Por Elfriede Galera

Pertenço a um grupo de mulheres que celebram a VIDA a cada minuto, não cantam vitórias de cura e poucos falam sobre elas.
Mulheres que muitas vezes são discriminadas e julgadas por não terem fé, por terem abandonado a luta.

Sou Elfriede Galera, 62 anos, aposentada da área de comércio exterior, artista plástica e velejadora. Casada com Jadyr Galera e tenho dois filhos: Nicole hoje com 27 anos e Patrick com 22 anos. Fui diagnosticada em 2010 com câncer de mama metastático HER2+ (um tipo de câncer de mama um pouco mais agressivo).

No momento do diagnóstico solicitei ao médico toda a verdade sobre o meu estágio, pois a vida me pertencia e por alguns segundos o “mundo despencou”.  Respirei fundo e pensei: realmente não tenho muitas opções, então optei por viver e viver com qualidade.

Contei para todos sobre meu estado,  prometendo lutar e que no final tudo ficaria bem. Foi aí que percebi como vivemos numa sociedade despreparada para os momentos mais sublimes da vida… Todos diziam, você não pode falar assim, que já está com metástase, que o câncer já se espalhou!

Durante esses anos passei pelos mais severos tratamentos contra o câncer de mama e mesmo assim realizei muitos sonhos como a formatura da minha filha, o vestibular do meu filho e colocar no mar o veleiro que construí com meu esposo de 1988 até 2014.
Faço todo meu tratamento pelo SUS, (Hospital Pérola Byington) meu hospital é meu grande “Pote de Vida” onde há cada 21 dias vou pegar mais um punhadinho e continuar o grande jogo da vida.

Sou muito ativa, super informada sobre o meu tratamento, sobre o câncer de mama, bem como sua possível evolução. Sou rigorosa quanto ao tratamento, exames e consultas, e ajudo/apoio outras pacientes a enfrentarem esse grande desafio da vida, disseminando também informações de qualidade e ainda sobra tempo para palestras sobre a minha vida, construção do veleiro e o meu diagnóstico de câncer de mama.

O mais difícil é ser uma sobrevivente do SUS, já usei todos os medicamentos disponíveis do rol e para continuar o maravilhoso jogo da vida dependo de ação judicial.  Hoje, estou trabalhando no novo projeto do veleiro para subir a costa brasileira e quem sabe ir até o Caribe. É um sonho que eu tenho certeza que vou realizar.

  • Pode me chamar de Ju. Jornalista, paulistana nata e balzaquiana. Apaixonada pelo comportamento humano e não dispenso um abraço demorado. Acho que toda história (boa ou não) merece ser contada. Amorosa, sonhadora e chorona. Quer me ganhar? Basta falar sobre o amor.

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