Entendendo os tumores neuroendócrinos

Entendendo os tumores neuroendócrinos

Os tumores neuroendócrinos são doenças relativamente raras. São cânceres que se originam das células produtoras de hormônios e que estão presentes em diversas partes do corpo. Por isso podemos ver tumores neuroendócrinos em vários órgãos diferentes, como no pulmão, na próstata, útero, estômago, intestino delgado e pâncreas.  

Para fins de estudo costuma-se dividir essas doenças em dois grandes grupos, dependendo do grau de crescimento das células cancerígenas. Quando os tumores são de crescimento rápido, eles são classificados como tumores neuroendócrinos de alto grau. Quando de crescimento lento são chamados de tumores de baixo grau.

Os tumores de alto grau crescem mais rapidamente e geralmente são notados por conta de sintomas relacionados ao seu crescimento, como massa palpável no abdome, dificuldade para se alimentar, tosse, etc. Existe uma particularidade no diagnóstico e tratamento dos tumores neuroendócrinos de baixo grau, uma parte desses tumores produzem hormônios. Na maioria das vezes as pessoas que têm tumores neuroendócrinos de baixo grau têm sintomas relacionados aos hormônios que a doença produz. As vezes, os tumores podem ser pequenos e difíceis de serem descobertos pelos exames de imagem. 

Os sintomas da produção de hormônios depende de cada tipo de doença. Estes tumores podem produzir diferentes hormônios causando sintomas diferentes. Alguns podem produzir gastrina, que estimula o estômago a produzir ácido, estas pessoas podem ter sintomas de gastrite. Outros podem produzir insulina, causando baixa de açúcar no sangue. Alguns produzem somatostatina, causando a síndrome carcinóide, um quadro marcado por aceleração do coração, diarréia e vermelhidão da pele (isto ocorre em episódios ao longo do dia).

Para ajudar no diagnóstico dos tumores de baixo grau existem exames importantes, os mais relevantes sendo as dosagens de hormônios na urina e os exames de imagem. No processo de eliminação de alguns hormônios ocorre a formação de substância conhecida como ácido 5 hidroxi-indol-acético (5-HIAA), que é facilmente eliminado na urina. Quando a dosagem dessa substância está elevada na urina, isto aponta para a alta probabilidade da presença de um tumor neuroendócrino. O próximo passo é o exame de imagem detalhado do corpo humano, buscando o local de origem da doença. Por vezes as tomografias ou ressonâncias são suficientes para detectá-la. Quando não se consegue localizar o tumor pode-se usar o exame conhecido como OctreoScan ou o PET/DOTA. Estes exames detectam as células humanas que estão produzindo hormônios, marcando com mais precisão a localização da doença. 

[Imagem do PET/DOTA, indicando a presença de metástases do tumor neuroendócrino do fígado (setas)]

Sempre que possível, o melhor tratamento para estas doenças é a retirada completa do tumor. No entanto, nem sempre os tumores são detectados em tamanhos reduzidos, nestes casos o tratamento com medicamentos a longo prazo é o mais indicado.

A diferenciação do grau de crescimento pela biópsia é extremamente importante para a escolha do tratamento. Este procedimento consiste na retirada de um pequeno pedaço do tumor, por agulha ou cirurgia, e a sua observação no microscópio.

Quando os tumores são de alto grau, os tratamentos com quimioterapia são mais eficazes. Como esses medicamentos agem causando lesão no DNA das células que crescem rápido, são tratamentos que são eficazes contra os tumores neuroendócrinos deste tipo.

Em tumores de baixo grau, o tratamento com quimioterapia não é tão efetivo. O principal tratamento dessas doenças também é a cirurgia, com a retirada completa da doença. Quando o tumor não pode ser retirado por completo, o tratamento se é feito com medicamentos que bloqueiam a fabricação de hormônios. São utilizados medicamentos análogos da somatostatina, como o octreotide ou o lanreotide. São medicamentos extremamente eficazes na melhora dos sintomas e podem também diminuir o crescimento do tumor.

Tanto pessoas que passaram pelo tratamento cirúrgico quanto pessoas que estão com o tratamento com medicamentos devem ser acompanhadas periodicamente com exames clínicos, dosagens dos hormônios na urina exames de imagem e outros que cada médico vai selecionar de acordo com a necessidade de cada pessoa. Converse sempre com seu médico.

Dr. Felipe Ades

Dr. Felipe Ades

Felipe Ades é médico formado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com especialidade em Oncologia Clinica pelo Instituto Nacional de Câncer (INCa). Passou 5 anos na Europa onde adquiriu os títulos de mestre no Institut Gustave Roussy em Paris e doutor (PhD) no Institut Jules Bordet em Bruxelas. Trabalhou em diversos aspectos da pesquisa em câncer, desde estudos em laboratório, testes de novos medicamentos com pacientes e políticas de saúde e saúde coletiva em câncer. Atualmente trabalha no Hospital Alemão Oswaldo Cruz e no Centro Paulista de Oncologia, em São Paulo. Nas horas vagas é mountain biker e guitarrista amador e aspirante a alpinista. Website: drfelipeades.com

  • IKCC - International Kidney Cancer Coalition
  • World Ovarian Cancer Day
  • WAPO - World Alliance of Pituitary Organizations
  • The Carcinoid Cancer Foundation
  • Alianza GIST
  • The Life Raft Group

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