O que é?

A Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) é um tipo de câncer que começa na medula óssea, o tecido localizado no interior dos ossos responsável pela produção das células do sangue.

Na LLA, células muito jovens que deveriam se transformar em linfócitos — um tipo de glóbulo branco que participa da defesa do organismo — deixam de amadurecer normalmente e passam a se multiplicar de forma descontrolada. Essas células anormais ocupam a medula óssea e reduzem a produção das células sanguíneas saudáveis.

Como consequência, podem surgir:
• anemia, devido à redução das hemácias;
• maior risco de infecções, pela diminuição dos leucócitos normais;
• sangramentos e hematomas, causados pela queda das plaquetas.

A palavra “aguda” significa que a doença costuma evoluir rapidamente e, por isso, o tratamento geralmente deve ser iniciado logo após o diagnóstico.
A LLA pode ocorrer em qualquer idade, mas é a leucemia mais comum na infância. Também pode afetar adolescentes, adultos e idosos, embora o tratamento e o prognóstico variem de acordo com a idade e as características da doença.

Nas últimas décadas, houve um grande avanço no tratamento da LLA. Além da quimioterapia, hoje existem terapias-alvo, imunoterapias e terapias celulares que ampliaram as opções terapêuticas e melhoraram os resultados em muitos pacientes.

Quais são os sintomas da LLA?

Os sintomas da LLA variam de uma pessoa para outra e costumam aparecer ao longo de dias ou poucas semanas.

Os mais frequentes incluem:
• cansaço intenso e fraqueza;
• palidez;
• falta de ar aos esforços;
• febre;
• infecções frequentes ou persistentes;
• hematomas que surgem com facilidade;
• sangramento nasal ou das gengivas;
• pequenos pontos avermelhados na pele (petéquias);
• dor nos ossos ou nas articulações;
• aumento dos gânglios (linfonodos);
• aumento do baço ou do fígado;
• perda de peso sem causa aparente.

Esses sintomas não são exclusivos da LLA e também podem estar presentes em outras doenças. Por isso, somente uma avaliação médica e exames específicos podem confirmar o diagnóstico.

Os sintomas da LLA variam de uma pessoa para outra e costumam aparecer ao longo de dias ou poucas semanas.

Os mais frequentes incluem:
• cansaço intenso e fraqueza;
• palidez;
• falta de ar aos esforços;
• febre;
• infecções frequentes ou persistentes;
• hematomas que surgem com facilidade;
• sangramento nasal ou das gengivas;
• pequenos pontos avermelhados na pele (petéquias);
• dor nos ossos ou nas articulações;
• aumento dos gânglios (linfonodos);
• aumento do baço ou do fígado;
• perda de peso sem causa aparente.

Esses sintomas não são exclusivos da LLA e também podem estar presentes em outras doenças. Por isso, somente uma avaliação médica e exames específicos podem confirmar o diagnóstico.

Como é feito o diangóstico?

O diagnóstico da LLA é realizado por meio da combinação de diferentes exames.
Na maioria dos casos, a investigação começa com um hemograma, que pode mostrar alterações nas células do sangue e levantar a suspeita da doença.

Para confirmar o diagnóstico, geralmente é necessário realizar um mielograma, exame que avalia as células da medula óssea.

Outros exames também fazem parte da investigação, como a imunofenotipagem, que identifica o tipo de leucemia, e exames genéticos e moleculares, que ajudam a definir o tratamento mais adequado.

Dependendo do caso, o médico poderá solicitar ainda exames de sangue, exames de imagem e uma punção lombar para verificar se há comprometimento do sistema nervoso central.

Esses exames permitem conhecer melhor as características da doença e planejar o tratamento de forma individualizada.

O que acontece depois do diagnóstico?

Após confirmar o diagnóstico, a equipe médica definirá a estratégia de tratamento com base em diferentes fatores, como:
• idade do paciente;
• estado geral de saúde;
• subtipo da LLA;
• alterações genéticas da doença;
• risco de recaída.

Hoje, o tratamento da LLA é altamente individualizado. Dependendo das características da doença, podem ser utilizados quimioterapia, terapias-alvo, imunoterapia, terapia com células CAR-T ou transplante de células-tronco hematopoéticas.

Cada uma dessas opções será explicada em detalhes nas próximas páginas.

Tratamentos
Como é o tratamento da Leucemia Linfoblástica Aguda?

Receber o diagnóstico de Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) pode gerar muitas dúvidas sobre o que acontecerá a seguir. A boa notícia é que, nas últimas décadas, o tratamento da LLA evoluiu de forma significativa, oferecendo opções cada vez mais eficazes e personalizadas.

O tratamento tem como principal objetivo eliminar as células da leucemia, permitir que a medula óssea volte a produzir células sanguíneas saudáveis e reduzir o risco de a doença retornar no futuro.

O plano de tratamento é elaborado de forma individualizada e leva em consideração fatores como:
• idade do paciente;
• estado geral de saúde;
• subtipo da LLA;
• alterações genéticas da doença;
• resposta ao tratamento inicial.

Por isso, duas pessoas com o mesmo diagnóstico podem receber tratamentos diferentes.

Quais tratamentos podem ser utilizados?

Atualmente, o tratamento da LLA pode incluir uma ou mais das seguintes estratégias:

QUIMIOTERAPIA
A quimioterapia continua sendo a base do tratamento da maioria dos pacientes com LLA.

Ela utiliza medicamentos que destroem as células leucêmicas e é administrada em diferentes fases, cada uma com um objetivo específico.

TERAPIAS-ALVO
Alguns pacientes apresentam alterações genéticas específicas que permitem o uso de medicamentos desenvolvidos para atuar diretamente nessas alterações.

Esses medicamentos são chamados de terapias-alvo.

Atualmente, são utilizados principalmente em pacientes com LLA Philadelphia positiva (Ph+).

IMUNOTERAPIA
A imunoterapia utiliza o próprio sistema imunológico para ajudar a combater a leucemia.

Nos últimos anos, esse tipo de tratamento trouxe avanços importantes, especialmente para alguns pacientes com doença recidivada ou refratária.

TERAPIA CAR-T
A terapia CAR-T é uma das inovações mais recentes no tratamento da LLA.

Nesse procedimento, células de defesa do próprio paciente são coletadas, modificadas em laboratório e reinfundidas para reconhecer e destruir as células leucêmicas.

Essa terapia é indicada para situações específicas e nem todos os pacientes precisam ou podem recebê-la.

TRANSPLANTE DE CÉLULAS-TRONCO HEMATOPOÉTICAS
Em alguns casos, o transplante pode fazer parte do tratamento.

A indicação depende de fatores como o tipo da leucemia, a resposta ao tratamento inicial e o risco de recaída.

Nem todos os pacientes com LLA precisam de transplante.

Quimioterapia na Leucemia Linfoblástica Aguda

O que é a quimioterapia?

A quimioterapia continua sendo a principal forma de tratamento da Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA).

Ela utiliza medicamentos capazes de destruir as células leucêmicas e permitir que a medula óssea volte a produzir células sanguíneas saudáveis.

Ao longo dos últimos anos, novas terapias foram incorporadas ao tratamento da LLA, como as terapias-alvo, a imunoterapia e a terapia com células CAR-T. No entanto, para a maioria dos pacientes, a quimioterapia continua sendo a base do tratamento.

Na maior parte dos casos, diferentes medicamentos são utilizados em conjunto. Essa combinação aumenta a eficácia do tratamento e reduz o risco de que algumas células da leucemia sobrevivam.

O protocolo escolhido depende de fatores como a idade do paciente, o subtipo da LLA, as características genéticas da doença e a resposta ao tratamento.

Como a quimioterapia é administrada?

A quimioterapia pode ser administrada de diferentes formas, dependendo do medicamento utilizado e da fase do tratamento.
As principais vias de administração são:
• Intravenosa (na veia): é a forma mais utilizada.
• Via oral: alguns medicamentos são tomados em casa, conforme orientação da equipe médica.
• Intratecal: alguns medicamentos são aplicados diretamente no líquido que envolve o cérebro e a medula espinhal (líquor), por meio de uma punção lombar. Essa estratégia ajuda a prevenir ou tratar o comprometimento do sistema nervoso central pela leucemia.

Em muitos pacientes é necessário implantar um cateter venoso central, que facilita a administração dos medicamentos e reduz a necessidade de punções repetidas nas veias.

Como é organizado o tratamento?

Embora existam diferentes protocolos, a quimioterapia para LLA costuma ser dividida em etapas, cada uma com um objetivo específico.

Indução
É a primeira fase do tratamento.

Seu objetivo é eliminar o maior número possível de células leucêmicas e alcançar a remissão completa, quando não há sinais detectáveis da doença pelos exames convencionais.

Consolidação
Mesmo após a remissão, pequenas quantidades de células leucêmicas podem permanecer no organismo.

A fase de consolidação busca eliminar essas células e reduzir o risco de recaída.

Intensificação (quando indicada)
Alguns protocolos incluem uma fase adicional de tratamento intensivo para aumentar ainda mais a eficácia da terapia.

Nem todos os pacientes precisam dessa etapa.

Manutenção
É a fase mais longa do tratamento.

Utiliza medicamentos em doses menores por um período prolongado, com o objetivo de reduzir o risco de retorno da doença.

Em muitos protocolos, principalmente na população pediátrica, essa fase pode durar cerca de dois anos.

Quais medicamentos são utilizados?

A quimioterapia para LLA combina diferentes classes de medicamentos.

Cada uma atua de maneira diferente sobre as células leucêmicas.

Corticoides
Exemplos de medicamentos: Prednisona, Dexametasona
Principal função: Reduzem rapidamente a quantidade de células leucêmicas e potencializam a ação de outros medicamentos.

Alcaloides da vinca
Exemplos de medicamentos: Vincristina
Principal função: Impedem a divisão das células leucêmicas.

Antraciclinas
Exemplos de medicamentos: Daunorrubicina, Doxorrubicina
Principal função: Danificam o DNA das células da leucemia, levando à sua destruição.

Antimetabólitos
Exemplos de medicamentos: Metotrexato, Citarabina, Mercaptopurina
Principal função: Interferem na produção do DNA e impedem a multiplicação das células leucêmicas.

Asparaginases
Exemplos de medicamentos: Pegaspargase, L-asparaginase
Principal função: Reduzem a disponibilidade de asparagina, um aminoácido essencial para a sobrevivência das células da LLA.

Agentes alquilantes
Exemplos de medicamentos: Ciclofosfamida
Principal função: Utilizados em determinados protocolos e situações clínicas específicas.

Cada protocolo combina esses medicamentos em diferentes doses e sequências. Por isso, é normal que pacientes com LLA recebam esquemas de tratamento diferentes.

Todos os pacientes recebem os mesmos medicamentos?

Não. O tratamento é individualizado.

A escolha dos medicamentos depende de diversos fatores, entre eles:
• idade;
• subtipo da LLA;
• presença ou ausência do cromossomo Philadelphia (Ph+);
• resposta ao tratamento inicial;
• presença de doença residual mensurável (MRD);
• risco de recaída.

Além disso, alguns pacientes também podem receber terapias-alvo, imunoterapia ou terapia com células CAR-T como parte do tratamento.

Quais são os efeitos colaterais mais comuns?

Como a quimioterapia também pode afetar células saudáveis que se dividem rapidamente, alguns efeitos colaterais são esperados durante o tratamento.

Os mais frequentes incluem:
• queda das células do sangue (anemia, neutropenia e plaquetopenia);
• maior risco de infecções;
• náuseas e vômitos;
• queda de cabelo;
• feridas na boca (mucosite);
• cansaço;
• diminuição do apetite;
• diarreia ou prisão de ventre.

Nem todos os pacientes apresentam os mesmos efeitos colaterais, e muitos deles podem ser prevenidos ou controlados com medicamentos e medidas de suporte.

A quimioterapia mudou nos últimos anos?

Sim. Embora a quimioterapia continue sendo a base do tratamento da LLA, ela evoluiu significativamente.

Hoje, os protocolos são mais bem definidos e contam com melhores estratégias para prevenir complicações e controlar os efeitos colaterais.

Além disso, em muitos pacientes a quimioterapia passou a ser combinada com terapias-alvo, imunoterapia e terapia celular, tornando o tratamento mais personalizado.

PERGUNTAS FREQUENTES

Vou perder o cabelo?
Alguns medicamentos utilizados na LLA podem causar queda de cabelo. Na maioria dos casos, o cabelo volta a crescer após o término do tratamento.

Toda a quimioterapia é feita no hospital?
Não. Algumas fases exigem internação, enquanto outras podem ser realizadas em regime ambulatorial. Existem também medicamentos administrados por via oral, que podem ser tomados em casa sob orientação da equipe médica.

TERAPIAS-ALVO NA LEUCEMIA LINFOBLÁSTICA AGUDA

O que são as terapias-alvo?

As terapias-alvo são medicamentos desenvolvidos para atuar sobre alterações específicas presentes nas células da leucemia.

Enquanto a quimioterapia destrói células que se multiplicam rapidamente, as terapias-alvo procuram bloquear mecanismos que ajudam as células leucêmicas a crescer e sobreviver.

Por esse motivo, costumam atuar de forma mais direcionada.

Na Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA), as terapias-alvo são utilizadas principalmente em pacientes que apresentam uma alteração genética chamada cromossomo Philadelphia (Ph+).

Nesses pacientes, esses medicamentos passaram a fazer parte do tratamento padrão e melhoraram significativamente os resultados.

O que é o cromossomo Philadelphia (Ph+)?

O cromossomo Philadelphia é uma alteração genética encontrada em uma parte dos pacientes com LLA.

Quando essa alteração está presente, as células leucêmicas produzem uma proteína anormal que estimula seu crescimento contínuo.

As terapias-alvo conseguem bloquear essa proteína, dificultando a multiplicação das células da leucemia.

Por isso, identificar a presença do cromossomo Philadelphia é uma etapa importante do diagnóstico.

Todos os pacientes com LLA recebem terapias-alvo?

Não.

As terapias-alvo são indicadas principalmente para pacientes com LLA Philadelphia positiva (Ph+).

Por esse motivo, antes de iniciar o tratamento, são realizados exames para identificar se essa alteração genética está presente.

Caso o exame seja negativo, esses medicamentos geralmente não fazem parte do tratamento.

As terapias-alvo substituem a quimioterapia?

Na maioria dos casos, não.

Elas costumam ser utilizadas em conjunto com a quimioterapia ou com outras estratégias terapêuticas.

A combinação desses tratamentos aumentou significativamente as taxas de remissão e de sobrevida dos pacientes com LLA Philadelphia positiva.

Em algumas situações específicas, principalmente em pacientes idosos ou com outras doenças importantes, podem ser utilizados protocolos adaptados, sempre definidos pela equipe médica.

Quais terapias-alvo estão disponíveis?

Atualmente, os principais medicamentos utilizados pertencem ao grupo dos inibidores de tirosina quinase (TKIs).

Eles atuam bloqueando a proteína produzida pelo cromossomo Philadelphia.

Os principais medicamentos são:

Imatinibe (Glivec®)
Foi o primeiro medicamento dessa classe e revolucionou o tratamento da LLA Philadelphia positiva.

Hoje continua sendo uma opção importante em diferentes protocolos terapêuticos.

O imatinibe é administrado por via oral, em forma de comprimidos.

A dose e o tempo de tratamento variam de acordo com o protocolo utilizado e as características de cada paciente.

Na LLA Philadelphia positiva, o imatinibe costuma ser utilizado em combinação com a quimioterapia.

Em situações específicas, principalmente em pacientes idosos ou com limitações para receber quimioterapia intensiva, podem ser utilizados protocolos diferentes.

A estratégia é sempre definida pela equipe médica.

Dasatinibe (Sprycel®)
Medicamento de segunda geração, com maior potência e utilizado em diferentes fases do tratamento da LLA Ph+

O dasatinibe é indicado para pacientes cuja leucemia apresenta o cromossomo Philadelphia (Ph+).

Ele pode ser utilizado:
• como parte do tratamento inicial, em combinação com a quimioterapia;
• em pacientes que não toleram o imatinibe;
• em algumas situações em que a doença apresenta resistência ao imatinibe;
• em protocolos específicos definidos pela equipe médica.

A escolha entre imatinibe, dasatinibe ou outro TKI depende das características da doença, do paciente e do protocolo adotado pelo centro de tratamento.

O dasatinibe é administrado por via oral, em comprimidos.

A dose é definida pelo hematologista e pode variar conforme o protocolo de tratamento, a idade do paciente e a resposta à terapia.

O medicamento deve ser tomado exatamente conforme a prescrição médica.

Caso ocorra esquecimento de uma dose, siga a orientação da equipe de saúde e nunca tome uma dose dupla sem orientação.

Ponatinibe (Iclusig®)
Medicamento de terceira geração, indicado principalmente em pacientes com resistência a outros inibidores de tirosina quinase ou em protocolos específicos.

O principal diferencial do ponatinibe é que ele pode continuar sendo eficaz mesmo quando a doença desenvolve resistência a outros TKIs. Por isso, tornou-se uma opção importante para alguns pacientes e também passou a ser utilizado em protocolos mais recentes de tratamento.

O ponatinibe pode ser indicado para pacientes com LLA Philadelphia positiva (Ph+), especialmente quando:
• a doença não respondeu adequadamente ao imatinibe ou ao dasatinibe;
• houve perda da resposta ao tratamento;
• foram identificadas alterações genéticas que tornam outros TKIs menos eficazes, como a mutação T315I;
• o hematologista considera que ele faz parte do protocolo mais adequado para aquele paciente.

A indicação é individualizada e depende das características da doença e da avaliação da equipe médica

Esses medicamentos estão aprovados no Brasil?

Sim.

Os principais inibidores de tirosina quinase utilizados na LLA Philadelphia positiva possuem aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para indicações específicas.

Quais são os efeitos colaterais?

Embora as terapias-alvo atuem de maneira mais específica do que a quimioterapia, elas também podem causar efeitos colaterais.

Os mais comuns incluem:
• retenção de líquidos;
• fadiga;
• náuseas;
• diarreia;
• dor muscular;
• alterações nos exames de sangue.

Cada medicamento apresenta características próprias e pode exigir monitoramento específico durante o tratamento.

Quais efeitos colaterais merecem atenção especial?

DASATINIBE: Um efeito que merece atenção especial é o derrame pleural, que consiste no acúmulo de líquido ao redor dos pulmões. Embora nem todos os pacientes apresentem essa complicação, ela pode causar falta de ar, tosse persistente ou dor no peito e deve ser avaliada rapidamente pela equipe médica.

Entre em contato com seu médico ou procure atendimento imediatamente se apresentar:
falta de ar ou dificuldade para respirar;
dor no peito;
febre igual ou superior a 38°C;
sangramentos importantes;
hematomas que surgem facilmente;

PONATINIBE: pode aumentar o risco de complicações cardiovasculares, como problemas relacionados aos vasos sanguíneos e formação de coágulos, especialmente em pessoas que já apresentam fatores de risco, como hipertensão, diabetes, colesterol elevado ou tabagismo.

Antes e durante o tratamento, o médico avaliará cuidadosamente esses fatores e poderá solicitar exames para acompanhar a saúde cardiovascular.

Por esse motivo, é importante informar à equipe médica qualquer histórico de doença cardíaca ou vascular.

Procure orientação imediatamente se apresentar:
• dor no peito;
• falta de ar;
• dor intensa nas pernas;
• inchaço súbito;
• dificuldade para falar ou movimentar um lado do corpo;
• dor de cabeça intensa e diferente do habitual;
• sangramentos importantes;
• febre igual ou superior a 38°C.

Esses sintomas não significam necessariamente que foram causados pelo medicamento, mas precisam de avaliação médica imediata.

IMUNOTERAPIA NA LEUCEMIA LINFOBLÁSTICA AGUDA

O que é a imunoterapia?

A imunoterapia é uma forma de tratamento que utiliza o próprio sistema imunológico para ajudar a combater o câncer.

Em vez de destruir diretamente as células da leucemia, como acontece com a quimioterapia, a imunoterapia ajuda as células de defesa do organismo a reconhecer e eliminar as células doentes.

Nos últimos anos, a imunoterapia trouxe avanços importantes para o tratamento da Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA), especialmente para pacientes com doença recidivada, refratária ou com alto risco de recaída. Em alguns casos, ela também passou a ser utilizada em fases mais precoces do tratamento.

A imunoterapia substitui a quimioterapia?

Na maioria dos casos, não.

A quimioterapia continua sendo a base do tratamento da LLA.

A imunoterapia pode ser utilizada em conjunto com a quimioterapia ou em momentos específicos do tratamento, dependendo das características da doença e da resposta do paciente.

A decisão sobre quando utilizar esse tipo de tratamento é individualizada.

Todos os pacientes podem receber imunoterapia?

Não.

A indicação depende de diversos fatores, como:
• o subtipo da LLA;
• as proteínas presentes nas células da leucemia;
• a fase da doença;
• a resposta ao tratamento inicial;
• a presença de recaída ou de doença residual mensurável (MRD);
• as aprovações regulatórias e a disponibilidade do tratamento.

Por esse motivo, nem todos os pacientes receberão imunoterapia.

Quais tipos de imunoterapia são utilizados na LLA?

Atualmente, existem diferentes formas de imunoterapia utilizadas no tratamento da LLA.

Anticorpos biespecíficos
Esses medicamentos aproximam as células de defesa do organismo das células da leucemia, facilitando sua destruição.

Anticorpos monoclonais conjugados/ Conjugado Anticorpo-Fármaco (ADC)
São anticorpos que reconhecem as células da leucemia e levam até elas um medicamento capaz de destruí-las.
Essa estratégia permite que o tratamento atue de forma mais direcionada.

Anticorpos monoclonais
Em alguns pacientes, pode ser utilizado um anticorpo monoclonal em combinação com a quimioterapia.
Seu uso depende das características da leucemia e do protocolo adotado.

Quais são os benefícios da imunoterapia?

A imunoterapia ampliou as opções de tratamento para muitos pacientes com LLA.

Dependendo da situação clínica, ela pode:
• aumentar as chances de remissão da doença;
• reduzir a quantidade de células leucêmicas antes de um transplante;
• tratar pacientes com recaída;
• ajudar a eliminar a doença residual mensurável (MRD);
• permitir novas estratégias terapêuticas em pacientes que não responderam adequadamente à quimioterapia.

A imunoterapia causa efeitos colaterais?

Sim. Embora seja diferente da quimioterapia, a imunoterapia também pode provocar efeitos colaterais.

Eles variam conforme o medicamento utilizado.

Entre os mais comuns estão:
• febre;
• fadiga;
• náuseas;
• diminuição das células do sangue;
• infecções.

Alguns medicamentos também podem causar efeitos específicos, que serão explicados nas páginas dedicadas a cada tratamento.

CONHEÇA OS MEDICAMENTOS

Nesta seção você encontrará informações detalhadas sobre cada imunoterapia utilizada na LLA.

Blinatumomabe (Blincyto®)

Classe terapêutica: Anticorpo biespecífico (BiTE®)
Principais indicações na LLA: LLA de células B CD19 positiva em situações específicas
Via de administração: Infusão intravenosa contínua
Aprovação Anvisa: Sim

O blinatumomabe é uma imunoterapia utilizada no tratamento de alguns pacientes com Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) de células B.

Ele foi um dos primeiros medicamentos a utilizar o próprio sistema imunológico para combater as células da leucemia e representou um importante avanço no tratamento da doença.

Hoje, pode ser indicado em diferentes momentos do tratamento, dependendo das características da leucemia e da resposta obtida com as terapias anteriores.

Para quem o blinatumomabe é indicado?

O blinatumomabe não é indicado para todos os pacientes com LLA.

Ele pode ser utilizado em situações como:
• quando a leucemia voltou após o tratamento (recaída);
• quando a doença não respondeu adequadamente ao tratamento inicial (doença refratária);
• quando ainda existem pequenas quantidades de células leucêmicas detectadas por exames muito sensíveis (doença residual mensurável – MRD);
• em alguns protocolos de tratamento inicial, conforme as indicações aprovadas e a avaliação da equipe médica.

Além disso, o medicamento é utilizado apenas em pacientes cuja leucemia apresenta uma proteína chamada CD19, encontrada na maioria dos casos de LLA de células B.

Como o blinatumomabe funciona?

O sistema imunológico possui células de defesa chamadas linfócitos T, responsáveis por identificar e eliminar células anormais.

Entretanto, as células da leucemia conseguem, muitas vezes, escapar dessa vigilância.

O blinatumomabe aproxima os linfócitos T das células da leucemia, facilitando seu reconhecimento e destruição.
Em outras palavras, ele ajuda o próprio sistema imunológico a localizar e atacar as células doentes.

Como o tratamento é realizado?

O blinatumomabe é administrado diretamente na veia.

Diferentemente da maioria dos medicamentos oncológicos, ele é administrado de forma contínua, por meio de uma bomba de infusão que libera o medicamento durante vários dias.

Nos primeiros dias do tratamento, muitos pacientes permanecem internados para monitoramento, pois algumas reações podem ocorrer no início da infusão.

Depois desse período, dependendo da evolução clínica e da estrutura do serviço de saúde, parte do tratamento pode ser realizada em regime ambulatorial.

Quais são os efeitos colaterais mais comuns?

Os efeitos colaterais variam de uma pessoa para outra.

Os mais frequentemente observados são:
• febre;
• dor de cabeça;
• fadiga;
• tremores;
• náuseas;
• diminuição das células do sangue;
• infecções.

A equipe médica acompanha o paciente de perto durante todo o tratamento para identificar e tratar precocemente qualquer complicação.

Quais efeitos colaterais exigem atenção imediata?

Embora muitas pessoas façam o tratamento sem complicações graves, alguns efeitos precisam de avaliação médica imediata.

Síndrome de liberação de citocinas
É uma reação causada pela intensa ativação do sistema imunológico.

Pode provocar:
• febre alta;
• calafrios;
• queda da pressão arterial;
• dificuldade para respirar.

Alterações neurológicas
Em alguns pacientes podem ocorrer:
• dificuldade para falar;
• confusão;
• tremores;
• sonolência excessiva;
• alterações do equilíbrio;
• convulsões (raramente).

Esses sintomas devem ser comunicados imediatamente à equipe médica.

Como é feito o acompanhamento?

Durante o tratamento, a equipe médica realiza avaliações frequentes para acompanhar:
• a resposta da leucemia ao tratamento;
• a contagem das células do sangue;
• possíveis infecções;
• alterações neurológicas;
• outros efeitos colaterais.

Em alguns pacientes, também são realizados exames para avaliar a doença residual mensurável (MRD).

Vou precisar ficar internado?

Na maioria dos casos, sim, pelo menos nos primeiros dias do primeiro ciclo, para monitoramento e segurança.

Referências
• American Cancer Society (ACS)
• National Comprehensive Cancer Network (NCCN)
• American Society of Hematology (ASH)
• European Hematology Association (EHA)
• Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
• European Medicines Agency (EMA)

Inotuzumabe ozogamicina (Besponsa®)

Classe terapêutica: Anticorpo monoclonal conjugado a medicamento (ADC)
Principais indicações na LLA: LLA de células B CD22 positiva em situações específicas
Via de administração: Infusão intravenosa
Aprovação Anvisa: Sim

O inotuzumabe ozogamicina é uma imunoterapia utilizada no tratamento de alguns pacientes com Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) de células B.

Diferentemente da quimioterapia tradicional, esse medicamento foi desenvolvido para reconhecer as células da leucemia e levar até elas um agente capaz de destruí-las.

Essa estratégia permite que o tratamento atue de forma mais direcionada, reduzindo a exposição de outras células do organismo ao medicamento.

Para quem o inotuzumabe é indicado?

O inotuzumabe não é indicado para todos os pacientes com LLA.

Ele pode ser utilizado principalmente em pacientes com:
• LLA de células B que voltou após o tratamento (doença recidivada);
• LLA de células B que não respondeu ao tratamento inicial (doença refratária);
• situações específicas definidas pela equipe médica e pelas indicações aprovadas.

Para que o medicamento funcione, as células da leucemia precisam apresentar uma proteína chamada CD22, identificada por exames realizados no diagnóstico.

Como o inotuzumabe funciona?

O inotuzumabe funciona como um “medicamento inteligente“.

Primeiro, ele reconhece e se liga às células da leucemia que apresentam a proteína CD22.

Depois, libera dentro dessas células um agente que provoca sua destruição.

Isso permite uma ação mais direcionada do que a quimioterapia convencional.

Como o tratamento é realizado?

O inotuzumabe é administrado por infusão intravenosa em ambiente hospitalar ou em centro especializado.

O tratamento é dividido em ciclos.

Antes de cada infusão, a equipe médica realiza avaliações clínicas e laboratoriais para verificar se o tratamento pode ser administrado com segurança.

Quais são os efeitos colaterais mais comuns?

Os efeitos colaterais variam entre os pacientes.

Os mais frequentes incluem:
• diminuição das células do sangue;
• febre;
• fadiga;
• náuseas;
• dor de cabeça;
• alterações nos exames do fígado;
• maior risco de infecções.

Muitos desses efeitos podem ser controlados com acompanhamento adequado.

Quais efeitos colaterais merecem atenção especial?

O principal efeito que exige maior atenção é a doença hepática veno-oclusiva, também chamada de síndrome de obstrução sinusoidal.

Essa é uma complicação rara, mas potencialmente grave, que pode ocorrer principalmente em pacientes que serão submetidos posteriormente ao transplante de células-tronco hematopoéticas.

Por esse motivo, a função do fígado é cuidadosamente monitorada antes, durante e após o tratamento.

Quando devo avisar minha equipe médica?

Entre em contato imediatamente se apresentar:
• febre igual ou superior a 38°C;
• pele ou olhos amarelados;
• dor intensa no lado direito do abdome;
• aumento rápido do abdome;
• sangramentos importantes;
• falta de ar;
• sinais de infecção.

Esses sintomas nem sempre significam uma complicação grave, mas precisam ser avaliados rapidamente.

Como é feito o acompanhamento?

Durante o tratamento, a equipe médica acompanha regularmente:
• hemograma;
• função do fígado;
• resposta da leucemia ao tratamento;
• possíveis sinais de infecção;
• outros efeitos adversos.

Se houver planejamento de transplante, esse acompanhamento costuma ser ainda mais rigoroso.

As indicações podem variar conforme as atualizações das agências reguladoras.

Rituximabe (MabThera®)

Nome genérico: Rituximabe
Nome comercial: MabThera® (e biossimilares aprovados)
Classe terapêutica: Anticorpo monoclonal
Principais indicações na LLA: Alguns pacientes com LLA de células B CD20 positiva
Via de administração: Infusão intravenosa
Aprovação Anvisa: Sim, para indicações específicas

O rituximabe é um anticorpo monoclonal utilizado no tratamento de diversas doenças, incluindo alguns tipos de linfoma, leucemia e doenças autoimunes.

Na Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA), ele pode fazer parte do tratamento de alguns pacientes com LLA de células B, quando as células da leucemia apresentam uma proteína chamada CD20.

É importante destacar que nem todos os pacientes com LLA apresentam essa proteína. Por isso, o rituximabe não faz parte do tratamento de todos os casos.

Para quem o rituximabe é indicado?

O rituximabe pode ser utilizado em pacientes com:
• LLA de células B que expressa a proteína CD20;
• principalmente adultos e adolescentes tratados com determinados protocolos de quimioterapia.

Antes de indicar o medicamento, a equipe médica realiza exames para verificar se as células da leucemia apresentam essa característica.

Como o rituximabe funciona?

As células da LLA que expressam CD20 apresentam essa proteína em sua superfície.

O rituximabe reconhece essa proteína e se liga à célula leucêmica.

A partir desse momento, o sistema imunológico passa a reconhecer essa célula com mais facilidade e ajuda a destruí-la.

Por isso, o rituximabe é considerado uma imunoterapia.

Como o tratamento é realizado?

O rituximabe é administrado por infusão intravenosa.

A primeira infusão costuma ser mais lenta porque algumas pessoas podem apresentar reações durante a administração.

Antes da infusão, é comum receber medicamentos para reduzir o risco dessas reações, como antitérmicos, anti-histamínicos e, em alguns casos, corticosteroides.

O número de aplicações depende do protocolo de tratamento utilizado.

Quais são os efeitos colaterais mais comuns?

Os efeitos colaterais costumam ser mais frequentes durante a primeira infusão.

Podem ocorrer:
• febre;
• calafrios;
• coceira;
• vermelhidão na pele;
• queda da pressão arterial;
• fadiga;
• náuseas.

Na maioria dos casos, essas reações são leves e controladas pela equipe médica durante a administração.

Quais efeitos colaterais merecem atenção especial?

Como o rituximabe reduz temporariamente parte das células B normais do organismo, pode aumentar o risco de algumas infecções.

Antes de iniciar o tratamento, o médico poderá solicitar exames para investigar infecções prévias, especialmente hepatite B, pois o medicamento pode reativar uma infecção antiga em alguns pacientes.

Durante o tratamento, qualquer sinal de infecção deve ser comunicado rapidamente.

Quando devo avisar minha equipe médica?

Procure orientação imediatamente se apresentar:
• febre igual ou superior a 38°C;
• dificuldade para respirar durante ou após a infusão;
• calafrios intensos;
• tosse persistente;
• sinais de infecção;
• icterícia (pele ou olhos amarelados).

Como é feito o acompanhamento?

Durante o tratamento, a equipe médica acompanhará:
• hemograma;
• função hepática;
• sinais de infecção;
• resposta da leucemia ao tratamento.

Referências

• American Cancer Society (ACS)
• National Comprehensive Cancer Network (NCCN)
• American Society of Hematology (ASH)
• European Hematology Association (EHA)
• Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
• U.S. Food and Drug Administration (FDA)
• European Medicines Agency (EMA)

TERAPIA CELULAR NA LEUCEMIA LINFOBLÁSTICA AGUDA

A terapia celular é uma forma inovadora de tratamento do câncer que utiliza células do próprio sistema imunológico do paciente para combater a doença.

Diferentemente da quimioterapia, que utiliza medicamentos para destruir as células leucêmicas, a terapia celular modifica algumas células de defesa do paciente para que elas consigam reconhecer e eliminar as células da leucemia com maior eficiência.

Nos últimos anos, essa estratégia trouxe resultados importantes para alguns pacientes com Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA), especialmente quando a doença voltou após o tratamento ou não respondeu às terapias convencionais.

Embora represente um grande avanço, a terapia celular não é indicada para todos os pacientes e ainda está disponível apenas em centros especializados.

O que é a Terapia CAR-T?

A principal terapia celular utilizada na LLA é chamada de CAR-T.

A sigla vem do inglês Chimeric Antigen Receptor T-cell, que pode ser traduzido como linfócitos T com receptor quimérico de antígeno.

Apesar do nome complexo, o conceito é relativamente simples.

Os linfócitos T são células de defesa do organismo.

Na terapia CAR-T, essas células são retiradas do sangue do próprio paciente, modificadas em laboratório para reconhecer as células da leucemia e, depois, devolvidas ao organismo por meio de uma infusão intravenosa.

Uma vez reinfundidas, elas passam a procurar e destruir as células leucêmicas.

Como é realizado o tratamento?

O tratamento com CAR-T ocorre em várias etapas.

1. Coleta das células
Primeiro, são coletados linfócitos T do próprio paciente por um procedimento chamado leucaférese.

2. Modificação em laboratório
Essas células são enviadas para um laboratório especializado, onde recebem uma modificação genética que permite reconhecer as células da leucemia.

3. Multiplicação das células
Depois da modificação, as células são multiplicadas para que haja quantidade suficiente para o tratamento.

4. Quimioterapia preparatória
Antes da infusão das células CAR-T, o paciente geralmente recebe uma quimioterapia de baixa intensidade para preparar o organismo.

5. Infusão das células
As células modificadas são administradas por infusão intravenosa.

Após retornarem ao organismo, elas passam a reconhecer e atacar as células da leucemia.

Para quem a terapia CAR-T pode ser indicada?

A terapia CAR-T é indicada para grupos específicos de pacientes.

Na LLA, ela pode ser considerada principalmente em casos de:
• doença recidivada (quando a leucemia voltou após o tratamento);
• doença refratária (quando não respondeu ao tratamento);
• situações específicas definidas pela equipe médica e pelos critérios de aprovação dos produtos disponíveis.

Nem todos os pacientes são candidatos a esse tratamento.

A indicação depende da idade, das características da doença, dos tratamentos anteriores e das condições clínicas do paciente.

Quais são os benefícios?

A terapia CAR-T representou um dos maiores avanços no tratamento da LLA nos últimos anos.

Em alguns pacientes, ela possibilitou respostas importantes mesmo após falha de outros tratamentos.

Entretanto, os resultados variam de uma pessoa para outra e o acompanhamento continua sendo fundamental, pois a doença pode voltar em alguns casos.

Quais são os riscos?

Embora seja um tratamento muito promissor, a terapia CAR-T pode causar efeitos colaterais importantes.

Os dois principais são:

Síndrome de liberação de citocinas
Pode provocar:
• febre alta;
• queda da pressão arterial;
• dificuldade para respirar.

Alterações neurológicas
Podem ocorrer:
• confusão;
• dificuldade para falar;
• sonolência;
• tremores;
• convulsões em alguns casos.

Essas complicações são conhecidas pelas equipes especializadas e existem protocolos específicos para seu tratamento.

Por esse motivo, a terapia CAR-T deve ser realizada em centros habilitados e com experiência nesse tipo de tratamento.

A terapia CAR-T substitui o transplante?

Depende. Em alguns pacientes, a resposta obtida com a terapia CAR-T pode evitar a necessidade de transplante.

Em outros, ela pode ser utilizada como uma etapa antes do transplante.

A decisão depende da resposta ao tratamento e das características individuais de cada paciente

Terapias CAR-T disponíveis

Atualmente, diferentes produtos CAR-T foram desenvolvidos para o tratamento de leucemias e linfomas.

Na LLA, os principais são:
Tecartus® (brexucabtagene autoleucel)
Kymriah® (tisagenlecleucel)

Cada um possui indicações específicas.Saiba mais a seguir:

Tecartus® (brexucabtagene autoleucel)

Nome genérico: Brexucabtagene autoleucel
Nome comercial: Tecartus®
Classe terapêutica: Terapia celular CAR-T
Principais indicações na LLA: Adultos com LLA de células B recidivada ou refratária, conforme aprovações regulatórias
Via de administração: Infusão intravenosa única
Aprovação Anvisa: Sim, para indicações específicas*

*Sempre consultar a bula vigente, pois as indicações aprovadas podem ser atualizadas.

O que é o Tecartus®?
O Tecartus® é uma terapia celular do tipo CAR-T, desenvolvida para tratar alguns pacientes com Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) de células B.
Diferentemente dos medicamentos tradicionais, o Tecartus® utiliza os próprios linfócitos T do paciente. Essas células são coletadas, modificadas em laboratório para reconhecer as células da leucemia e, depois, devolvidas ao organismo por uma infusão intravenosa.
Após a infusão, essas células passam a identificar e destruir as células leucêmicas.

Kymriah® (tisagenlecleucel)

Nome genérico: Tisagenlecleucel
Nome comercial: Kymriah®
Classe terapêutica: Terapia celular CAR-T
Principais indicações na LLA: Crianças e adultos jovens com LLA de células B recidivada ou refratária, conforme aprovações regulatórias
Via de administração: Infusão intravenosa única
Aprovação Anvisa: Sim, para indicações específicas*

*Sempre consultar a bula vigente, pois as indicações aprovadas podem ser atualizadas.

O que é o Kymriah®?
O Kymriah® é uma terapia celular do tipo CAR-T, desenvolvida para tratar alguns pacientes com Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) de células B.

Assim como outras terapias CAR-T, o tratamento utiliza os próprios linfócitos T do paciente. Essas células são coletadas, modificadas em laboratório para reconhecer as células da leucemia e, posteriormente, reinfundidas no organismo.

Após a infusão, essas células passam a identificar e destruir as células leucêmicas.

Para quem o Kymriah® é indicado?
O Kymriah® pode ser indicado para crianças e adultos jovens com LLA de células B quando:
• a leucemia voltou após o tratamento (recidiva);
• a doença não respondeu às terapias anteriores (refratária);
• a equipe médica considera que a terapia CAR-T é a melhor opção para aquele momento da doença.

A indicação depende das aprovações regulatórias, da idade do paciente e da avaliação realizada por um centro especializado.

Como o CAR-T é realizado?

O tratamento ocorre em várias etapas.

1. Coleta dos linfócitos T
Os linfócitos T são coletados por meio de um procedimento chamado leucaférese.

2. Modificação das células
Em laboratório, essas células recebem uma modificação genética que permite reconhecer a proteína CD19, presente na maioria das células da LLA de células B.

3. Multiplicação das células
As células modificadas são multiplicadas até atingir a quantidade necessária para o tratamento.

4. Quimioterapia preparatória
Antes da infusão, o paciente recebe uma quimioterapia de baixa intensidade para preparar o organismo.

5. Infusão das células CAR-T
As células são administradas por infusão intravenosa, em dose única.

Quais são os possíveis efeitos colaterais?

Os mais importantes são:

Síndrome de liberação de citocinas (CRS)
Pode provocar:
• febre alta;
• queda da pressão arterial;
• dificuldade para respirar;
• aceleração dos batimentos cardíacos.

Toxicidade neurológica
Pode incluir:
• confusão;
• dificuldade para falar;
• sonolência;
• tremores;
• convulsões em alguns pacientes.

Essas complicações são conhecidas pelas equipes especializadas e existem protocolos específicos para seu diagnóstico e tratamento.

Vou precisar ficar internado?

Sim.Após a infusão, os pacientes permanecem em observação para monitorar possíveis complicações.

Mesmo após a alta, são necessárias consultas frequentes nas primeiras semanas.

Como é feito o acompanhamento?

Após o tratamento, a equipe médica acompanha:
• a resposta da leucemia;
• hemograma;
• sinais de infecção;
• recuperação do sistema imunológico;
• possíveis efeitos tardios da terapia.

O acompanhamento é contínuo e pode se estender por meses ou anos.

Referências
• American Cancer Society (ACS)
• National Cancer Institute (NCI)
• National Comprehensive Cancer Network (NCCN)
• American Society of Hematology (ASH)
• European Hematology Association (EHA)
• Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
• U.S. Food and Drug Administration (FDA)
• European Medicines Agency (EMA)

TRANSPLANTE DE CÉLULAS-TRONCO HEMATOPOÉTICAS NA LEUCEMIA LINFOBLÁSTICA AGUDA

O que é o transplante?

O transplante de células-tronco hematopoéticas (TCTH), também conhecido como transplante de medula óssea, é um tratamento utilizado em alguns pacientes com Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA).

Apesar do nome, o procedimento não envolve a troca da medula óssea. O objetivo é substituir as células responsáveis pela formação do sangue por células-tronco saudáveis, capazes de reconstruir a medula óssea após o tratamento.

Na LLA, o transplante pode ser recomendado quando existe maior risco de recaída ou quando a doença não responde da forma esperada ao tratamento inicial.

É importante saber que nem todo paciente com LLA precisa de um transplante. A decisão é individualizada e depende de vários fatores, incluindo a resposta ao tratamento e os resultados de exames como a doença residual mensurável (MRD).

Quando o transplante pode ser indicado?

O transplante pode ser considerado em situações como:
• LLA com características de alto risco;
• doença residual mensurável (MRD) persistente após o tratamento;
• recaída da doença;
• resposta insuficiente aos tratamentos iniciais;
• algumas alterações genéticas associadas a maior risco de recorrência.

Existem diferentes tipos de transplante, mas na LLA o mais utilizado é o transplante alogênico.

Transplante alogênico

As células-tronco são obtidas de um doador compatível.

Esse doador pode ser:
• um irmão ou irmã compatível;
• outro familiar;
• um doador voluntário não aparentado;
• em algumas situações, um doador parcialmente compatível (haploidêntico);
• em casos selecionados, sangue de cordão umbilical.

Além de reconstruir a medula óssea, o transplante alogênico oferece um benefício importante chamado efeito enxerto contra leucemia, no qual as células do doador ajudam a combater possíveis células leucêmicas remanescentes.

Transplante autólogo

Nesse tipo de transplante, as células são coletadas do próprio paciente.

Embora seja utilizado em algumas doenças hematológicas, não faz parte do tratamento de rotina da LLA, sendo reservado para situações muito específicas.

Como é realizado o transplante?

O transplante acontece em várias etapas.

Avaliação pré-transplante
Antes do procedimento, o paciente realiza diversos exames para avaliar sua condição clínica e confirmar que está apto para o tratamento.
Também é realizada a busca por um doador compatível, quando necessário.

Tratamento de condicionamento
Antes de receber as células-tronco, o paciente passa por um tratamento chamado condicionamento.
Ele pode incluir quimioterapia em altas doses, com ou sem radioterapia corporal total, dependendo do protocolo.
O objetivo é eliminar o maior número possível de células leucêmicas e preparar a medula óssea para receber as novas células.

Infusão das células-tronco
As células do doador são administradas por uma infusão intravenosa, semelhante a uma transfusão de sangue.
O procedimento costuma ser indolor.
Após a infusão, as células migram naturalmente para a medula óssea, onde começam a produzir novas células sanguíneas.

Recuperação da medula óssea
Nas semanas seguintes, o paciente permanece sob acompanhamento rigoroso enquanto as novas células se estabelecem e iniciam a produção normal do sangue.

Esse período é conhecido como pega da medula ou enxertia.

Quais são os riscos do transplante?

O transplante é um tratamento complexo e pode estar associado a complicações importantes.

Entre elas estão:
• infecções;
• sangramentos;
• rejeição ou falha da enxertia;
• complicações relacionadas à quimioterapia;
• doença do enxerto contra o hospedeiro (GVHD).

Esses riscos variam de acordo com o tipo de transplante, a idade do paciente, a doença de base e outros fatores clínicos.

Como é a recuperação?

A recuperação após o transplante varia de uma pessoa para outra.

Nos primeiros meses, são comuns:
• consultas frequentes;
• exames de sangue regulares;
• uso de medicamentos para prevenir infecções;
• cuidados especiais com alimentação e higiene;
• restrições temporárias a ambientes com maior risco de exposição a infecções.

Com o passar do tempo e a recuperação do sistema imunológico, muitos pacientes conseguem retomar gradualmente suas atividades.

O que é a doença do enxerto contra o hospedeiro (DECH/ GVHD/)?

Na DECH, as células do sistema imunológico do doador reconhecem alguns tecidos do paciente como estranhos e passam a atacá-los.

Essa complicação pode afetar principalmente:
• pele;
• fígado;
• intestino;
• olhos;
• boca.

Nem todos os pacientes desenvolvem DECH.

Quando ela ocorre, existem tratamentos para controlar a doença.

A doença do enxerto contra o hospedeiro (DECH), ou graft-versus-host disease em ingles (GVHD), é uma complicação que pode ocorrer após o transplante alogênico de células-tronco hematopoéticas. Ela acontece quando células do sistema imunológico do doador reconhecem tecidos do paciente como diferentes e passam a atacá-los.

A DECH pode ser aguda ou crônica e pode afetar diferentes órgãos, principalmente pele, fígado, boca, olhos, pulmões e trato gastrointestinal.

O tratamento depende do tipo e da gravidade da DECH e dos órgãos envolvidos. Os corticosteroides continuam sendo uma das principais opções de tratamento inicial, mas algumas pessoas não respondem adequadamente ou apresentam recaída da doença.

Nessas situações, podem ser utilizados outros tratamentos sistêmicos, escolhidos de acordo com o quadro clínico e o tratamento já realizado.

Novas opções de tratamento
O ruxolitinibe (Jakavi®) é uma terapia dirigida às vias JAK1/JAK2 e possui indicação aprovada pela Anvisa para DECH aguda em pacientes com 12 anos ou mais que apresentam resposta inadequada aos corticosteroides, além de indicação para DECH crônica nessa faixa etária após resposta inadequada aos corticosteroides ou outras terapias sistêmicas.

Outra opção recentemente registrada no Brasil é o belumosudil (Rezurock®), um inibidor seletivo de ROCK2. A Anvisa aprovou seu uso para pacientes com 12 anos ou mais com DECH crônica após falha de pelo menos duas linhas anteriores de tratamento sistêmico.

O belumosudil atua sobre mecanismos relacionados à resposta imunológica e à fibrose, aspectos importantes da DECH crônica. Nos estudos que fundamentaram seu registro, foram observadas respostas clínicas em pacientes com DECH crônica previamente tratados.

Importante: o belumosudil é uma opção para DECH crônica em determinadas situações, e não um tratamento para prevenir ou tratar todos os casos de DECH. A escolha depende da gravidade, dos órgãos afetados, dos tratamentos anteriores e da resposta individual.

Efeitos adversos
Os efeitos adversos variam conforme o tratamento. Com o belumosudil, podem ocorrer cansaço, diarreia, náuseas, falta de ar e infecções respiratórias, entre outros. A equipe acompanha exames e sinais de infecção e pode ajustar o tratamento conforme necessário.

No Brasil
Belumosudil (Rezurock®): registrado pela Anvisa em 2025 para DECH crônica em pacientes com 12 anos ou mais após falha de pelo menos duas linhas de tratamento sistêmico. O registro pela Anvisa não significa, por si só, incorporação ou disponibilidade pelo SUS. A própria Anvisa ressalta que a disponibilização no SUS depende de avaliação pela Conitec e decisão do Ministério da Saúde.

Fontes de Informação
Este conteúdo foi elaborado com base em recomendações de instituições internacionais de referência, incluindo:
• American Cancer Society (ACS)
• National Comprehensive Cancer Network (NCCN)
• American Society of Hematology (ASH)
• European Society for Blood and Marrow Transplantation (EBMT)

RECAÍDA DA LEUCEMIA LINFOBLÁSTICA AGUDA

O que significa recaída?

A recaída acontece quando a leucemia volta após um período em que havia respondido ao tratamento.

Isso significa que algumas células leucêmicas permaneceram no organismo e, com o tempo, voltaram a se multiplicar.

Receber essa notícia pode ser muito difícil para o paciente e sua família. No entanto, é importante saber que uma recaída não significa que não existam mais opções de tratamento.

Nos últimos anos, surgiram novas terapias que ampliaram as possibilidades de tratamento para muitos pacientes com LLA recidivada.

Como a recaída é diagnosticada?

A suspeita pode surgir por diferentes motivos.

Alguns pacientes apresentam novamente sintomas como:
• cansaço intenso;
• febre;
• infecções frequentes;
• sangramentos;
• aumento dos gânglios;
• dor óssea.

Em outros casos, a recaída é identificada durante exames de acompanhamento, antes mesmo do aparecimento de sintomas.

Para confirmar o diagnóstico, o médico poderá solicitar:
• hemograma;
• mielograma;
• imunofenotipagem;
• exames genéticos e moleculares;
• avaliação da doença residual mensurável (MRD), quando indicada.

Esses exames ajudam a confirmar a presença da doença e a planejar o tratamento mais adequado.

O tratamento muda quando a doença volta?

Sim. Quando ocorre uma recaída, a equipe médica faz uma nova avaliação completa da doença.

Entre os fatores considerados estão:
• o tempo entre o fim do tratamento e a recaída;
• a idade do paciente;
• o subtipo da LLA;
• alterações genéticas;
• tratamentos já realizados anteriormente;
• estado geral de saúde.

Essas informações ajudam a definir a estratégia mais adequada para cada paciente.

Quais tratamentos podem ser utilizados?

As opções variam de acordo com cada caso e podem incluir:
• novos esquemas de quimioterapia;
• terapias-alvo, quando indicadas;
• imunoterapia, como blinatumomabe ou inotuzumabe ozogamicina;
• terapia celular CAR-T em pacientes elegíveis;
• transplante de células-tronco hematopoéticas.

Em muitos casos, diferentes modalidades de tratamento são utilizadas em sequência ou em combinação.

A recaída significa que o tratamento anterior falhou?

Não necessariamente.

Mesmo quando o tratamento inicial foi eficaz, pequenas quantidades de células leucêmicas podem permanecer no organismo e voltar a crescer com o tempo.

Além disso, as células da leucemia podem sofrer mudanças que as tornam mais resistentes ao tratamento recebido anteriormente.

Por isso, a estratégia terapêutica costuma ser reavaliada em cada recaída.

PERGUNTAS FREQUENTES

Toda recaída provoca sintomas?
Não. Em alguns pacientes, a recaída é identificada durante exames de acompanhamento antes do aparecimento de sintomas.

Posso receber o mesmo tratamento novamente?
Depende. Em alguns casos, isso pode ser possível. Em outros, a equipe médica poderá recomendar uma estratégia diferente, baseada nas características da recaída.

DOENÇA RESIDUAL MENSURÁVEL (DRM)

O que é a doença residual mensurável (DRM)?

Durante o tratamento da Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA), um dos principais objetivos é eliminar o maior número possível de células leucêmicas.

Após as primeiras fases da quimioterapia, muitos pacientes entram em remissão completa. Isso significa que, pelos exames convencionais, não há sinais detectáveis da leucemia.

No entanto, exames mais modernos conseguem identificar quantidades extremamente pequenas de células leucêmicas que permanecem no organismo.

Essas células são chamadas de Doença Residual Mensurável (DRM).

Em outras palavras, a DRM indica que ainda existem células da leucemia, mesmo quando elas não podem ser vistas no microscópio.

Por que a DRM é tão importante?

A avaliação da DRM é uma das ferramentas mais importantes utilizadas atualmente no tratamento da LLA.

Ela ajuda a responder perguntas como:
• O tratamento está funcionando como esperado?
• Ainda existem células da leucemia no organismo?
• O risco de recaída é maior ou menor?
• • Será necessário intensificar o tratamento?
O transplante pode ser indicado?
• A resposta ao tratamento foi profunda?

Por esse motivo, a DRM faz parte da avaliação de muitos pacientes durante o tratamento.

O que significa ter DRM negativa?

Quando o exame mostra DRM negativa, significa que não foram encontradas células leucêmicas pelo método utilizado.

Essa é uma excelente notícia.

Em geral, pacientes que atingem DRM negativa apresentam menor risco de recaída quando comparados aos pacientes com DRM positiva.

Entretanto, é importante lembrar que DRM negativa não significa, necessariamente, cura. O paciente deve continuar o tratamento e o acompanhamento conforme orientação da equipe médica.

O que significa ter DRM positiva?

Quando o exame identifica células leucêmicas residuais, dizemos que a DRM é positiva.

Isso significa que ainda existem pequenas quantidades de leucemia no organismo.

Dependendo do momento do tratamento e da quantidade de células detectadas, a equipe médica poderá considerar diferentes estratégias, como:
• manter o tratamento planejado;
• intensificar a quimioterapia;
• indicar imunoterapia;
• avaliar a necessidade de transplante de células-tronco hematopoéticas.

Cada caso é analisado de forma individual.

Como a DRM é medida?

A DRM pode ser avaliada por diferentes técnicas laboratoriais.

As mais utilizadas são:

Citometria de fluxo
Identifica células leucêmicas por meio das proteínas presentes em sua superfície.
É amplamente utilizada em centros especializados.

Biologia molecular (PCR)
Detecta alterações genéticas específicas associadas à leucemia.
Em alguns pacientes, permite identificar uma quantidade extremamente pequena de células leucêmicas.

Sequenciamento de nova geração (NGS)
Em alguns centros, técnicas mais recentes permitem detectar níveis ainda menores de doença residual.

A escolha do método depende das características da leucemia e dos recursos disponíveis.

Quando o exame é realizado?

A DRM não é medida apenas uma vez.

Ela costuma ser avaliada em diferentes momentos do tratamento, por exemplo:
• após a fase de indução;
• durante a consolidação;
• antes do transplante;
• após o transplante, quando indicado;
• durante o acompanhamento, em situações específicas.

A frequência varia conforme o protocolo utilizado.

Atualmente, a DRM é um dos fatores mais importantes para orientar decisões terapêuticas.

Em alguns pacientes, um resultado positivo pode indicar a necessidade de modificar a estratégia de tratamento.

Em outros, um resultado negativo reforça que o tratamento está alcançando a resposta esperada.

Por isso, a DRM é considerada uma ferramenta de medicina personalizada.

Fontes de informação
• American Cancer Society (ACS)
• National Comprehensive Cancer Network (NCCN)
• American Society of Hematology (ASH)
• European Hematology Association (EHA)

CUIDADOS DURANTE O TRATAMENTO DA LEUCEMIA LINFOBLÁSTICA AGUDA

O tratamento da Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) exige alguns cuidados especiais para reduzir o risco de complicações e contribuir para uma recuperação mais segura. Muitas dessas orientações são temporárias e variam de acordo com a fase do tratamento e as condições de cada paciente.

Sempre siga as recomendações da sua equipe de saúde.

Prevenção de infecções

Durante algumas fases do tratamento, o sistema imunológico pode ficar temporariamente enfraquecido, aumentando o risco de infecções.

Alguns cuidados importantes incluem:
• Lavar as mãos frequentemente.
• Evitar contato com pessoas com gripe, resfriado ou outras infecções.
• Manter boa higiene bucal.
• Higienizar corretamente os alimentos.
• Comunicar imediatamente qualquer febre igual ou superior a 38°C.

Alimentação

Uma alimentação equilibrada ajuda o organismo a enfrentar o tratamento.

De forma geral:
• mantenha boa hidratação;
• consuma alimentos bem preparados e armazenados;
• siga as orientações da equipe sobre restrições alimentares durante períodos de neutropenia;
• não utilize suplementos ou produtos naturais sem orientação médica.

Atividade física

Quando autorizada pelo médico, a atividade física pode ajudar a reduzir a fadiga, preservar a massa muscular e melhorar a qualidade de vida.

O tipo e a intensidade dos exercícios devem ser adaptados às condições de cada paciente.

Vacinação

Algumas vacinas podem ser recomendadas antes, durante ou após o tratamento, enquanto outras devem ser adiadas.

Nunca tome vacinas sem conversar com sua equipe médica.

Higiene bucal

A quimioterapia pode aumentar o risco de feridas na boca (mucosite).

Para reduzir esse risco:
• escove os dentes com escova de cerdas macias;
• mantenha boa higiene oral;
• informe ao médico qualquer dor, sangramento ou aparecimento de feridas.

Uso correto dos medicamentos

Tome todos os medicamentos exatamente como foram prescritos.

Não interrompa, reduza ou aumente a dose por conta própria, mesmo que esteja se sentindo melhor.

Informe sempre ao médico sobre outros medicamentos, vitaminas, suplementos ou fitoterápicos que estiver utilizando.

Fertilidade e planejamento familiar

Alguns tratamentos podem afetar a fertilidade.

Sempre que possível, converse com seu médico sobre preservação da fertilidade antes do início do tratamento.

Durante o tratamento, também é importante discutir métodos contraceptivos adequados.

O tratamento é igual para todos?

Não.

O tratamento da LLA é planejado de acordo com as características de cada paciente e da própria doença.

Durante o tratamento, a equipe médica avalia continuamente a resposta às terapias por meio de exames laboratoriais e da medula óssea. Essas informações ajudam a confirmar se o tratamento está funcionando como esperado ou se é necessário fazer ajustes.

Quanto tempo dura o tratamento?

A duração varia de acordo com a idade do paciente, o subtipo da LLA e o protocolo utilizado.

De forma geral, o tratamento é dividido em diferentes etapas e pode durar meses ou, em alguns casos, mais de dois anos, especialmente durante a fase de manutenção.

Embora seja um tratamento longo, cada etapa tem um objetivo específico e faz parte da estratégia para aumentar as chances de controle da doença e reduzir o risco de recaída.

Quais profissionais participam do tratamento?

O cuidado do paciente com LLA envolve uma equipe multidisciplinar.

Dependendo das necessidades de cada pessoa, podem participar do tratamento:
• hematologista;
• enfermeiro;
• farmacêutico;
• nutricionista;
• fisioterapeuta;
• psicólogo;
• assistente social;
• dentista;
• especialistas em doenças infecciosas, cardiologia e outras áreas.

Esse acompanhamento ajuda a tratar a doença e também a prevenir ou controlar os efeitos do tratamento.

Como meu médico escolhe o tratamento da Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA)?

Uma dúvida muito comum entre pacientes e familiares é por que pessoas com o mesmo diagnóstico de Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) podem receber tratamentos diferentes.

A resposta é simples: a LLA não é igual em todos os pacientes.

Hoje, o tratamento é planejado de forma individualizada. Antes de definir a estratégia mais adequada, a equipe médica avalia diversos fatores relacionados tanto à doença quanto às condições de saúde do paciente.

O objetivo é oferecer o tratamento com maior chance de sucesso e o menor risco possível de complicações.

Quais fatores influenciam essa decisão?

Idade
A idade é um dos fatores mais importantes no planejamento do tratamento.

Crianças, adolescentes, adultos e idosos podem responder de maneira diferente aos mesmos medicamentos. Além disso, alguns tratamentos são mais bem tolerados por determinadas faixas etárias.

Por esse motivo, existem protocolos específicos para crianças e outros desenvolvidos para adultos.

Subtipo da LLA
Existem diferentes subtipos de Leucemia Linfoblástica Aguda.

Alguns pacientes apresentam LLA de células B, enquanto outros têm LLA de células T.

Essa informação é importante porque alguns medicamentos modernos são eficazes apenas em determinados subtipos da doença.

Alterações genéticas
Os exames realizados no momento do diagnóstico podem identificar alterações genéticas que ajudam a definir o tratamento.

Por exemplo, pacientes com LLA Philadelphia positiva (Ph+) geralmente recebem, além da quimioterapia, medicamentos chamados terapias-alvo, que atuam especificamente sobre essa alteração.

Outras alterações genéticas também podem influenciar a estratégia terapêutica e o acompanhamento ao longo do tratamento.

Resposta ao tratamento
A forma como a doença responde às primeiras semanas de tratamento fornece informações muito importantes.

Durante esse período, são realizados exames para avaliar se as células leucêmicas estão sendo eliminadas conforme o esperado.

Esses resultados ajudam a definir se o tratamento poderá seguir conforme o planejado ou se será necessário considerar outras estratégias.

Doença Residual Mensurável (MRD)
Mesmo quando a leucemia não é mais detectada pelos exames convencionais, técnicas mais sensíveis podem identificar pequenas quantidades de células leucêmicas.

Esse exame é chamado de Doença Residual Mensurável (MRD).

O resultado da MRD é uma das ferramentas mais importantes para avaliar a resposta ao tratamento e pode influenciar decisões como intensificar a terapia, indicar um transplante ou considerar outros tratamentos.

Você encontrará uma página exclusiva sobre MRD neste portal.

Estado geral de saúde
A equipe médica também avalia as condições gerais do paciente.

Problemas cardíacos, renais, hepáticos ou outras doenças podem influenciar a escolha dos medicamentos e a intensidade do tratamento.

O objetivo é oferecer uma terapia eficaz e, ao mesmo tempo, segura.

O tratamento pode mudar ao longo do tempo?

Sim.O tratamento da LLA é continuamente reavaliado.

Ao longo do acompanhamento, a equipe médica analisa os resultados dos exames, a resposta da doença e a ocorrência de efeitos colaterais.

Em algumas situações, pode ser necessário ajustar o plano terapêutico, trocar medicamentos ou indicar outras estratégias, como imunoterapia, terapia com células CAR-T ou transplante de células-tronco hematopoéticas.

Isso não significa que o tratamento anterior “falhou”. Muitas vezes, esses ajustes fazem parte do planejamento terapêutico e refletem uma abordagem personalizada.

Não compare seu tratamento com o de outros pacientes

É natural conversar com outras pessoas que também estão enfrentando a LLA. No entanto, é importante lembrar que cada paciente é único.

Diferenças como idade, subtipo da doença, alterações genéticas, resposta ao tratamento e condições de saúde fazem com que duas pessoas com o mesmo diagnóstico possam receber tratamentos completamente diferentes.

Por isso, evite comparar protocolos ou medicamentos. O tratamento que foi indicado para você foi escolhido com base nas características da sua doença e nas evidências científicas disponíveis.
• Quimioterapia
• Terapias-alvo
• Imunoterapia
• Terapia com células CAR-T
• Transplante de células-tronco hematopoéticas

O TRATAMENTO PODE MUDAR AO LONGO DO TEMPO?

Sim. O tratamento da LLA é continuamente reavaliado.

Ao longo do acompanhamento, a equipe médica analisa os resultados dos exames, a resposta da doença e a ocorrência de efeitos colaterais.
Em algumas situações, pode ser necessário ajustar o plano terapêutico, trocar medicamentos ou indicar outras estratégias, como imunoterapia, terapia com células CAR-T ou transplante de células-tronco hematopoéticas.

Isso não significa que o tratamento anterior “falhou”. Muitas vezes, esses ajustes fazem parte do planejamento terapêutico e refletem uma abordagem personalizada.

Não compare seu tratamento com o de outros pacientes

É natural conversar com outras pessoas que também estão enfrentando a LLA. No entanto, é importante lembrar que cada paciente é único.
Diferenças como idade, subtipo da doença, alterações genéticas, resposta ao tratamento e condições de saúde fazem com que duas pessoas com o mesmo diagnóstico possam receber tratamentos completamente diferentes.

Por isso, evite comparar protocolos ou medicamentos. O tratamento que foi indicado para você foi escolhido com base nas características da sua doença e nas evidências científicas disponíveis.

VIVENDO COM LEUCEMIA LINFOBLÁSTICA AGUDA

Receber o diagnóstico de Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) pode trazer muitas mudanças para a rotina e despertar sentimentos como medo, ansiedade e incerteza. Cada pessoa vivencia essa experiência de forma diferente, e não existe uma maneira “certa” de enfrentar esse momento.

Além do tratamento, cuidar da saúde emocional, manter uma rede de apoio e buscar informações confiáveis também fazem parte do cuidado.

Cuidando da saúde emocional

É comum sentir preocupação, tristeza ou ansiedade durante o tratamento.

Conversar com familiares, amigos, psicólogos ou grupos de apoio pode ajudar a enfrentar esse período. Caso esses sentimentos sejam intensos ou persistentes, informe sua equipe de saúde. O apoio psicológico faz parte do tratamento.

Trabalho e estudos

Algumas pessoas conseguem manter parte da rotina, enquanto outras precisam se afastar temporariamente.

A decisão depende da fase do tratamento, dos efeitos colaterais e da orientação da equipe médica. Respeitar os limites do próprio corpo é fundamental.

Família e amigos

Permita que as pessoas próximas participem do seu cuidado.

Aceitar ajuda para tarefas do dia a dia, consultas ou momentos difíceis pode tornar o tratamento menos desgastante para você e para sua família.

Fertilidade e planejamento familiar

Alguns tratamentos podem afetar a fertilidade.

Se esse assunto for importante para você, converse com seu médico o mais cedo possível. Em alguns casos, existem opções para preservação da fertilidade antes do início do tratamento.

Sexualidade

O tratamento pode provocar mudanças na disposição, na imagem corporal e na vida sexual.

Essas alterações costumam ser temporárias e variam de pessoa para pessoa. Não tenha receio de conversar com sua equipe médica sobre dúvidas relacionadas à sexualidade, contracepção ou planejamento familiar.

Após o tratamento

Mesmo quando o tratamento termina, o acompanhamento médico continua sendo importante.

As consultas de seguimento permitem monitorar a recuperação, identificar possíveis efeitos tardios e acompanhar a saúde a longo prazo.

Com o tempo, muitos pacientes conseguem retomar gradualmente suas atividades e seus projetos de vida.

Fertilidade e planejamento familiar

Alguns tratamentos podem afetar a fertilidade.

Sempre que possível, converse com seu médico sobre preservação da fertilidade antes do início do tratamento.

Durante o tratamento, também é importante discutir métodos contraceptivos adequados.

Você não está sozinho

O tratamento da LLA pode ser desafiador, mas você não precisa enfrentá-lo sozinho.

Conte com sua equipe de saúde, familiares, amigos e organizações de apoio ao paciente. Fazer perguntas, compartilhar dúvidas e buscar informações de qualidade pode ajudá-lo a participar ativamente das decisões sobre o seu tratamento.

E conte com o Instituto Espaço de Vida. Estamos aqui para caminhar com você.

Lembre-se

A LLA faz parte da sua história, mas não define quem você é.

Muitas pessoas conseguem retomar seus planos, redescobrir novos objetivos e construir uma vida plena após o tratamento. Cada etapa é única, e seguir um passo de cada vez pode tornar essa jornada mais leve.

Veja também:

Autor