Entenda o Melanoma

Entenda o Melanoma

O câncer da pele responde por 25% de todos os diagnósticos de câncer no Brasil. O tipo mais comum, não-melanoma, tem letalidade baixa, mas os números alarmam os especialistas. A exposição excessiva ao sol é a principal causa da doença. A Sociedade Brasileira de Dermatologia afirma que a maioria dos casos de câncer da pele podem ser evitados com medidas simples de fotoproteção: usar filtro solar, chapéu, óculos, cuidar do excesso de exposição ao sol e ficar atento aos horários certos para isso.  O INCA registra, a cada ano, 135 mil novos casos no país. Convidamos o Dr. Emerson Lima, Coordenador da Campanha Nacional de Combate ao Câncer da Pele da Sociedade Brasileira de Dermatologia, para responder as principais dúvidas sobre o câncer de pele.

O que é câncer de pele e como ele se desenvolve?

O câncer de pele é o mais incidente de todos os tipos de câncer, apresentando três subtipos mais comuns. O mais frequente deles é o carcinoma basocelular (CBC), apresentando-se em cerca de 90% dos casos de câncer de pele. Ele manifesta-se através de um “carocinho” da cor da pele. Ele é friável, frágil, apresenta pequenos vasos visíveis e é de fácil sangramento, aparecendo mais comumente na face, em regiões como bochecha nariz e pálpebra. Sua evolução é lenta, mas ele tem capacidade de destruir os tecidos que atinge. Outro tipo é o carcinoma espinocelular (CEC), que também apresenta característica destrutiva, podendo, ainda apresentar metástase. Sua aparência é mais seca e opaca. Embora seja comum na face, também pode surgir em outras partes do corpo, como tórax, dorso e membros. É importante ressaltar que esse tipo de câncer, quando ocorre nos lábios, tem grande chance de metástase para os gânglios dessa região. O terceiro tipo mais comum de câncer de pele é o melanoma maligno, que apresenta-se como uma pinta acastanhada ou preta. Ele pode originar-se de repente, mas também pode ser proveniente de uma pinta saudável – daí a importância de analisar as pintas do corpo e possíveis mudanças. Alguns sinais de alerta são pintas de vários tons, com bordas e diâmetro irregulares (um lado não corresponde ao outro). Para prevenir o desenvolvimento do câncer de pele, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) lançou a campanha # Controle o Sol, para incentivar a população a examinar sua pele e a de quem se ama. * Emerson Lima, dermatologista e coordenador nacional da Campanha de Prevenção ao Câncer da Pele da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Quais são os tipos e características do câncer de pele do tipo não-melanoma?

 O melanoma é maligno, de forma geral. Ele é diagnosticado como melanótico (de cor escura) ou amelanótico (com característica rosada). A partir dessa diferenciação, faz-se a avaliação da gravidade e profundidade da lesão, para que seja possível enquadrá-la em determinado nível de avanço.

Quais são suas principais causas?

As causas para o carcinoma basocelular (CBC) e espinocelular (CEC) estão ligadas à exposição excessiva e desprotegida ao sol. Já no caso do melanoma, ainda não se sabe que fatores exercem maior influência em seu surgimento, uma vez que já foram registrados casos da doença em regiões do corpo onde não há exposição, como plantas dos pés, nádegas e órgãos genitais.

Como a exposição ao sol pode levar à doença?

As radiações provenientes do sol (UV, A e B) são responsáveis por lesar o interior das células, modificando-as. Assim, essas células afetadas se reproduzem e geram lesões na pele. É importante ressaltar que a radiação A não produz queimaduras na pele (como ocorre com a radiação B), mas, com o tempo, sua incidência leva a uma inflamação danosa que não é perceptível na pele. Por esse motivo, é essencial que se use protetor solar não apenas em situações de muito sol, mas também nos dias nublados, inclusive durante o outono e inverno.

Pessoas com a pele clara têm mais chance de desenvolver a doença?

Sem dúvidas. Isso porque as pessoas com pele clara têm menos proteção da melanina, que age como uma barreira contra a radiação do sol. Isso não significa, no entanto, que pessoas morenas e negras não tenham chance de desenvolver câncer de pele. A proteção solar deve ser praticada por pessoas com todos os tipos de pele.

Explique a regra ABCD na diferenciação entre pintas normais e cancerosas.

A regra remete área, bordas, cor e diâmetro, aspectos que se apresentam irregulares em caso de cânceres de pele.

Como é feito o diagnóstico da doença e qual é a importância do diagnóstico precoce?

O diagnóstico é clínico, feito pelo dermatologista, que está apto para diferenciar o câncer de pele de uma série de outras doenças que podem apresentar sinais semelhantes. Após diagnosticado, o procedimento indicado é a remoção cirúrgica, que pode ser feita pelo dermatologista ou oncologista. Para os tipos CBC e CEC, a cirurgia significa a cura. Já no caso do melanoma, é preciso que o tecido retirado seja analisado através de histopatologia, para descobrir se haverá necessidade de tratamentos complementares.

Quando é necessário fazer a remoção cirúrgica do melanoma e margem de segurança?

Nos casos de evolução mais grave da doença. Nesses quadros, é necessário que se amplie a margem cirúrgica.

Cite quais são os possíveis tratamentos complementares?

Os tratamentos complementares utilizados são a quimioterapia e radioterapia.

Como é o prognóstico do câncer de pele?

O prognóstico dos tipos CBC e CEC são excelentes, principalmente quando diagnosticadas precocemente. Já no caso dos melanomas, o sucesso do tratamento dependerá do estágio no qual a doença foi diagnosticada.

Por que o melanoma é tido como um dos tipos de câncer mais graves?

Porque apresenta capacidade de metástase, podendo espalhar-se para órgãos como fígado, cérebro, coração e pulmões.

Como prevenir os cânceres de pele?

É recomendado que se autoexamine com periodicidade, buscando ajuda de um dermatologista em caso de suspeitas. Também é importante que se examine familiares, pois muitas vezes os cânceres podem aparecer em regiões que não conseguimos ver sozinhos. Ao sair, é indispensável que se use o protetor solar nas áreas expostas, mesmo em dias frios e nublados, reaplicando o produto a cada quatro horas em dias comuns e a cada uma hora em caso de sudorese excessiva ou em praias e piscinas. Também é importante que se utilize proteção nos lábios. 

Instituto Espaço de Vida

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