Tal Pai, Tal Filha. Assim é Maurício e Larrisa. Parecidos e unidos. Confira a homenagem simples, porém repleta de amor que Larrisa fez para seu pai, diagnosticado com acromegalia, uma doença crônica e rara:

“Falar do meu pai é como eu olhar para o espelho e falar de mim mesma porque somos muito parecidos no jeito de ser. É também falar de superação, coragem e exemplo. Depois de tantas situações difíceis vividas, de tantos choros escondidos e preocupações silenciosas, nós enfrentamos a luta de um jeito quieto, sem se abater e se agarrando a cada fio de esperança que encontrávamos. Fui influenciada desde criança a nunca depender de alguém e sempre a alcançar meus objetivos por conta própria, a não me deixar abater por coisas que não mereciam atenção e, principalmente, os valores educacionais que este, é o nosso maior patrimônio e com certeza passarei tudo que aprendi com eles para meus filhos. Expressar o que uma pessoa significa para nós um tanto difícil, pois nunca conseguimos transmitir nosso sentimento de amor apenas com palavras. Mas com exemplos simples, tentarei o máximo trazer o que meu coração sente com alguns exemplos de apenas dois lados de sua personalidade. Um é o lado alegre, é o divertido com brincadeiras, piadas, sorriso largo, é o que gosta de surpreender com alguns bombons e presentes simples de urso de pelúcia o que mostra seu lado amoroso e sempre tentando agradar a mim e minha mãe. É o gosto pela culinária paraense, a atenção que dá para a família sempre ligando para os irmãos que moram longe. É o som de blues e Beatles na sala, o violão e o bongo que mesmo sem saber tocar, arranha com acordes desconexos e ao mesmo tempo faz com que o ritmo do balançar dos pés fique harmonioso com a música e o gosto pela pimenta que ele me influenciou só de apenas vê-lo colocando na comida. O outro jeito é o sério, é o preocupado com os mesmos sermões que todos pais dão sobre cuidados na rua, é o nervosismo diante de situações ruins, a ansiedade quando quer algo, é seu interesse pela leitura, as orações feitas de madrugada de joelhos, as visitas de pessoas necessitadas, seu amor por Deus e os livros que eu vivia cercada desde criança que são sem dúvidas, umas das maiores lembranças e admirações que levarei para o resto da vida. Nós não somos uma família perfeita. Nenhuma é. Como disse no início, nós somos muito parecidos e isso às vezes gera conflito quando nós dois estamos de mau humor. É como se cada um ficasse no seu canto e trocássemos palavras curtas e diretas. Quando soubemos dessa doença rara, ficamos assustados, mas não nos deixamos abater. Vi ele ser resistente nessa fase delicada, vi sua face preocupada, mas sequer ouvi ele questionar para Deus o porquê de isso ter acontecido. Claro que em seu conflito interno deve ter ficado confuso, com medo, mas posso afirmar que ele não perdeu a força e a fé de que independente do resultado final da cirurgia “Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.”  1 Tessalonicenses 5:18

Eu só tenho a agradecer ao meu pai por tudo que me ensinou e me ensina até hoje. E por só de vê-lo vivo e bem em casa, eu agradeço a Deus por nos ensinar que a cada fase que enfrentamos, Ele nos ajuda mesmo não sendo merecedores de Sua misericórdia. Nos fez unir como família e a nos entendermos em nossas diferenças. O que mais posso dizer somente vai ser com abraços apertados de gratidão. Obrigada, pai”.

  • Pode me chamar de Ju. Jornalista, paulistana nata e balzaquiana. Apaixonada pelo comportamento humano e não dispenso um abraço demorado. Acho que toda história (boa ou não) merece ser contada. Amorosa, sonhadora e chorona. Quer me ganhar? Basta falar sobre o amor.

Veja também: