OUTUBRO ROSA: Os benefícios da Amamentação

OUTUBRO ROSA: Os benefícios da Amamentação

“É mais difícil para um homem mudar sua alimentação do que sua religião.”

Margaret Mead

Meados de outubro... estávamos eu e aquela nova paciente gestante, (infelizmente) já em fase final de gravidez, pensando em sua sugestão de cardápio com objetivo claro dela, a perda de peso pós parto, quando sou surpreendida com a seguinte pergunta: Não quero mudar muito o que como, mas quero emagrecer e, decidi não amamentar, não quero modificar o formato de meus seios, será que isso pode ser realmente ruim para meu filho? Já estou me alimentando melhor, será que não é suficiente?

Não podemos julgar as escolhas individuais e seus motivos, mas era meu papel fundamental orientá-la e tentar reverter aquelas ideias. Respirei fundo e, em tom bastante sério iniciei nossa conversa.

Comecei pelo básico primordial, explicando o quão benéfico é o leite materno e seus componentes únicos para o amadurecimento do trato digestivo e sistema imunológico de seu filho; passei aos benefícios da transmissão de nutrientes da dieta que ela, mãe, teria que se empenhar tanto, para seu filho; enveredei pelos caminhos psicoemocionais explicando sobre o estreitamento dos laços de intimidade e liberação de hormônios do prazer gerados do ato de amamentar; apelei à fisiologia, explicando que seu seio já tinha mudado em tamanho, cor e que ela poderia sentir dor ao não extrair seu leite ou mesmo ao fazer a ordenha mecânica para tirá-lo mas, nada surtia muito efeito, ela já estava preparada para estas questões. Foi então que usei uma estratégia mais incisiva, lancei mão do medo que temos do câncer.

Calmamente perguntei a ela se ela estaria disposta a saber dos benefícios que ela, mãe, teria ao amamentar...acenando com resposta positiva eu comecei a desenrolar o assunto, apostando todas as minhas fichas naquele tópico. Iniciei com dados epidemiológicos, falei que o câncer é a segunda doença que mais mata no mundo. Que em mulheres, o câncer mais incidente (25% de todos os casos) e que mais mata, é o câncer de mama. O mal mais terrível entre as mulheres. Percebi que despertei seu interesse...

Iniciei então com dados mais clínicos, queria dar o suporte técnico mais completo embora simplificado, mas que pelo menos justificasse uma escolha bem fundamentada. Expliquei que o câncer de mama tinha 4 variantes, sendo classificadas com cânceres de mama luminal tipo A e B, câncer de mama HER2 positivo e um tipo, chamado de triplo negativo.

O câncer HER2 positivo apresenta um tipo de receptor, chamado HER2 na membrana da célula e, é um câncer bastante agressivo e acelerado, apresentando tratamento, no entanto, com progressão ruim. Outro subtipo é aquele tipo de câncer que não apresenta nenhum receptor de hormônio (estrogênio e progesterona) ou HER2 na célula, sendo triplamente negativo e, infelizmente para este subtipo ainda não existe tratamento aprovado, somente drogas em fase de estudos. E, por fim, os cânceres luminais são aqueles que apresentam receptores hormonais femininos (estrogênio e progesterona) responsivos, ou seja, os nossos próprios hormônios podem induzir as células a se multiplicar mais e mais, aumentando o risco do desenvolvimento da doença. Para estes tipos da doença, existem drogas e tratamentos bastante desenvolvidos, mas existe prevenção e era aqui que queria chegar!

Naquele momento ela estava vidrada em tudo o que eu dizia... então, aproveitei. Os cânceres de mama luminais são os mais comum, 2 em cada 3 casos são diagnosticados como hormônio positivos e, para eles existe pelo menos uma prevenção: o aleitamento materno.

Como este tipo de câncer é estimulado, indução e crescimento tumoral, pela exposição das células aos nossos hormônios femininos, fica intuitivo compreender que quanto menos tempo de exposição das células da mama, menor a chance de despertarmos o gatilho do câncer. Caso semelhante à, já bem consolidada, prevenção do câncer de pele por proteção e diminuição da exposição aos raios solares ultravioletas.

Então continuamos rabiscando freneticamente folhas de um caderno... quando a mulher entra em fase de aleitamento materno, assim como na gestação, mudanças hormonais importantes acontecem e, seu ciclo menstrual (determinado pela alternância de secreção de estrogênio e progesterona) é alterado ou até mesmo suprimido, diminuindo, portanto, por um tempo a exposição das células mamárias aos hormônios próprios do corpo feminino.

Com aceno positivo de compreensão, me alonguei um pouco mais, tinha conseguido pelo menos despertar um certo interesse no assunto então, complementei: durante o aleitamento, as células da mama são recicladas (devido ao alto “uso”), esta renovação celular garante células sempre jovens e com maior chance de remoção de células com potenciais danos do DNA, ajudando a reduzir o risco de desenvolvimento da doença. Dito isso, ainda não estava satisfeita, emendei, em breve síntese, que o aleitamento materno, por alterar o padrão de hormônios e ciclo menstrual, ajudam a diminuir o desenvolvimento de outro tipo de câncer, o ovariano, pois quanto menos nós ovulamos menos expomos as células ao estrogênio e seu “potencial” risco de câncer.

Para concluir, dei a cartada final. Falei que se ela optasse pelo aleitamento materno, teríamos que ampliar a qualidade de sua alimentação, inundando seu corpo de nutrientes protetores como vitaminas e minerais antioxidantes e isso a protegeria do envelhecimento e doenças, bem como a seu filho (já que passamos através do leite humano) e, amamentar então, a ajudaria a melhorar seu metabolismo e seria mais fácil retomar seu peso, prevenindo mãe e filho do desenvolvimento da outra temida doença, a obesidade. Fator de risco muito iminente no desenvolvimento de cânceres como pancreático, esofago, colorretal, rins, endométrio e mama.

Pronto, consegui falar sua língua....atingi não somente seu instinto materno de proteção, como aquele de auto proteção e valorização do bem estar e beleza. Assim, ela assentiu e começamos uma nova etapa no trabalho, sobre a conscientização de sua alimentação como arma preventiva para todos os males que havia relacionado naquela folha de papel.

Com a consciência tranquila, sabia que estava ajudando a preservar a saúde de mãe e filho e fazendo minha parte na conscientização daquele outubro rosa, finalizei aquele dia de consulta com a sensação descrita pela frase título deste artigo, que talvez seja mais fácil catequizar alguém para mudar sua religião que fazê-la aderir à um novo hábito alimentar.

Andrea Alterio

Andrea Alterio

Andrea Alterio é Nutricionista formada na Universidade São Camilo (SP) com especialidade em Oncologia Multiprofissional pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Mestre em Nutrigenética e possui outras 4 especializações em Nutrição Clínica, com ênfase em Metabologia e Bioquímica Médica, Nutrição Funcional, Obesidade e Esportes além de um Master em Nutrição Humana comportamental (coaching nutricional) em Roma, Itália.  Atualmente trabalha em consultório clínico, em São Paulo e Interior.

  • IKCC - International Kidney Cancer Coalition
  • World Ovarian Cancer Day
  • WAPO - World Alliance of Pituitary Organizations
  • The Carcinoid Cancer Foundation
  • Alianza GIST
  • The Life Raft Group

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