Leucemia
Crianças e Adolescentes
Leucemias são cânceres que se originam na medula óssea, onde são produzidas as células do sangue. Na leucemia, células anormais passam a se multiplicar e podem prejudicar a produção normal de glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas.
Na infância, as formas agudas são as mais frequentes. A leucemia linfoide aguda (LLA) é a mais comum; a leucemia mieloide aguda (LMA) é menos frequente e reúne doenças biologicamente diferentes. A leucemia mieloide crônica (LMC) e a leucemia mielomonocítica juvenil (LMMJ) são raras.
• Agudas: evoluem rapidamente e exigem tratamento especializado. As principais são LLA e LMA.
• Crônicas: em geral têm evolução diferente das leucemias agudas. Na infância, a principal é a LMC.
• De origem linfoide ou mieloide: a classificação depende da célula da qual a doença se origina e de suas características biológicas.
• LLA: Leucemia Linfoide Aguda: a leucemia mais frequente na infância; pode ser de linhagem B ou T.
• LMA: Leucemia Mieloide Aguda: grupo heterogêneo de doenças com diferentes características genéticas e moleculares.
• LPA: Leucemia Promielocítica Aguda: subtipo de LMA com tratamento próprio e risco importante de alterações da coagulação.
• LMC: Leucemia Mieloide Crônica: rara na infância e mais frequente em adolescentes.
• LMMJ: Leucemia Mielomonocítica Juvenil: doença rara, principalmente em crianças pequenas.
A investigação costuma começar com hemograma e avaliação do sangue periférico. A confirmação e a classificação da leucemia geralmente exigem exame da medula óssea, imunofenotipagem e estudos citogenéticos e moleculares. Esses exames não servem apenas para dar o nome da doença: ajudam a definir o tratamento e a acompanhar a resposta.
Sintomas como febre, palidez, cansaço, hematomas, sangramentos, dor óssea ou aumento de gânglios podem ocorrer em muitas doenças da infância e não significam, por si só, leucemia. Quando existe suspeita, a criança deve ser avaliada rapidamente e, se necessário, encaminhada a um centro especializado.
Como o tratamento é escolhido
Não existe um único tratamento para todas as leucemias pediátricas. Mesmo dentro de uma mesma doença, duas crianças podem receber estratégias diferentes dependendo de:
• tipo e subtipo da leucemia;
• idade e características clínicas;
• alterações cromossômicas, genéticas e moleculares;
• quantidade de células leucêmicas ao diagnóstico;
• acometimento do sistema nervoso central ou de outros locais, quando presente;
• resposta ao tratamento inicial;
• doença residual mensurável (DRM), quando aplicável;
• risco de recaída;
• tratamentos já realizados, especialmente em recaída ou doença refratária;
• condições clínicas e possibilidade de transplante.
As páginas específicas explicam quais estratégias são relevantes para cada leucemia. Nem toda criança recebe todas as opções abaixo.
• Quimioterapia: medicamentos que eliminam células leucêmicas. Pode ser sistêmica ou, em situações específicas, intratecal.
• Terapia-alvo: medicamentos dirigidos a alterações ou proteínas específicas das células leucêmicas.
• Imunoterapia: usa mecanismos do sistema imunológico para reconhecer ou destruir as células da leucemia.
• Terapia CAR-T: modifica células T do próprio paciente para reconhecer determinadas células leucêmicas; é utilizada em situações específicas.
• Transplante de células-tronco hematopoéticas: estratégia intensiva usada em situações selecionadas.
• Radioterapia: hoje tem papel restrito e é reservada a situações específicas.
Diretrizes nacionais são importantes para o contexto brasileiro, mas a prática clínica em oncologia pediátrica também considera evidências internacionais, protocolos cooperativos, características individuais e a experiência do centro. Por isso, o portal apresenta primeiro o conhecimento clínico geral e, quando necessário, acrescenta uma caixa ‘No Brasil’ para explicar registro, SUS ou documentos do Ministério da Saúde.
Tipos de Leucemia
• Febre e infecções: siga exatamente o plano fornecido pela equipe. Durante períodos de neutropenia, febre pode exigir avaliação imediata.
• Alimentação: a equipe pode adaptar a alimentação conforme náuseas, mucosite, alterações do paladar e necessidades nutricionais.
• Náuseas e vômitos: existem medicamentos para prevenção e controle; avise a equipe quando forem persistentes.
• Dor: não é preciso esperar a dor ficar intensa. A equipe pode investigar a causa e ajustar o controle.
• Higiene e saúde bucal: cuidados individualizados ajudam a reduzir complicações, especialmente durante períodos de baixa imunidade.
• Vacinação: não deve ser decidida isoladamente. Algumas vacinas precisam ser adiadas ou ajustadas durante determinados tratamentos.
• Atividade física e brincadeiras: devem ser adaptadas à condição clínica e às orientações do centro.
• Escola: quando possível, manter vínculo com a escola e adaptar a rotina pode ajudar a preservar a sensação de continuidade.
A quantidade de informação deve ser adequada à idade e à capacidade de compreensão. Crianças costumam perceber que algo está acontecendo; explicações simples e honestas podem reduzir medo e fantasias. A equipe pode ajudar a preparar a criança para exames e procedimentos.
Irmãos também podem sentir medo, ciúme, culpa ou insegurança. Manter momentos de atenção individual e uma rotina previsível, quando possível, ajuda a família.
Ansiedade, tristeza, irritabilidade e medo podem aparecer na criança e nos cuidadores. Apoio psicológico, serviço social e outras formas de suporte podem fazer parte do cuidado integral.
• retorno à escola e atividades sociais;
• crescimento e puberdade;
• fertilidade;
• aprendizagem e desenvolvimento cognitivo;
• saúde cardíaca, óssea, pulmonar e hormonal conforme os tratamentos recebidos;
• saúde emocional;
• acompanhamento de efeitos tardios e sobrevivência a longo prazo.
A lista abaixo representa a base editorial desta revisão. As páginas devem ser atualizadas periodicamente, porque indicações regulatórias e recomendações clínicas podem mudar.
• National Cancer Institute (NCI/NIH). Childhood Acute Lymphoblastic Leukemia Treatment (PDQ®).
• National Cancer Institute (NCI/NIH). Childhood Acute Myeloid Leukemia Treatment (PDQ®).
• National Cancer Institute (NCI/NIH). Juvenile Myelomonocytic Leukemia Treatment (PDQ®).
• American Cancer Society (ACS). Treatment of Children with Acute Lymphocytic Leukemia (ALL).
• American Cancer Society (ACS). Treatment of Children with Acute Myeloid Leukemia (AML).
• American Cancer Society (ACS). Treating Childhood Leukemia; Chemotherapy for Childhood Leukemia; Immunotherapy for Childhood Leukemia; High-dose Chemotherapy and Stem Cell Transplant for Childhood Leukemia.
• Leukemia & Lymphoma Society (LLS). Materiais educativos sobre leucemias e cuidados de crianças e adolescentes.
• Ministério da Saúde. Leucemia Mieloide Aguda de Crianças e Adolescentes – Diretrizes Diagnósticas e Terapêuticas.
• Ministério da Saúde. Leucemia Mieloide Crônica de Crianças e Adolescentes – Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas.
• Ministério da Saúde. Leucemia Linfoblástica Aguda Cromossoma Philadelphia Positivo de Crianças e Adolescentes – DDT para mesilato de imatinibe.
• Ministério da Saúde/Conitec. Protocolo de Uso do blinatumomabe para LLA B derivada pediátrica em primeira recidiva medular de alto risco.
• Anvisa. Blincyto (blinatumomabe): nova indicação, publicada em novembro de 2024.
• Ministério da Saúde/Conitec. Diretrizes Diagnósticas e Terapêuticas em Oncologia.




