Câncer de Pele

  • O que é?
  • Fatores de Risco
  • Sintomas
  • Diagnóstico
  • Tratamento
  • Estadiamento

O Câncer de Pele (melanoma) é um câncer que se inicia em um determinado tipo celular da pele. Conhecer a estrutura e função normal da pele ajuda a entender o melanoma.

Pele normal
A pele é o maior órgão em seu corpo. Ela faz muitas coisas diferentes:
•Cobre os órgãos internos e ajuda a protegê-los de lesão
•Serve como uma barreira para os germes, como bactérias
•Previne a perda de água em excesso e de outros fluidos
•Ajuda a controlar a temperatura corporal
•Protege o resto do corpo dos raios ultravioleta (UV)
•Ajuda o corpo a produzir vitamina D

A pele tem 3 camadas: a epiderme, a derme e a subcutânea:

Epiderme
A camada superior da pele é a epiderme. A epiderme é muito fina, com média de apenas 0,2 milímetros de espessura (cerca de 1/100 de uma polegada). Ela protege as camadas mais profundas da pele e os órgãos do corpo do ambiente.
Os queratinócitos constituem o principal tipo celular da epiderme. Essas células produzem uma importante proteína chamada queratina que ajuda a pele a proteger o resto do corpo.
A parte mais externa da epiderme é chamada de estrato córneo. Ele é composto de queratinócitos mortos que são continuamente descamados à medida que novos se formam. As células nesta camada são denominadas células escamosas devido ao seu formato achatado.
As células escamosas vivas são encontradas abaixo do estrato córneo. Essas células passaram para cá da parte mais baixa da epiderme, a camada basal. As células da camada basal, denominadas células basais, se dividem continuamente para formar novos queratinócitos. Esses substituem os antigos queratinócitos que se desprenderam da superfície da pele.
Os melanócitos, as células que podem se tornar melanoma, também são encontrados na epiderme. Essas células da pele produzem um pigmento castanho chamado melanina, que confere a pele a sua cor bege ou marrom. A melanina protege as camadas mais profundas da pele de alguns dos efeitos prejudiciais do sol.
A epiderme é separada das camadas mais profundas da pele pela membrana basal. Esta é uma importante estrutura porque quando o câncer de pele se torna mais avançado, ele geralmente cresce por esta barreira para dentro das camadas mais profundas.

Derme
A camada intermediária da pele é chamada de derme. A derme é muito mais espessa que a epiderme. Ela contém folículos pilosos, glândulas sudoríparas, vasos sanguíneos e nervos que são mantidos no lugar por uma proteína chamada colágeno. O colágeno, produzido por células chamadas fibroblastos, confere a pele a sua elasticidade e resistência.

Subcutânea
A camada mais profunda da pele é chamada subcutânea. A camada subcutânea e a parte mais inferior da derme formam uma rede de colágeno e células adiposas. A camada subcutânea ajuda o corpo a conservar o calor e possui um efeito de absorção do choque que ajuda a proteger os órgãos corporais de lesões.
 

TIPOS

Tumores Benignos de Pele

Muitos tipos de tumores benignos (não cancerígenos) podem se desenvolver de diferentes tipos de células da pele.

Tumores que começam nos melanócitos
Uma pinta (nevo) é um tumor benigno de pele que se desenvolve a partir dos melanócitos. Praticamente todas as pintas (nevos) são inofensivas, porém ter alguns tipos pode aumentar o seu risco de melanoma. Vide a seção, “Quais são os fatores de risco para cânceres de pele tipo melanoma?” para mais informações sobre pintas.
O nevo de Spitz é um tipo de tumor de pele que, algumas vezes, parece um melanoma. Esses tumores são geralmente benignos e não se espalham. Porém, às vezes, os médicos tem dificuldade de distinguir o nevo de Spitz dos melanomas verdadeiros, mesmo ao examiná-los sob o microscópio. Assim, eles são geralmente removidos, apenas por precaução.

Outros tumores benignos
Os tumores benignos que se desenvolvem de outros tipos de células da pele incluem:
•Ceratoses seborreicas: manchas elevadas bege, marrom ou preta com uma textura “ondulada”.
•Hemangiomas: crescimento benigno do vaso sanguíneo geralmente chamado de manchas em cereja ou morango ou manchas vinho do porto
•Lipomas: crescimento com textura macia de células gordurosas
•Verrugas: crescimento com superfície áspera causada por um vírus
A maioria desses tumores raramente, se em algum momento, viram cânceres. Existem muitos outros tipos de tumores de pele benignos, mas a maioria não é muito comum.

  

Câncer de Pele Tipo Melanoma

O melanoma é um câncer que começa nos melanócitos. Outros nomes para este câncer incluem melanoma maligno e melanoma cutâneo. Como a maioria das células do melanoma ainda produz melanina, os tumores de melanoma são geralmente marrons ou negros. Porém a maioria dos melanomas não faz melanina e podem ter um aspecto rosa, bege ou até mesmo branco.
Melanomas podem ocorrer em qualquer lugar na pele, porém eles são mais propensos a começar em determinados locais. O tronco (tórax e costas) é o local mais comum nos homens. As pernas são o local mais comum em mulheres. O pescoço e o rosto são outros locais comuns.
Ter a pele com pigmentação escura diminui o seu risco de melanoma nesses locais mais comuns, porém qualquer um pode desenvolver este câncer nas palmas das mãos, solas dos pés e debaixo das unhas. Os melanomas nessas áreas representam mais da metade de todos os melanomas em africano-americanos, porém menos de 1 em 10 melanomas entre brancos.
Os melanomas também podem se formar em outras partes do seu corpo, como olhos, boca e genitais, porém eles são muito menos comuns do que o melanoma da pele. Os melanomas nesses órgãos são discutidos nos nossos outros documentos.
O melanoma é muito menos comum do que os cânceres de pele de células basais e de células escamosas, porém é muito mais perigoso. Como os cânceres de células basais e de células escamosas, o melanoma é quase sempre curável em seus estágios iniciais. Porém tem muito mais chance, do que o câncer de célula basal ou escamosa, de se espalhar para outras partes do corpo, se não detectado precocemente.
 

 

Outros Tipos de Câncer de Pele

Os cânceres de pele que não são melanomas são, às vezes, agrupados como cânceres de pele não melanoma porque se desenvolvem a partir de células da pele que não os melanócitos. Eles tendem a se comportar de maneira muito diferente dos melanomas e são geralmente tratados de diferentes formas.
Os cânceres de pele não melanoma incluem cânceres de células basais e células escamosas. Eles são de longe os cânceres de pele mais comuns e, na realidade, são mais comuns do que qualquer outra forma de câncer. Como eles raramente se espalham (metastizam) para outras partes do corpo, os cânceres de células basais e células escamosas são menos preocupantes e são tratados de forma diferente do melanoma. O carcinoma de células de Merkel é um tipo incomum de câncer de pele que é, às vezes, mais difícil de tratar.
 

Quais são as principais estatísticas sobre o melanoma?

O câncer de pele é de longe o mais comum de todos os cânceres. O melanoma representa menos de 5% dos casos de câncer de pele, mas causa a grande maioria das mortes por câncer de pele.
As estimativas mais recentes da Sociedade Americana do Câncer para melanoma nos Estados Unidos são para 2012:
• Cerca de 76.250 novos casos de melanoma serão diagnosticados (aproximadamente 44.250 em homens e 32.000 em mulheres). As taxas de melanoma têm aumentado por pelo menos 30 anos.
• Espera-se que cerca de 9.180 pessoas morrerão de melanoma (cerca de 6.060 homens e 3.120 mulheres).
O melanoma é mais de 10 vezes mais comum em brancos do que em africano-americanos. No geral, o risco durante a vida de desenvolver melanoma é de aproximadamente 2% (1 em 50) para brancos, 0,1% (1 em 1.000) para negros e 0,5% (1 em 200) para hispânicos. Diferente de muitos outros cânceres comuns, o melanoma ocorre em pessoas mais jovens e mais velhas. As taxas continuam a aumentar com a idade e são maiores entre aqueles em seus 80 anos, porém o melanoma não é incomum mesmo entre aqueles com menos de 30 anos. De fato, é um dos cânceres mais comuns em adultos jovens (especialmente mulheres jovens). 

 

Algumas informações sobre exposição ao sol e vitamina D

Os médicos descobriram que a vitamina D tem muitos benefícios à saúde. Ela pode até mesmo ajudar a reduzir o risco para alguns cânceres. A vitamina D é produzida naturalmente pela sua pele quando você é exposto ao sol. A quantidade de vitamina D que você produz depende de vários fatores, incluindo a sua idade, a cor da sua pele, e a intensidade da luz solar onde você mora.
Neste momento, os médicos não tem certeza do nível ideal de vitamina D. Muitas pesquisas estão sendo feitas nesta área. Sempre que possível, é melhor obter a vitamina D da sua dieta ou de suplementos vitamínicos do que da exposição solar, porque as fontes dietéticas e suplementos vitamínicos não aumentam o risco para câncer de pele, e são maneiras tipicamente mais confiáveis de receber a quantidade que você precisa.

Quais são os fatores de risco para o melanoma?

Um fator de risco é qualquer coisa que afete a sua chance de desenvolver uma doença como o câncer. Diferentes cânceres têm diferentes fatores de risco. Alguns fatores de risco, como tabagismo e excesso de exposição solar podem ser modificados. Outros, como a idade ou histórico familiar de uma pessoa, não podem ser modificados.
Porém, os fatores de risco não dizem tudo. Ter um fator de risco ou, até mesmo diversos fatores de risco, não significa que você terá a doença. E algumas pessoas que desenvolvem a doença podem ter alguns ou nenhum dos fatores de risco conhecidos. Mesmo se uma pessoa com melanoma tiver um fator de risco, é geralmente muito difícil saber quanto desse fator de risco contribuiu para o câncer.
Os cientistas encontram diversos fatores de risco que poderiam tornar uma pessoa mais propensa a desenvolver melanoma.

 Exposição à Luz Ultravioleta (UV)

A radiação ultravioleta (UV) é um importante fator de risco para a maioria dos melanomas. A luz solar é a principal fonte dos raios UV. As lâmpadas e camas de bronzeamento também são fontes de raios UV. Pessoas que recebem muita exposição à luz dessas fontes tem maior risco para desenvolver o câncer de pele, incluindo o melanoma.
A radiação ultravioleta é dividida em 3 faixas de comprimento de onda:
• Raios UVA provocam o envelhecimento das células e podem causar algum dano ao DNA das células. Eles estão associados ao dano de longo prazo da pele, como rugas, mas também se considera que eles desempenhem um papel em alguns tipos de câncer de pele.
• Raios UVB podem provocar o dano direto ao DNA, e são os principais raios que causam as queimaduras solares. Também é considerado que eles causam a maioria dos tipos de câncer de pele.
• Raios UVC não atravessam a nossa atmosfera e, portanto, não está presente na luz solar. Normalmente, eles não causam o câncer de pele.
Embora os raios UVA e UVB constituam somente uma porção muito pequena dos raios solares, eles são a principal causa dos efeitos prejudiciais do sol na pele. Os raios UV danificam o DNA das células da pele. Os cânceres de pele começam quando este dano afeta o DNA dos genes que controlam o crescimento das células cutâneas. Os raios UVA e UVB danificam a pele e causam o câncer de pele. Os raios UVB são uma causa mais potente de pelo menos alguns tipos de câncer de pele, porém com base no que é conhecido atualmente, não existe raio UV seguro.
A quantidade de exposição UV que uma pessoa recebe depende da força dos raios, da duração de tempo que a pele é exposta e se a pele está protegida com roupas ou filtro solar.
A natureza da exposição UV pode desempenhar um papel no desenvolvimento do melanoma. Muitos estudos associaram o desenvolvimento do melanoma no tronco (tórax e costas) e pernas a frequentes queimaduras de solares (especialmente na infância). O fato dessas áreas não serem constantemente expostas à luz UV também pode ser importante. Alguns especialistas acreditam que os melanomas nessas áreas são diferentes daqueles no rosto e pescoço, onde a exposição solar é mais constante. E diferente de qualquer um desses são os melanomas que se desenvolvem nas palmas das mãos, solas dos pés, sob as unhas ou nas superfícies internas, como boca e vagina, onde houve pequena ou nenhuma exposição solar.

 Gênero

Nos Estados Unidos, os homens possuem uma maior taxa de melanoma do que as mulheres em geral, embora isto varie com a idade. Antes dos 40 anos, o risco é maior para as mulheres; após os 40 anos, o risco é maior em homens.

 Histórico familiar de melanoma

O seu risco de melanoma é maior se 1 ou mais familiares de primeiro grau (pais, irmão, irmã ou filho) tiverem tido melanoma. Cerca de 10% de todas as pessoas com melanoma apresentam um histórico familiar da doença.
O risco aumentado pode ser devido a um estilo de vida familiar compartilhado de frequente exposição ao sol, uma tendência familiar de ter pele clara ou uma combinação de fatores. Também pode ser devido a alterações genéticas (mutações) que corre na família (hereditárias). Mutações genéticas foram encontradas em algum ponto entre 10% e 40% das famílias com uma alta taxa de melanoma.
A maioria dos especialistas não recomenda que as pessoas com um histórico familiar de melanoma façam um teste genético para avaliar mutações, visto que não está ainda claro o quanto isto é útil. Em vez disso, os especialistas aconselham que eles façam o seguinte:
• Ter exames regulares de pele por um dermatologista
• Examinar cuidadosamente a sua pele uma vez por mês
• Ser especialmente cuidadoso sobre proteção solar e evitar raios UV artificiais (como aqueles de câmaras de bronzeamento).

 Histórico Pessoal de Melanoma

Uma pessoa que já teve melanoma possui um risco aumentado de ter melanoma novamente. Aproximadamente 5% das pessoas com melanoma desenvolverão um segundo em algum momento.

 Idade

Embora o melanoma tenha mais chance de ocorrer em pessoas com mais idade, este é um câncer que também é encontrado em pessoas mais jovens. De fato, o melanoma é um dos cânceres mais comuns em pessoas com menos de 30 anos (especialmente mulheres mais jovens). O melanoma que corre nas famílias (hereditário) pode ocorrer em uma idade mais jovem.

 Imunossupressão

Pessoas que foram tratadas com medicamentos que suprimem gravemente o sistema imunológico, como pacientes com transplante de órgão, possui um risco aumentado para melanoma.

 Pele clara, sardas e cabelos claros

O risco de melanoma é mais de 10 vezes maior para brancos do que para africano-americanos. Brancos ruivos ou loiros, com olhos azuis ou verdes ou pele clara que desenvolvem sardas e se queimam rapidamente tem um risco aumentado.

 Pintas

Um nevo (o nome médico para uma pinta) é um tumor pigmentado benigno (não cancerígeno). As pintas não estão geralmente presentes no nascimento, porém começam a aparecer em crianças e adultos jovens. A maioria das pintas nunca causará problemas, mas uma pessoa que tem muitas pintas tem mais chances de desenvolver melanoma.

 Nevos displásicos: Os nevos displásicos também denominados nevos atípicos, geralmente se parecem um pouco como pintas normais, mas também se parecem um pouco como melanoma. Eles são geralmente maiores do que as outras pintas e tem um formato ou cor anormal. Eles podem aparecer na pele que é exposta ao sol, bem como na pele que é geralmente coberta, como nas nádegas e couro cabeludo.

Um pequeno número de nevos displásicos pode se desenvolver em melanomas. Mas a maioria dos nevos displásicos nunca se torna cancerígeno, e muitos melanomas parecem surgir sem um nevo displásico pré-existente.
O risco ao longo da vida para melanoma pode ser maior que 10% para pessoas com muitos nevos displásicos (por vezes referido como síndrome do nevo displásico). Os nevos displásicos geralmente são hereditários. Alguém com muitos nevos displásicos e com diversos familiares próximos que tiveram melanoma possui um risco muito alto ao longo da vida de desenvolver melanoma. Pessoas com esta condição devem ter exames de pele regulares e bem detalhados por um dermatologista (um médico especialista em problemas de pele). Em alguns casos, fotografias de corpo todo são tiradas para auxiliar o médico a reconhecer quais pintas estão crescendo e se modificando. Muitos médicos recomendam que esses pacientes sejam orientados a fazer autoexames mensais da pele também.
 

Nevos melanocíticos congênitos: Pintas presentes no nascimento são chamadas de nevos melanocíticos congênitos. O risco ao longo da vida de desenvolver melanoma para pessoas com nevos melanocíticos congênitos tem sido estimado em ser entre 0 e 10%, dependendo do tamanho do nevo. Pessoas com nevos congênitos muito grandes possuem um maior risco, ao passo que o risco é menor para aqueles com nevos pequenos. Por exemplo, o risco para melanoma em nevos congênitos menores do que a palma de sua mão é muito pequena, ao passo que aqueles que cobrem grandes porções das costas e nádegas (“nevo em calção de banho”) possuem riscos significativamente maiores.
Os nevos congênitos são, por vezes, removidos por cirurgia para que não tenham chance de se tornar cancerígenos. Para os médicos aconselharem ou não a remoção de um nevo congênito depende de diversos fatores, incluindo o seu tamanho, localização e cor. Muitos médicos recomendam que os nevos congênitos que não são removidos devam ser examinados em intervalos regulares por um dermatologista e que o paciente deva ser orientado sobre como realizar autoexames mensais da pele. Novamente, a chance de alguma única pinta se transformar em câncer é muito pequena. No entanto, qualquer um com muitas pintas irregulares ou grandes tem um risco aumentado para melanoma.

 

Aconselhamento e teste genético

Mutações (alterações) genéticas que aumentam o risco de melanoma podem ser transmitidas pelas famílias, porém eles representam somente uma pequena porção dos melanomas. Você pode ter herdado uma mutação genética que aumenta o seu risco de melanoma se um dos seguintes for aplicável:
• Vários membros de um lado da sua família tiveram melanoma
• Um membro da família teve mais de um melanoma
• Um membro da família teve melanoma e câncer de pâncreas
• Você teve mais de um melanoma
Genes como CDKN2A (também conhecido como p16) demonstraram apresentar uma mutação em algumas famílias com elevadas taxas de melanoma. Os testes para essas alterações genéticas estão agora disponíveis, embora eles não sejam amplamente recomendados por médicos neste momento. Pessoas interessadas em saber se portam as alterações genéticas associadas ao melanoma podem considerar participar de uma pesquisa genética que proporcionará avanços nesta área.
Antes de fazer qualquer tipo de teste genético, é importante saber antes de tudo o que os resultados podem ou não dizer sobre o seu risco. O teste genético não é perfeito, e em alguns casos, os testes podem não fornecer respostas sólidas. É por isso que é essencial consultar um especialista genético antes de decidir se o teste deve ser feito.
Como não está claro o grau de utilidade que os resultados do teste podem ter, a maioria dos especialistas em melanoma não recomendam o teste genético para pessoas com um histórico pessoal ou familiar de melanoma neste momento. Mesmo assim, algumas pessoas podem optar por fazer o teste. De qualquer modo, as pessoas com um histórico familiar de melanoma devem consultar os seus médicos sobre obter exames de pele regulares, aprender a realizar os autoexames de pele e estar especialmente atentos sobre a exposição solar.

 

PREVENÇÃO

Nem todos os melanomas podem ser prevenidos, porém existem coisas que você pode fazer que podem reduzir o seu risco de desenvolver melanoma.

Limitando a exposição ultravioleta (UV)
A maneira mais importante de reduzir o seu risco de melanoma é se proteger da exposição à radiação UV. Proteja-se do sol quando estiver ao ar livre. O simples ato de ficar na sombra é uma das melhores maneiras de limitar a sua exposição aos raios UV. Se tiver que se expor ao sol, “Vista! Aplique! Coloque!... e Utilize” (do inglês, “Slip! Slop! Slap! and Wrap”) é uma frase que você pode gravar para ajudá-lo a se lembrar de algumas das principais etapas que pode fazer para se proteger dos raios UV:
• Vista uma camisa.
• Aplique o protetor solar.
• Coloque um chapéu.
• Utilize óculos de sol para proteger os olhos e a pele sensível em torno deles.

 Busque sombra
Uma maneira óbvia, porém muito importante de limitar a sua exposição à luz UV é evitar sair ao ar livre em contato direto com a luz solar por muito tempo. Isto é especialmente importante no meio do dia entre às 10 horas da manhã e 4 horas da tarde, quando a luz UV é mais forte. Se não tiver certeza sobre a intensidade do sol, faça o teste da sombra: se a sua sombra for mais curta que a sua altura, os raios solares estão mais fortes e é importante você se proteger.
Quando estiver ao ar livre, proteja a sua pele. Tenha em mente que a luz solar (e raios UV) pode passar pelas nuvens leves, refletir da água, areia, concreto e neve, podendo atingir abaixo da superfície da água.
O Índice UV: A quantidade de luz UV que atinge o chão depende de inúmeros fatores, incluindo o horário do dia, época do ano, elevação e cobertura da nuvem. Para auxiliar as pessoas a entender melhor a intensidade da luz UV em sua área em um determinado dia, o Serviço de Meteorologia Nacional dos EUA (National Weather Service) e a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (US Environmental Protection Agency) desenvolveram o Índice UV. Ele dá uma ideia às pessoas da intensidade da luz UV em sua área, em uma escala de 1 a 11+. Um número maior significa maior chance de queimadura solar, dano à pele e, por fim, cânceres de pele de todos os tipos.

Proteja a sua pele com roupas
As roupas oferecem diferentes níveis de proteção UV, dependendo de diversos fatores. Camisas de manga comprida, calças compridas ou saias compridas oferecem melhor proteção. As cores escuras geralmente protegem mais do que as cores claras. Um tecido com trama mais fechada protege melhor do que roupas com trama aberta. O tecido seco, em geral, protege mais do que o tecido molhado.
Tenha ciência que cobrir não bloqueia todos os raios UV. Se você puder ver a luz através de um tecido, os raios UV também podem passar pelo tecido.
Algumas empresas nos Estados Unidos produzem agora roupas que são leves, confortáveis e protegem contra a exposição UV, mesmo quando molhadas. Essas roupas com proteção solar podem ter uma etiqueta indicando o valor de fator de proteção ultravioleta (UPF) – o nível de proteção que a roupa oferece dos raios UV solares (em uma escala de 15 a 50+). Quanto maior o UPF, maior a proteção dos raios UV.
Produtos mais novos, que são utilizados nas máquinas de lavar, como detergentes de lavanderia, podem aumentar o valor UPF das roupas que você já tem. Eles adicionam uma camada de proteção UV às suas roupas sem modificar a cor ou textura. Isto pode ser útil, porém não está exatamente claro o quanto isto adiciona de proteção a você contra os raios UV e, portanto é ainda importante seguir as outras etapas descritas aqui.

Use um chapéu
Um chapéu com pelo menos uma aba em torno de 2 a 3 polegadas é ideal porque protege áreas geralmente expostas ao sol intenso, tais como orelhas, olhos, testa, nariz e couro cabeludo. Um forro preto, não reflexivo sob a aba também pode ajudar a reduzir a quantidade de raios UV que atingem o rosto a partir de superfícies reflexivas, como a água. Um boné com protetor no pescoço (que parece com um boné comum com cerca de 7 polegadas de tecido protegendo as laterais do pescoço e nuca) também é uma boa alternativa e oferecerá mais proteção para o pescoço. Eles são geralmente vendidos em lojas de artigos esportivos.
Um boné comum pode proteger a parte frontal e superior da cabeça, mas não o pescoço ou as orelhas, onde os cânceres de pele comumente se desenvolvem. Chapéus de palha não protegem tanto quanto os feitos de tecido com trama fechada.

Use protetor solar
Utilize protetor solar e labial nas áreas de pele exposta ao sol, especialmente quando a luz solar estiver forte (por exemplo, entre 10 horas da manhã e 4 horas da tarde). Muitos grupos, incluindo a Academia Americana de Dermatologia, recomendam utilizar produtos de amplo espectro (que ajudam a proteger contra os raios UVA e UVB) com um fator de proteção solar (FPS) de 30 ou mais. Utilize protetor solar mesmo em dias nublados ou dias cobertos com nuvens claras ou esparsas porque os raios UV ainda podem passar por eles.
Sempre siga as instruções ao aplicar o filtro solar. O ideal de recomendação é uma aplicação de 1 oz (a quantia de filtro solar que cabe na palma de uma mão) para cobrir os braços, pernas, pescoço e rosto de um adulto, em média. A proteção é maior quando o filtro solar é utilizado em uma camada espessa em toda a pele exposta ao sol. Para garantir proteção continuada, os filtros solares devem ser reaplicados. É geralmente recomendada a reaplicação a cada 2 horas. Muitos filtros solares saem quando você transpira ou nada e se seca com uma toalha e, portanto, eles devem ser reaplicados para oferecer máxima eficácia. E não se esqueça dos seus lábios; também estão disponíveis hidratantes labiais com fator de proteção.
Algumas pessoas utilizam filtros solares para permanecer no sol por longos períodos de tempo sem se queimarem. O protetor solar não deve ser utilizado para passar mais tempo no sol do que você, de outro modo, ficaria, visto que isto ainda danificaria a sua pele.
Lembre que os protetores solares são um filtro. O número de FPS do protetor solar é uma medida de quanto tempo você levaria para ter uma queimadura de sol, comparado com quanto tempo você levaria se não estive o utilizando. Por exemplo, se você se queimaria normalmente após somente 5 minutos no sol, utilizando um produto com um FPS 30, isto significaria que você ainda se queimaria em 150 minutos. E, isto considerando que você tenha aplicado conforme orientado, o que, infelizmente, muitas pessoas não o fazem.
Os protetores solares podem ajudar a reduzir a sua exposição à luz UV e reduzir o seu risco de melanoma. Porém, não existe garantia e, se você permanecer no sol por um longo tempo, você está em risco de desenvolver câncer de pele mesmo se utilizar o protetor solar.

Use óculos de sol
Óculos de sol do tipo ‘wrap-around’ com pelo menos 99% de absorção UV oferecem a melhor proteção para os olhos e a área da pele em torno dos olhos. Escolha óculos de sol identificados como bloqueadores de luz UVA e UVB. Os rótulos informando “Absorção UV de até 400 nm” ou “Atendem os Requisitos UV da ANSI” indicam que os óculos bloqueiam pelo menos 99% dos raios UV. Se não houver rótulo, isto não indica que os óculos de sol lhe darão qualquer tipo de proteção.

Evite camas de bronzeamento e lâmpadas ultravioletas
Muitas pessoas acreditam que os raios UV das camas de bronzeamento são inofensivos. Isto não é verdade. As lâmpadas de bronzeamento emitem raios UVA e, geralmente UVB, ambas os quais podendo causar dano de longo prazo à pele e podendo contribuir para o câncer de pele. O uso da cama de bronzeamento tem sido associado a um risco aumentado de melanoma, especialmente se for iniciado antes dos 30 anos de idade. A maioria dos dermatologistas e organizações de saúde recomenda não utilizar as camas de bronzeamento e as lâmpadas ultravioletas.
Se quiser uma pele bronzeada, uma opção é utilizar uma loção autobronzeadora, que pode proporcionar um aspecto bronzeado sem oferecer perigo. Essas loções contem uma substância chamada dihidroxiacetona (DHA). A DHA interage com proteínas da superfície da pele para fornecer uma cor mais bronzeada. Você não tem que se expor ao sol para que isto ocorra. A cor tende a sair após alguns dias. Esses produtos podem fornecer à pele uma cor bronzeada (embora, em algumas pessoas, possa ter uma tonalidade ligeiramente laranja), porém ao utilizar esse produto, você ainda precisa utilizar o protetor solar ou vestir roupas de proteção ao sair ao ar livre. Esses bronzeadores não protegem contra os raios UV.
Alguns salões de bronzeamento oferecem DHA como um bronzeamento em spray. Uma preocupação neste caso é que a DHA está aprovada para uso externo somente e não deve ser inalada ou pulverizada na ou sobre a boca, olhos ou nariz. As pessoas que decidirem se bronzear com DHA em spray devem se certificar de proteger essas áreas.

Proteja as crianças do sol
As crianças necessitam de atenção especial, visto que elas tendem a passar mais tempo ao ar livre e podem se queimar mais facilmente. Os pais e outros cuidadores devem proteger as crianças da exposição excessiva ao sol utilizando as etapas acima. Crianças mais velhas necessitam ser alertadas sobre a exposição solar, visto que se tornam mais independentes. É importante, especialmente em partes do mundo em que o tempo é mais ensolarado, proteger as crianças do modo mais completo e razoável possível. Você deve desenvolver o hábito de utilizar o protetor solar na pele exposta em você e em suas crianças sempre que sair ao ar livre e puder se expor a grandes quantidades de luz solar.
Os bebês com menos de 6 meses devem ser mantidos longe da luz solar direta e protegidos do sol com chapéus e roupas de proteção. O protetor solar pode ser utilizado em pequenas áreas de pele exposta somente se roupa adequada e sombra não estiverem disponíveis.

O sinal de alerta mais importante para melanoma é uma nova mancha de pele ou uma mancha que tem o seu tamanho, formato ou cor alterado. Outro importante sinal é uma mancha com aparência diferente de todas as demais manchas na sua pele (conhecido como sinal do patinho feio). Se tiver algum desses sinais de alerta, peça que um médico examine a sua pele.

regra ABCDE é outro guia para os sinais comuns do melanoma. Fique atento e informe o seu médico sobre manchas que tiverem qualquer uma das seguintes características:
• A de Assimetria: Metade de uma pinta ou marca de nascimento não corresponde à outra.
• B de Borda: As bordas são irregulares, dentadas, cortadas ou borradas.
• C de Cor: A cor não é a mesma no todo e pode incluir tons de marrom ou preto, ou, algumas vezes com partes de rosa, vermelho, branco ou azul.
• D de Diâmetro: A mancha tem mais de 6 milímetros de tamanho (cerca de ¼ de polegada – o tamanho de um apagador de lápis), embora os melanomas possam, por vezes, serem menores que isso.
• E de Evolução: A pinta está com alterações em tamanho, formato ou cor.
Alguns melanomas não se enquadram nas regras descritas acima. É importante informar o seu médico sobre qualquer alteração ou novas manchas na pele, ou crescimento que parecer diferente do restante das suas pintas.

Outros sinais de alerta são:
• Uma ferida que não se cicatriza
• Disseminação de pigmento da borda de uma mancha para a pele circundante
• Vermelhidão ou um novo inchaço para além da borda
• Alteração na sensação – coceira, sensibilidade ou dor
• Alteração na superfície de uma pinta – descamação, saída de líquido, sangramento ou aparecimento de um caroço ou nódulo

 

O melanoma pode ser detectado precocemente?

Autoexame

O melanoma pode geralmente ser detectado precocemente. Todos podem desempenhar um importante papel na detecção precoce do câncer de pele, quando as chances são maiores de que ele seja curado.

É importante examinar a sua própria pele, de preferência uma vez por mês. Você deve ter conhecimento sobre o padrão das pintas, vermelhidões, rugas e outras marcas na sua pele de modo que você perceba qualquer nova pinta ou alteração nas pintas existentes.
O autoexame é melhor se realizado em uma sala bem iluminada em frente a um espelho de corpo inteiro. Utilize um espelho portátil para ajudar a examinar áreas que são difíceis de ver, como a parte posterior das coxas. Examine todas as áreas, incluindo suas palmas e solas, couro cabeludo, orelhas, unhas e suas costas (em homens, cerca de 1 a cada 3 melanomas ocorrem nas costas).

O que procurar
Qualquer ferida incomum, caroço, vermelhidão, marca ou alteração no aspecto ou textura da pele pode ser um sinal de câncer de pele ou um alerta que isto pode ocorrer.
Pintas normais: Uma pinta normal é geralmente uma mancha com coloração marrom, bege ou preta uniforme na pele. Ela pode ser achatada ou levantada. Ela pode ser redonda ou oval. As pintas têm geralmente menos de 6 milímetros (cerca de ¼ polegada) de tamanho (cerca da largura de um apagador de lápis). Uma pinta pode estar presente no nascimento ou pode aparecer durante a infância ou na fase adulta jovem. Novas pintas que aparecem posteriormente na vida devem ser examinadas por um médico.
Assim que uma pinta é formada, ela geralmente permanece do mesmo tamanho, formato e cor por muitos anos. Algumas pintas podem até mesmo desaparecer com o tempo.
Muitas pessoas apresentam pintas, e praticamente todas as pintas são inofensivas. Mas é importante reconhecer as alterações em uma pinta – como no seu tamanho, formato ou cor – o que pode sugerir que um melanoma pode estar em desenvolvimento.

Exame por um profissional de saúde

Parte de um checkup de rotina relacionado ao câncer deve incluir um exame de pele por um profissional de saúde qualificado no diagnóstico do câncer de pele. O seu médico deve estar disposto a discutir qualquer preocupação que você tenha sobre este exame.
Qualquer área suspeita ou pinta incomum deve ser examinada pelo seu clínico geral ou por um dermatologista, um médico especializado em problemas de pele. Muitos dermatologistas utilizam uma técnica chamada dermatoscopia (também conhecida como dermoscopia, microscopia de epiluminescência [ELM], ou microscopia de superfície) para examinar manchas de pele com mais nitidez. Uma imagem digital ou fotográfica da mancha pode ser tirada.
  

Biópsia de Pele

Se o médico achar que uma mancha pode ser um melanoma, ele ou ela coletará uma amostra da pele da área suspeita para ser analisada sob um microscópio. Isto é chamado de biópsia de pele.
Diferentes métodos podem ser utilizados para uma biópsia de pele. O médico escolherá um com base no tamanho da área afetada, da localização em seu corpo e de outros fatores. Qualquer biópsia está sujeita a deixar pelo menos uma pequena cicatriz. Diferentes métodos podem resultar em diferentes tipos de cicatrizes, portanto, pergunte ao seu médico sobre cicatrizes antes da biópsia ser feita. Seja qual for o tipo de biópsia a ser feita, ela deve remover o máximo da área suspeita para que possa ser feito um diagnóstico exato.
Biópsias de pele são feitas utilizando um anestésico local (medicamento anestesiante), que é injetado na área com uma agulha bem pequena. Você provavelmente sentirá uma pequena picada e uma pequena ardência quando o medicamento for injetado, porém não deverá sentir dor durante a biópsia.

Biópsia por retalho em fatia
Para este tipo de biópsia, o médico primeiramente anestesia a área com um anestésico local. O médico a seguir fatia as camadas superiores da pele com uma pequena lâmina cirúrgica. Geralmente, apenas a epiderme e a parte externa da derme são removidas, embora camadas mais profundas possam ser retiradas também, se necessário. O sangramento do local da biópsia é então interrompido aplicando uma pomada ou uma pequena corrente elétrica para cauterizar a ferida.
Uma biópsia por retalho em fatia é útil no diagnóstico de muitos tipos de doenças de pele e na coleta de amostras de pintas quando o risco de melanoma é muito pequeno. Uma biópsia superficial por retalho em fatia não é geralmente recomendada se houver suspeita de melanoma, a menos que a amostra por essa biópsia seja profunda o suficiente para atingir abaixo da área suspeita. Do contrário, ela pode não ser espessa o suficiente para medir o grau de profundidade do melanoma que invadiu a pele.

Biópsia por punção
Uma biópsia por punção remove uma amostra mais profunda da pele. O médico usa uma ferramenta que se parece com um pequeno cortador de biscoito redondo. Assim que a pele é anestesiada com um anestésico local, o médico gira a ferramenta de biópsia por punção sobre a superfície da pele até que corte todas as camadas da pele, incluindo a derme, epiderme, e as partes superiores da camada subcutânea. As bordas do local da biópsia são então costuradas (suturadas) juntas.

Biópsias incisionais e excisionais
Para examinar um tumor que pode ter crescido nas camadas mais profundas da pele, o médico pode utilizar uma biópsia incisional ou excisional. Após anestesiar a área com um anestésico local, um bisturi cirúrgico é utilizado para cortar por toda a espessura da pele. Um gomo ou pedaço da pele é removido para análise, e as bordas da ferida são costuradas (suturadas) juntas.
Uma biópsia incisional remove somente uma porção do tumor. Uma biópsia excisional remove todo o tumor e é geralmente o método de preferência para biópsias de suspeitas de melanomas, se puder ser feito. Porém nem sempre é possível, de modo que outros tipos de biópsias podem ser necessários.
 

Biópsias de melanoma que podem ter se espalhado

As biópsias de áreas diferentes da pele podem ser necessárias em alguns casos. Por exemplo, se o melanoma já tiver sido diagnosticado na pele, os linfonodos adjacentes podem ser biopsiados para avaliar se o câncer se espalhou até ali (ou mais longe).
Em casos raros, as biópsias podem ser necessárias para saber qual o tipo de câncer que alguém tem. Por exemplo, alguns melanomas podem se espalhar tão rapidamente que atingem os linfonodos, pulmões, cérebro ou outras áreas, enquanto que o melanoma de pele original ainda está pequeno. Às vezes, esses tumores são encontrados antes do melanoma de pele ser descoberto. Em outros casos, eles podem ser encontrados bem depois de um melanoma de pele ter sido removido e, portanto, não fica claro se poderia ser o mesmo câncer.
Ainda, em outros casos, o melanoma pode ser encontrado em algum lugar do corpo sem uma mancha nunca ter sido encontrada na pele. Isto pode ser porque algumas lesões de pele desaparecem por conta própria (sem nenhum tratamento) após algumas de suas células terem se espalhado para outras partes do corpo. O melanoma também pode começar nos órgãos internos, porém isto é muito raro e, se o melanoma tiver se espalhado amplamente por todo o corpo, pode não ser possível dizer qual tumor foi o primeiro.
Quando ele tiver se espalhado dessa maneira, o melanoma metastático em determinados órgãos talvez se confunda com um câncer começando naquele órgão. Por exemplo, o melanoma que tiver se espalhado para o pulmão pode ser confundido com um câncer de pulmão primário (o câncer que começa no pulmão).
Testes especiais podem ser feitos nas amostras de biópsia que podem dizer se é um melanoma ou algum outro tipo de câncer. Isto é importante porque diferentes tipos de câncer são tratados de formas diferentes.
Esses tipos de biópsias podem estar mais envolvidos do que os utilizados para coletar uma amostra da pele.

Biópsia por aspiração com agulha fina
Uma biópsia por aspiração com agulha fina (FNA) não é utilizada em pintas suspeitas, mas pode ser utilizada para fazer a biópsia de grandes linfonodos próximos a um melanoma para saber se o melanoma se espalhou para esses linfonodos. Para este tipo de biópsia, o médico utiliza uma seringa com uma agulha fina e oca para remover fragmentos muito pequenos de tecido de um tumor. A agulha é menor que a agulha utilizada para um exame de sangue. Um anestésico local é, algumas vezes, utilizado para adormecer a área primeira. Este teste raramente causa muito desconforto e não deixa uma cicatriz.
Se o linfonodo estiver próximo à superfície do corpo, o médico pode, muitas vezes, senti-lo bem o suficiente para orientar a agulha para dentro dele. Para um linfonodo suspeito mais profundo no corpo ou um tumor em um órgão interno, tais como os pulmões ou fígado, o ultrassom ou tomografia computadorizada (TC) (um tipo especial de radiografia; vide “Testes de imagem” abaixo) é muitas vezes utilizado para guiar a agulha no local.
As biópsias FNA não são tão invasivas como alguns outros tipos de biópsias, mas elas nem sempre podem fornecer amostras o suficiente para dizer se o melanoma está presente. Nesses casos, um tipo mais invasivo de biópsia pode ser necessário.

Biópsia cirúrgica (excisional) do linfonodo
Este procedimento pode ser utilizado para remover um linfonodo aumentado através de uma pequena incisão de pele. Um anestésico local é geralmente utilizado se o linfonodo estiver próximo à superfície do corpo, porém uma pessoa pode precisar ser sedada ou até mesmo adormecida (utilizando anestesia geral) se o linfonodo estiver mais profundo no corpo.
Este tipo de biópsia é geralmente feito se o tamanho de um linfonodo sugerir que o melanoma se espalhou, porém uma biópsia FNA do nodo não foi realizada ou não encontrou quaisquer células de melanoma.

Biópsia de linfonodo sentinela
Se o melanoma tiver sido diagnosticado e apresentar alguma característica preocupante (como sendo de pelo menos uma determinada espessura), uma biópsia de linfonodo sentinela é, muitas vezes feita para determinar se ele se espalhou para os linfonodos vizinhos, que, por sua vez, podem afetar as opções de tratamento. Este teste pode ser utilizado para encontrar os linfonodos com mais chances de ser o primeiro local que o melanoma iria se o mesmo se espalhasse. É por isso que esses linfonodos são denominados de nodos sentinela (eles ficam em sentinela, ou vigília, sobre o tumor, por assim dizer).
Para encontrar o linfonodo sentinela (ou nodos), o médico injeta uma pequena quantidade de uma substância radioativa (e, por vezes, um corante azul) na área do melanoma. Após uma hora ou mais, o médico avalia diversas áreas de linfonodo com um detector de radioatividade (que funciona como um contador Geiger). Uma pequena incisão é feita na área identificada do linfonodo. Os linfonodos são então examinados para verificar qual(is) dele(s) ficou azul ou se tornou radioativo. Esses nodos sentinela são removidos e examinados sob o microscópio.
Se o nodo sentinela não contém células de melanoma, a cirurgia adicional de linfonodos não é necessária, porque é muito improvável que o melanoma tenha se espalhado para além desse ponto. Se as células de melanoma forem encontradas no nodo sentinela, os linfonodos restantes nesta área são removidos e também examinados.
Se um linfonodo próximo a um melanoma estiver anormalmente grande, pode não ser necessária uma biópsia do nodo sentinela. O nodo aumentado é simplesmente biopsiado.

 

Exames de Sangue

Os exames de sangue não são utilizados para diagnosticar o melanoma, porém alguns testes podem ser feitos antes ou durante o tratamento, especialmente para melanomas mais avançados.
Os médicos geralmente testam os níveis sanguíneos de uma substância chamada lactato desidrogenase (LDH) antes do tratamento. Se o melanoma tiver se espalhado para partes distantes do corpo, um nível acima do normal de LDH é um sinal de que o câncer pode ser mais difícil de tratar. Isto afeta o estágio do câncer.
Outros testes de hemograma e níveis bioquímicos sanguíneos podem ser feitos em uma pessoa que tem melanoma avançado para monitorar a função da medula óssea (onde são produzidas novas células sanguíneas), fígado e rins durante o tratamento.
 

Exames laboratoriais das amostras de biópsia

As amostras de qualquer biópsia que você for submetido serão enviadas a um laboratório, onde um patologista (um médico especialmente treinado em diagnosticar doenças) as examinará sob um microscópio para células de melanoma. Muitas vezes, as amostras de pele são enviadas a um dermatopatologista, um médico que tem treinamento especial em fazer diagnósticos de amostras de pele.
Se o médico não puder dizer com certeza se a amostra contem células de melanoma apenas examinando-a, testes especiais podem ser feitos nas células para tentar confirmar o diagnóstico. Esses testes têm nomes, como imunohistoquímica (IHC), hibridização fluorescente in situ (FISH), e hibridização genômica comparativa (CGH).
Se as amostras contém melanoma, o patologista avaliará determinadas características importantes, como a espessura do tumor e a taxa mitótica (a porção de células que estão ativamente se dividindo). Essas características ajudam a determinar o estágio do melanoma que, por vez, afeta as opções de tratamento e o prognóstico (perspectiva).
Para pessoas que tiverem melanoma avançado, amostras de biópsia podem ser testadas para ver se as células possuem mutações no gene BRAF. Aproximadamente metade dos melanomas possuem mutações BRAF. Alguns medicamentos mais novos utilizados para tratar melanomas avançados provavelmente só funcionarão se as células tiverem mutações BRAF e, portanto este teste é importante para ajudar a determinar as opções de tratamento.

 

Examinando pintas anormais e sua remoção

Determinados tipos de pintas tem um risco aumentado de se desenvolverem em melanoma. Se você tiver pintas, dependendo de sua aparência, o seu médico pode querer monitorá-las atentamente com exames regulares ou removendo algumas delas se elas tiverem determinadas características que sugiram que possam se desenvolver em um melanoma.
A remoção de rotina de muitas pintas não é geralmente recomendada como um meio de prevenir o melanoma. Alguns melanomas podem se desenvolver em pintas, porém isto não ocorre na maioria. Se você tiver muitas pintas, pode ser recomendado ter exames cuidadosos de rotina por um dermatologista, juntamente com autoexames mensais da pele.
Se você encontrar uma nova pinta incomum ou com alteração, você deve fazer com que ela seja examinada por um médico experiente no reconhecimento de cânceres de pele.
 

Testes de Imagem

Os testes de imagem utilizam raios-x, campos magnéticos ou substâncias radioativas para criar fotos de dentro do corpo. Eles são principalmente utilizados para identificar possível disseminação do melanoma para os linfonodos ou outros órgãos no corpo. Eles não são necessários para pessoas com melanoma em estágio muito inicial, que é muito improvável que tenha se espalhado.
Os testes de imagem também podem ser feitos para ajudar a determinar como o tratamento está funcionando ou identificar possíveis sinais de recorrência do câncer após o tratamento.

Radiografia de Tórax
Este teste pode ser feito para auxiliar a determinar se o melanoma se espalhou para os pulmões.

Tomografia computadorizada (TC)
A TC é um tipo de teste radiográfico que produz imagens detalhadas transversais do seu corpo. Diferente da radiografia normal, a TC pode mostrar em detalhes tecidos moles (como órgãos internos). Este teste pode auxiliar a dizer se algum linfonodo está aumentado ou se órgãos, tais como os pulmões ou fígado, apresentam manchas suspeitas, que podem ser decorrentes da disseminação do melanoma. Ela também pode ajudar a mostrar melhor a disseminação para os pulmões do que a radiografia torácica padrão.
Ao invés de tirar uma foto, como na radiografia padrão, um equipamento de TC tira várias fotos à medida que ele gira em torno de você. Um computador então combina essas fotos em imagens detalhadas da parte do seu corpo que está sendo estudada.
Antes do teste, pode ser solicitado que você beba uma solução de contraste e/ou receba uma injeção intravenosa (IV) de um corante de contraste que ajuda e definir melhor as áreas anormais no corpo. Você pode precisar de uma linha IV pela qual o corante de contraste é injetado. A injeção pode causar certo rubor (uma sensação de calor, especialmente no rosto). Algumas pessoas são alérgicas ao corante e podem apresentar urticária ou uma sensação de rubor, ou raramente, apresentar reações mais sérias, como dificuldade para respirar e pressão arterial baixa. Certifique-se de informar o médico se você apresentar alguma alergia ou tiver apresentado uma reação a qualquer material de contraste utilizado para radiografias.
A TC tem a mesma duração das radiografias regulares. Você precisa se deitar em uma mesa enquanto o teste está sendo realizado. Durante o teste, a mesa desliza pra dentro e para fora do equipamento, uma máquina em formato de anel que gira completamente ao redor da mesa. Você pode se sentir um pouco confinado pelo anel quando as fotos estão sendo tiradas. A TC espiral (também conhecida como TC helicoidal), que utiliza uma máquina mais rápida que rende fotos mais detalhadas, é agora utilizada em muitos centros médicos.

Biópsia com agulha guiada por TC: A TC também pode ser utilizada para auxiliar a guiar uma agulha de biópsia em uma área suspeita dentro do corpo. Para este procedimento, você permanece na mesa de TC enquanto um radiologista move uma agulha de biópsia pela pele e em direção à área suspeita. A TC é repetida até que a agulha esteja na massa. Uma amostra coletada pela agulha de biópsia é então removida e analisada sob um microscópio.

Imagem por ressonância magnética (IRM)
Assim como a TC, a IRM fornece imagens detalhadas de tecidos moles no corpo. No entanto, a IRM utiliza ondas de rádio e fortes ímãs no lugar dos raios-x. A energia das ondas de rádio é absorvida pelo corpo e depois liberada em um padrão formado pelo tipo de tecido corporal e por determinadas doenças. Um computador traduz o padrão em uma imagem detalhada das partes do corpo. Um material de contraste pode ser injetado assim como na TC, no entanto, isto é menos comum.
A IRM é muito útil na avaliação do cérebro e da medula espinhal.
A IRM tem a mesma duração da TC – geralmente de até uma hora. Você pode ter que se deitar dentro de um tubo estreito, que pode causar a sensação de confinamento, podendo ser estressante para algumas pessoas. Máquinas de IRM mais novas, mais abertas podem ser outra opção. A máquina de IRM é barulhenta, com ruídos de clique que podem incomodá-lo. Alguns locais fornecem fones de ouvido ou tampões de ouvido para auxiliar a bloquear esse ruído.

Tomografia por emissão de pósitrons (PET)
Para a PET, você recebe uma injeção de uma substância radioativa (geralmente um tipo de açúcar relacionado à glicose, conhecido como FDG). A quantidade de radioativa utilizada é muito pequena. Como as células cancerígenas no corpo crescem rapidamente, elas absorvem grandes quantidades do açúcar radioativo. Após cerca de uma hora, você será colocado sobre uma mesa no scanner de PET. Você se deita sobre a mesa por cerca de 30 minutos, enquanto uma câmera especial cria uma foto das áreas de radioatividade no corpo. A foto não está finamente detalhada como na TC ou IRM, porém pode fornecer informações úteis sobre o seu corpo todo.
Este teste pode ser útil para verificar se o câncer se espalhou para os linfonodos. A PET também pode ser útil quando o seu médico achar que o câncer se espalhou, mas não sabe para onde. Os médicos a consideram muito útil em pessoas com estágios avançados de melanoma. Ela não é muito útil em pessoas com melanoma de estágio inicial.
Algumas máquinas novas são capazes de fazer uma PET e TC ao mesmo tempo. Isto permite que o médico compare áreas de maior radioatividade na PET com o aspecto mais detalhado da área na TC.

 

Histórico médico e exame físico

A maioria dos melanomas chama a atenção de um médico devido aos sinais ou sintomas que uma pessoa está apresentando.
Se uma área anormal da pele levantar suspeita de câncer de pele, o seu médico utilizará determinados exames médicos e testes para saber se é melanoma, câncer de pele não melanoma ou alguma outra condição de pele. Se for encontrado melanoma, outros testes podem ser realizados para determinar se ele se espalhou para outras áreas do corpo.

Geralmente o primeiro passo é o seu médico levantar o seu histórico médico. O médico provavelmente perguntará quando a marca da pele apareceu pela primeira vez, se ela teve alteração em tamanho ou aspecto, e se causou algum sintoma (dor, coceira, sangramento, etc.). Também pode ser solicitado sobre exposições a causas conhecidas do câncer de pele (incluindo queimaduras solares) e se alguém da sua família teve câncer de pele.
Durante o exame físico, o seu médico observará o tamanho, formato, cor e textura da(s) área(s) em questão, e se existe sangramento ou descamação. O resto do seu corpo pode ser examinado para manchas e pintas que poderiam estar relacionadas ao câncer de pele.
O médico também pode sentir os linfonodos (pequenos grupos de células imunológicas em formato de feijão) sob a pele na virilha, axila ou pescoço próximo à área anormal. Quando o melanoma se espalha, ele geralmente vai para os linfonodos adjacentes primeiro. Os linfonodos aumentados podem sugerir que qualquer melanoma presente pode ter se espalhado ali.
Se você estiver sendo examinado pelo seu clínico geral e houver suspeita de melanoma, você pode ser encaminhado a um dermatologista (um médico especialista em doenças de pele), que examinará a área com mais atenção.
Juntamente com o exame físico padrão, muitos dermatologistas utilizam uma técnica chamada dermatoscopia (também conhecida como dermoscopia, microscopia de epiluminescência [ELM], ou microscopia de superfície) para examinar as manchas de pele com mais nitidez. O médico utiliza um dermatoscópio, que é uma lente de aumento especial e uma fonte de luz próxima à pele.
Às vezes, uma fina camada de óleo é utilizada com este instrumento. O médico pode tirar uma foto digital da mancha.
Quando utilizado por um dermatologista experiente, este teste pode melhorar a exatidão ao detectar cânceres de pele precocemente. Ele também pode muitas vezes ajudar a assegurar a você que uma mancha na pele é provavelmente benigna (não cancerígena) sem a necessidade de uma biópsia.
  

Informações gerais do tratamento

Uma vez diagnosticado e estadiado o melanoma, a sua equipe de cuidado do câncer discutirá as suas opções de tratamento com você. Dependendo da sua situação, você pode ter diferentes tipos de médicos em sua equipe de tratamento. Esses médicos podem incluir:
• Um dermatologista: um médico que trata doenças da pele.
• Um oncologista cirúrgico: um médico que usa a cirurgia para tratar o câncer.
• Um oncologista médico: um médico que trata o câncer com medicamentos, tais como quimioterapia, imunoterapia ou terapia dirigida.
• Um oncologista de radiação: um médico que trata o câncer com radioterapia.
Muitos outros especialistas podem estar envolvidos em seu cuidado também, incluindo enfermeiro especialista, enfermeiros, especialistas em nutrição, assistentes sociais e outros profissionais de saúde.
Com base no estágio do câncer e outros fatores, suas opções de tratamento podem incluir:
• Cirurgia
• Quimioterapia
• Imunoterapia
• Terapia dirigida
• Radioterapia
Melanomas de estágio inicial podem, muitas vezes, serem tratados efetivamente apenas com a cirurgia, porém cânceres mais avançados geralmente requerem outros tratamentos. Algumas vezes, mais de um tipo de tratamento é utilizado.
É importante considerar cuidadosamente as suas opções. Se houver algo que você não tenha entendido, peça que expliquem isso a você.
As próximas seções descrevem os tipos de tratamentos utilizados para melanoma de pele. Em seguida, será apresentada uma descrição das opções de tratamento mais comuns com base no estágio do melanoma.
 

Cirurgia

A cirurgia é a principal opção de tratamento para a maioria dos melanomas, e geralmente cura os melanomas de estágio inicial.

Excisão simples
Melanomas finos podem geralmente ser completamente curados por uma cirurgia muito pequena chamada excisão simples. O tumor é cortado, juntamente com uma pequena quantidade de pele normal não cancerígena nas bordas. A pele normal saudável em torno das bordas do câncer é referida como margem.
A excisão simples difere de uma biópsia excisional. As margens são mais largas porque o diagnóstico já é conhecido. As margens recomendadas variam dependendo da espessura do tumor. Os tumores mais espessos pedem por margens maiores.

Espessura do tumor       Margens recomendadas
In situ                                                   0,5 cm
1 mm ou menos                              1 cm
1 a 2 mm                                              1 a 2 cm
2 a 4 mm                                              2 cm
Mais de 4 mm                                     2 cm

Essas margens podem precisar ser alteradas com base na localização do melanoma no corpo e outros fatores. Por exemplo, se o melanoma estiver no rosto, as margens podem ser menores para evitar grandes cicatrizes ou outros problemas.
A anestesia local é injetada na área a ser adormecida antes da excisão. A ferida é cuidadosamente suturada depois disso. Isto deixará uma cicatriz.

Re-excisão (ampla excisão)
Quando um diagnóstico de melanoma é feito pela biópsia, o local provavelmente precisará ser excisado novamente. Mais pele será cortada do local do melanoma, e a amostra será analisada sob microscópio para certificar que nenhuma célula cancerígena tenha permanecido na pele. O tamanho da margem depende da espessura do tumor (vide a tabela acima).
Em alguns casos, o cirurgião pode utilizar a cirurgia de Mohs (mas nem todos os médicos concordam com o seu uso no melanoma). Neste procedimento, a pele (incluindo o melanoma) é removida em camadas bem finas. Cada camada é então visualizada sob microscópio para sinais de câncer. A operação continua até que uma camada não mostre sinais de câncer. Em teoria, isto permite que o cirurgião remova o câncer, ao mesmo tempo poupando o máximo possível de tecido normal circundante.
Se o melanoma estiver em um dedo ou dedão do pé, o tratamento pode necessitar da amputação de todo ou parte do dedo.

Dissecção do linfonodo
Nesta operação, o cirurgião remove todos os linfonodos na região próxima ao melanoma primário. Por exemplo, se um melanoma de pele se encontrar em uma perna, o cirurgião removeria os nodos da região da virilha daquele lado do corpo, onde as células do melanoma mais provavelmente percorreriam primeiro.
Assim que o diagnóstico de melanoma é feito a partir da biópsia de pele, o médico examinará os linfonodos próximos ao melanoma. Dependendo da espessura e a localização do melanoma, isto pode ser feito por exame físico, ou testes de imagem para nodos que não estão próximos da superfície.
Se os linfonodos adjacentes estiverem anormalmente duros ou grandes e uma biópsia por aspiração com agulha fina (FNA) ou biópsia excisional encontrar melanoma em um nodo, é geralmente feita uma dissecção de linfonodo.
Se os linfonodos não estiverem aumentados, pode ser feita uma biópsia de linfonodo sentinela, especialmente se o melanoma tiver mais que 1 mm de espessura. (Vide a seção, “Como o melanoma de pele é diagnosticado?” para uma descrição deste procedimento). Se o linfonodo sentinela não mostrar câncer, é provável então que o melanoma tenha se espalhado para os linfonodos e não exista necessidade para uma dissecção de linfonodo. Se o linfonodo sentinela contém células cancerígenas, a remoção dos linfonodos remanescentes naquela área com uma dissecção de linfonodo é geralmente aconselhada. Isto é chamado de dissecção completa de linfonodo.
Não está claro se uma dissecção de linfonodo pode curar melanomas que se espalharam para os nodos. Isto ainda está sendo estudado. Mesmo assim, alguns médicos acreditam que isto pode prolongar a sobrevida de um paciente e pelo menos evitar a dor que pode ser causada pelo crescimento do câncer nesses linfonodos.
Uma dissecção completa do linfonodo pode causar alguns efeitos colaterais de longo prazo. Um dos mais problemáticos é chamado linfedema. Os linfonodos na virilha ou na axila normalmente ajudam a drenar fluido dos membros. Se eles forem removidos, o fluido pode se acumular. Isto pode causar inchaço do membro, que pode ou não desaparecer. Se grave o suficiente, ele pode causar problemas de pele e um risco aumentado de infecções no membro. Meias elásticas ou perneiras de compressão podem auxiliar algumas pessoas com esta condição. Para mais informações, vide nosso documento Entendendo o Linfedema (para Cânceres Diferentes do Câncer de Mama).
Linfedema, juntamente com a dor da cirurgia em si, é um dos principais motivos pelos quais a dissecção de linfonodo não é feita, a menos quando necessária. A biópsia de linfonodo sentinela, no entanto, é improvável que tenha este efeito. É importante discutir os possíveis efeitos colaterais com o seu médico antes de ter qualquer um desses procedimentos feitos.

 

Cirurgia para melanoma metastático

Se o melanoma tiver se espalhado da pele para órgãos distantes, tais como os pulmões ou cérebro, é muito improvável que o câncer seja curado pela cirurgia. Mesmo quando somente 1 ou 2 metástases forem encontradas por testes de imagem, tais como TC ou IRM, é provável que existam outras áreas de metástases que sejam muito pequenas para serem encontradas por essas varreduras.
A cirurgia é algumas vezes feita nessas circunstâncias, porém o objetivo é geralmente tentar controlar o câncer e não curá-lo. Se 1 ou até mesmo algumas metástases estiverem presentes e puderem ser completamente removidas, esta cirurgia pode ajudar alguns pacientes a viver mais. A remoção de metástases em alguns locais, como o cérebro, também pode aliviar sintomas e ajudar a melhorar a qualidade de vida do paciente.
Se tiver melanoma metastático e a cirurgia for recomendada como uma opção de tratamento, converse com o seu médico e certifique-se que tenha entendido qual seria o objetivo da cirurgia, bem como seus possíveis benefícios e riscos.
 

Imunoterapia

A imunoterapia estimula o próprio sistema imunológico de um paciente para reconhecer e destruir as células cancerígenas com mais eficácia. Diversos tipos de imunoterapia podem ser utilizados para tratar os pacientes com melanoma avançado.

Ipilimumabe para melanoma avançado
Ipilimumabe (Yervoy) é um anticorpo monoclonal, uma versão fabricada sinteticamente de uma proteína do sistema imunológico. Ele tem como alvo CTLA-4, uma proteína que normalmente ajuda a manter as células do sistema imunológico, chamadas de células T, controladas. Bloqueando a ação de CTLA-4, o ipilimumabe intensifica a resposta imunológica contra as células de melanoma no corpo.
Este medicamento é administrado como uma infusão intravenosa (IV), geralmente uma vez a cada 3 semanas por 4 tratamentos. Em pacientes com melanomas que não podem ser removidos pela cirurgia ou que se espalharam para outras partes do corpo, foi demonstrado ajuda as pessoas a prolongar a vida, em média, em vários meses, embora não cure o melanoma. Os médicos atualmente estão estudando o seu uso para melanomas de estágio mais inicial também.
Este medicamento funciona basicamente removendo os freios do sistema imunológico do corpo. Isto pode ser útil contra células cancerígenas, mas também pode levar a efeitos colaterais sérios. Em alguns casos, o sistema imunológico começa a atacar outras partes do corpo, que podem causar sérios problemas nos intestinos, fígado, glândulas produtoras de hormônios, nervos, pele, olhos ou outros órgãos. Em algumas pessoas, esses efeitos colaterais foram fatais.
Esses efeitos colaterais relacionados ao sistema imunológicos, na maioria das vezes, ocorre durante o tratamento, porém alguns foram relatados até alguns meses após o tratamento ser concluído. É muito importante relatar imediatamente à sua equipe de cuidado à saúde qualquer novo efeito colateral. Se ocorrerem efeitos colaterais sérios, o tratamento precisa ser interrompido e você pode receber altas doses de corticosteroides para suprimir o sistema imunológico.

Citocinas para melanoma avançado
As citocinas são proteínas no corpo que reforçam o sistema imunológico de um modo geral. As versões sintéticas das citocinas, como interferon-alfa e interleucina-2 (IL-2), são, por vezes, utilizadas em pacientes com melanoma. Eles são administrados em infusões intravenosas (IV), pelo menos no início. Alguns pacientes ou cuidadores podem aprender a administrar as injeções sob a pele em casa. Os dois medicamentos podem ajudar a encolher melanomas avançados (estágio III e IV) em cerca de 10% a 20% dos pacientes quando utilizado de forma isolada. Esses medicamentos também podem ser administrados junto com os quimioterápicos (conhecido como bioquimioterapia) para melanoma estágio IV.
Os efeitos colaterais da terapia com citocina podem incluir sintomas semelhantes a gripe, como febre, calafrios, dores, cansaço grave, sonolência e contagens baixas de células sanguíneas. A interlecuina-2, especialmente em altas doses, pode causar o acúmulo de fluido no corpo, o que pode provocar o inchaço no paciente, podendo deixá-lo bastante doente. Por este motivo e outros possíveis efeitos colaterais sérios, a IL-2 em dose alta é administrada somente em centros que tem experiência com este tipo de tratamento.

Interferon-alfa como terapia adjuvante
Os pacientes com melanomas mais espessos geralmente apresentam células cancerígenas que se espalharam para outras partes do corpo. Mesmo se todo o câncer parecer ter sido removido pela cirurgia, é possível que algumas dessas células permaneçam no local. O interferon-alfa pode ser utilizado como uma terapia adicional (adjuvante) após a cirurgia para tentar prevenir a disseminação e crescimento dessas células. Isto pode adiar a recorrência do melanoma, porém ainda não está claro se melhora a sobrevida.
Altas doses devem ser utilizadas para que o interferon possa ser eficaz. Mas muitos pacientes podem não tolerar os efeitos colaterais da terapia de alta dose. Estes podem incluir febre, calafrios, dores, depressão, cansaço grave, e efeitos no coração e fígado. Os pacientes que tomam este medicamento precisam ser monitorados rigorosamente por um médico que tenha experiência com este tratamento.
Ao decidir utilizar ou não a terapia adjuvante, os pacientes e seus médicos devem levar em consideração os potenciais benefícios e efeitos colaterais deste tratamento.

Vacina do Bacilo Calmette-Guerin (BCG)
BCG é um germe relacionado ao causador da tuberculose. BCG não causa doença séria em humanos, porém ativa o sistema imunológico. A vacina BCG funciona como uma citocina intensificando todo o sistema imunológico. Ele não está direcionado especificamente às células do melanoma. Ele é, algumas vezes, utilizado para ajudar a tratar melanomas de estágio III injetando-o diretamente nos tumores.

Imiquimode em creme
Imiquimode (Zyclara) é um medicamento que, quando aplicado como um creme, estimula uma resposta imunológica local contra as células do câncer de pele. Para melanomas muito iniciais (estágio 0) em áreas sensíveis do rosto, alguns médicos podem utilizar imiquimode se a cirurgia tenha o potencial de ser desfigurante. Ele também pode ser utilizado para alguns melanomas que se espalharam ao longo da pele. Mesmo assim, nem todos os médicos concordam que deva ser utilizado para melanoma.
O creme é aplicado em qualquer lugar de uma vez ao dia a 2 vezes por semana por cerca de 3 meses. Algumas pessoas podem ter reações cutâneas sérias a este medicamento. Imiquimode não é utilizado para melanomas mais avançados.

Tratamentos mais novos
Alguns tipos mais novos de imunoterapia mostraram ser promissores no tratamento do melanoma em estudos iniciais. Neste momento, eles estão somente disponíveis através de estudos clínicos.

 

Quimioterapia

A quimioterapia (quimio) utiliza medicamentos que matam as células cancerígenas. Os medicamentos são geralmente injetados em uma veia ou ingeridos pela boca como uma pílula. Eles entram na corrente sanguínea, atingem todas as partes do corpo e atacam as células cancerígenas que já se espalharam além da pele para os linfonodos e outros órgãos. Como o medicamento atinge todas as áreas do corpo, ele é chamado de terapia sistêmica.
A quimio é geralmente utilizada para tratar o melanoma avançado. Embora não seja, em geral, tão efetivo no melanoma como em alguns outros tipos de câncer, a quimio pode aliviar os sintomas ou prolongar a sobrevida de alguns pacientes.
Os médicos administram a quimioterapia em ciclos, com cada período de tratamento seguido por um período de repouso para permitir que o corpo tenha tempo para se recuperar. Cada ciclo de quimioterapia dura normalmente algumas semanas.
Diversos quimioterápicos podem ser utilizados para tratar o melanoma:
• Dacarbazina (também chamada DTIC)
• Temozolomida
• Paclitaxel
• Carmustina (também conhecida como BCNU)
• Cisplatina
• Carboplatina
• Vimblastina
Dacarbazina, temozolomida e paclitaxel podem ser administrados isoladamente ou junto com alguns dos outros medicamentos da lista. Não está claro se o uso de combinações de medicamentos é mais útil do que utilizar um único medicamento, porém isto pode adicionar efeitos colaterais.
Alguns estudos sugerem que a combinação de quimioterápicos com medicamentos de imunoterapia, como interferon-alfa e/ou interleucina-2 pode ser mais eficaz do que um único quimioterápico isolado, embora não esteja claro se isto ajuda a prolongar a vida dos pacientes. Este tipo de tratamento também é chamado de bioquimioterapia ou quimioimunoterapia.
Perfusão isolada de membro: Este é um tipo de quimioterapia utilizado algumas vezes para tratar melanomas avançados que estão confinados a um braço ou perna. Ele é feito durante um procedimento cirúrgico. O fluxo sanguíneo do braço ou perna é separado do resto do corpo, e uma alta dose de quimioterapia é circulada pelo membro por um curto período de tempo.
Para fazer isso, um tubo é inserido na artéria que fornece sangue para o membro, e um segundo tubo é inserido na veia que drena o sangue a partir dali. Os tubos são conectados a uma máquina especial. Um torniquete é amarrado em torno do membro para garantir que a quimioterapia não entre no resto do corpo. Uma alta dose de quimioterapia (geralmente com um medicamento chamado melfalana) é então infundida no sangue no membro. Durante a sessão, o sangue sai do membro pelo tubo na veia, é aquecido por uma máquina na sala de cirurgia, e é então recirculado de volta para o membro através do tubo na artéria. No final do tratamento, o medicamento é completamente removido do membro, e os tubos são retirados para que a circulação retorne ao normal.
A perfusão isolada de membro permite que os médicos forneçam altas doses à área tumoral sem expor os órgãos internos a essas doses, o que, de outro modo, causaria efeitos colaterais graves.

Possíveis efeitos colaterais da quimioterapia
Os quimioterápicos atacam as células que estão se dividindo rapidamente e, é por este motivo que eles funcionam contra as células cancerígenas. Porém outras células no corpo, como as da medula óssea, revestimento da boca e intestinos e os folículos pilosos, também se dividem rapidamente. Essas células também são propensas a serem afetadas pela quimioterapia, o que pode levar a efeitos colaterais.
Os efeitos colaterais da quimioterapia dependem do tipo e dose dos medicamentos administrados e da duração de tempo que eles são administrados. Esses efeitos colaterais podem incluir:
• Queda de cabelo
• Feridas na boca
• Perda de apetite
• Náusea e vômito
• Diarreia
• Risco aumentado de infecção (com poucos leucócitos)
• Facilidade de apresentar hematoma ou sangramento (com poucas plaquetas)
• Fadiga (com poucos eritrócitos)
Esses efeitos colaterais são geralmente de curto prazo e desaparecem assim que o tratamento é encerrado. Alguns medicamentos podem ter efeitos específicos que não estão listados acima e, portanto, certifique-se de conversar com a sua equipe de cuidado do câncer sobre o que é possível esperar em termos de efeitos colaterais.
Existem, muitas vezes, maneiras de atenuar os efeitos colaterais. Por exemplo, você pode receber medicamentos que ajudam a prevenir ou reduzir a náusea e o vômito. Certifique-se de perguntar ao seu médico ou enfermeiro sobre medicamentos que ajudam a reduzir os efeitos colaterais.
Você deve relatar para a sua equipe médica qualquer efeito colateral que perceber enquanto estiver recebendo a quimio, para que eles possam ser tratados prontamente. Em alguns casos, as doses dos quimioterápicos precisam ser reduzidas ou o tratamento precisa ser adiado ou interrompido para impedir que os efeitos colaterais se agravem.

 

Radioterapia

A radioterapia utiliza raios de alta energia ou partículas que matam as células cancerígenas. A radioterapia com feixes externos concentra a radiação do lado de fora do corpo sobre o tumor de pele. Este tipo de radioterapia é utilizado para tratar alguns pacientes com melanoma.
Antes de iniciar o tratamento, a equipe de radiação tomará medidas cuidadosas para determinar os ângulos corretos para apontar os feixes de radiação e a dose adequada de radiação. O tratamento é muito parecido com uma radiografia, porém a radiação é mais forte. O procedimento em si é indolor. Cada tratamento dura somente alguns minutos, embora o tempo de preparo—colocar você no lugar para o tratamento—geralmente leva mais tempo.
A radioterapia não é geralmente utilizada para tratar o melanoma original que se iniciou na pele. Em alguns casos, ela pode ser administrada após a cirurgia (como um adjuvante) na área em que os linfonodos foram removidos, especialmente se muitos dos nodos continham células cancerígenas. Isto serve para tentar reduzir as chances do câncer retornar.
A radioterapia também pode ser utilizada para tratar o melanoma que retornou (recidivou) após a cirurgia, tanto na pele como nos linfonodos, ou para tratar a disseminação distante da doença.
A radioterapia é geralmente utilizada para aliviar os sintomas causados pela disseminação do melanoma, especialmente para o cérebro ou ossos. O tratamento com o objetivo de aliviar os sintomas é chamado de terapia paliativa. Não é esperado que a radiação paliativa cure o câncer, mas ela pode ajudar a encolhê-lo por um período para controlar alguns dos sintomas.
Os efeitos colaterais da radioterapia dependem de onde ele é aplicado. Eles podem incluir problemas de pele como queimaduras solares e queda de cabelo onde a radiação entra no corpo, fadiga, náusea e vômito. Geralmente, eles desaparecem após o tratamento.
 

Terapia direcionada para o melanoma

À medida que os médicos descobrem algumas das alterações genéticas que tornam as células do melanoma diferentes das células normais, eles começaram a desenvolver medicamentos que atacam essas alterações. Esses medicamentos dirigidos funcionam de forma diferente dos quimioterápicos padrões. Algumas vezes, eles funcionam quando a quimioterapia não funciona. Eles também podem ter menos efeitos colaterais graves. Os médicos ainda estão aprendendo a melhor maneira de utilizar esses medicamentos para tratar o melanoma.

Medicamentos dirigidos às alterações no gene BRAF
Cerca da metade de todos os melanomas apresentam alterações (mutações) no gene BRAF. Essas alterações fazem com que o gene produza uma proteína BRAF alterada que sinaliza para que as células do melanoma cresçam e se dividam rapidamente. Os medicamentos que tem como alvo esta proteína estão agora disponíveis. Se tiver melanoma avançado, uma amostra de biópsia pode ser testada para ver se ela contém uma mutação BRAF. É improvável que os medicamentos que tem como alvo a proteína BRAF funcionem em pacientes cujos melanomas tem um gene BRAF normal.
Vemurafenibe (Zelboraf) é um medicamento que tem como lavo as células de melanoma com o gene BRAF alterado. Ele faz com que os tumores se encolham em cerca de metade das pessoas cujo melanoma metastático apresenta uma alteração no gene BRAF. Ele também prolonga o tempo antes dos tumores começarem a crescer novamente e auxilia alguns pacientes a viver mais, embora, o melanoma geralmente comece a crescer novamente.
Este medicamento é tomado como uma pílula duas vezes ao dia. Os efeitos colaterais mais comuns são dor na articulação, fadiga, queda de cabelo, erupção cutânea, coceira, sensibilidade ao sol e náusea. Efeitos colaterais menos comuns, porém sérios, podem ocorrer, como problemas no ritmo cardíaco, problemas hepáticos, reações alérgicas graves e problemas cutâneos ou oculares graves.
Algumas pessoas tratadas com vemurafenibe desenvolvem novos cânceres de pele chamados de carcinomas de células escamosas. Esses cânceres não são geralmente sérios e podem ser tratados com a sua remoção. Mesmo assim, o seu médico irá examinar a sua pele, muitas vezes, durante o tratamento e por vários meses depois. Você também deve informar imediatamente o seu médico se notar algum novo crescimento ou área anormal na sua pele.
Outros medicamentos que tem como alvo alterações no gene BRAF também estão sendo estudados no momento. Medicamentos que tem como algo diferentes genes, tais como MEK, também demonstraram ser promissores em estudos clínicos iniciais (vide “Quais são as novidades na pesquisa e tratamento do melanoma de pele?”

 

 

 

TRATAMENTO POR ESTÁGIO

O tipo de tratamento(s) que o seu médico irá recomendar dependerá do estágio e localização do melanoma e na sua saúde geral. Esta seção lista as opções geralmente consideradas para cada estágio do melanoma.


Estágio 0
Melanomas de estágio 0 não cresceram mais profundamente do que a epiderme. Geralmente são tratados com a cirurgia para remoção do melanoma e de uma margem de cerca de 1/2 cm (cerca de 1/5 polegada) de pele normal em sua volta.
Para melanomas em áreas sensíveis do rosto, alguns médicos podem utilizar um creme contendo o medicamento imiquimode (Zyclara) se a cirurgia tiver o potencial desfigurante, embora nem todos os médicos concordem com o seu uso.

Estágio I
O melanoma de estágio I é tratado por excisão ampla (cirurgia para remover o melanoma, bem como uma margem de pele normal em sua volta). A quantidade de pele normal removida depende da espessura do melanoma. Quando a espessura é de 1 mm ou menos, recomenda-se a excisão ampla com margens de 1 cm (2/5 de polegada). Para melanomas de estágio I com espessura entre 1 mm e 2 mm, o tumor e 1 cm a 2 cm (4/5 polegada) da pele circundante são removidos. Não mais que 2 cm da pele normal precisa ser removida de todos os lados do melanoma em estágio I. Margens mais amplas tornam a cicatrização mais difícil e não demonstraram ajudar as pessoas a viver mais.
Alguns médicos podem recomendar uma biópsia de linfonodo sentinela, especialmente se o melanoma for de estágio IB ou tiver outras características que o tornem mais propensos a se espalhar para os linfonodos. Esta é uma opção que você e seu médico devem discutir.
Se a biópsia de linfonodo sentinela for positiva, é geralmente recomendada uma dissecção de linfonodo (remoção de todos os linfonodos próximos ao câncer), mas não está claro se isto pode melhorar a sobrevida. Alguns médicos podem recomendar o tratamento adjuvante (adicional) com interferon após a cirurgia do linfonodo também.

Estágio II
A excisão ampla é o tratamento padrão para o melanoma de estágio II. Se o melanoma tiver entre 1 mm e 2 mm de espessura, também será removida uma margem de 1 a 2 cm da pele normal. Se o melanoma tiver mais de 2 mm de espessura, cerca de 2 cm de pele normal será removida em torno do local do tumor.
Como o melanoma pode ter se espalhado para os linfonodos próximos ao melanoma, muitos médicos recomendam uma biópsia de linfonodo sentinela também. Esta é uma opção que você e seu médico devem discutir. Se isto for feito e o nodo sentinela contém câncer, então uma dissecção de linfonodo (onde todos os linfonodos naquela área são cirurgicamente removidos) será feita em uma data posterior.
Para alguns pacientes (como aqueles com um tumor de espessura maior que 4 mm ou com linfonodos contendo câncer), os médicos podem aconselhar o tratamento com interferon após a cirurgia (terapia adjuvante). Outros medicamentos ou, talvez, vacinas, também podem ser recomendados como parte de um estudo clínico para tentar reduzir as chances do melanoma retornar.

Estágio III
Esses cânceres já atingiram os linfonodos quando o melanoma é primeiramente diagnosticado. O tratamento cirúrgico para melanoma de estágio III geralmente requer dissecção do linfonodo, juntamente com excisão ampla do tumor primário como no estágio II.  A terapia adjuvante com interferon pode ajudar alguns pacientes com melanomas de estágio III a combater a recorrência por mais tempo. Outra opção pode ser de administrar radioterapia às áreas em que os linfonodos foram removidos, especialmente se muitos dos nodos contêm câncer.
Se diversos melanomas estiverem presentes, todos eles devem ser removidos. Se isto não for possível, as opções incluem injeções da vacina contra Bacilo Calmette-Guerin (BCG) ou interleucina-2 diretamente no melanoma, radioterapia ou aplicação de imunoterapia tópica com imiquimode. Para melanomas em um braço ou perna, outra possível opção é a perfusão isolada de membro (infundindo o membro com uma solução aquecida de quimioterapia). Outros possíveis tratamentos incluem quimioterapia, imunoterapia com citocinas ou ambos combinados (bioquimioterapia).
Alguns pacientes podem se beneficiar de tratamentos mais novos sendo testados em estudos clínicos. Muitos pacientes com melanoma de estágio III podem não ser curados com os tratamentos atuais, de modo que eles podem querer considerar a participação em um estudo clínico.

Estágio IV
Os melanomas de estágio IV são muito difíceis de curar, visto que eles já se espalharam para linfonodos distantes ou outras áreas do corpo. Os tumores de pele ou sua disseminação para os linfonodos causando sintomas podem, muitas vezes, ser removidos por cirurgia. As metástases em órgãos internos são, algumas vezes, removidas, dependendo do seu número, da sua localização e da sua chance de causar sintomas. As metástases que causam sintomas, mas não podem ser removidos cirurgicamente podem ser tratadas com radiação, imunoterapia, terapia dirigida ou quimioterapia.
O tratamento de melanomas de estágio IV tem se modificado nos últimos anos com formas mais novas de imunoterapia e medicamentos dirigidos demonstrando ser mais eficazes do que a quimioterapia.
 

Ipilimumabe (Yervoy), um medicamento de imunoterapia mais novo, demonstrou ajudar algumas pessoas com melanoma avançado a viver mais. Ele pode, por vezes, ter efeitos colaterais graves, mas os médicos podem dar preferência a ele sobre outras opções de tratamento, como a quimioterapia ou outros tipos de imunoterapia.
 

Vemurafenibe (Zelboraf) é um medicamento que tem como alvo as células do melanoma com alterações no gene BRAF. Este medicamento é geralmente o tratamento de preferência em pessoas com melanomas avançados com teste positivo para a alteração no gene BRAF. Como ipilimumabe, ele pode ajudar algumas pessoas a viver mais.
 

Os medicamentos quimioterápicos que estão sendo utilizados no momento são de valor limitado na maioria das pessoas com melanoma de estágio IV. Dacarbazina (DTIC) e temozolomida (Temodar) são os únicos utilizados com mais frequência, com eles mesmos ou combinados com outros medicamentos. Mesmo quando a quimioterapia encolhe esses cânceres, o efeito é geralmente somente temporário, com uma média de cerca de 3 a 6 meses antes do câncer começar a crescer novamente. Em casos raros, no entanto, eles funcionam por períodos mais longos de tempo.
 

A imunoterapia utilizando interferon ou interleucina-2 pode ajudar um pequeno número de pacientes com melanoma de estágio IV a viver mais. Doses maiores desses medicamentos parecem ser mais eficazes, porém eles também podem ter mais efeitos colaterais graves.
Alguns médicos podem recomendar a bioquimioterapia: uma combinação de quimioterapia e interleucina-2, interferon ou ambos. Por exemplo, alguns médicos utilizam o interferon com temozolomida. Os 2 medicamentos combinados causam mais encolhimento do tumor, o que pode fazer com que os pacientes se sintam melhor, embora a combinação não tenha demonstrado ajudar os pacientes a viverem mais. Outra combinação de medicamento utiliza baixas doses de interferon, interleucina-2 e temozolomida. Cada uma parece beneficiar alguns pacientes. Os pacientes devem considerar cuidadosamente os possíveis benefícios e efeitos colaterais de qualquer tratamento recomendado antes de iniciá-lo.

Como o melanoma de estágio IV é muito difícil de tratar com as terapias atuais, os pacientes podem querer considerar a participação em um estudo clínico. Os estudos clínicos de novos medicamentos quimioterápicos, medicamentos dirigidos, novos métodos de imunoterapia, tais como vacinas e combinações de diferentes tipos de tratamentos podem beneficiar alguns pacientes.

Embora a perspectiva para pacientes com melanoma de estágio IV tenda a ser desfavorável no geral, um pequeno número de pacientes respondem muito bem ao tratamento e sobrevivem por muitos anos após o diagnóstico.

 

TERAPIAS COMPLEMENTARES E ALTERNATIVAS

Quando você tem câncer, é provável que ouça informações de maneiras para tratar o seu câncer ou aliviar os sintomas que o seu médico não mencionou. Todos, incluindo amigos, familiares, comunidades na Internet e sites da Internet oferecem ideias que podem ser úteis. Esses métodos podem incluir vitaminas, fitoterápicos e dietas especiais ou outros métodos, tais como acupuntura ou massagem, para citar alguns.

O que são exatamente terapias complementares e alternativas?
Ninguém utiliza esses termos da mesma forma, e eles são utilizados para se referir a muitos métodos diferentes e, portanto, podem causar confusão. Utilizamos complementar para se referir a tratamentos que são utilizados juntamente com o seu tratamento médico regular. Tratamentos alternativos são utilizados ao invés do tratamento médico indicado pelo médico.
Métodos complementares: A maioria dos métodos de tratamento complementar não é oferecida como curas para o câncer. Eles são principalmente utilizados para te auxiliar a se sentir melhor. Alguns métodos que são utilizados junto com o tratamento regular são meditação para reduzir o estresse, acupuntura para aliviar a dor ou chá de menta para aliviar a náusea. Alguns métodos complementares têm o seu efeito auxiliar conhecido, ao passo que outros ainda não foram testados. Alguns comprovaram ser úteis e alguns demonstraram ser prejudiciais.
Tratamentos alternativos: Tratamentos alternativos podem ser oferecidos como curas para o câncer. Esses tratamentos não demonstraram ser seguros e eficazes nos estudos clínicos. Alguns desses métodos podem constituir um risco ou ter efeitos colaterais de risco à vida. Porém, o maior perigo na maioria dos casos é que você pode perder a chance de ser beneficiado pelo tratamento médico padrão. Atrasos ou interrupções em seus tratamentos médicos podem dar ao câncer mais tempo para crescer e fazer com que seja menos provável que o tratamento te auxilie.

Para saber mais
É fácil entender por que as pessoas com câncer consideram os métodos alternativos. Você quer fazer tudo que está ao seu alcance para lutar contra o câncer, e a ideia de um tratamento com poucos ou sem efeitos colaterais parece ótima. Algumas vezes, tratamentos médicos, como quimioterapia, podem ser difíceis de tolerar, ou podem não mais estar funcionando. Porém a verdade é que a maioria desses métodos alternativos não foi testada e não provou funcionar no tratamento do câncer.
Ao considerar as suas opções, aqui vão 3 etapas importantes que você pode considerar:
• Procure por “sinais de alerta que sugiram fraude. O método promete curar todos ou a maioria dos cânceres? Foi recomendado que você não fizesse tratamentos médicos regulares? O tratamento é um segredo que requer que você visite determinados profissionais ou viaje para outro país?

A escolha é sua
Será sempre você que tomará a decisão sobre como tratar ou controlar o seu câncer. Se quiser utilizar um tratamento não convencional, saiba tudo que puder sobre o método e converse com o seu médico sobre isso. Com boas informações e o suporte da sua equipe de tratamento de saúde, você pode ser capaz de utilizar com segurança os métodos que podem auxiliá-lo, evitando ao mesmo tempo aqueles que eles possam ser prejudiciais.

 

 

 

 

PÓS TRATAMENTO

Para algumas pessoas com melanoma, o tratamento pode remover ou destruir o câncer. A conclusão do tratamento pode ser estressante e animadora. Você ficará aliviado ao terminar o tratamento, mas ainda é difícil não se preocupar o retorno do (quando o câncer retorna após o tratamento, isto é chamado câncer recidivante ou recidiva.), esta é uma preocupação muito comum entre aqueles que tiveram câncer.
Pode levar um tempo antes dos seus temores diminuírem. Porém, pode ajudar saber que muitos sobreviventes do câncer aprenderam a viver com esta incerteza e estão vivendo plenamente.
Para outros, o melanoma pode nunca desaparecer completamente. Essas pessoas podem receber tratamento regular com imunoterapia, terapia direcionada, quimioterapia ou outros tratamentos para tentar ajudar a manter o câncer monitorado. Aprender a viver com o câncer que não desaparece pode ser difícil e bastante estressante. Ela tem o seu próprio tipo de incerteza.

Acompanhamento
Se tiver concluído o tratamento, os seus médicos ainda vão quere acompanhá-lo de perto. É muito importante que comparecer a todas as consultas de acompanhamento. O acompanhamento é necessário para verificar a recidiva do câncer ou sua disseminação, bem como possíveis efeitos colaterais de determinados tratamentos. Esta é uma boa hora para você perguntar a sua equipe de cuidado à saúde qualquer dúvida que você tenha e discutir qualquer preocupação que possa ter.
O seu acompanhamento deve incluir exames regulares da pele e linfonodos por você mesmo e pelo seu médico. A frequência das visitas de acompanhamento ao seu médico depende do estágio do seu melanoma quando você foi diagnosticado e outros fatores. Em adição aos exames, testes de imagem podem ser recomendados para alguns pacientes.
Um cronograma típico de acompanhamento para melanomas com espessura menor que 1 mm geralmente requer exames físicos a cada 3 a 12 meses por vários anos. Se esses exames forem normais, você pode retornar para um checkup uma vez ao ano. O seu médico pode recomendar exames com mais frequência se tiver muitas pintas ou pintas atípicas.
Para melanomas de maior espessura ou aqueles que se espalharam para além da pele, um cronograma típico poderia incluir exames físicos a cada 3 a 6 meses por 2 anos, depois a cada 3 a 12 meses para os próximos anos. Depois disso, os exames são realizados pelo menos uma vez ao ano. Alguns médicos também recomendam testes de imagem, tais como radiografias torácicas ou TC a cada 6 a 12 meses para os primeiros anos, especialmente para pessoas que tiveram doença de estágio mais avançado.
Também é importante para os sobreviventes do câncer de pele tipo melanoma fazer autoexames regulares da sua pele e linfonodos (a maioria dos médicos recomenda pelo menos mensalmente). Você deve visitar o seu médico se encontrar algum novo caroço ou alteração na sua pele. Você também deve relatar qualquer novo sintoma (por exemplo, dor, tosse, fadiga, perda de apetite) que persistir. O melanoma pode retornar muitos anos após o primeiro tratamento.
Pacientes com melanoma estágio IV, cujo câncer foi completamente removido ou desapareceu após o tratamento, geralmente tem o mesmo cronograma de acompanhamento que aqueles com melanomas de maior espessura (vide acima). Os pacientes com melanoma de estágio IV que não desaparecem completamente terão um cronograma de acompanhamento que se baseia em sua situação específica.
Se o melanoma recorrer, o tratamento dependerá da localização do câncer, quais tratamentos você teve antes, e da sua saúde geral.
Uma pessoa que teve um melanoma pode ainda estar em risco de desenvolver outro melanoma ou um câncer de pele não melanoma. Pessoas que tiveram cura de um melanoma devem continuar a examinar a sua pele mensalmente para novos cânceres de pele, devendo evitar muita exposição ao sol.

Visitando um novo médico
Em algum momento após o diagnóstico e tratamento do seu câncer, você pode se encontrar visitando um novo médico que não conhece o seu histórico médico. É importante que você seja capaz de fornecer ao seu novo médico detalhes do seu diagnóstico e tratamento. Certifique-se de ter essas informações em mãos:
• Uma cópia do(s) seu(s) laudo(s) patológicos, de qualquer biópsia ou cirurgia
• Cópias de testes de imagem (TC ou RMI, etc.), que podem geralmente ser armazenadas em um CD, DVD, etc.
• Se fez cirurgia, uma cópia do(s) seu(s) laudo(s) operatório(s)
• Se foi hospitalizado, uma cópia do resumo de alta que todo médico prepara quando os pacientes são enviados de volta para casa
• Se fez radioterapia, um resumo do tipo e dose de radiação e quando e onde ela foi recebida
• Se fez quimioterapia, terapia dirigida ou imunoterapia, uma lista dos seus medicamentos, doses de medicamento e quando você os recebeu
• Informações de contato dos médicos que trataram você e que estão familiarizados com o seu caso
É importante manter o seguro de saúde. Os exames e visitas com o médico custam caro, e mesmo que ninguém queira pensar que o seu câncer possa voltar, isto pode acontecer.

 

 

PÓS TRATAMENTO: RECIDIVA

O tratamento do melanoma que retorna após o tratamento inicial depende do estágio do melanoma original, do tratamento anterior e do local da recidiva.
O melanoma pode retornar na pele próxima ao local do tumor original. Em geral, essas recidivas locais (pele) são tratadas com cirurgia semelhante à recomendada para o melanoma primário.  Isto pode incluir uma biópsia do linfonodo sentinela. Dependendo da espessura e localização do tumor, outros tratamentos podem ser considerados, tais como quimioterapia com perfusão isolada de membro, quimioterapia sistêmica, imunoterapia, radioterapia ou injeção no tumor com vacina BCG ou interferon.
Se os linfonodos adjacentes não foram removidos durante o tratamento inicial, o melanoma pode retornar nesses linfonodos adjacentes. Isto pode aparecer como um inchaço ou massa tumoral. A recidiva no linfonodo é tratada com a dissecção do linfonodo, e pode incluir a terapia adjuvante, tais como interferon ou radioterapia.
O melanoma também pode retornar em partes distantes do corpo. Praticamente qualquer órgão pode ser afetado. Muitas vezes, o melanoma retornará no pulmão, osso, fígado, ou cérebro. O tratamento para essas recidivas é geralmente o mesmo que para o melanoma de estágio IV (vide acima). Os melanomas que são recidivantes em um braço ou perna podem ser tratados com quimioterapia com perfusão isolada de membro.
O melanoma que retornar no cérebro pode ser difícil de tratar. Locais isolados de recidiva podem, por vezes, ser removidos com a cirurgia. A maioria dos medicamentos quimioterápicos não é capaz de atingir o cérebro, embora temozolomida possa ser útil. A radioterapia no cérebro também pode ser útil.
Assim como outros estágios do melanoma, os pacientes com melanoma recidivante podem querer considerar a participação em um estudo clínico.

 

O estágio de um melanoma é uma descrição de como ele está espalhado. Isto inclui a sua espessura, se ele se espalhou para os linfonodos ou qualquer outro órgão, e determinados outros fatores. O estágio é baseado nos resultados do exame físico, testes de imagem (TC ou IRM, etc.), biópsias e outros testes.

O sistema TNM do American Joint Committee on Cancer (AJCC)
Um sistema de estadiamento é uma maneira padronizada para somar até onde um câncer se espalhou. Isto ajuda os membros da equipe de cuidado do câncer a determinar o prognóstico de um paciente (perspectiva), bem como as melhores opções de tratamento.
O sistema mais utilizado para estadiar o melanoma é o sistema TNM da American Joint Commission on Cancer (AJCC). Ele pode ser complicado, portanto pergunte ao seu médico se tiver alguma dúvida sobre o estágio do seu câncer. O sistema TNM contem 3 informações principais:
• T significa tumor (quanto ele cresceu dentro da pele e outros fatores). A categoria T é designada com um número (de 0 a 4) com base na espessura do tumor (quão baixo ele cresceu). Ele também pode ser atribuído com uma letra minúscula a ou b baseado na ulceração e taxa mitótica, que são explicadas abaixo.
• N significa disseminação para os linfonodos (pequenos grupos de células do sistema imunológico com formato de feijão, para os quais os cânceres geralmente se espalharam primeiro) adjacentes. A categoria N é atribuída com um número (de 0 a 3) baseado nas células de melanoma terem ou não se espalhado para os linfonodos ou serem encontradas nos canais linfáticos conectando os linfonodos. Ele também pode ser atribuído com uma letra minúscula a, b, ou c, conforme descrito abaixo.
• A categoria M se baseia no melanoma ter ou não metastizado (disseminado) para órgãos distantes, quais órgãos ele atingiu e nos níveis sanguíneos de uma substância chamada LDH.

Existem 2 tipos de estadiamento para melanoma:
• Estadiamento clínico é baseado no que é encontrado no exame físico, biópsia/remoção do melanoma principal, e qualquer teste de imagem que for feito.
• Estadiamento patológico utiliza todas essas informações, mais o que é encontrado durante as biópsias de linfonodos ou outros órgãos se tiverem sido feitos.
O estágio patológico (determinado após a biópsia do nodo) pode, na realidade, ser maior do que o estágio clínico (determinado antes da biópsia do nodo) se a biópsia encontrar câncer em novas áreas. Os médicos utilizam o estágio patológico se este estiver disponível, visto que ele fornece um quadro mais exato do câncer.

Categorias T
A categoria T é baseada na espessura do melanoma e outros fatores importantes observados na biópsia de pele.
Espessura do tumor: O patologista examinando a biópsia de pele mede a espessura do melanoma sob o microscópio. Isto é chamado de Índice de Breslow. Quanto mais fino o melanoma, melhor o prognóstico. Em geral, melanomas com menos de 1 milímetro (mm) de espessura (cerca de 1/25 de uma polegada) apresentam uma chance muito pequena de disseminação. À medida que o melanoma fica mais espesso, maior é a chance de se espalhar.
Taxa mitótica: outro aspecto importante para tumores é a taxa mitótica. Para medir isso, o patologista conta o número de células no processo de divisão (mitose) em uma determinada quantidade de tecido de melanoma. Uma maior taxa mitótica (apresentando mais células que estão em divisão) significa que o câncer tem mais chance de crescer e se espalhar. A taxa mitótica é utilizada para auxiliar a estadiar melanomas finos (T1; vide abaixo).
Ulceração: A ulceração é a ruptura da pele sobre o melanoma. Os melanomas que são ulcerados tendem a ter um prognóstico pior.
Os possíveis valores para T são:
TX: Tumor primário não pode ser avaliado.
T0: Sem evidência de tumor primário.
Tis: Melanoma in situ (O tumor permanece na epiderme, a camada mais externa da pele).
T1a: O melanoma tem menos que ou é igual a 1,0 mm de espessura (1,0 mm = 1/25 de uma polegada), sem ulceração e com uma taxa mitótica de menos de 1/mm2.
T1b: O melanoma tem menos que ou é igual a 1.0 mm de espessura. Ele é ulcerado e/ou a taxa mitótica é igual ou maior que 1/mm2.
T2a: O melanoma tem entre 1,01 e 2,0 mm de espessura sem ulceração.
T2b: O melanoma tem entre 1,01 e 2.0 mm de espessura com ulceração.
T3a: O melanoma tem entre 2,01 e 4,0 mm de espessura sem ulceração.
T3b: O melanoma tem entre 2,01 e 4,0 mm de espessura com ulceração.
T4a: O melanoma tem mais de 4,0 mm de espessura sem ulceração.
T4b: O melanoma tem mais de 4,0 mm com ulceração.

Categorias N
Os possíveis valores para N dependem de uma biópsia de linfonodo sentinela ter ou não sido realizada.
O estadiamento clínico dos linfonodos, que é feito sem a biópsia do nodo sentinela, está listado abaixo.
NX: Linfonodos adjacentes (regionais) não podem ser avaliados.
N0: Sem disseminação para linfonodos adjacentes.
N1: Disseminação para 1 linfonodo adjacente.
N2: Disseminação para 2 ou 3 linfonodos adjacentes, OU disseminação do melanoma para pele adjacente ou em direção a uma área de linfonodo adjacente (sem atingir os linfonodos).
N3: Disseminação para 4 ou mais linfonodos, OU disseminação para linfonodos que estão agrupados OU disseminação do melanoma para pele adjacente ou em direção à área de um linfonodo e para dentro do(s) linfonodo(s).
Após uma biópsia de linfonodo, o estágio patológico pode ser determinado, em que letras minúsculas podem ser adicionadas em alguns casos:
• Qualquer Na (N1a ou N2a) indica que o melanoma está nos(s) linfonodo(s), porém é tão pequeno que é somente visto no microscópio (também conhecido como disseminaçãomicroscópica).
• Qualquer Nb (N1b ou N2b) indica que o melanoma está no(s) linfonodo(s) e foi grande o suficiente para ser visível nos testes de imagem ou sentido pelo médico antes de ser removido (também conhecido como disseminação macroscópica).
• N2c indica que o melanoma se espalhou para áreas muito pequenas da pele adjacente (tumores satélites) ou se espalhou para os canais linfáticos da pele em torno do tumor (sem atingir os linfonodos).

Categorias M
Os valores M são:
M0: Sem metástase distante.
M1a: Metástase para pele, tecido subcutâneo (abaixo da pele), ou linfonodos em partes distantes do corpo, com um nível sanguíneo normal de LDH.
M1b: Metástase para os pulmões, com um nível sanguíneo normal de LDH.
M1c: Metástase para outros órgãos, OU disseminação distante para qualquer local juntamente com um nível sanguíneo elevado de LDH.

Agrupamento por estágio
Assim que os grupos T, N, e M forem determinados, eles são combinados para fornecer um estágio global, utilizando os algarismos romanos de I a IV (1 a 4) e, por vezes, subdividindo utilizando letras maiúsculas. Este processo é chamado grupamento por estágio. Em geral, os pacientes com cânceres de menor estágio tem uma melhor perspectiva para uma cura ou sobrevida de longo prazo.
Estágio 0
Tis, N0, M0: O melanoma é in situ, o que significa que está na epiderme, porém não se espalhou para a derme (camada inferior).
Estágio IA
T1a, N0, M0: O melanoma tem menos de 1,0 mm de espessura. Ele não é ulcerado e tem uma taxa mitótica de menos de 1/mm2. Não foi encontrado nos linfonodos ou órgãos distantes.
Estágio IB
T1b ou T2a, N0, M0: O melanoma tem menos de 1,0 mm de espessura e é ulcerado ou tem uma taxa mitótica de pelo menos 1/mm2, OU está entre 1,01 e 2,0 mm e não está ulcerado. Ele não foi encontrado nos linfonodos ou órgãos distantes.
Estágio IIA
T2b ou T3a, N0, M0: O melanoma tem entre 1,01 mm e 2,0 mm de espessura e é ulcerado, OU tem entre 2,01 e 4,0 mm e não é ulcerado. Ele não foi encontrado em linfonodos ou órgãos distantes.
Estágio IIB
T3b ou T4a, N0, M0: O melanoma tem entre 2,01 mm e 4,0 mm de espessura e é ulcerado OU tem mais de 4,0 mm de espessura e não é ulcerado. Ele não é encontrado em linfonodos ou órgãos distantes.
Estágio IIC
T4b, N0, M0: O melanoma tem mais de 4,0 mm de espessura e é ulcerado. Ele não foi encontrado em linfonodos ou órgãos distantes.
Estágio IIIA
T1a a T4a, N1a ou N2a, M0: O melanoma pode ser de qualquer espessura, porém não é ulcerado. Ele se espalhou para 1 a 3 linfonodos próximos à área afetada da pele, porém os nodos não estão aumentados e o melanoma é encontrado somente onde são visualizados sob o microscópio. Não existe disseminação distante.
Estágio IIIB
Um dos seguintes se aplica:
T1b a T4b, N1a ou N2a, M0: O melanoma pode ser de qualquer espessura e é ulcerado. Ele se espalhou para 1 a 3 linfonodos próximos à área da pele afetada, porém os nodos não estão aumentados e o melanoma é encontrado somente quando visualizado sob o microscópio. Não existe disseminação distante.
T1a a T4a, N1b ou N2b, M0: O melanoma pode ser de qualquer espessura, mas não é ulcerado. Ele se espalhou para 1 a 3 linfonodos próximos à área de pele afetada. Os nodos estão aumentados devido ao melanoma. Não existe disseminação distante.
T1a a T4a, N2c, M0: O melanoma pode ser de qualquer espessura, mas não é ulcerado. Ele se espalhou para pequenas áreas da pele adjacente ou nos canais linfáticos em torno do tumor original, mas os nodos não contem melanoma. Não existe disseminação distante.
Estágio IIIC
Um dos seguintes se aplica:
T1b a T4b, N1b ou N2b, M0: O melanoma pode ser de qualquer espessura e é ulcerado. Ele se espalhou para 1 a 3 linfonodos próximos à área da pele afetada. Os nodos estão aumentados devido ao melanoma. Não existe disseminação distante.
T1b a T4b, N2c, M0: O melanoma pode ser de qualquer espessura e é ulcerado. Ele se espalhou para pequenas áreas de pele adjacente ou canais linfáticos em torno do tumor original, mas os nodos não contem melanoma. Não existe disseminação distante.
Qualquer T, N3, M0: O melanoma pode ser de qualquer espessura e pode ou não ser ulcerado. Ele se espalhou para 4 ou mais linfonodos adjacentes, OU para linfonodos adjacentes que estão agrupados, OU se espalhou para a pele adjacente ou canais linfáticos em torno do tumor original e para os linfonodos adjacentes. Os nodos estão aumentados devido ao melanoma. Não existe disseminação distante.
Estágio IV
Qualquer T, qualquer N, M1(a, b ou c): O melanoma se espalhou para além da área original da pele e linfonodos adjacentes para outros órgãos, como pulmão, fígado ou cérebro ou para áreas distantes da pele, tecido subcutâneo, ou linfonodos distantes. Nem a disseminação para linfonodos adjacentes nem a espessura é considerada neste estágio, mas normalmente o melanoma é espesso e também se espalhou para os linfonodos.

 

 

O que são taxas de sobrevida e como funcionam para o melanoma?

Lembre-se: Taxa de sobrevida é uma  referência que não se aplica à todos os pacientes diagnosticados; é necessário avaliação de qualidade de vida, estágio e tratamento aplicado.

As taxas de sobrevida são geralmente utilizadas pelos médicos como um meio padrão de discutir o prognóstico (perspectiva) de uma pessoa. Alguns pacientes com câncer de pâncreas podem querer saber as estatísticas de sobrevida para pessoas em situações semelhantes, ao passo que outros podem não achar os números úteis, ou podem nem mesmo querer saber deles. Se não quiser saber sobre eles, pare de ler por aqui e passe para a próxima seção.
As taxas de sobrevida de 5 e 10 anos se referem à porcentagem de pacientes que vivem pelo menos este período após o seu câncer ser diagnosticado. É claro que muitas pessoas vivem mais que 5 ou 10 anos (e muitos são curados).
A fim de obter as taxas de sobrevida de 5 e 10 anos, os médicos devem avaliar as pessoas que foram tratadas pelo menos 5 ou 10 anos atrás. As melhoras no tratamento desde então podem resultar em uma perspectiva mais favorável para as pessoas que agora estão sendo diagnosticadas com melanoma.
As taxas de sobrevida são geralmente baseadas em resultados anteriores de grandes números de pessoas que tiveram a doença, porém elas não podem predizer o que acontecerá no caso de uma pessoa em particular. Conhecer o tipo e estágio do câncer de uma pessoa é importante na estimativa da sua perspectiva. Porém muitos outros fatores também podem afetar a perspectiva de uma pessoa, como as alterações genéticas nas células cancerígenas e como o câncer responde ao tratamento. Mesmo ao levar esses outros fatores em consideração, as taxas de sobrevida são no máximo estimativas aproximadas. O seu médico pode lhe informar como os números abaixo se aplicam a você, visto que ele ou ela está familiarizado com a sua situação em particular.
As taxas de sobrevida a seguir se baseiam em aproximadamente 60.000 pacientes que foram parte da Base de Dados de Estadiamento para Melanoma do AJCC de 2008. Elas são taxas de sobrevida observadas. Elas incluem algumas pessoas diagnosticadas com melanoma que podem ter posteriormente ido a óbito de outras causas, como doença cardíaca. Deste modo, a porcentagem de pessoas sobrevivendo ao  melanoma em si pode ser maior.
Estágio IA: A taxa de sobrevida de 5 anos é de cerca de 97%. A sobrevida de 10 anos é de cerca de 95%.
Estágio IB: A taxa de sobrevida de 5 anos é de cerca de 92%. A sobrevida de 10 anos é de cerca de 86%.
Estágio IIA: A taxa de sobrevida de 5 anos é de cerca de 81%. A sobrevida de 10 anos é de cerca de 67%.
Estágio IIB: A taxa de sobrevida de 5 anos é de cerca de 70%. A sobrevida de 10 anos é de cerca de 57%.
Estágio IIC: A taxa de sobrevida de 5 anos é de cerca de 53%. A sobrevida de 10 anos é de cerca de 40%.
Estágio IIIA: A taxa de sobrevida de 5 anos é de cerca de 78%. A sobrevida de 10 anos é de cerca de 68%.
Estágio IIIB: A taxa de sobrevida de 5 anos é de cerca de 59%. A sobrevida de 10 anos é de cerca de 43%.
Estágio IIIC: A taxa de sobrevida de 5 anos é de cerca de 40%. A sobrevida de 10 anos é de cerca de 24%.
Estágio IV: A taxa de sobrevida de 5 anos é de cerca de 15% a 20%. A sobrevida de 10 anos é de cerca de 10% a 15%. A perspectiva é melhor se a disseminação for somente em partes distantes da pele ou linfonodos distantes do que em outros órgãos, e se o nível sanguíneo de lactato desidrogenase (LDH) for normal.

Outros fatores afetando a sobrevida
Outros fatores além do estágio também podem afetar a sobrevida. Por exemplo, estágio para estágio, pessoas mais velhas geralmente possuem tempos de sobrevida mais curtos. A maior queda começa com 70 anos de idade. O melanoma é incomum entre africano-americanos, porém quando ocorrem, os tempos de sobrevida tendem a ser mais curtos do que quando ocorre em brancos. Alguns estudos demonstraram que o melanoma tende a ser mais sério se ocorrer em um pé, na palma ou no leito ungueal. Pessoas com transplantes de órgão ou infecção por HIV e melanoma também possuem maior risco de ir a óbito por melanoma.

 

 

  • IKCC - International Kidney Cancer Coalition
  • World Ovarian Cancer Day
  • WAPO - World Alliance of Pituitary Organizations
  • The Carcinoid Cancer Foundation
  • Alianza GIST
  • The Life Raft Group

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