A LLA é a leucemia mais comum na infância. Ela começa na medula óssea a partir de células precursoras da linhagem linfoide e pode ser de linhagem B ou T. A doença pode atingir sangue, medula óssea e, em algumas situações, o sistema nervoso central ou outros tecidos.
• palidez e cansaço, relacionados à anemia;
• febre ou infecções frequentes;
• hematomas, manchas roxas ou sangramentos;
• dor óssea ou articular;
• aumento dos gânglios;
• aumento do fígado ou do baço;
• perda de apetite ou redução das atividades habituais;
• sintomas relacionados ao sistema nervoso central ou outros locais, em situações específicas.
• hemograma e avaliação do sangue periférico;
• aspirado e/ou biópsia da medula óssea, conforme a avaliação médica;
• imunofenotipagem para definir a linhagem B ou T;
• citogenética e testes moleculares;
• avaliação do sistema nervoso central, geralmente com punção lombar em momento definido pelo protocolo e pelas condições clínicas.
A estratificação considera idade, contagem de leucócitos, linhagem B ou T, alterações genéticas/moleculares, presença de doença no sistema nervoso central e, principalmente, a resposta ao tratamento, incluindo a doença residual mensurável quando disponível.
Quimioterapia
A quimioterapia combinada é a principal base do tratamento da LLA pediátrica. Em geral, é organizada em fases.
• Indução: busca alcançar remissão.
• Consolidação/intensificação: procura eliminar células leucêmicas que possam ter permanecido e reduzir o risco de recaída.
• Manutenção: em grande parte dos protocolos, mantém o controle da doença por período prolongado.
• Tratamento dirigido ao sistema nervoso central: a quimioterapia intratecal é usada para prevenir ou tratar a doença nesse local.
Principais classes e exemplos
Corticosteroides… prednisona ou dexametasona. Podem causar aumento da glicose e do apetite, alterações de humor, fraqueza muscular, hipertensão e maior risco de infecções.
• Alcaloides da vinca: vincristina. Pode causar neuropatia periférica, constipação e dor.
• Asparaginase: diferentes formulações são utilizadas conforme o protocolo. Pode causar reações de hipersensibilidade, alterações da coagulação, trombose, pancreatite, alterações hepáticas e aumento da glicose.
• Antimetabólitos: metotrexato, mercaptopurina, citarabina e tioguanina. Podem causar queda das células do sangue, mucosite, náuseas e alterações hepáticas.
• Antraciclinas: daunorrubicina ou doxorrubicina em alguns protocolos. Podem causar queda das células do sangue, mucosite, náuseas e toxicidade cardíaca, especialmente relacionada à dose acumulada.
Terapia-alvo - LLA Ph+
Quando a leucemia apresenta o cromossomo Philadelphia e a alteração BCR::ABL1, podem ser utilizados inibidores de tirosina-quinase. Imatinibe e dasatinibe são exemplos usados internacionalmente. No Brasil, existe DDT específica para LLA Ph+ de crianças e adolescentes, com uso de mesilato de imatinibe associado à quimioterapia.
Imunoterapia
Blinatumomabe é um anticorpo biespecífico que aproxima células T das células B leucêmicas. Pode ser utilizado em situações específicas da LLA B. A Anvisa possui indicação para LLA de células precursoras B, CD19 positiva e cromossomo Philadelphia negativo na fase de consolidação. No SUS, há protocolo específico para LLA B derivada pediátrica em primeira recaída medular de alto risco.
CAR-T
A terapia CAR-T modifica células T do próprio paciente para que reconheçam as células leucêmicas. Na LLA pediátrica, é uma estratégia especializada para situações específicas de doença B refratária ou em determinadas recaídas. O tisagenlecleucel possui registro da Anvisa para pacientes pediátricos e adultos jovens até 25 anos em situações definidas de LLA B.
Transplante
O transplante alogênico de células-tronco hematopoéticas não é necessário para todas as crianças com LLA. Pode ser considerado em determinados cenários de alto risco, resposta inadequada, doença refratária ou recaída, conforme a biologia da doença e a resposta ao tratamento.
Os efeitos dependem dos medicamentos e das fases do tratamento. Podem incluir queda das células do sangue, febre e infecções, sangramentos, náuseas, mucosite, queda de cabelo, alterações hepáticas, neuropatia, alterações metabólicas e, com alguns medicamentos, efeitos cardíacos ou de coagulação.
Quando a LLA não responde adequadamente ao tratamento inicial, é chamada de refratária. Quando volta depois de uma remissão, é chamada de recaída. As opções dependem do local da recaída, tempo desde o diagnóstico, biologia da doença e resposta ao novo tratamento. Podem incluir quimioterapia, imunoterapia, terapia-alvo, CAR-T e/ou transplante.
O acompanhamento pode incluir crescimento e puberdade, saúde cardíaca, óssea e hormonal, fertilidade, aprendizagem e memória, saúde emocional e outros possíveis efeitos tardios. O plano depende dos tratamentos recebidos.
