Foto: Américo Nunes

Aos 61 anos, casado e pai de três filhos, José conta como é o seu dia a dia de luta contra o câncer renal.

Com um sorriso fácil e uma fala leve e esperançosa. Esse foi o senhor José durante toda a entrevista. Aos 55 anos, ele foi diagnosticado com câncer renal e conta como é o seu dia a dia contra essa doença.

“Fui diagnosticado no início de março de 2010, em um exame de rotina, anual, com Dr. Fernando Raposo, clínico geral em Recife. Fiz a ultrassonografia do abdômen e acusou o câncer. Decidi fazer logo a cirurgia, bem como o acompanhamento e tratamento. Sem a minha família, mulher e filhos, eu não teria forças para lutar”.

Advogado e gestor de Captação de Recursos de entidade social que cuida de crianças, José diz que após 10 dias da cirurgia, voltou a trabalhar.

“Com o incentivo da minha família e médicos voltei a trabalhar. O trabalho é e foi terapêutico desde o meu diagnóstico. Minha assistente, prestativa, me ajuda sempre, e ainda coloca água sistematicamente para eu não esquecer de beber”.

Medo…insegurança…prazo curto de vida… o que fazer…..essas e milhares de outras dúvidas e sentimentos passaram por sua cabeça. É normal que uma pessoa fique com receios, questionamentos sobre o futuro, porém se abastecer com muito amor da família, pensamentos positivos e de informação confiável é essencial para afastar esses pensamentos ruins.

“Procuro não me vitmizar, mas sei que acabo sendo o centro de todas as atenções e cuidados no meio familiar e até com amigos próximos. Sou poupado de notícias ruins e tristes. Por mais clichê que seja, é fundamental o carinho, cuidados, compreensão e paciência”.

José está em tratamento há seis anos e afirma que a fase mais difícil para ele e sua família foi o impacto inicial, o diagnóstico. 

A descoberta do câncer mexeu com todos, porém senti e sofri bastante com os efeitos colaterais dos medicamentos. É muito difícil! Afinal, são seis anos de convivência com a doença e de luta, completados agora, em 10/03”.

Questionado sobre a sua alimentação e se teve alguma mudança drástica no cardápio do dia a dia, ele explica que no início mudou drasticamente por conta dos receios do futuro incerto.

“Tenho uma filha nutricionista, que foi e tem sido fundamental no meu acompanhamento, mas ressalto que tenho alimentação normal e que naturalmente tomo todos os cuidados com controle de sal, gorduras e etc. O importante tem sido a regularidade na alimentação, o que em alguns períodos fica difícil, pela inapetência decorrente dos medicamentos.”

Quem conhece o José e o vê hoje em dia, percebe o quanto ele mudou desde o seu diagnóstico. E não é só a questão de alimentação não. Ele mudou como pessoa e removeu da sua vida tudo aquilo que lhe fazia mal.

“Mudei muito. Estou menos estressado. Sem fazer de pequenos problemas, grandes problemas. Procuro efetivamente viver os momentos. Tornei-me mais sensível e atencioso com a vida, a natureza, e o que efetivamente vale a pena. Prezo mais as amizades, sou mais solidário e ajudo muito as pessoas. Ofereço conforto a quem vivência problemas que efetivamente mereçam atenção”.

Durante a fase da quimioterapia, realizada em São Paulo, José diz que foi um ciclo novo, de novas amizades, e conseguiu, por meio da sua fé e bondade, fortalecer as pessoas que estavam passando pela mesma situação que ele, com palavras positivas e de esperança.

Em algum momento você pensou em jogar tudo para o alto e desistir?

“Não, nunca. Minha família, amigos e médicos nunca deram espaço para esse posicionamento. Meu tratamento é muito humanizado e de resultados muito positivos. Uma benção de Deus ter conhecido o Dr. Fábio Schultz, com sua leveza e doçura. Tornou-se um amigo médico. Isso é muito terapêutico. Aliás, todo o ambiente hospitalar, médico, é fundamental, não só com relação às técnicas e medicamentos, mas a interação com o paciente”.

Atualmente, o advogado está no sexto ano do tratamento e na terceira fase. Nesse tempo, ele passou por duas fases e medicamentos diferentes.

Dia 11 de março iniciei no Hospital São José, em São Paulo um novo tratamento com o medicamento: imunoterapia (nivilumab), por meio do Centro de Pesquisa do São José, tornado possível com a interferência do Dr. Fábio, através de termo de Uso Compassivo. Estou muito confiante”.

“Minha mensagem para todas as pessoas que enfrentam o câncer assim como eu é: Tenham Fé! Essa palavrinha mágica, que “move montanhas”, e ajuda na disciplina do tratamento. Como me orientou Dr. Fábio nas consultas iniciais, fuja principalmente de curas milagrosas constantes na internet. Se apeguem a Deus, sem o fanatismo do desespero do momento de vida. Não se culpem. Não busquem respostas por ter adoecido, apenas sigam o tratamento, tenham fé em Deus, e digam não ao desespero e a fraqueza”.

  • Pode me chamar de Ju. Jornalista, paulistana nata e balzaquiana. Apaixonada pelo comportamento humano e não dispenso um abraço demorado. Acho que toda história (boa ou não) merece ser contada. Amorosa, sonhadora e chorona. Quer me ganhar? Basta falar sobre o amor.

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