O que é a Leucemia Mieloide Aguda?

A Leucemia Mieloide Aguda (LMA) é um tipo de câncer do sangue e da medula óssea caracterizado pelo crescimento rápido e descontrolado de células sanguíneas imaturas chamadas blastos mieloides.

Em condições normais, a medula óssea produz células-tronco que dão origem aos glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. Na LMA, alterações genéticas fazem com que parte dessas células deixe de amadurecer corretamente e passe a se multiplicar de forma descontrolada.

Com o tempo, essas células anormais ocupam o espaço da medula óssea e dificultam a produção das células sanguíneas normais.

Como consequência, o paciente pode desenvolver anemia, maior risco de infecções e sangramentos.

A LMA é considerada uma doença de evolução rápida. Por isso, após a confirmação do diagnóstico, o tratamento geralmente deve ser iniciado em pouco tempo, conforme avaliação da equipe médica.

Quem pode desenvolver LMA?

A LMA pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais comum em adultos, especialmente após os 60 anos.

Na maioria dos casos, não é possível identificar uma causa específica.

Entretanto, alguns fatores estão associados a um risco aumentado, como:
• idade avançada;
• exposição prévia à quimioterapia ou radioterapia;
• algumas doenças da medula óssea, como síndromes mielodisplásicas;
• exposição prolongada ao benzeno e a outros produtos químicos específicos;
• algumas alterações genéticas raras.

Ter um ou mais fatores de risco não significa que a pessoa desenvolverá LMA, assim como muitas pessoas diagnosticadas nunca apresentaram nenhum fator conhecido.

A LMA é hereditária?

Na maioria dos casos, não.

A LMA geralmente resulta de alterações adquiridas nas células da medula óssea ao longo da vida e não é transmitida de pais para filhos.

Existem síndromes genéticas raras que aumentam o risco de desenvolver LMA, mas representam uma pequena parcela dos casos.

A LMA tem cura?

Em muitos pacientes, sim.

As chances de controle da doença dependem de diversos fatores, incluindo:
• idade;
• estado geral de saúde;
• alterações genéticas da leucemia;
• resposta ao tratamento;
• necessidade ou não de transplante.

Nos últimos anos, o tratamento da LMA evoluiu significativamente com o desenvolvimento de terapias-alvo e novos medicamentos para subgrupos específicos de pacientes.

Sintomas

Os sintomas da Leucemia Mieloide Aguda (LMA) costumam surgir ao longo de dias ou semanas e são consequência da redução na produção das células normais do sangue pela medula óssea.

Como esses sintomas também podem ocorrer em outras doenças, somente exames específicos podem confirmar o diagnóstico

Cansaço e falta de ar

A anemia é uma das alterações mais frequentes na LMA.

Quando a medula óssea deixa de produzir glóbulos vermelhos em quantidade suficiente, podem surgir sintomas como:
• cansaço intenso;
• fraqueza;
• palidez;
• tonturas;
• falta de ar aos esforços;
• palpitações.

Febre e infecções

A LMA também pode reduzir a quantidade de glóbulos brancos saudáveis, responsáveis pela defesa do organismo.

Isso aumenta o risco de infecções e pode provocar:
• febre persistente;
• infecções frequentes;
• infecções que demoram para melhorar.

Em alguns pacientes, a febre é o primeiro sinal da doença.

Sangramentos e hematomas

A diminuição das plaquetas pode facilitar sangramentos.

Os sintomas mais comuns incluem:
• manchas roxas na pele sem causa aparente;
• pequenos pontos vermelhos na pele (petéquias);
• sangramento pelo nariz;
• sangramento nas gengivas;
• menstruação mais intensa que o habitual.

Dor nos ossos ou nas articulações

O acúmulo de células leucêmicas na medula óssea pode provocar dor ou desconforto nos ossos e nas articulações.

Embora esse sintoma seja mais comum em crianças e adultos jovens, também pode ocorrer em adultos.

Aumento das gengivas e alterações na pele

Em alguns subtipos da LMA, especialmente aqueles com diferenciação monocítica, as células leucêmicas podem infiltrar tecidos fora da medula óssea.

Isso pode causar:
• aumento ou inchaço das gengivas;
• sangramento gengival;
• pequenos nódulos ou placas na pele;
• lesões de coloração arroxeada ou avermelhada.

Essas manifestações são menos frequentes, mas podem ajudar o médico a suspeitar do diagnóstico.

Outros sintomas

Alguns pacientes também podem apresentar:
• perda de peso sem causa aparente;
• diminuição do apetite;
• suor noturno;
• aumento do fígado ou do baço.

Ao contrário do que ocorre em alguns outros tipos de leucemia, o aumento dos gânglios linfáticos é menos comum na LMA.

PERGUNTAS FREQUENTES

Os sintomas da LMA aparecem rapidamente?
Na maioria dos casos, sim. A LMA é uma doença de evolução rápida e os sintomas costumam surgir em poucos dias ou semanas.

Toda pessoa com LMA apresenta os mesmos sintomas?
Não. Os sintomas variam conforme o subtipo da doença, a quantidade de células leucêmicas e as características de cada paciente.

A LMA pode ser descoberta em um exame de rotina?
Sim. Em alguns casos, alterações no hemograma levam ao diagnóstico antes mesmo do aparecimento de sintomas importantes.

POR QUE OS TESTES GENÉTICOS SÃO TÃO IMPORTANTES NA LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA?

Nem todas as LMA são iguais

Embora todas recebam o nome de Leucemia Mieloide Aguda (LMA), existem diferentes tipos da doença.

Hoje sabemos que algumas leucemias apresentam alterações genéticas específicas que influenciam:
• o comportamento da doença;
• a resposta ao tratamento;
• o risco de recaída;
• a escolha dos medicamentos mais adequados.

Por esse motivo, conhecer essas alterações é uma etapa fundamental do planejamento do tratamento

O tratamento pode depender desses resultados?

Sim.

Nos últimos anos, foram desenvolvidos medicamentos que atuam sobre alterações genéticas específicas da leucemia.
Por isso, identificar essas alterações pode ampliar as opções de tratamento.

Em outros casos, os exames mostram que essas alterações não estão presentes, e o tratamento será baseado em outras estratégias, como quimioterapia, transplante ou diferentes combinações de medicamentos.

Quais alterações podem ser pesquisadas?

Existem diversas alterações genéticas que podem ser avaliadas na LMA.

Entre as mais importantes estão alterações nos genes:
• FLT3
• IDH1
• IDH2
• NPM1
• CEBPA
• TP53
• RUNX1
• KMT2A (anteriormente conhecido como MLL)

Nem todos os pacientes apresentam essas alterações, e nem todos precisam realizar exatamente os mesmos testes.

DIAGNÓSTICO DA LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA

O diagnóstico da Leucemia Mieloide Aguda (LMA) é feito por meio da combinação de exames de sangue, avaliação da medula óssea e testes genéticos.

Esses exames não servem apenas para confirmar a doença. Eles também ajudam a identificar o subtipo da LMA, estimar o prognóstico e definir o tratamento mais adequado para cada paciente.

Hemograma

O hemograma costuma ser o primeiro exame a levantar a suspeita de LMA.

Ele pode mostrar alterações como:
• redução dos glóbulos vermelhos (anemia);
• diminuição das plaquetas;
• aumento ou redução dos glóbulos brancos;
• presença de blastos (células imaturas) circulando no sangue.

Embora seja um exame muito importante, o hemograma sozinho não confirma o diagnóstico.

Mielograma

O mielograma é um dos principais exames para confirmar a LMA.

Ele consiste na coleta de uma pequena amostra da medula óssea, geralmente do osso da bacia, realizada com anestesia local.

A análise permite avaliar:
• a quantidade de blastos;
• o aspecto das células da medula;
• características que ajudam a identificar o subtipo da leucemia.

Imunofenotipagem

A imunofenotipagem identifica proteínas presentes na superfície das células leucêmicas.

Esse exame ajuda a confirmar que a leucemia é de origem mieloide e a diferenciá-la de outros tipos de leucemia, como a Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA).

Citogenética

A citogenética avalia os cromossomos das células leucêmicas.

Algumas alterações cromossômicas estão associadas a melhor ou pior resposta ao tratamento e ajudam a classificar o risco da doença.

Testes moleculares

Os testes moleculares pesquisam alterações em genes específicos da leucemia.

Na LMA, eles são fundamentais porque podem influenciar diretamente a escolha do tratamento.

Entre os genes mais frequentemente avaliados estão:
• FLT3;
• NPM1;
• IDH1;
• IDH2;
• CEBPA;
• TP53;
• RUNX1;
• KMT2A, entre outros.

Nem todos os pacientes apresentam essas alterações, mas sua identificação pode permitir o uso de terapias-alvo e auxiliar na decisão sobre transplante.

Outros exames

Além dos exames que confirmam a leucemia, o médico poderá solicitar:
• exames da função dos rins e do fígado;
• testes de coagulação;
• eletrocardiograma;
• ecocardiograma;
• exames para investigação de infecções.

Esses exames ajudam a avaliar as condições gerais de saúde antes do início do tratamento.

Fontes de informação
• American Cancer Society (ACS)
• National Comprehensive Cancer Network (NCCN)
• European LeukemiaNet (ELN)
• American Society of Hematology (ASH)
• European Hematology Association (EHA)

COMO O TRATAMENTO DA LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA É ESCOLHIDO?

O tratamento da Leucemia Mieloide Aguda (LMA) é planejado de forma individualizada. Embora duas pessoas tenham o mesmo diagnóstico, elas podem receber tratamentos diferentes.

Isso acontece porque a equipe médica considera diversos fatores antes de definir a estratégia mais adequada.

Quais fatores influenciam a escolha do tratamento?

Entre os principais fatores estão:
• idade do paciente;
• estado geral de saúde;
• subtipo da LMA;
• alterações genéticas e moleculares identificadas na leucemia;
• velocidade de progressão da doença;
• doenças pré-existentes;
• tratamentos realizados anteriormente, quando houver.

Essas informações ajudam a equipe médica a definir qual tratamento oferece o melhor equilíbrio entre eficácia e segurança.

Quais são as opções de tratamento?

O tratamento pode incluir uma ou mais das seguintes estratégias:
• quimioterapia;
• terapias-alvo;
• transplante de células-tronco hematopoéticas;
• tratamento de suporte, como transfusões e antibióticos;
• participação em estudos clínicos, quando apropriado.

Em muitos casos, diferentes modalidades são utilizadas ao longo do tratamento.

CLASSES DE MEDICAMENTOS
Como o tratamento é escolhido

O tratamento da LMA é individualizado. A escolha depende, entre outros fatores, da idade, condições clínicas, características genéticas e moleculares da leucemia, risco da doença e possibilidade de receber tratamento intensivo ou transplante. Por isso, nem todos os pacientes recebem todos os medicamentos abaixo.

Quimioterapia Intensiva

Citarabina – Base de diversos esquemas de indução e consolidação.
Daunorrubicina – Antraciclina utilizada em esquemas de indução.
Idarrubicina – Antraciclina utilizada em determinados esquemas de indução.
Mitoxantrona – Pode fazer parte de determinados esquemas de tratamento.

Quais são os efeitos colaterais?
Durante a quimioterapia, é comum ocorrer uma redução temporária das células normais do sangue.

Isso pode aumentar o risco de:
• infecções;
• anemia;
• sangramentos.

Também podem ocorrer:
• náuseas e vômitos;
• queda de cabelo;
• fadiga;
• feridas na boca (mucosite);
• perda de apetite.

A equipe médica acompanha esses efeitos de perto e dispõe de tratamentos para preveni-los ou controlá-los.

O que é o protocolo 7+3?

O protocolo 7+3 é um dos esquemas de tratamento mais utilizados para pacientes com Leucemia Mieloide Aguda (LMA) que podem receber quimioterapia intensiva.

Seu principal objetivo é eliminar o maior número possível de células leucêmicas e alcançar a remissão da doença.

Apesar do nome, 7+3 não significa sete medicamentos e três medicamentos.

O nome faz referência ao número de dias em que cada medicamento é administrado.

Como funciona o protocolo 7+3?

O tratamento combina dois medicamentos:
• Citarabina, administrada durante sete dias consecutivos.
• Uma antraciclina (geralmente daunorrubicina ou idarubicina), administrada nos três primeiros dias.

É dessa combinação que surgiu o nome 7+3.

tratamento é realizado durante internação?

Na maioria dos casos, sim.

Durante essa fase, o paciente permanece internado porque a quimioterapia reduz temporariamente a produção das células normais do sangue.
Isso aumenta o risco de:
• infecções;
• anemia;
• sangramentos.

Durante esse período, a equipe médica acompanha o paciente diariamente e oferece tratamentos de suporte, como transfusões, antibióticos e outros medicamentos quando necessário.

O que acontece depois da quimioterapia?

Após o término do tratamento, a medula óssea precisa de algumas semanas para se recuperar.

Durante esse período, é normal que os exames mostrem níveis muito baixos de glóbulos brancos, glóbulos vermelhos e plaquetas.

Isso faz parte do tratamento e exige monitoramento cuidadoso.

Tratamento de menor intensidade — agentes hipometilantes

Nem todas as pessoas com Leucemia Mieloide Aguda (LMA) podem ou precisam receber quimioterapia intensiva.

Atualmente, existem tratamentos menos intensivos que podem controlar a doença de forma eficaz em muitos pacientes, especialmente naqueles com idade mais avançada ou com outras condições de saúde que aumentam o risco de complicações.

• Azacitidina (Vidaza®) – Agente hipometilante utilizado principalmente em estratégias de menor intensidade.
• Decitabina (Dacogen®)  – Agente hipometilante utilizado em estratégias de menor intensidade, especialmente quando a quimioterapia intensiva não é adequada.

Quais são os efeitos colaterais?

Os principais efeitos adversos da azacitidina e da decitabina estão relacionados à redução das células do sangue. Isso pode causar anemia, neutropenia e trombocitopenia, aumentando o risco de cansaço, infecções e sangramentos. Também podem ocorrer náuseas, vômitos, alterações intestinais, febre e cansaço. A intensidade dos efeitos varia de pessoa para pessoa e o tratamento é acompanhado com exames de sangue e outros cuidados de suporte.A equipe médica realiza acompanhamento frequente para monitorar a resposta ao tratamento e controlar possíveis efeitos colaterais.

Terapias-alvo

Midostaurina (Rydapt®) – Inibidor de FLT3; pode ser associado à quimioterapia em adultos com LMA recém-diagnosticada com mutação de FLT3.
Gilteritinibe (Xospata®) – Inibidor de FLT3 utilizado em situações específicas de LMA com alteração de FLT3, especialmente doença recidivada ou refratária.
Gemtuzumabe ozogamicina (Mylotarg®) — Anticorpo conjugado a medicamento direcionado ao CD33; pode ser associado à quimioterapia em determinados pacientes.
Venetoclax (Venclexta®) – Inibidor de BCL-2; utilizado principalmente em combinações com agentes de menor intensidade em pacientes selecionados.
Glasdegibe (Daurismo®) – Inibidor da via Hedgehog; pode ser combinado à citarabina em baixa dose em situações específicas.

Efeitos colaterais das terapias-alvo

Midostaurina (Rydapt®)
Pode causar:
• náuseas e vômitos;
• mucosite;
• dor de cabeça;
• dor muscular ou nas articulações;
• alterações da glicemia;
• infecções;
• alterações no eletrocardiograma, incluindo prolongamento do intervalo QT;
• alterações das enzimas do fígado.

Quando utilizada junto à quimioterapia, muitos efeitos podem estar relacionados à combinação dos tratamentos.

Gilteritinibe (Xospata®)
Os efeitos mais frequentes incluem:
• alterações das enzimas do fígado;
• cansaço;
• dor muscular ou nas articulações;
• febre;
• diarreia;
• falta de ar;
• inchaço;
• náuseas e vômitos.

Também pode ocorrer síndrome de diferenciação, uma complicação que requer reconhecimento e tratamento rápidos.

Gemtuzumabe ozogamicina (Mylotarg®)
Pode causar:
• febre;
• náuseas e vômitos;
• queda das células do sangue;
• infecções;
• sangramentos;
• alterações do fígado.

Um risco particularmente importante é a doença veno-oclusiva hepática (síndrome de obstrução sinusoidal), que pode ser grave, especialmente em determinados pacientes submetidos posteriormente a transplante.

Venetoclax (Venclexta®)
Os principais efeitos incluem:
• neutropenia e outras quedas das células do sangue;
• infecções;
• febre;
• náuseas, diarreia ou constipação;
• vômitos;
• cansaço;
• anemia e trombocitopenia.

Um risco particularmente importante no início do tratamento é a síndrome de lise tumoral, por isso são necessários monitoramento e medidas preventivas adequadas.

Glasdegibe (Daurismo®)
Pode causar:
• alterações do paladar;
• espasmos musculares;
• queda das células do sangue;
• náuseas;
• diarreia ou constipação;
• cansaço;
• redução do apetite;
• alterações do eletrocardiograma, incluindo prolongamento do intervalo QT.

Tratamento específico da leucemia promielocítica aguda

ATRA / tretinoína (Vesanoid®) – Agente de diferenciação que promove a maturação das células leucêmicas.
Trióxido de arsênio (ATO) – Agente de diferenciação utilizado em esquemas específicos da LPA.

Efeitos colaterais

ATRA / tretinoína (Vesanoid®)
Pode causar:
• dor de cabeça;
• náuseas;
• alterações das enzimas do fígado;
• aumento dos glóbulos brancos;
• alterações da pele e dos lábios;
• aumento da pressão intracraniana, especialmente em algumas situações.

Um efeito importante é a síndrome de diferenciação, que pode causar febre, ganho rápido de peso, inchaço, falta de ar, queda da pressão e acúmulo de líquido ao redor dos pulmões ou do coração. É uma complicação potencialmente grave e requer tratamento imediato.

Trióxido de arsênio (ATO)
Pode causar:
• cansaço;
• náuseas e vômitos;
• alterações das enzimas do fígado;
• alterações dos níveis de eletrólitos, como potássio e magnésio;
• alterações do ritmo cardíaco.

Assim como a tretinoína, pode provocar síndrome de diferenciação, com febre, ganho de peso, inchaço, falta de ar e acúmulo de líquido. O trióxido de arsênio também pode prolongar o intervalo QT no eletrocardiograma, aumentando o risco de arritmias; por isso, o acompanhamento do coração e dos eletrólitos é importante durante o tratamento.

Na LPA, febre, falta de ar, ganho rápido de peso, inchaço ou queda da pressão durante o tratamento precisam ser comunicados imediatamente à equipe médica, pois podem ser sinais de síndrome de diferenciação.

O QUE É A CONSOLIDAÇÃO DO TRATAMENTO DA LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA

Alcançar a remissão é uma etapa muito importante do tratamento da LMA, mas geralmente não significa que o tratamento terminou.

Mesmo quando os exames mostram que a leucemia não é mais detectável, pequenas quantidades de células leucêmicas podem permanecer no organismo.

Por esse motivo, é realizada uma nova fase do tratamento chamada consolidação.

Qual é o objetivo da consolidação?

O principal objetivo da consolidação é:
• eliminar as células leucêmicas que possam ter permanecido após a indução;
• reduzir o risco de recaída;
• aumentar as chances de controle da doença a longo prazo.

Como é feita a consolidação?

O tratamento varia de acordo com cada paciente.

As opções podem incluir:
• novos ciclos de quimioterapia;
• terapias-alvo, quando indicadas;
• transplante de células-tronco hematopoéticas em pacientes selecionados.

A estratégia é definida pela equipe médica com base nas características da doença e na resposta ao tratamento inicial.

Vou precisar ficar internado novamente?

Depende.

Alguns ciclos de consolidação exigem internação, enquanto outros podem ser realizados em regime ambulatorial.

A necessidade de internação varia conforme o tratamento utilizado e a evolução clínica.

Quantos ciclos são necessários?

Não existe um número único para todos os pacientes.

A quantidade de ciclos depende de fatores como:
• resposta ao tratamento inicial;
• características da leucemia;
• indicação ou não de transplante;
• estado geral de saúde.

PERGUNTAS FREQUENTES

Se estou em remissão, por que preciso continuar o tratamento?
Porque a remissão significa que a leucemia não é detectável pelos exames disponíveis, mas ainda podem existir células leucêmicas residuais.
A consolidação ajuda a reduzir o risco de a doença voltar.

Todos os pacientes fazem consolidação?
Na maioria dos casos, sim.
A forma como ela será realizada depende das características individuais de cada paciente.

Fontes de Informação
• American Cancer Society (ACS)
• National Comprehensive Cancer Network (NCCN)
• European LeukemiaNet (ELN)
• American Society of Hematology (ASH)

TRANSPLANTE DE CÉLULAS-TRONCO HEMATOPOÉTICAS NA LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA

O transplante de células-tronco hematopoéticas (TCTH), também conhecido como transplante de medula óssea, é uma opção de tratamento para alguns pacientes com Leucemia Mieloide Aguda (LMA).

Seu principal objetivo é reduzir o risco de recaída e aumentar as chances de controle da doença em pacientes selecionados.
Nem todas as pessoas com LMA precisam de um transplante. A decisão é individualizada e depende das características da doença e da resposta ao tratamento.

Quando o transplante pode ser indicado?

O transplante pode ser considerado em situações como:
• maior risco de recaída;
• resposta insuficiente ao tratamento inicial;
• recaída da doença;
• características genéticas que aumentam o risco de retorno da leucemia.

A decisão é baseada na avaliação da equipe médica e nas condições clínicas do paciente.

Como é realizado o transplante?

Antes do transplante, o paciente recebe um tratamento para reduzir ao máximo a quantidade de células leucêmicas e preparar a medula óssea para receber as novas células-tronco.

Em seguida, as células-tronco são infundidas pela veia, de forma semelhante a uma transfusão de sangue.

Após a infusão, essas células migram para a medula óssea, onde iniciam a produção de novas células sanguíneas.

Quem pode ser o doador?

Quando é indicado um transplante alogênico, o doador pode ser:
• um irmão ou irmã com compatibilidade;
• um doador voluntário não aparentado;
• um familiar parcialmente compatível (haploidêntico);
• em algumas situações, células provenientes de sangue de cordão umbilical.

A escolha depende da disponibilidade de um doador compatível e das características do paciente.

Quais são os riscos do transplante?

Como qualquer tratamento complexo, o transplante pode estar associado a complicações.

Entre elas estão:
• infecções;
• sangramentos;
• rejeição ou falha da enxertia;
• doença do enxerto contra o hospedeiro (DECH), quando as células do doador atacam tecidos do paciente.

A equipe médica acompanha o paciente de forma intensiva para prevenir e tratar essas complicações.

Quanto tempo dura a recuperação?

A recuperação varia de pessoa para pessoa.

Após a alta hospitalar, o paciente continua sendo acompanhado regularmente e pode precisar manter alguns cuidados por vários meses, incluindo medidas para reduzir o risco de infecções.

A retomada das atividades do dia a dia ocorre de forma gradual.

PERGUNTAS FREQUENTES

Todo paciente com LMA precisa de transplante?
Não. Muitos pacientes alcançam bons resultados sem transplante. A indicação depende das características da leucemia, da resposta ao tratamento e das condições clínicas.

Existe limite de idade para realizar um transplante?
Não existe um limite de idade único. A decisão leva em consideração principalmente o estado geral de saúde, a presença de outras doenças e a capacidade de tolerar o procedimento.

Fontes de Informação
• American Cancer Society (ACS)
• National Comprehensive Cancer Network (NCCN)
• European LeukemiaNet (ELN)
• American Society of Hematology (ASH)

DOENÇA DO ENXERTO CONTRA O HOSPEDEIRO (DECH/GVHD)

A doença do enxerto contra o hospedeiro (DECH) , sigla GVHD em ingles (graft b versus host disease) é uma complicação que pode ocorrer após um transplante alogênico de células-tronco hematopoéticas. Ela acontece quando células do sistema imunológico do doador reconhecem tecidos do paciente como diferentes e passam a atacá-los.

A DECH pode ser aguda ou crônica e pode afetar diferentes órgãos. As manifestações e a intensidade variam de pessoa para pessoa.

Quais partes do corpo podem ser afetadas?

Os principais órgãos e tecidos envolvidos são:
• Pele: vermelhidão, manchas, coceira, descamação e, nos casos mais intensos, formação de bolhas.
• Intestino: diarreia persistente, dor abdominal, náuseas, vômitos, perda de apetite e perda de peso.
• Fígado: alterações nas enzimas do fígado e, em alguns casos, icterícia.
• Boca: ressecamento, dor, sensibilidade, feridas e alterações das mucosas.
• Olhos: ressecamento, irritação, vermelhidão, sensação de areia ou alterações na produção de lágrimas.
• Pulmões: tosse e dificuldade para respirar.
• Região genital: ressecamento, irritação, dor e outras alterações locais.

A forma crônica também pode afetar músculos, articulações e outros tecidos e pode ter impacto prolongado na qualidade de vida.

Como é escolhido o tratamento?

Antes de definir o tratamento, a equipe médica realiza uma nova avaliação da doença.

Entre os fatores considerados estão:
• idade e estado geral de saúde;
• tempo entre o tratamento inicial e a recaída;
• alterações genéticas identificadas na leucemia;
• tratamentos utilizados anteriormente;
• possibilidade de transplante de células-tronco hematopoéticas.

Em alguns pacientes, também pode ser necessário repetir os testes moleculares, pois o perfil genético da leucemia pode mudar ao longo do tempo.

Quais são as opções de tratamento?

O tratamento varia conforme as características de cada paciente e pode incluir:
• novos esquemas de quimioterapia;
• terapias-alvo, quando indicadas;
• venetoclax em combinação com outros medicamentos;
• gemtuzumabe ozogamicina, em situações específicas;
• transplante de células-tronco hematopoéticas;
• participação em estudos clínicos.

Nos últimos anos, o desenvolvimento de novas terapias ampliou as possibilidades de tratamento para muitos pacientes com LMA recidivada.

O transplante pode ser indicado?

Sim.

Em alguns pacientes, o transplante faz parte da estratégia após a obtenção de uma nova remissão.

A indicação depende da resposta ao tratamento, das características da leucemia e das condições clínicas do paciente.

RECAÍDA DA LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA

A recaída acontece quando a leucemia volta após um período de remissão, ou seja, quando a doença havia respondido ao tratamento e não era mais detectada pelos exames convencionais.

Receber essa notícia pode ser muito difícil, mas é importante saber que existem diferentes opções de tratamento, e a escolha dependerá das características da doença e do tratamento realizado anteriormente.

Como a recaída é diagnosticada?

A recaída pode ser identificada de diferentes maneiras.

Alguns pacientes voltam a apresentar sintomas semelhantes aos do diagnóstico inicial, como:
• cansaço intenso;
• febre;
• infecções frequentes;
• sangramentos;
• hematomas sem causa aparente.

Em outros casos, a recaída é detectada durante exames de acompanhamento, antes mesmo do aparecimento de sintomas.

Para confirmar o diagnóstico, o médico poderá solicitar:
• hemograma;
• mielograma;
• imunofenotipagem;
• testes genéticos e moleculares;
• avaliação da doença residual mensurável (MRD), quando indicada.

Como a DECH é diagnosticada?

O diagnóstico é feito pela avaliação dos sinais e sintomas, pelo exame físico e por exames laboratoriais e de imagem, quando necessários. Em algumas situações, pode ser necessária uma biópsia para ajudar a confirmar o diagnóstico.

Como a DECH é tratada?

O tratamento depende do tipo de DECH, dos órgãos afetados e da intensidade da doença.

Entre os tratamentos que podem ser utilizados estão:
• corticosteroides, que são frequentemente utilizados como tratamento inicial;
• medicamentos imunossupressores, escolhidos de acordo com a situação clínica;
• tratamentos específicos para DECH que não responde adequadamente ao tratamento inicial;
• medicamentos e cuidados direcionados aos órgãos afetados, como pele, olhos, boca, intestino e pulmões.

Em algumas situações, podem ser utilizados medicamentos que atuam especificamente sobre mecanismos envolvidos na resposta imunológica da DECH.

Entre eles estão:
• Ruxolitinibe (Jakavi®)
É um medicamento que atua sobre as enzimas JAK1 e JAK2. No Brasil, possui indicação aprovada pela Anvisa para pacientes com 12 anos ou mais com DECH aguda que apresentam resposta inadequada aos corticosteroides e também para determinadas situações de DECH crônica após resposta inadequada aos corticosteroides ou outras terapias sistêmicas.
• Belumosudil (Rezurock®)
É uma opção mais recente para a DECH crônica. O medicamento foi registrado pela Anvisa em setembro de 2025 e é indicado para pacientes com 12 anos ou mais, após falha de pelo menos duas linhas anteriores de tratamento sistêmico.

A escolha do tratamento é individualizada e deve considerar o tipo de DECH, os órgãos envolvidos, a gravidade da doença, os tratamentos já utilizados e as condições clínicas do paciente.

Quando avisar a equipe médica?

Após um transplante alogênico, qualquer sintoma novo deve ser comunicado à equipe que acompanha o paciente, especialmente:
• aparecimento de manchas, vermelhidão ou coceira na pele;
• diarreia ou dor abdominal persistente;
• náuseas ou vômitos;
• pele ou olhos amarelados;
• alterações na boca ou dificuldade para se alimentar;
• olhos muito secos ou irritados;
• tosse ou dificuldade para respirar;
• alterações urinárias ou genitais.

O acompanhamento regular é importante para identificar a DECH precocemente e iniciar o tratamento adequado.

PERGUNTAS FREQUENTES

Todo paciente que faz transplante desenvolve DECH?
Não. A DECH é uma complicação do transplante alogênico, mas nem todos os pacientes desenvolvem a doença.

A DECH pode ser grave?

Sim. A intensidade varia bastante. Algumas pessoas apresentam manifestações leves, enquanto outras podem desenvolver comprometimento de vários órgãos.

A DECH tem tratamento?

Sim. Existem diferentes opções de tratamento, escolhidas de acordo com o tipo, a gravidade e os órgãos afetados.

O que conversar com seu médico?
• Qual é o meu risco de desenvolver DECH?
• Quais sinais devo observar em casa?
• Com que frequência preciso ser acompanhado?
• Quais cuidados devo ter com a pele, boca e olhos?
• O que devo fazer se apresentar diarreia, manchas na pele ou falta de ar?

CUIDADOS DURANTE O TRATAMENTO DA LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA

Durante o tratamento da Leucemia Mieloide Aguda (LMA), alguns cuidados podem ajudar a reduzir o risco de complicações e contribuir para uma melhor qualidade de vida.

Nem todos os pacientes precisarão seguir as mesmas orientações. Sua equipe médica indicará quais cuidados são mais importantes para o seu caso.

Previna infecções

Durante o tratamento, é comum ocorrer uma redução temporária dos glóbulos brancos, aumentando o risco de infecções.

Algumas medidas simples podem ajudar:
• lave as mãos com frequência;
• evite contato com pessoas com gripe, resfriado ou outras infecções;
• mantenha os ambientes bem ventilados;
• cuide da higiene bucal diariamente;
• siga corretamente as orientações sobre vacinação e medicamentos preventivos.

Caso apresente febre igual ou superior a 38°C, procure atendimento imediatamente.

Alimentação

Uma alimentação equilibrada ajuda o organismo a enfrentar o tratamento.

Sempre que possível:
• mantenha uma boa hidratação;
• consuma alimentos variados e ricos em nutrientes;
• higienize bem frutas, verduras e legumes;
• siga as orientações da equipe médica caso seja necessário adotar uma dieta específica.

Se houver perda de apetite ou dificuldade para se alimentar, converse com seu médico ou nutricionista.

Atividade física

Quando autorizada pela equipe médica, a atividade física pode trazer benefícios como:
• redução da fadiga;
• melhora da força muscular;
• maior disposição;
• melhora do humor.

Não é necessário realizar exercícios intensos. Caminhadas leves e outras atividades adaptadas à condição clínica costumam ser suficientes.

Saúde emocional

Receber o diagnóstico de LMA e passar pelo tratamento pode gerar medo, ansiedade e insegurança.

Conversar com familiares, amigos, profissionais de saúde ou grupos de apoio pode ajudar a enfrentar esse período.

Se perceber tristeza intensa, ansiedade persistente ou dificuldade para realizar suas atividades, informe sua equipe médica.

Medicamentos

Nunca interrompa, reduza ou aumente a dose de qualquer medicamento sem orientação médica.

Também informe ao seu médico sobre:
• vitaminas;
• suplementos;
• fitoterápicos;
• medicamentos comprados sem receita.

Alguns produtos podem interferir no tratamento

VIVENDO COM A LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA

Receber o diagnóstico de Leucemia Mieloide Aguda (LMA) pode trazer muitas dúvidas e mudanças na rotina. Além do tratamento, é importante cuidar da saúde física, emocional e social.

Embora cada pessoa tenha uma experiência diferente, muitas conseguem retomar gradualmente suas atividades e encontrar novas formas de conviver com a doença durante e após o tratamento.

Adapte sua rotina

Durante o tratamento, é comum haver períodos de maior cansaço ou necessidade de internação.

Sempre que possível:
• respeite seus limites;
• mantenha uma rotina de sono adequada;
• organize momentos de descanso;
• aceite ajuda de familiares e amigos quando necessário.

Cuide da saúde emocional

É natural sentir medo, ansiedade ou incerteza.

Buscar apoio psicológico, conversar com pessoas de confiança ou participar de grupos de apoio pode ajudar a enfrentar esse período com mais segurança.

Não hesite em pedir ajuda se perceber que as emoções estão interferindo na sua qualidade de vida.

Mantenha o acompanhamento médico

Mesmo após o término do tratamento, as consultas de acompanhamento continuam sendo importantes.

Elas permitem:
• avaliar a recuperação da medula óssea;
• monitorar possíveis sinais de recaída;
• identificar efeitos tardios do tratamento;
• orientar o retorno às atividades do dia a dia.

Retorno às atividades

O retorno ao trabalho, aos estudos e às atividades físicas acontece de forma gradual e varia de pessoa para pessoa.

Converse com sua equipe médica antes de retomar atividades mais intensas.

Você não está sozinho

O tratamento da LMA envolve uma equipe multiprofissional composta por médicos, enfermeiros, farmacêuticos, psicólogos, nutricionistas e outros profissionais.

Além disso, familiares e amigos podem oferecer apoio importante durante toda a jornada.

E conte sempre conosco. Estamos aqui para apoiar voce em toda jornada.

Fontes de Informação
• American Cancer Society (ACS)
• National Comprehensive Cancer Network (NCCN)
• American Society of Hematology (ASH)
• European LeukemiaNet (ELN)

Veja também:

Autor