Outubro Rosa: Câncer de Mama x Alimentação

Outubro Rosa: Câncer de Mama x Alimentação

“Viver é isso: ficar se equilibrando o tempo todo, entre escolhas e consequências.”

Jean Paul Sartre

 

Era vestida com o espírito deste filósofo que levava mais aquele dia de rotina clínica. Concentrada, elaborava orientação de condutas com escolhas firmes, que norteiam o mundo de quem busca a nutrição como arma preventiva contra as doenças... quando toca o telefone. Uma cliente aflita, pedindo um encaixe de consulta com uma urgência gritante em sua voz. Prontamente me coloquei à sua disposição e conseguimos uma visita no dia seguinte, bem cedo.

Mal abertas as portas, lá estava ela, com certo ar de desespero que me fez pensar na finitude da vida. Para ela era quase isso. Ela estava ali para pedir ajuda, sua mãe fora diagnosticada com câncer de mama. Mas a ajuda não era para sua mãe, era para ela própria. Estava ali tomada pelo medo que o mesmo diagnóstico se estendesse à ela como o caminho único e sem volta. Um medo que lhe trouxe consciência, coerência, atitude e saúde.

Começamos do princípio, conhecendo seus hábitos e identificando falhas e gatilhos de carcinógenos, mas principalmente explorando seu medo como forma de incentivo e força de vontade para mudar. Hábitos de vida são os paradigmas mais difíceis de se quebrar mas, fundamentais para que a nutrição possa alcançar o status de policiamento na prevenção da doença e a frase acima citada possa fazer algum sentido.

O câncer de mama é uma doença multifatorial, mas meu papel naquele embate era estratégico: explorar todos os pontos e fragilidades em que poderíamos agir nutricionalmente para aumentar as armas naquele combate. Se os genes eram um inimigo iminente, então deveríamos atuar de forma a minimizar o espaço para que eles agissem, lançando mão da lei de silenciamento genético e diminuição do ambiente inflamatório. Por esta razão optei por conduzir o trabalho com alimentos de fontes específicas de fitoquímicos capazes de cumprir estas funções, como as uvas (flavonóides e resveratrol), melancia e tomate (licopeno), açafrão (curcumina), alho (alil mercaptano) e frutas citricas (hesperidina). Mas, se a causa viesse de origem ambiental (ingestão de bebida alcoólica, sobrepeso e obesidade, uso de hormônios, fumo, sedentarismo...) seríamos capazes de transformá–la por completo com uma conduta dietética bem estruturada e mudanças de hábito de vida.

Para compor seu cardápio optamos por uma dieta no padrão mediterrâneo, não somente pelo alto padrão de qualidade alimentar, mas por ser um padrão documentado, associado à diminuição na probabilidade de desenvolvimento do cancer de mama1.

A inclusão diária de no mínimo 5 fontes de vegetais (frutas, legumes, verduras, castanhas e cereais) foi prioritária, com a estratégia de promoção do aporte de nutrientes essenciais, antioxidantes, vitaminas e minerais que fossem capaz de estimular e modular o sistema hormonal e metabólico.

O uso de fitoterápicos em forma de chás como chá verde, gengibre, kombucha e etc. ganhou papel fundamental ao inundar o corpo com fitoquímicos indutores da produção genética de fatores de defesa: as enzimas de detoxificação. As carnes tiveram seu consumo limitado e orientado quando à qualidade e preparo, os peixes fonte de ômega 3 e astaxantina como salmão e sardinha ganharam força antiinflamatória e epigenética na rotina da cliente. Castanhas e azeites garantiram um saboroso papel de lubrificante das engrenagens celulares.

Contudo, no caso de falha em todas estas frentes de trabalho, se ainda assim uma célula escapasse, a modulação do sistema imunológico não poderia ser esquecida. O trabalho de fortalecimento deste sistema foi arduamente conduzido com uso de pré e probióticos como os iogurtes e fibras. E, a restrição calórica foi o elemento surpresa daquele planejamento; proposta com o intuito de estimular um outro grupo de enzimas capazes de modular a longevidade celular.

E, longevidade foi o que me propus a oferecer para aquela cliente desesperada e, hoje caminhamos juntas rindo da vida e daquele medo de ‘ontem’, seguindo a risca o provérbio chinês: “O segredo da longevidade é comer a metade, andar o dobro e rir o triplo.”

1. Niki Mourouti et al. Adherence to the Mediterranean Diet is Associated With Lower Likelihood of Breast Cancer: A Case-Control Study. Nutrition and Cancer, vol. 66 , iss. 5,2014

Andrea Alterio

Andrea Alterio

Andrea Alterio é Nutricionista formada na Universidade São Camilo (SP) com especialidade em Oncologia Multiprofissional pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Mestre em Nutrigenética e possui outras 4 especializações em Nutrição Clínica, com ênfase em Metabologia e Bioquímica Médica, Nutrição Funcional, Obesidade e Esportes além de um Master em Nutrição Humana comportamental (coaching nutricional) em Roma, Itália.  Atualmente trabalha em consultório clínico, em São Paulo e Interior.

  • IKCC - International Kidney Cancer Coalition
  • World Ovarian Cancer Day
  • WAPO - World Alliance of Pituitary Organizations
  • The Carcinoid Cancer Foundation
  • Alianza GIST
  • The Life Raft Group

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