Vida Sexual x Câncer

Vida Sexual x Câncer

A sexualidade provavelmente será última questão abordada após um diagnóstico de câncer.  Entretanto a manutenção de uma vida sexual saudável, na frequência e intensidade quanto seja possível, é um indicador de vitalidade, e traz inúmeros benefícios para o indivíduo e para o casal.

Quando falamos em sexualidade estamos tratando de aspectos biológicos, psicológicos e sociais.  Ou seja, estamos falando do prazer físico, psicológico, e de como exercemos nosso papel sexual na sociedade.  Por isso qualquer mudança, principalmente em nosso físico, influenciará consideravelmente nossa forma de nos ver e nos perceber.

Das alterações fisiológicas (hormônios, incontinência, alteração de peso), dos efeitos colaterais do tratamento (náuseas, fadiga, dores, alopecia), chegando até as alterações anatômicas (retirada total ou parcial de mama, pênis) -  todas estas condições abalam equilíbrio e funcionamento do organismo.

Acrescenta-se a estas dificuldades, a forma que a sociedade impõe sobre como obter prazer e a cultura do “corpo perfeito”.  Este contexto apenas dificulta o retorno a uma vida sexual ativa e saudável para o paciente com câncer e seu(sua) parceiro(a).

O prazer está associado a visão, aceitação e satisfação consigo, e com a imagem e relação deste corpo com um outro corpo.  É inegável que será necessário se reconhecer após os inúmeros tratamentos invasivos, cirurgias, medicações com efeitos colaterais significativos.  É natural que haja mudanças no funcionamento deste novo organismo.

Mas assim como se aprendeu uma vez sobre as melhores maneiras de exercer sua sexualidade, será importante reaprender como sentir prazer, como proporcionar prazer e voltar a investir numa vida sexual saudável.

Muitas vezes será necessário obter auxilio profissional tanto para as questões físicas quanto para as questões psicológicas.  Será necessário fazer as pazes com esse novo corpo. Seja ele com alterações ou não. Cabe lembrar aqui que mesmo sem nenhuma doença a sexualidade é um grande tabu para muitas pessoas, então é um momento realmente delicado e que precisa ser cuidadosamente desenvolvido.

Para iniciar seu processo de redescoberta, seguem algumas dicas:

ü  O medo do primeiro contato com seu próprio corpo após todas as intervenções é comum e natural.  Permita-se se redescobrir.

ü  Relaxar é o primeiro objetivo – você pode ouvir música ou assistir a um filme.  A ideia inicial não é fazer sexo, mas sim ter momentos prazerosos.

ü  Precisamos também garantir suas condições físicas – questione seu médico sobre quando estará liberado(a) para a atividade sexual.  Pode ser que você precise de algum medicamento, lubrificantes ou qualquer outro artifício que lhe traga segurança, evite a dor e lhe tranquilize para o momento.  Pergunte ao médico e entenda o máximo possível sobre os efeitos do seu tratamento em sua sexualidade.

ü  Se ficar mais confortável pode iniciar sozinho(a).  Olhar e acariciar seu próprio corpo lhe trará mais confiança para um relacionamento a dois.  Muitas vezes aprendemos que a masturbação é proibida, errado ou vergonhosa. Entretanto é um comportamento sexual extremamente adequado para o proposito de conhecer melhor seu corpo.  Claro que devemos respeitar as convicções religiosas e pessoais de cada pessoa. O importante é você se sentir bem.

ü  Em estando acompanhado(a) lembre-se que o principal não é o ato sexual, mas sim a redescoberta do prazer.  Portanto abuse dos beijos, das caricias, do contato.

ü  A conversa entre o casal será a chave principal de todo o processo.  Respeite seus limites, respeito o limite do outro. Conversem sobre o que mais excita, o que pode gerar desconforto ou dor, posições, momentos mais adequados para a intimidade.  Descubram novas zonas de prazer juntos.

ü  Não deixe de informar a seu médico sobre qualquer tipo de dor ou desconforto.

Por último é importante lembrar que nossas habilidades sexuais foram aprendidas, portanto podem ser adaptadas, reaprendidas e inclusive corrigidas.  Por vezes será adequado buscar por auxilio de um terapeuta sexual por exemplo.

O mais importante é que você possa perceber que embora haja mudanças em seu corpo, você não se restringe a isso.  Há além de um corpo uma pessoa com sensações, sonhos, desejos, fantasias. É um processo que gera ansiedade e medo sim, mas com um pouco de perseverança, dedicação e se necessário ajuda profissional, você conseguirá superar e retomar uma vida sexual ativa e satisfatória.

Erika Scandalo

Erika Scandalo

Especialista em Psicologia Clínica, escreve sobre a vida e diferentes formas de aproveitá-la.  Acredita que a felicidade é consequência de uma visão proativa sobre as dificuldades.  Ser feliz é mais um olhar sobre o que se tem, do que ter tudo o que se quer. Site: www.erikascandalo.com.br

  • IKCC - International Kidney Cancer Coalition
  • World Ovarian Cancer Day
  • WAPO - World Alliance of Pituitary Organizations
  • The Carcinoid Cancer Foundation
  • Alianza GIST
  • The Life Raft Group

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