do cuidado.

Cuidando da saúde emocional

É comum sentir preocupação, tristeza ou ansiedade durante o tratamento.

Conversar com familiares, amigos, psicólogos ou grupos de apoio pode ajudar a enfrentar esse período. Caso esses sentimentos sejam intensos ou persistentes, informe sua equipe de saúde. O apoio psicológico faz parte do tratamento.

Trabalho e estudos

Algumas pessoas conseguem manter parte da rotina, enquanto outras precisam se afastar temporariamente.

A decisão depende da fase do tratamento, dos efeitos colaterais e da orientação da equipe médica. Respeitar os limites do próprio corpo é fundamental.

Família e amigos

Permita que as pessoas próximas participem do seu cuidado.

Aceitar ajuda para tarefas do dia a dia, consultas ou momentos difíceis pode tornar o tratamento menos desgastante para você e para sua família.

Fertilidade e planejamento familiar

Alguns tratamentos podem afetar a fertilidade.

Se esse assunto for importante para você, converse com seu médico o mais cedo possível. Em alguns casos, existem opções para preservação da fertilidade antes do início do tratamento.

Sexualidade

O tratamento pode provocar mudanças na disposição, na imagem corporal e na vida sexual.

Essas alterações costumam ser temporárias e variam de pessoa para pessoa. Não tenha receio de conversar com sua equipe médica sobre dúvidas relacionadas à sexualidade, contracepção ou planejamento familiar.

Após o tratamento

Mesmo quando o tratamento termina, o acompanhamento médico continua sendo importante.

As consultas de seguimento permitem monitorar a recuperação, identificar possíveis efeitos tardios e acompanhar a saúde a longo prazo.

Com o tempo, muitos pacientes conseguem retomar gradualmente suas atividades e seus projetos de vida.

Fertilidade e planejamento familiar

Alguns tratamentos podem afetar a fertilidade.

Sempre que possível, converse com seu médico sobre preservação da fertilidade antes do início do tratamento.

Durante o tratamento, também é importante discutir métodos contraceptivos adequados.

Você não está sozinho

O tratamento da LLA pode ser desafiador, mas você não precisa enfrentá-lo sozinho.

Conte com sua equipe de saúde, familiares, amigos e organizações de apoio ao paciente. Fazer perguntas, compartilhar dúvidas e buscar informações de qualidade pode ajudá-lo a participar ativamente das decisões sobre o seu tratamento.

E conte com o Instituto Espaço de Vida. Estamos aqui para caminhar com você.

Lembre-se

A LLA faz parte da sua história, mas não define quem você é.

Muitas pessoas conseguem retomar seus planos, redescobrir novos objetivos e construir uma vida plena após o tratamento. Cada etapa é única, e seguir um passo de cada vez pode tornar essa jornada mais leve.

Veja também:
Read More
O que é?

A LMMJ é uma doença rara, geralmente diagnosticada em crianças pequenas. Ela apresenta características de neoplasias mielodisplásicas e mieloproliferativas e não se comporta como uma leucemia aguda típica nem como uma leucemia crônica clássica.
Alterações em genes da via RAS/MAPK são frequentes e ajudam a caracterizar a doença.

Sinais e sintomas

• palidez e cansaço;
• febre e infecções;
• hematomas ou sangramentos;
• aumento dos gânglios;
• aumento do fígado e/ou baço;
• distensão ou dor abdominal;
• perda de apetite;
• alterações de pele;
• tosse ou dificuldade para respirar em algumas situações.

Como é diagnosticada?

• hemograma;
• sangue periférico;
• medula óssea;
• citogenética;
• testes moleculares;
• exames para excluir doenças semelhantes.

Como o tratamento é escolhido?

A equipe considera idade, características clínicas, hemograma, alterações genéticas e moleculares, evolução da doença, resposta ao tratamento e possibilidade de transplante. Como é uma doença rara, a experiência de centros especializados e protocolos internacionais tem papel importante.

Tratamentos

Transplante de células-tronco hematopoéticas

O transplante alogênico é atualmente a principal estratégia com potencial curativo para crianças elegíveis. O momento e a indicação são definidos individualmente.

Tratamento medicamentoso

Medicamentos podem ser usados em determinadas situações, inclusive para controlar a doença enquanto se prepara o transplante ou em contextos específicos. Não existe uma única quimioterapia considerada padrão para todas as crianças.

Azacitidina e outras estratégias medicamentosas são estudadas ou utilizadas em situações selecionadas. A escolha deve ser feita por equipe especializada e, quando apropriado, em contexto de estudo clínico.

Efeitos adversos

Dependem do tratamento utilizado. Medicamentos podem causar queda das células do sangue, infecções, sangramentos, náuseas e cansaço. O transplante pode causar complicações relacionadas ao condicionamento, infecções, falha da enxertia e doença do enxerto contra o hospedeiro.

Recaída ou doença persistente

A equipe considera características da recaída, alterações moleculares, tratamentos prévios, possibilidade de novo tratamento medicamentoso, segundo transplante e estudos clínicos.

Depois do tratamento

O acompanhamento procura identificar retorno da doença, efeitos tardios, complicações do transplante e necessidades relacionadas a crescimento, desenvolvimento, escola e saúde emocional.

Para os pais
A LMMJ é rara e complexa. É razoável perguntar qual alteração molecular foi encontrada, qual é o objetivo do tratamento, se há indicação de transplante e quais alternativas existem caso a doença não responda.
Veja também:
Read More
O que é?

A LMC é uma leucemia rara na infância e mais frequente em adolescentes. Ela está associada à presença do cromossomo Philadelphia e da alteração BCR::ABL1, que produz uma proteína com atividade de tirosina-quinase.

Sinais e sintomas

• cansaço e palidez;
• perda de peso ou apetite;
• suor noturno;
• dor ou sensação de peso no lado esquerdo do abdome por aumento do baço;
• alterações do hemograma, às vezes encontradas antes de sintomas importantes.

Como é diagnosticada?

• hemograma e avaliação do sangue periférico;
• estudo da medula óssea quando indicado;
• identificação do BCR::ABL1/cromossomo Philadelphia;
• avaliação molecular para estabelecer e acompanhar a resposta ao tratamento.

Como o tratamento é escolhido?

São considerados a fase da doença, quantidade de blastos, resposta ao tratamento e presença de resistência ou perda de resposta. Na criança, crescimento, desenvolvimento e efeitos adversos de longo prazo também são relevantes.

Tratamentos

Inibidores de tirosina-quinase (ITQ)

Os ITQ são a principal base do tratamento da LMC. Exemplos incluem imatinibe, dasatinibe e nilotinibe; a escolha depende da situação clínica, resposta, tolerabilidade e disponibilidade.

O tratamento costuma ser prolongado e requer monitoramento regular. A decisão de reduzir, trocar ou suspender um ITQ não deve ser tomada por conta própria.

Transplante

O transplante alogênico pode ser considerado em situações específicas, como resistência ou progressão para fases avançadas, especialmente quando as opções com ITQ não conseguem controlar a doença.

Efeitos adversos

Podem ocorrer náuseas, diarreia, dor muscular ou articular, cansaço, alterações de pele, edema e alterações das células do sangue. Em crianças, o acompanhamento deve considerar também crescimento e desenvolvimento.

Recaída, resistência ou progressão

A perda de resposta pode estar relacionada a adesão, resistência biológica ou progressão da doença. A equipe pode revisar o tratamento, solicitar estudos moleculares e considerar mudança de ITQ ou transplante conforme o caso.

Depois do tratamento

O acompanhamento é contínuo e inclui monitoramento molecular da doença, efeitos adversos, crescimento e desenvolvimento.

No Brasil

O Ministério da Saúde mantém PCDT específico para LMC de crianças e adolescentes. O documento foi aprovado em 2021 e está atualmente disponibilizado pelo Ministério da Saúde.

Para os pais
A LMC é rara em crianças, e o tratamento atual é predominantemente medicamentoso. É especialmente importante manter o tratamento conforme prescrito e comparecer aos exames de monitoramento.
Veja também:
Read More
O que é?

A LMA é uma leucemia aguda que se origina na linhagem mieloide. Na infância, é menos frequente que a LLA e reúne subtipos com características genéticas e moleculares diferentes.

Sinais e sintomas

• palidez e cansaço;
• febre e infecções;
• hematomas e sangramentos;
• dor óssea;
• aumento de gânglios, fígado ou baço;
• perda de apetite;
• alterações da pele ou das gengivas;
• massa de células leucêmicas fora da medula, chamada sarcoma mieloide, em algumas situações.

Como é diagnosticada?

• hemograma e sangue periférico;
• medula óssea;
• imunofenotipagem;
• citogenética e testes moleculares;
• avaliação do sistema nervoso central quando indicada.

Como o tratamento é escolhido?

São considerados o subtipo, alterações cromossômicas e moleculares, idade, condições clínicas, acometimento extramedular, resposta à indução e doença residual mensurável, quando aplicável. A presença de síndrome de Down também pode influenciar a estratégia.

Tratamentos

Quimioterapia

A LMA pediátrica costuma ser tratada com quimioterapia intensiva, principalmente em duas grandes etapas.
• Indução: busca alcançar remissão.
• Consolidação/intensificação: procura eliminar células residuais e reduzir o risco de recaída.
• Tratamento do sistema nervoso central: pode incluir quimioterapia intratecal.

Principais medicamentos

• Citarabina: base de muitos esquemas; pode causar queda importante das células do sangue, infecções, mucosite e, em doses específicas, toxicidade neurológica ou ocular.
• Antraciclinas: principalmente daunorrubicina, outros agentes podem ser usados conforme o protocolo. Podem causar mielossupressão, náuseas, mucosite, queda de cabelo e toxicidade cardíaca.
• Etoposídeo: pode fazer parte de determinados esquemas e causa principalmente mielossupressão, náuseas e queda de cabelo.

Terapias direcionadas

Algumas LMA apresentam alterações que podem abrir possibilidade de tratamento direcionado. O uso depende da alteração encontrada, idade, protocolo e situação clínica.

Gemtuzumabe ozogamicina é um anticorpo conjugado dirigido contra CD33. Há evidências de uso pediátrico internacional em situações selecionadas. No Brasil, a indicação registrada pela Anvisa para LMA CD33 positiva recém-diagnosticada, em combinação com daunorrubicina e citarabina, contempla pacientes com 15 anos ou mais e exclui LPA. Portanto, não deve ser apresentado como opção aprovada para todas as crianças.

Alterações em FLT3 também podem ser identificadas em algumas LMA. Existem inibidores dessa via em uso ou estudo internacional, mas a situação regulatória pediátrica brasileira deve ser verificada individualmente. A midostaurina, por exemplo, não será apresentada neste portal como terapia pediátrica aprovada no Brasil.

Transplante

O transplante alogênico pode ser considerado em crianças com determinados perfis de risco de recaída, resposta insuficiente ou doença recaída, equilibrando potencial de benefício e riscos do procedimento.

LPA — um subtipo especial de LMA

A leucemia promielocítica aguda é um subtipo de LMA associado, em geral, à alteração PML::RARA. Ela exige tratamento específico e avaliação urgente porque pode causar alterações graves da coagulação.

O tratamento usa estratégias de diferenciação, principalmente ácido all-trans-retinoico (ATRA) e, conforme o risco e o protocolo, trióxido de arsênio e/ou quimioterapia. A condução deve ser especializada e iniciada rapidamente quando há suspeita clínica e laboratorial.

Importante para o contexto brasileiro: a incorporação do trióxido de arsênio ao SUS em 2025 não deve ser apresentada como uma incorporação pediátrica geral. O documento brasileiro citado para essa incorporação é específico para pacientes adultos com LPA de risco baixo/intermediário.

Efeitos adversos

A LMA exige tratamento intenso e pode provocar períodos prolongados de neutropenia e trombocitopenia, com risco de infecção e sangramento. Também podem ocorrer mucosite, náuseas, vômitos, queda de cabelo, alterações hepáticas e toxicidade cardíaca ou neurológica conforme os medicamentos.

Recaída ou doença refratária

Quando a doença não responde ao tratamento inicial ou retorna depois de uma remissão, a estratégia é individualizada. Pode incluir novos esquemas de quimioterapia, terapias direcionadas quando há alvo apropriado, estudos clínicos e transplante.

Depois do tratamento

O acompanhamento considera crescimento, coração, pulmões, ossos, hormônios e puberdade, fertilidade, aprendizagem, saúde emocional e outros efeitos tardios. O plano depende do tratamento recebido.

Para os pais
O tratamento da LMA pode exigir internações prolongadas. Pergunte qual é o subtipo, quais alterações genéticas foram identificadas, como a resposta está sendo medida e se existe indicação de transplante. Febre durante neutropenia é uma situação que exige seguir imediatamente o plano de contato fornecido pela equipe.
Veja também:
Read More
O que é?

A LLA é a leucemia mais comum na infância. Ela começa na medula óssea a partir de células precursoras da linhagem linfoide e pode ser de linhagem B ou T. A doença pode atingir sangue, medula óssea e, em algumas situações, o sistema nervoso central ou outros tecidos.

Sinais e sintomas

• palidez e cansaço, relacionados à anemia;
• febre ou infecções frequentes;
• hematomas, manchas roxas ou sangramentos;
• dor óssea ou articular;
• aumento dos gânglios;
• aumento do fígado ou do baço;
• perda de apetite ou redução das atividades habituais;
• sintomas relacionados ao sistema nervoso central ou outros locais, em situações específicas.

Como é diagnosticada?

• hemograma e avaliação do sangue periférico;
• aspirado e/ou biópsia da medula óssea, conforme a avaliação médica;
• imunofenotipagem para definir a linhagem B ou T;
• citogenética e testes moleculares;
• avaliação do sistema nervoso central, geralmente com punção lombar em momento definido pelo protocolo e pelas condições clínicas.

Como o tratamento é escolhido?

A estratificação considera idade, contagem de leucócitos, linhagem B ou T, alterações genéticas/moleculares, presença de doença no sistema nervoso central e, principalmente, a resposta ao tratamento, incluindo a doença residual mensurável quando disponível.

Tratamentos

Quimioterapia

A quimioterapia combinada é a principal base do tratamento da LLA pediátrica. Em geral, é organizada em fases.
• Indução: busca alcançar remissão.
• Consolidação/intensificação: procura eliminar células leucêmicas que possam ter permanecido e reduzir o risco de recaída.
• Manutenção: em grande parte dos protocolos, mantém o controle da doença por período prolongado.
• Tratamento dirigido ao sistema nervoso central: a quimioterapia intratecal é usada para prevenir ou tratar a doença nesse local.

Principais classes e exemplos
Corticosteroides… prednisona ou dexametasona. Podem causar aumento da glicose e do apetite, alterações de humor, fraqueza muscular, hipertensão e maior risco de infecções.
• Alcaloides da vinca: vincristina. Pode causar neuropatia periférica, constipação e dor.
• Asparaginase: diferentes formulações são utilizadas conforme o protocolo. Pode causar reações de hipersensibilidade, alterações da coagulação, trombose, pancreatite, alterações hepáticas e aumento da glicose.
• Antimetabólitos: metotrexato, mercaptopurina, citarabina e tioguanina. Podem causar queda das células do sangue, mucosite, náuseas e alterações hepáticas.
• Antraciclinas: daunorrubicina ou doxorrubicina em alguns protocolos. Podem causar queda das células do sangue, mucosite, náuseas e toxicidade cardíaca, especialmente relacionada à dose acumulada.

Terapia-alvo - LLA Ph+

Quando a leucemia apresenta o cromossomo Philadelphia e a alteração BCR::ABL1, podem ser utilizados inibidores de tirosina-quinase. Imatinibe e dasatinibe são exemplos usados internacionalmente. No Brasil, existe DDT específica para LLA Ph+ de crianças e adolescentes, com uso de mesilato de imatinibe associado à quimioterapia.

Imunoterapia

Blinatumomabe é um anticorpo biespecífico que aproxima células T das células B leucêmicas. Pode ser utilizado em situações específicas da LLA B. A Anvisa possui indicação para LLA de células precursoras B, CD19 positiva e cromossomo Philadelphia negativo na fase de consolidação. No SUS, há protocolo específico para LLA B derivada pediátrica em primeira recaída medular de alto risco.

CAR-T

A terapia CAR-T modifica células T do próprio paciente para que reconheçam as células leucêmicas. Na LLA pediátrica, é uma estratégia especializada para situações específicas de doença B refratária ou em determinadas recaídas. O tisagenlecleucel possui registro da Anvisa para pacientes pediátricos e adultos jovens até 25 anos em situações definidas de LLA B.

Transplante

O transplante alogênico de células-tronco hematopoéticas não é necessário para todas as crianças com LLA. Pode ser considerado em determinados cenários de alto risco, resposta inadequada, doença refratária ou recaída, conforme a biologia da doença e a resposta ao tratamento.

Efeitos adversos

Os efeitos dependem dos medicamentos e das fases do tratamento. Podem incluir queda das células do sangue, febre e infecções, sangramentos, náuseas, mucosite, queda de cabelo, alterações hepáticas, neuropatia, alterações metabólicas e, com alguns medicamentos, efeitos cardíacos ou de coagulação.

Recaída ou doença refratária

Quando a LLA não responde adequadamente ao tratamento inicial, é chamada de refratária. Quando volta depois de uma remissão, é chamada de recaída. As opções dependem do local da recaída, tempo desde o diagnóstico, biologia da doença e resposta ao novo tratamento. Podem incluir quimioterapia, imunoterapia, terapia-alvo, CAR-T e/ou transplante.

Depois do tratamento

O acompanhamento pode incluir crescimento e puberdade, saúde cardíaca, óssea e hormonal, fertilidade, aprendizagem e memória, saúde emocional e outros possíveis efeitos tardios. O plano depende dos tratamentos recebidos.

Para os pais
A LLA pode exigir tratamento prolongado. É útil pedir à equipe o subtipo da doença, as principais alterações encontradas, o objetivo de cada fase e como a resposta está sendo medida. Febre durante períodos de baixa das células do sangue deve ser tratada conforme o plano de urgência fornecido pelo centro.
Veja também:
Read More

Medicamento é aprovado para o tratamento do Linfoma de Hodgkin. Esta é a primeira indicação de um imuno-oncológico para doenças hematológicas no país.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) acaba de aprovar o medicamento Opdivo (nivolumabe) para o tratamento do Linfoma de Hodgkin em pacientes que recidivaram ou progrediram pós-transplante e uso de brentuximabe vedotina. Trata-se do primeiro imuno- oncológico aprovado pela biofarmacêutica global Bristol-Myers Squibb no Brasil para o tratamento de doenças hematológicas.

Opdivo (nivolumabe) é o único medicamento desta classe aprovado no país para quatro tipos de tumor: melanoma, câncer de pulmão, câncer de rim e, a partir de agora, Linfoma de Hodgkin, oferecendo ganho de resposta com qualidade de vida.

Essa aprovação foi baseada no estudo clínico de fase II CheckMate 205, que apresentou dados significativos de eficácia no tratamento de pacientes que já foram expostos a múltiplas linhas terapêuticas.1 Foi demonstrado uma taxa de resposta objetiva de 68% e 13% dos pacientes atingiram uma resposta completa. A taxa de sobrevida livre de progressão foi de 51% em 12 meses com o tratamento.

Segundo o Dr. Vanderson Rocha, professor titular de hematologia da Faculdade de Medicina da USP e hematologista do Hospital Sírio-Libanês, Opdivo (nivolumabe) surge como uma opção para os pacientes que tem o Linfoma de Hodgkin mesmo depois de passarem pelo tratamento padrão disponível no Brasil. “É uma nova opção de combate ao Linfoma de Hodgkin para os pacientes que não tinham mais chances de sobrevida, abrindo novas perspectivas de tratamento e a possibilidade de cura dessa população”, afirma o especialista. “Traz esperança principalmente para os pacientes que não teriam outas opções terapêuticas”.

De acordo com presidente da Bristol-Myers Squibb no Brasil, Gaetano Crupi, esta nova indicação reafirma o posicionamento de liderança global da biofarmacêutica em imuno-oncologia e a importância do papel desempenhado pela empresa no combate ao câncer no Brasil. “Com a quarta aprovação de Opdivo (nivolumabe) para Linfoma de Hodgkin reafirmamos o nosso forte empenho em continuar a impulsionar a inovação e avançar no cuidado de pacientes com malignidades hematológicas através da nossa liderança em imuno-oncologia”, afirma o executivo. “Opdivo (nivolumabe) é um exemplo, pois, além de ser o primeiro tratamento imuno-oncológico para doenças hematológicas no Brasil, representa o êxito da nossa estratégia pan-tumor, cujo objetivo é tratar vários tipos de câncer com uma mesma molécula”.

Sobre o Linfoma de Hodgkin
O Linfoma de Hodgkin é uma doença hematológica que ataca o sistema linfático. Comparado a outros tipos de cânceres, o Linfoma de Hodgkin tem uma incidência relativamente baixa que atinge mais os homens do que as mulheres.

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer dos EUA, a doença representa 0,5% de todos os novos casos de câncer e 0,2% das mortes por câncer. Ainda de acordo com o Instituto, são esperados 2,6 novos casos de Linfoma de Hodgkin por 100.000 habitantes a cada ano. 2

A última estimativa realizada pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) para o biênio 2016/2017 aponta que o número de casos novos de Linfoma de Hodgkin estimado para o período é de 2.470 casos, sendo 59% em homens e 41% em mulheres.3

Imuno-Oncologia na Bristol-Myers Squibb
Cirurgia, radioterapia, citotóxicos ou terapias-alvo têm sido as alternativas de tratamento para o câncer nas últimas décadas, entretanto sobrevida a longo prazo e uma boa qualidade de vida continuam sendo prioridade para os pacientes com a doença em fase avançada.

Para atender a essa necessidade médica, a Bristol-Myers Squibb está liderando pesquisas em áreas inovadoras do tratamento de câncer, como a Imuno-Oncologia, que envolve agentes cujo mecanismo primário é estimular o sistema imunológico para combater o câncer. A empresa estuda uma variedade de compostos e abordagens imunoterapêuticas para pacientes com diferentes tipos de câncer, incluindo pesquisas sobre o potencial de combinações entre agentes imuno-oncológicos que têm como alvo diferentes caminhos no tratamento do câncer.

A Bristol-Myers Squibb está comprometida em avançar na ciência da Imuno-Oncologia com o objetivo de mudar a expectativa de vida e a maneira como os pacientes com câncer vivem.

Sobre a Bristol-Myers Squibb
A Bristol-Myers Squibb é uma biofarmacêutica norte americana global cuja missão é descobrir, desenvolver e disponibilizar medicamentos inovadores que ajudem os pacientes a superar doenças graves. Para mais informações sobre a Bristol-Myers Squibb, visite http://www.bristol.com.br

Fontes:

1 – www.clinicaltrials.gov/ct2/show/NCT02181738?term=checkmate+205&rank=1
2 – National Cancer Institute. Cancer Stat Facts: Hodgkin Lymphoma.
3 – Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer. Estimativa 2016: incidência de câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA, 2015. 2. Observatório de Oncologia. A Jornada do Paciente com Linfoma de Hodgkin no Brasil

Veja também:
Read More
Pular para o conteúdo