Jovem, paulista e mãe de cinco filhos. Fernanda é um exemplo de que é possível ser feliz mesmo com diagnóstico de câncer.  Aos 34 anos, e no sexto mês de gravidez, deu a volta por cima, e por onde passa, transmite alegria e vontade de viver.

Ela fez de uma história triste, onde a maioria das pessoas só enxerga a morte como solução, um final feliz.  De repente, sua vida mudou da água para o vinho, e com muita fé soube virar o jogo. Infelizmente, toda a alegria pela chegada do seu quinto filho, foi interrompida pelo diagnóstico de câncer de mama.

“Um dia chegando da rua, deitei no sofá, como sempre fazia, e o sutiã estava me incomodando. Senti uma dor na lateral do seio esquerdo. Ao apertar senti uma bolinha que logo acreditei ser nódulo de gordura, afinal até onde tinha ouvido falar câncer não doía! Aham…. fui ao pronto atendimento da maternidade e a médica me pediu uma ultra. No dia da ultra senti muito medo, pânico. O médico primeiro viu o cisto e isso me tranquilizou.. depois não disse nada e escreveu ao lado do cisto, nódulo. Perguntou o dia que teria uma nova consulta, e que eu não poderia faltar de jeito nenhum. Entrei em pânico. Saí da sala de exames, meu marido estava ao telefone, minha filha mais nova junto.. sentei longe deles e a vontade de chorar era grande. Fui à consulta com o mastologista, que solicitou uma punção. Depois do exame, marquei consulta com outra médica. Ele me perguntou um monte de coisas e principalmente, quis saber meu histórico familiar e o que eu sentia ao tocar o seio.. Pela minha descrição ela achou que fosse algo relacionado a gestação. Partimos para o exame clínico. Ela examinou tudo, os seios, pescoço, clavícula, axilas. Percebi pela cara dela que algo estava acontecendo… Aí ela veio conversar comigo, tentando da melhor maneira possível fazer com que eu não ficasse nervosa, afinal estava grávida de quase seis meses. Ela disse que tudo o que eu sentia era verdade, e que o nódulo estava crescendo rápido. Perguntei se era câncer, ela disse que não poderia dar certeza, só com os exames. Incrivelmente fiquei calma. Ela me disse que se fosse, poderia fazer tanto a cirurgia, quanto o tratamento, durante a gestação. Depois disso fiz a biópsia, a mamografia e mais uma ultra. Nessa fase já sentia muita dor no seio. A mamografia me judiou demais. No dia 27/04/2015, peguei os resultados dos exames que confirmavam que eu estava com carcinoma ductal invasivo grau III.”

Fernanda teve medo de morrer, e nessa hora, quando se viu chorando em seu banheiro, sozinha e sem chão, decidiu levantar a cabeça e vencer. Escolheu acreditar no tratamento e na cura. Descobriu na doença, uma nova mulher – que estava há muito tempo perdida.

O primeiro passo foi contar para a família e amigos. Publicou um texto no Facebook, explicando o diagnóstico, e como esperado, recebeu mensagens de apoio e otimismo.

“Decidi, naquele momento que não deixaria que o câncer tomasse conta da minha rotina, da minha vida, da minha saúde. Faria o que deveria ser feito, contanto que minha Mariana, ainda na minha barriga, nada sofresse. Fiz um post no mesmo dia, e pela minha postura só recebi mensagens de apoio e otimismo. Câncer não é sentença de morte. Mesmo no meu caso, que tive o triplo negativo, em estágio avançado e com alto índice de proliferação.”

“Encarei a retirada da mama com humor, tirei fotos, e não me entreguei. Fiz uma página pra manter os amigos e família atualizados sobre o processo, e me surpreendi quando vi que apenas cerca de 20% das pessoas que me seguiam, eram meus amigos.”.

Fernanda passou a ser uma referência, para muitas pessoas que sofrem com essa doença. Hoje, a Fernanda já não é a Fernanda, é uma personagem pública que as pessoas seguem e usam como exemplo.

“Minha Mariana, fadinha, nasceu dia 07/07/2015. Após o nascimento entrei numa espécie de depressão, pois sentia que minha protetora, meu escudo, que estava na minha barriga não estava mais, entrei em pânico, com medo do futuro e de morrer e deixar meus filhos sozinhos.”

“Hoje, melhorei. E eu digo: permita-se curtir uma deprê, seja ela pelo motivo que for. Dê um tempo para que seu corpo e seu espírito se acostumem com a nova realidade, mas não se deixe dominar. Procure ajuda se achar que não consegue sozinha, não é sinal de fraqueza procurar ajuda, e sim de consciência. Levante a cabeça e encare o problema de frente, porque onde quer que vá ou faça ele continuará ali e você um dia terá que enfrentar. Metade da cura dos nossos problemas está em nossa cabeça, naquilo que emanamos para o universo, naquilo que acreditamos.”

Recentemente, esse exemplo de mulher e determinação, realizou um sonho, finalizando sua última quimioterapia, no Hospital São Cristovão, em São Paulo.

“A Fernanda da primeira quimio estava diante de um futuro incerto e desconhecido. A Fernanda de hoje levou porrada demais durante o tratamento, e aprendeu que a força interior era muito maior que imaginava. Hoje, sou uma pessoa mais forte, mais evoluída e que sabe que ainda tem muita coisa pra aprender e viver. Descobri que diferente do que eu imaginava, eu consigo cuidar de uma recém-nascida, mesmo após uma quimioterapia e seus efeitos. E que eu posso ser feliz sim, mesmo careca, com cara de tartaruga, gordinha e por aí vai. O mais importante eu já tenho: MINHA VIDA!”

**

Fernanda tem uma FanPage no Facebook, onde compartilha suas experiências e sua vida.

Confira a página “Eu, a gravidez e o Câncer de Mama

 

  • Pode me chamar de Ju. Jornalista, paulistana nata e balzaquiana. Apaixonada pelo comportamento humano e não dispenso um abraço demorado. Acho que toda história (boa ou não) merece ser contada. Amorosa, sonhadora e chorona. Quer me ganhar? Basta falar sobre o amor.

Veja também: