Câncer de ovário – princípios do diagnóstico, tratamento e prevenção

Câncer de ovário – princípios do diagnóstico, tratamento e prevenção

Câncer de ovário é um dos tipos de câncer mais comuns entre as mulheres nos países desenvolvidos, em geral ocorrendo na faixa dos 55 anos. No Brasil, o número de novos casos não é tão grande, como o câncer de mama ou o de colo uterino, no entanto espera-se em torno de 6000 mulheres sejam diagnosticadas com câncer de ovário todos os anos.

Não existe um fator de risco importante para câncer de ovário, na maior parte dos casos a medicina ainda não consegue determinar qual foi a causa da doença. Numa minoria das pessoas conseguimos encontrar mutações nos genes, em particular BRCA1 e BRCA2, os mesmos causadores do câncer de mama. Mulheres que têm esses genes alterados normalmente têm história de muitas pessoas na família com câncer de mama e ovário, como é o caso da família de Angelina Jolie.

O ovário é um órgão formado por diferentes tipos de células, algumas responsáveis pela produção dos óvulos, outras pelos hormônios e ainda as células epiteliais, a pele que recobre os ovários. O câncer de ovário mais comum aparece justamente destas células que formam a pele do ovário, e é conhecido como carcinoma epitelial de ovário.

Ao contrário do câncer de mama, onde se usa a mamografia para identificar tumores ainda sem sintomas, não existe até o momento, um exame capaz de detectar o câncer de ovário quando ele ainda não apresenta nenhum sinal ou sintoma. O diagnóstico é feito, normalmente, quando o ginecologista desconfia de alguma alteração no exame, ou quando a mulher sente algo de diferente no abdome, como dor, urgência para urinar ou dificuldade para se alimentar.

Neste caso alguns exames são solicitados para avaliar se há aumento dos ovários ou outra causa que possa justificar os sintomas. Os exames mais úteis nessa investigação inicial são a ultrassonografia e alguns exames que avaliam, no sangue, a quantidade de substâncias produzidas nos ovários. A suspeita de câncer de ovário se torna mais forte em mulheres após a menopausa, com aumento do ovário e aumento de algumas dessas substâncias no sangue, como o CA125. Para o diagnóstico final é necessário que se faça uma biópsia, isto é, que se retire um pequeno pedaço do ovário, por cirurgia ou com uma agulha pela pele sob anestesia, e se observe as características das células no microscópio. Em alguns casos, quando a suspeita de câncer é muito alta, essa análise pode ser feita após a cirurgia para a retirada completa do tumor.

É bastante comum mulheres virem ao consultório apenas por terem feito um exame de rotina e notarem um CA125 aumentado. Isto não significa que existe câncer, esta substância pode estar aumentada em diversas situações normais, como no período da ovulação; e em outras doenças não relacionadas com câncer, como a endometriose. Hoje não é indicado que se dose essa substância no sangue caso não haja suspeita de câncer de ovário.

Em relação ao tratamento, para que se faça a retirada total do tumor é necessário que se retire, não apenas os ovários, mas também o útero. Quando o tumor está restrito ao ovário, a cirurgia é o único tratamento necessário. No entanto essa é uma situação rara, em geral há a necessidade de complementar com quimioterapia. Quando os tumores estão um pouco maiores, a quimioterapia pode ser feita até mesmo antes da cirurgia, para reduzir o tumor e facilitar sua retirada completa. A ordem do tratamento não muda o resultado final.

Muito progresso tem sido feito no tratamento do câncer de ovário. Recentemente estudos mostraram que o tratamento com quimioterapia pode ser melhorado apenas mudando a forma de aplicação dos medicamentos. O esquema de quimioterapia mais utilizado é a combinação dos medicamentos Carboplatina e Paclitaxel. Foi identificado que é mais efetivo aplicarmos doses menores destes medicamentos semanalmente do que usarmos altas doses a cada três semanas.

Medicamentos da classe dos inibidores da formação dos vasos sanguíneos, como o Bevacizumab, também têm se mostrado úteis. Em alguns hospitais, onde há equipe de cirurgia treinada para este procedimento, é possível fazer quimioterapia diretamente dentro da barriga, durante a cirurgia e logo após a retirada do tumor. Os medicamentos são diluídos e aplicados no local onde o tumor estava.

Para as mulheres que têm câncer de ovário com mutação do BRCA há a possibilidade ainda de usar um novo medicamento aprovado recentemente, o Olaparib. Este medicamento, administrado em comprimidos, atua nos mecanismos de conserto do DNA da célula cancerígena que têm a mutação do BRCA, impedindo que ela faça esse reparo e assim impedindo seu crescimento.

A oncologia tem progredido com rapidez e novas opções de tratamento são cada vez mais comuns. No caso do câncer de ovário, melhoras vieram até mesmo dos antigos tratamentos, apenas modificando a forma de administração. É importante manter o acompanhamento regular com o ginecologista, este é o profissional fundamental na saúde da mulher. O ginecologista é um dos principais responsáveis pelo rastreamento de doenças como o câncer de colo uterino e câncer de mama, e também muitas vezes o primeiro a suspeitar e diagnosticar o câncer de ovário. Quanto mais precoce o diagnóstico melhor será o resultado do tratamento.

 

 

Dr. Felipe Ades

Dr. Felipe Ades

Felipe Ades é médico formado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com especialidade em Oncologia Clinica pelo Instituto Nacional de Câncer (INCa). Passou 5 anos na Europa onde adquiriu os títulos de mestre no Institut Gustave Roussy em Paris e doutor (PhD) no Institut Jules Bordet em Bruxelas. Trabalhou em diversos aspectos da pesquisa em câncer, desde estudos em laboratório, testes de novos medicamentos com pacientes e políticas de saúde e saúde coletiva em câncer. Atualmente trabalha no Hospital Alemão Oswaldo Cruz e no Centro Paulista de Oncologia, em São Paulo. Nas horas vagas é mountain biker e guitarrista amador e aspirante a alpinista. Website: drfelipeades.com

  • IKCC - International Kidney Cancer Coalition
  • World Ovarian Cancer Day
  • WAPO - World Alliance of Pituitary Organizations
  • The Carcinoid Cancer Foundation
  • Alianza GIST
  • The Life Raft Group

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