Câncer de Pulmão: Imunoterapia com Pembrolizumab

Câncer de Pulmão: Imunoterapia com Pembrolizumab

Há pouco mais de 40 anos não havia tratamentos eficazes contra o câncer de pulmão. Na década de 70, as pessoas que eram diagnosticadas com essa doença em fase avançada viviam, em média, apenas 4 meses.

Câncer de pulmão é o câncer que mais causa mortes no mundo. Mais de 1,6 milhões de pessoas morrem por ano em decorrência do câncer de pulmão.

Isto começou a mudar com o desenvolvimento dos tratamentos quimioterápicos. As platinas foram os primeiros medicamentos comprovadamente eficazes, aumentando bastante o controle da doença. Posteriormente, combinações deste medicamento com outros tipos de quimioterápicos aumentaram ainda a efetividade do tratamento. Outro avanço importante foi a combinação da quimioterapia com medicamentos que inibem a formação de novos vasos sanguíneos, como o Bevacizumab (nome comercial Avastin), que diminuem a quantidade de sangue que chega ao tumor, levando nutrientes e oxigênio.

Na década de 90 o aumento do conhecimento da biologia do câncer de pulmão mostrou que esta doença é bastante heterogênea, ou seja, ela é diferente de pessoa para pessoa. Conhecer estas diferenças, as mutações presentes nos tumores de cada pessoa, permitiu o desenvolvimento de medicamentos que atacavam estes “pontos fracos” dos tumores, aumentando, de maneira importante, o controle da doença para muitos anos. Dois exemplos de medicamentos altamente eficazes são os medicamentos que inibem o ALK, e os inibidores de EGFR.

Recentemente o estudo da interação do tumor com as células de defesa do nosso organismo tem mostrado resultados positivos no tratamento do câncer de pulmão. Os tumores conseguem se esconder do sistema imunológico usando um mecanismo que desliga a células de defesa, conhecido com PDL1. Foram desenvolvidos medicamentos que impedem que o tumor desligue as células de defesa, com isso as células imunológicas ficam mais ativas e conseguem descobrir onde está a doença e como ela funciona, e assim conseguem combatê-la com mais eficiência.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A imagem mostra a interação de uma células de defesa (T-cell, em azul) com uma célula cancerígena (em amarelo). A célula cancerígena desliga a célula de defesa pela ligação do PD1 com o PDL1 (imagem a esquerda). A direita observa-se a ligação dos medicamentos nesses receptores, evitando o desligamento do sistema imunológico pelo tumor.

Os medicamentos da classe dos inibidores de PD1 (Nivolumab (nome comercial Opdivo) e Pembrolizumab (nome comercial Keytruda), já estão disponíveis para o tratamento de várias doenças, como o câncer de rim o câncer de pulmão, e o melanoma e cabeça e pescoço. Outros medicamentos, como os inibidores de PDL1, acabaram de ser aprovados nos Estados Unidos para o tratamento do câncer de bexiga, e o Ipilimumab (nome comercial Yervoy), um inibidor de CTLA4, já vem em uso para o tratamento do melanoma desde 2011.

Um estudo recente com Pembrolizumab mostrou que este tratamento é mais eficaz que a quimioterapia com platinas para pessoas com câncer de pulmão. No entanto, para que isto aconteça, é necessário que o tumor tenha uma característica específica. Como o medicamento age impedindo o desligamento do sistema imunológico pelo tumor através do PDL1, o medicamento foi mais eficaz nas pessoas cujos tumores tinham altos níveis de PDL1 quando observados no microscópio. Isto ocorre, em média, em uma a cada quatro pessoas com câncer de pulmão. Para as demais pessoas a quimioterapia com platinas ainda é o melhor tratamento para ser feito inicialmente, reservando a imunoterapia para um segundo momento, caso a quimioterapia pare de fazer efeito.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Esta é uma imagem da estrutura molecular do medicamento Pembrolizumab, um anticorpo que se liga do PD1.

 

Este é mais um avanço do tratamento do câncer, possível pela melhora do conhecimento da doença e do sistema imunológico. É um esforça de milhares de médicos, cientistas e pacientes com o objetivo de melhorar o tratamento, tornando-o mais efetivo e com menos efeitos colaterais. Quanto mais entendermos como o câncer surge, e quais são seus pontos fracos, melhores serão nossos tratamentos no futuro.

Dr. Felipe Ades

Dr. Felipe Ades

Felipe Ades é médico formado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com especialidade em Oncologia Clinica pelo Instituto Nacional de Câncer (INCa). Passou 5 anos na Europa onde adquiriu os títulos de mestre no Institut Gustave Roussy em Paris e doutor (PhD) no Institut Jules Bordet em Bruxelas. Trabalhou em diversos aspectos da pesquisa em câncer, desde estudos em laboratório, testes de novos medicamentos com pacientes e políticas de saúde e saúde coletiva em câncer. Atualmente trabalha no Hospital Alemão Oswaldo Cruz e no Centro Paulista de Oncologia, em São Paulo. Nas horas vagas é mountain biker e guitarrista amador e aspirante a alpinista. Website: drfelipeades.com

  • IKCC - International Kidney Cancer Coalition
  • World Ovarian Cancer Day
  • WAPO - World Alliance of Pituitary Organizations
  • The Carcinoid Cancer Foundation
  • Alianza GIST
  • The Life Raft Group

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