Nossa coluna Páginas da Vida deste mês está AZUL! Até o final do mês teremos histórias de homens de diferentes idades que lutam ou lutaram contra o câncer de próstata.

Hoje, vamos conhecer um pouco o Edgard, de 64 anos, que venceu uma batalha contra o câncer de próstata, e hoje enfrenta mais um inimigo: câncer de pâncreas.

* Como e quando você descobriu o diagnóstico?
Meu pai já havia falecido em virtude desse câncer e meu irmão mais velho estava bastante doente em decorrência desse mesmo tumor. Inclusive vindo a falecer rapidamente. Esse meu irmão me “perturbava” para que eu fizesse os exames, porém o PSA dava normal para a idade. Estava nessa oportunidade com 51 anos. Porém fui fazer uma Biópsia da Próstata que deu o resultado de positivo para o CA. Você pode imaginar como ficamos diante de tudo isso que estava acontecendo, sentimento de medo, insegurança! Em seguida fiz a prostatectomia radical e 40 sessões de radioterapia.

* Como foi receber o diagnóstico? Quais foram os primeiros pensamentos, sentimentos e sensações a respeito?
Esse período foi terrível mesmo. Muitas dúvidas a respeito e pouca possibilidade de obter maiores informações. Os parâmetros que possuíamos era da morte dos pacientes somente.

* Na época do diagnóstico, você sentiu falta de alguma informação ou suporte? Qual? De quem?
Fiquei totalmente perdido. Qual o melhor tratamento? Quais as sequelas dos tratamentos? O que fazer e quando fazer? Mas tive a sorte de ter um médico que me ajudou bastante e recomendou fazer a cirurgia o mais breve possível.

*Em algum momento você pensou em jogar tudo para o alto e desistir?
Não graças a Deus. Por pior que fosse o tratamento eu poderia me curar. Repetia para mim e para minha família sempre: Eu quero viver!

* Em relação ao tratamento. Por favor, conte tudo que aconteceu, desde o momento que recebeu o diagnóstico até hoje.
Fiz a cirurgia e depois a radioterapia. Alguns anos depois tive alguns efeitos da Radioterapia, como retite actínica e fui obrigado a fazer algumas intervenções cirúrgicas no intestino. A retite actínica é observada em até 20% de pacientes submetidos a radioterapia pélvica para o tratamento de tumores como o câncer de próstata e de útero. Cinco por cento desses pacientes irão desenvolver forma grave da doença com sangramento retal intenso que muitas vezes requer transfusões sanguíneas.

*De todo o tratamento: qual foi a fase mais difícil para você e sua família?
Tudo foi bastante difícil, porém os meus familiares sempre me apoiaram bastante e isso é o que importa! Família é a base de tudo.

* Houve algo que fazia parte da sua rotina e que atualmente não faz mais? Por quais razões?
Não, mas tenho que administrar as sequelas decorrentes de todo o tratamento realizado.

* Como era o Edgard antes do diagnóstico e como é o Edgard agora? O que mudou?
Estou muito mais consciente de algumas realidades da Vida. Quando se é diagnosticado com câncer várias coisas que já sabíamos, porém distante, passam a fazer parte da nossa vida mais intimamente. Não mencionei antes, mas estou tratando de um novo Câncer, desde Junho de 2015, que é do Pâncreas. Já fiz cirurgia e quimioterapia.

* Como você imagina a sua vida daqui para frente?
Boa, com certeza. Enquanto eu consegui detectar precocemente e me tratar dessas doenças, com certeza vou continuar tendo uma ótima qualidade de vida e viver muitos e muitos anos ao lado da minha família.

* Deixe uma mensagem para todas os homens que enfrentam ou já enfrentaram o câncer de próstata.
Ter fé sempre! Lutar e acreditar. Eu já estou no terceiro câncer e estou lutando. Por pior que seja o tratamento, faça! Não tenha medo. Não acredite em remédio caseiro ou tratamento fabuloso, tudo deve ser acompanhado por um médico.

  • Pode me chamar de Ju. Jornalista, paulistana nata e balzaquiana. Apaixonada pelo comportamento humano e não dispenso um abraço demorado. Acho que toda história (boa ou não) merece ser contada. Amorosa, sonhadora e chorona. Quer me ganhar? Basta falar sobre o amor.

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