Alimentação e Câncer

Alimentação e Câncer

A nutrição vem ganhando muito espaço na mídia, nos centros de saúde e na vida das pessoas. Vedete da vez, o tema foi alçado ao patamar exclusivo dos assuntos mais falados, admirados e conhecidos, no entanto, infelizmente nem sempre plenamente praticado.

Sempre associado à saúde, a alimentação tem–se mostrado importante aliado no ganho de qualidade de vida, na prevenção de doenças mas, ainda pouco associado ao tratamento específico de doenças mais graves a menos que seja no manejo dos efeitos adversos causados pelo tratamento.

Muito comum em consultórios, a dúvida sobre a alimentação durante o tratamento da doença, enche a cabeça do paciente de questionamentos.

E, será que podemos associar a nutrição à conduta médica de tratamentos de doenças graves como o câncer?

A resposta é bem simples: Claro! Quem nunca se tratou de uma doença, por mais simples que fosse e não recebeu da equipe de saúde uma orientaçãozinha sobre o que se deveria comer?

A alimentação está presente em todas as etapas da vida. Seu caráter preventivo é sempre a melhor escolha, todavia, um tratamento bem associado à uma conduta técnica de alimentação pode trazer melhoras significativas à saúde do paciente.

É claro que quando se está em tratamento de câncer, comer nem sempre é a primeira coisa que pensamos. No entanto, permanecer–se  nutrido e hidratado durante o tratamento é extremamente importante para o combate à doença.

Não é porque se está fazendo pesadas sessões de quimioterapia ou radioterapia que devemos deixar de lado o aspecto emocional, social e prazeroso da dieta. Sim, devemos ter regras, limitações e direcionamentos específicos, mas sempre, sempre teremos a oportunidade de escolher algum alimento dentro destes limites, que nos agrade e traga não somente a melhora física como conforto.

Durante o tratamento, o corpo necessita de maior volume energético e de uma  maior carga de nutrientes que o normal, uma vez que a demanda por reparo dos efeitos do tratamento, como cirurgia, radio e quimioterapia, bem como para o combate da doença pelo sistema imunológico é iminente.

Então vamos entender melhor como podemos proceder, de maneira geral, quando se está no tratamento de uma doença tão grave quanto o câncer.

A primeira coisa que temos que lembrar é que o corpo é constituído de cerca de 75% de água, assim um corpo desidratado não responde bem ao combate e tratamento de doenças.

A eliminação de muitos compostos tóxicos se faz pela urina, assim o consumo adequado de água se faz necessário para o bom funcionamento de desintoxicação das drogas quimioterápicas e sua eliminação urinária. Bem como a radioterapia, é um procedimento que demanda um corpo muito bem hidratado para que se tenha boa efetividade, assim a estratégia do consumo de água deve ser também muito bem adaptada para que se garanta um bom consumo e evite–se desconfortos como náuseas e constipação, por exemplo.

Os carboidratos são uma das principais fontes de energia ao corpo e cérebro. Dezenas de alimentos fornecem boas fontes deste nutriente, no entanto, devemos conhecer bem os tipos de carboidratos antes de fazer nossas escolhas.

Classificados como carboidratos simples, estão aqueles alimentos que fornecem carboidratos de fácil e rápida absorção – fornecem energia mais imediata às células. Este tipo de alimento deve ser rigorosamente controlado uma vez que as células de câncer por estarem em plena atividade estão ávidas por combustível para seu crescimento, assim se beneficiam de uma dieta com excesso de carboidratos simples ou açúcares (para mais fácil entendimento). Desta forma, açúcar e doces, farinhas brancas, amidos (maisena, tapioca, féculas..) e suas preparações (biscoitos, bolos, pães, tortas, massas…), raízes como batata e mandioca cozidos e sem casca, devem ser evitados.

Já os carboidratos complexos são aqueles que nos fornecem energia de forma mais lenta e controlada, são associados às fibras e nos trazem benefícios extras além da fonte de energia, ajudam no funcionamento intestinal, microbiota e na melhora do sistema imunológico. São alimentos carregados de nutrientes como vitaminas e minerais, pois em sua maioria são integrantes dos grupos de frutas, legumes, verduras e cereais. O consumo destes alimentos em sua forma íntegra se faz essencial. Consumi–los com bagaço, casca e na forma crua ou ligeiramente cozidos no vapor é a melhor maneira de se beneficiar deste grupo alimentar, logicamente devemos obedecer algumas orientações de segurança e higiene nas fases da doença e tratamento que não nos permite incorporar o livre consumo cru de alimentos, fique atento.

As gorduras são boas fontes energéticas e importantes na constituição e reparo celular durante o tratamento. Fontes de gorduras são essenciais na dieta pois fornecem de uma forma saudável uma boa quantidade de combustível para o corpo.

Gorduras mono e poliinsaturadas derivadas de alimentos como azeite de oliva extravirgem, abacate, óleo de coco, óleo de castanhas ou sementes são as mais indicadas durante esta fase além de fornecerem boas fontes de antioxidantes.

As proteínas são fundamentais para o crescimento e reparo dos tecidos, sistema imunológico, hormônios e enzimas metabólicas.

Durante o tratamento do câncer, as terapias de tratamento causam lesões e perdas celulares que precisaremos restaurar, tornando a demanda deste nutriente aumentada. Assim, um bom consumo deste nutriente é essencial de forma a fornecermos material prima para o corpo restaurar lesões e recuperar os estoques do corpo. Um bom indicativo de saúde nutricional é a manutenção da massa muscular do corpo, assim o consumo equilibrado das proteínas é fundamental.

Vitaminas e minerais são micronutrientes essenciais nas mais diversas reações químicas que acontecem no corpo. Durante o câncer o metabolismo celular pode estar aumentado, demandando maior consumo destes nutrientes.

O tratamento do câncer certamente aumenta esta demanda de consumo devido à necessidade que temos de restabelecer o equilíbrio frente à doença.

A demanda de trabalho hepático para processar as diversas drogas do tratamento contra o câncer, a geração de radicais livres inerente ao processo terapêutico da quimio e radioterapia, o stress oxidativo envolvido em todo o ciclo da doença física e emocional, demandam um boa carga de consumo de antioxidantes de origem alimentar. O controle e balanceamento do ambiente intracelular, como estado de inflamação, acidez e oferta de nutrientes tornam o tratamento desta doença mais responsivo quando associados à boa nutrição.

Então, alimentos fonte de fitoquímicos, vitaminas e minerais antioxidantes são fundamentais para melhor resposta do fígado no gerenciamento dos medicamentos de forma minimizar sua carga tóxica e funcionamento celular para o equilíbrio de combate aos radicais livres que surgem em caráter exponencial durante a fase de doença e tratamento, também nos fazendo obrigados a aumentar o aporte de alimentos fontes destes nutrientes.

Alimentos fonte de vitaminas D, A, C e E, minerais como selênio, magnésio, manganês e ferro, flavonoides e outros antioxidantes são fundamentais em todo o processo de tratamento, agem sinergicamente evitando o excesso da carga de stress oxidativo, inflamação e sintomas adversos gerados na doença e seu tratamento. Alimentos fonte de vitaminas do complexo B também devem ser avaliados em sua oferta de consumo de acordo com o tipo da doença e resposta do paciente, tornando o acompanhamento nutricional de extrema importância e rigor na terapêutica da doença.

Assim alimentos com funcionalidade específicas como o açafrão, gengibre, uvas, chá verde, maçã, frutas vermelhas, tomate, crucíferas dentre muitos outros tornam-se cruciais num cardápio de acompanhamento da doença, pois agem de forma a melhorar respostas metabólicas importantes que acontecem durante o curso da doença e seu tratamento.

Andrea Alterio

Andrea Alterio

Andrea Alterio é Nutricionista formada na Universidade São Camilo (SP) com especialidade em Oncologia Multiprofissional pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Mestre em Nutrigenética e possui outras 4 especializações em Nutrição Clínica, com ênfase em Metabologia e Bioquímica Médica, Nutrição Funcional, Obesidade e Esportes além de um Master em Nutrição Humana comportamental (coaching nutricional) em Roma, Itália.  Atualmente trabalha em consultório clínico, em São Paulo e Interior.

  • IKCC - International Kidney Cancer Coalition
  • World Ovarian Cancer Day
  • WAPO - World Alliance of Pituitary Organizations
  • The Carcinoid Cancer Foundation
  • Alianza GIST
  • The Life Raft Group

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