“Meu diagnóstico não foi precoce, foi sorte.  Eu sabia que deveria ter algo errado, pois eu tinha uma vida muito boêmia. Hoje sou um novo homem e priorizo a qualidade de vida! ”

Nosso personagem do Páginas da Vida deste mês é o jovem Breno! Simpático, extrovertido e feliz. Essas foram minhas primeiras impressões logo quando bati o olho nele em nosso primeiro contato, na cidade de Fortaleza.

Breno foi diagnosticado com câncer renal grau IV em fevereiro de 2016, por conta de exames de rotina. Ele decidiu ir ao clínico geral depois de ver uma matéria na televisão sobre doenças que podem ser prevenidas. Aos 31 anos, querendo cuidar da sua saúde para evitar problemas futuros como diabetes, obesidade e hipertensão, resolveu marcar uma consulta e fazer um check-up completo (realizou hemograma completo, depois o médico detectou que tinha algo errado e solicitou ultrassom de abdômen, tomografia e ressonância magnética).

E foi assim, querendo se prevenir de doenças e sem nenhum sintoma, que Breno foi diagnosticado com câncer renal.

“Como ninguém da minha família teve câncer, achei que não corria nenhum risco. Era algo muito distante da minha vida. Porém, mesmo sem sintomas e não sentindo dor alguma, recebi o diagnóstico do câncer renal, dois dias antes do carnaval, época que mais gostava do ano”.

Depois do susto, preocupações e receios, ele decidiu encarar o câncer e fazer tudo que estava ao seu alcance para se curar.

“Fui encaminhado para o urologista. O médico me disse que o primeiro passo seria fazer a cirurgia o mais rápido possível. Não tinha metástase, porém já estava em um nível agressivo, em torno de 6 cm. Foi realizada a nefrectomia parcial no mesmo mês do diagnóstico: fevereiro”.

Em pouco tempo, Breno já estava recuperado. Não teve nenhum efeito colateral e não precisou tomar medicamento. Digamos que ele teve sorte, já que a maioria das pessoas diagnosticadas com câncer renal sofrem com os efeitos colaterais do tratamento e precisam, durante algum tempo, tomar remédio.

“Atualmente, faço acompanhamento 2 vezes por ano. No mês de novembro, tive primeiro acompanhamento, após a cirurgia”.

Breno conta que nunca quis pesquisar sobre a doença para não prejudicá-lo psicologicamente. Seu companheiro e mãe também não procuraram na internet ou por outros meios de informações sobre o câncer renal.  

“O que me ajudou muito foi que desde o início o meu médico me tranquilizou, me passou segurança e, consequentemente, fiquei mais confiante, acreditando muito que tudo terminaria bem”.

A rotina segue praticamente a mesma. Após a recuperação da cirurgia, ele retomou ao trabalho e faculdade. Colocou sua alimentação como prioridade. De acordo com Breno, depois do susto que levou, percebeu que não dá para continuar com hábitos alimentares ruins, como comer lanches todos os dias, refrigerantes e doces.

Nosso entrevistado ressaltou a importância de melhorar o SUS no Brasil, pois muitas pessoas descobrem o diagnóstico precoce, mas devido à demora do atendimento e tratamento o câncer acaba ficando avançado, intensificando o problema de saúde.

“Deveriam existir mais campanhas em TV e rádio conscientizando a população da importância de se cuidar, de cuidar do seu rim para prevenir a doença. Todos deveriam saber a importância de fazer o check-up anual. As pessoas estão negligentes da própria vida. E isso precisa ser a primeira coisa a ser mudada” finaliza Breno.

  • Pode me chamar de Ju. Jornalista, paulistana nata e balzaquiana. Apaixonada pelo comportamento humano e não dispenso um abraço demorado. Acho que toda história (boa ou não) merece ser contada. Amorosa, sonhadora e chorona. Quer me ganhar? Basta falar sobre o amor.

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