Cuidar e ser cuidado

Cuidar e ser cuidado

Embora tenhamos patologias e necessidades diferentes, há uma condição que está presente em todas as situações de cuidados com uma pessoa doente – a relação entre cuidador e paciente.

Essa é uma relação fundamental para o tratamento e a recuperação do paciente, mas muitas vezes é permeada por conflitos e dificuldades.

Com o objetivo de tornar esse vínculo mais harmônico e produtivo, vamos pensar nos dois lados dessa mesma moeda e conferir algumas dicas:

 

O cuidador

O grande objetivo de ter uma pessoa acompanhando o doente é proporcionar a ele maior segurança e conforto, mas preservando sua autonomia.

a) A sensação de não ter domínio sobre sua própria vida é um dos principais motivos que irritam o paciente.  

Dica 1:  O cuidador deve auxiliar o paciente, mas não deve fazer por ele o que ele pode realizar.  O protecionismo muitas vezes irrita o paciente mais do que o ajuda.

 

b) Muitas vezes a sensação de impotência, o medo relacionado a doença, fazem com que o paciente e o próprio cuidador não consigam manter o equilíbrio emocional, ficam mais sensíveis, irritadiços, emotivos... toda essa alteração de humor pode gerar conflitos que dificultarão a relação.

Dica 2: Quando perceber que os ânimos estão alterados, evite a discussão – saia do ambiente, vá respirar ar puro – volte após se acalmar.  Para se acalmar respire fundo pelo menos 10 vezes, se concentre no objetivo de você estar ali, e tente compreender que as alterações de humor são normais para uma pessoa que se sente dependente das outras.  Ignore palavras ditas nos momentos de descontrole.

 

c) Por vezes é necessário conscientizar o paciente sobre o tratamento, medicações, etc.  Esse tipo de conversa deve se restringir a um ou dois momentos no dia, pois esses assuntos só fazem o paciente pensar o tempo todo na doença.

Dica 3: Traga assuntos sobre o cotidiano, trate o paciente como o tratava antes – a doença não o transformou em outra pessoa. Discuta as dificuldades da casa, não o exclua da rotina, faço o lembrar que ainda faz parte da família e de todos os acontecimentos.

 

 

O paciente

a) A situação de estar doente traz uma fragilidade irritante!  Entretanto é necessário que você entenda, que para o seu próprio bem, você contará com uma pessoa para te auxiliar.

Dica 1:  Para evitar se sentir desrespeitado, peça, converse, negocie, fale como você gostaria de ser tratado, como gostaria que fosse feito.  Aceite sugestões, dê ideias de como o cuidador pode facilitar sua vida, sem “atropelar” você.

 

b) Uma outra questão que o paciente deve pensar é: será que eu faria o mesmo que estão fazendo por mim, por alguém? Depender de alguém é sempre muito ruim, mas se é necessário, o melhor a fazer é tentar manter uma relação saudável. Todos estão abalados pela doença – e o cuidador se sente impotente porque não quer seu sofrimento.  Além disso a vida dele também mudou muito...

Dica 2: É importante que você respeite os limites do que o cuidador pode fazer.  Evite qualquer tipo de discussão.  Deixe para falar o que pensa quando estiver calmo.  Explique sobre seus sentimentos, pois mesmo que a pessoa tenha ótimas intenções, ela não sabe exatamente o que você pensa ou deseja.

 

c) Sem dúvidas a questão da dependência é uma das mais complicadas nessa relação.  É muito difícil não ter mais o controle de sua vida.  Mas brigar com o cuidador, ou se concentrar somente nos problemas não resolverá nada.  Aliás, irá piorar muito, pois você ficará de mau humor e será bem mais difícil encontrar atividades para se distrair.

Dica 3: Não alimente pensamentos negativos – sempre que vier pensamentos sobre o quanto é difícil depender de alguém, se concentre em como você é privilegiado em ter pessoas que te amam a seu lado.  Já pensou se tivesse que enfrentar a doença sozinho?

 

Não é pretensão deste texto acabar com todos os problemas nas relações entre cuidador e paciente, mas sim trazer alguns pontos que ambos os lados podem refletir e modificar.

Todas as relações são construídas pelas pessoas envolvidas, portanto é responsabilidade de cuidador e paciente a construção de uma relação harmônica.

Se algo está errado, ambos os lados precisam mudar seus comportamentos.  Pedir desculpas, se arrepender por algo que fez, voltar atrás, isso nunca é fragilidade.  Muito pelo contrário, assumir que erramos e reparar nossa falha é a mais bela demonstração de amor.

Paciência, reflexão e mudança de atitude! É isso o que vocês precisam cultivar diariamente para uma relação cuidador-paciente saudável.

Erika Scandalo

Erika Scandalo

Especialista em Psicologia Clínica, escreve sobre a vida e diferentes formas de aproveitá-la.  Acredita que a felicidade é consequência de uma visão proativa sobre as dificuldades.  Ser feliz é mais um olhar sobre o que se tem, do que ter tudo o que se quer. Site: www.erikascandalo.com.br

  • IKCC - International Kidney Cancer Coalition
  • World Ovarian Cancer Day
  • WAPO - World Alliance of Pituitary Organizations
  • The Carcinoid Cancer Foundation
  • Alianza GIST
  • The Life Raft Group

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