Saúde Bucal x Câncer de Mama

Saúde Bucal x Câncer de Mama

Qual a relação do câncer com a saúde da minha boca? O que pode acontecer caso eu tenha algum problema bucal? O que é Osteonecrose? Quem devo procurar?

Entrevistamos o especialista no assunto, Dr. Gilceu Pace, Estomatologista do IBCC - Instituto Brasileiro de Controle do Câncer, que respondeu essas e outras questões sobre saúde bucal. Confira!

 

Sou um paciente com câncer de mama e gostaria de saber quais cuidados devo ter com minha saúde bucal?

Trabalho mostra que é baixo o número de mulheres (14%) que escovam os dentes 3 (três) vezes ao dia. Podemos inferir, que isto corrobora para a presença de alto índice de placa bacteriana, problemas periodontais (gengiva), dentes restaurados com cáries profundas, próteses mal adaptadas, fatores traumáticos, etc. A higiene bucal é necessária para não agravar os manifestações orais, influindo no bom andamento do tratamento da quimio e quimioimunoterapia. A má escovação dental, presença de biofilme e gengivite facilitam o desenvolvimento de graus severos de mucosite oral, dor intensa, candidíase oral, impossibilidade de comer alimentos sólidos, uso de sonda nasoenteral, desnutrição, internação hospitalar, que encareceram o tratamento e retardam a alta médica. Hábitos como fumar e consumir bebidas alcoólicas, por sinergismo, potencializam a ação das drogas e, danos no organismo, dificultam e prolongam o tempo do tratamento.

 

Durante o tratamento quais os cuidados devo ter com meus dentes?

É indispensável que você fique atento e pratique sempre as noções de higiene bucal que seu caso exigir. Esta é a primeira regra básica. É interessante lembrar que mais de 800 espécies de bactérias, vírus e fungos, em números assustadores, superiores a dez dígitos, convivem em equilíbrio homeostásico, mantendo a boca saudável. Os tratamentos com drogas sistémicas, quimioterapia, radioterapia, imunoterapia ou, esquemas combinados, alteram a imunidade individual rompendo a estabilidade original, homeostase, levando a afecções bucais importantes. Os agentes antineoplásicos paralisam o crescimento e matam tanto células em atividade mitótica ou em crescimento. As glândulas salivares são sensíveis à ação tóxica das drogas, alteram a qualidade e quantidade de saliva xerostomia, acúmulo de placa bacteriana, aumento da acidez bucal, favorecendo a desmineralização dental e agressão da mucosa oral. Fica claro que a higiene bucal e manutenção da saúde oral são prioritárias para evitar manifestações bucais desagradáveis. Está contraindicado para paciente em uso ou que tenham usado drogas antirreabsortivas (Arédia, Zometa), procedimentos invasivos (extração dental, cirurgia oral maior, implantes dentários).

 

Quais são as doenças relacionadas à boca que devo ficar atento?

Os agentes antineoplásicos paralisam o crescimento e matam células em divisão e crescimento (atividade mitótica) e células normais, indistintamente. As mais atingidas são as células sanguíneas e células mucosas. A velocidade de renovação das células que revestem a boca e orofaringe é de 7 (sete) a 10(dez) dias o que torna estas estruturas mais sensíveis a ação bacteriana, promovendo estados inflamatórios e infecciosos, representados por candidíase, mucosite oral, gengivite, cáries, estomatite viral, dor intensa, quadros hemorrágicos, com significado importância no estado geral do paciente. Algumas vezes, há impossibilidade da alimentação por via oral, agravando o quadro de desnutrição. Estes acontecimentos acarretam o aumento da morbiletalidade do caso.  É importante atentar-se para pacientes oncológicos com doenças sistêmicas associada como: diabetes, doenças renais crônicas, hepatológicas, neurológicas e cardiológicas, cursam com manifestações bucais agudas que requerem cuidados e procedimentos especiais.

 

O que é Osteonecrose?

Tecnicamente, osteonecrose (osteo=osso + necrose=morte) é a exposição do osso da mandíbula ou da maxila ao meio bucal. Ocorre por ação medicamentosa dos bifosfonatos (Arédia, Zometa) e uso de anticorpos monoclonais (bevacizumabb denosumab, ipilimumab,lmatimib), que conferem ao osso uma diminuição do número e calibre dos vasos, morte das células,  que o compõem (osteocitos, osteoblastos e osteoclastos), incorporando-se à estrutura mineral (efeito residual) por longo período. Na fase clínica o osso é infectado pela microbiota bucal provocando dor intensa, odor fétido, secreção purulenta, fístula e sequestração. Incialmente se manifesta com dor de mal localizada, refletida para diversos dentes. É mais frequente na região de molares da mandíbula. No momento, não existe um protocolo efetivo de tratamento para osteonecrose. A prevenção e a preservação ainda são as formas mais usadas. Qualquer procedimento invasivo na cavidade oral deve obedecer aos parâmetros de controle da proteína C final reativa (CTX), independente do tempo de suspensão do bifosfonato.

 

Qual especialista devo procurar antes de iniciar o tratamento?

O Cirurgião Dentista habitual tem toda evolução clínica do atendimento odontológico realizado. Ele e outros especialistas deverão ter ciência do tratamento ao qual você irá se submeter. Antes do inicio do tratamento oncológico, quando necessário, ele saberá indicar um colega especialista da área na qual não atue.  É importante que você não tenha nenhum foco dentário ativo ou crônico que possa se exacerbar durante a sequência do tratamento do câncer.  Sempre que possível, é recomendado a avaliação e atuação do clinico geral, periodontista, endodontista e cirurgião bucomaxilo, quando indicados. É indispensável que você tenha e pratique, sempre, todas noções de higiene bucal que seu caso exigirá. E, que a higidez dos tecidos orais, seja acompanhado durante o tratamento oncológico, pelo estomatologista da equipe médica.

 

Qual especialista devo procurar caso tenha alguma suspeita de problemas bucais?

Pacientes enquadrados no tratamento oncológico devem ser controlados por uma equipe multiprofissional habilitada para atendimento das manifestações secundárias, que surgem nas diversas fases do tratamento, inclusive as na boca. O oncologista deve sempre ter um especialista de referência que atua nesta área. No caso, o dentista estomatologista, com experiência em hospital oncológico, pode diagnosticar e tratar adequadamente as doenças da boca e seus anexos. Baseia-se no estágio e evolução da doença e seu tratamento, parâmetros biomédicos, exames radiológicos auxiliares, resultado ou solicitação de exames complementares, avaliar a interrupção temporária e introdução de medicamentos ou protocolos. Dentro de sua competência contar com a atuação de outros profissionais como fono, fisio, nutrição, etc. O estomatologista da equipe saberá indicar o momento oportuno e, o tipo de tratamento para os problemas orais.

 

Dr Gilceu Pace

Diretor da Clinica Pace de Odontologia, atuando com pacientes oncológicos do Hospital Heliópolis e IBCC Instituto Brasileiro de Controle do Câncer

Membro da Câmara Técnica de Estomatologia e da Comissão de Odontologia Hospitalar do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo.

Instituto Espaço de Vida

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