Classe terapêutica: Anticorpo biespecífico (BiTE®)
Principais indicações na LLA: LLA de células B CD19 positiva em situações específicas
Via de administração: Infusão intravenosa contínua
Aprovação Anvisa: Sim
O blinatumomabe é uma imunoterapia utilizada no tratamento de alguns pacientes com Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) de células B.
Ele foi um dos primeiros medicamentos a utilizar o próprio sistema imunológico para combater as células da leucemia e representou um importante avanço no tratamento da doença.
Hoje, pode ser indicado em diferentes momentos do tratamento, dependendo das características da leucemia e da resposta obtida com as terapias anteriores.
Para quem o blinatumomabe é indicado?
O blinatumomabe não é indicado para todos os pacientes com LLA.
Ele pode ser utilizado em situações como:
• quando a leucemia voltou após o tratamento (recaída);
• quando a doença não respondeu adequadamente ao tratamento inicial (doença refratária);
• quando ainda existem pequenas quantidades de células leucêmicas detectadas por exames muito sensíveis (doença residual mensurável – MRD);
• em alguns protocolos de tratamento inicial, conforme as indicações aprovadas e a avaliação da equipe médica.
Além disso, o medicamento é utilizado apenas em pacientes cuja leucemia apresenta uma proteína chamada CD19, encontrada na maioria dos casos de LLA de células B.
Como o blinatumomabe funciona?
O sistema imunológico possui células de defesa chamadas linfócitos T, responsáveis por identificar e eliminar células anormais.
Entretanto, as células da leucemia conseguem, muitas vezes, escapar dessa vigilância.
O blinatumomabe aproxima os linfócitos T das células da leucemia, facilitando seu reconhecimento e destruição.
Em outras palavras, ele ajuda o próprio sistema imunológico a localizar e atacar as células doentes.
Como o tratamento é realizado?
O blinatumomabe é administrado diretamente na veia.
Diferentemente da maioria dos medicamentos oncológicos, ele é administrado de forma contínua, por meio de uma bomba de infusão que libera o medicamento durante vários dias.
Nos primeiros dias do tratamento, muitos pacientes permanecem internados para monitoramento, pois algumas reações podem ocorrer no início da infusão.
Depois desse período, dependendo da evolução clínica e da estrutura do serviço de saúde, parte do tratamento pode ser realizada em regime ambulatorial.
Quais são os efeitos colaterais mais comuns?
Os efeitos colaterais variam de uma pessoa para outra.
Os mais frequentemente observados são:
• febre;
• dor de cabeça;
• fadiga;
• tremores;
• náuseas;
• diminuição das células do sangue;
• infecções.
A equipe médica acompanha o paciente de perto durante todo o tratamento para identificar e tratar precocemente qualquer complicação.
Quais efeitos colaterais exigem atenção imediata?
Embora muitas pessoas façam o tratamento sem complicações graves, alguns efeitos precisam de avaliação médica imediata.
Síndrome de liberação de citocinas
É uma reação causada pela intensa ativação do sistema imunológico.
Pode provocar:
• febre alta;
• calafrios;
• queda da pressão arterial;
• dificuldade para respirar.
Alterações neurológicas
Em alguns pacientes podem ocorrer:
• dificuldade para falar;
• confusão;
• tremores;
• sonolência excessiva;
• alterações do equilíbrio;
• convulsões (raramente).
Esses sintomas devem ser comunicados imediatamente à equipe médica.
Como é feito o acompanhamento?
Durante o tratamento, a equipe médica realiza avaliações frequentes para acompanhar:
• a resposta da leucemia ao tratamento;
• a contagem das células do sangue;
• possíveis infecções;
• alterações neurológicas;
• outros efeitos colaterais.
Em alguns pacientes, também são realizados exames para avaliar a doença residual mensurável (MRD).
Vou precisar ficar internado?
Na maioria dos casos, sim, pelo menos nos primeiros dias do primeiro ciclo, para monitoramento e segurança.
Referências
• American Cancer Society (ACS)
• National Comprehensive Cancer Network (NCCN)
• American Society of Hematology (ASH)
• European Hematology Association (EHA)
• Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
• European Medicines Agency (EMA)