Aumentar o tempo de tratamento com hormônio terapia aumenta a chances de cura de mulheres com câncer de mama com receptores hormonais positivos. ASCO 2016 – Dia 3

Aumentar o tempo de tratamento com hormônio terapia aumenta a chances de cura de mulheres com câncer de mama com receptores hormonais positivos. ASCO 2016 – Dia 3

No terceiro dia do Congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica acontecem as sessões plenárias, onde são apresentados os artigos que trazem informações que mudam a prática médica. Hoje foi apresentada a atualização de um importante estudo em mulheres com câncer de mama que demonstra que aumentar o tempo de tratamento aumenta as chances cura, o estudo MA17R.

Neste estudo, apresentado pelo Dr. Paul Goss do Massachussets General Hospital, mulheres com câncer de mama com receptores hormonais positivos foram tratadas com cirurgia seguida por quimioterapia (se necessário) e hormonioterapia com tamoxifeno por 5 anos, o que era o tratamento padrão na época do começo do estudo. Após este período o tratamento era escolhido ao acaso, metade das mulheres eram tratadas com um outro bloqueador hormonal, o Letrozol, por mais 5 anos e metade com placebo (comprimidos que não continham o medicamento). Foi usado placebo porque até aquele momento não se sabia se o tratamento ajudaria ou não. Esta parte do estudo já tinha sido apresentada anteriormente e os resultados para quem tomou os dois medicamentos foi melhor.

Depois deste período havia então uma nova decisão de tratamento no grupo de mulheres que tomou o Letrozol, metade tomou por mais 5 anos (somando 10 anos no total) e a outra metade tomou placebo. Havia ainda neste estudo um grupo de mulheres que não tinha tomado tamoxifen incialmente, apenas o Letrozol por 5 anos, também houve uma divisão destas mulheres entre aquelas que tomaram por mais 5 anos (num total de 10 anos também) e outras que tomaram placebo. Os resultados deste estudo foram apresentados hoje.

No grupo de mulheres que usou o Letrozol por 10 anos houve uma redução do número de recidivas, a doença voltou em menos mulheres. Houve também uma redução no número de aparecimento de novos cânceres na outra mama. Os efeitos colaterais foram um pouco maiores nas mulheres que tomaram o tratamento por mais tempo, principalmente fraturas e osteoporose.

Estes resultados mostram que prolongar o tratamento com Letrozol por 10 anos, em mulheres que tomaram tamoxifeno por 5 anos ou em mulheres que começaram diretamente o tratamento hormonal com Letrozol, reduz o risco de retorno do câncer de mama. Manter o tratamento com Letrozol por 10 anos deve ser discutido com todas as mulheres em tratamento hormonal, pesando o risco e benefício deste tratamento, visto que ele aumenta o risco de fraturas e de osteoporose.

Este foi o principal artigo discutido no hoje, ao final do congresso faço um apanhado com os principais pontos altos de todos os dias.

Dr. Felipe Ades

Dr. Felipe Ades

Felipe Ades é médico formado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com especialidade em Oncologia Clinica pelo Instituto Nacional de Câncer (INCa). Passou 5 anos na Europa onde adquiriu os títulos de mestre no Institut Gustave Roussy em Paris e doutor (PhD) no Institut Jules Bordet em Bruxelas. Trabalhou em diversos aspectos da pesquisa em câncer, desde estudos em laboratório, testes de novos medicamentos com pacientes e políticas de saúde e saúde coletiva em câncer. Atualmente trabalha no Hospital Alemão Oswaldo Cruz e no Centro Paulista de Oncologia, em São Paulo. Nas horas vagas é mountain biker e guitarrista amador e aspirante a alpinista. Website: drfelipeades.com

  • IKCC - International Kidney Cancer Coalition
  • World Ovarian Cancer Day
  • WAPO - World Alliance of Pituitary Organizations
  • The Carcinoid Cancer Foundation
  • Alianza GIST
  • The Life Raft Group

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